domingo, 30 de novembro de 2014

Cenário para indústria automobilística em 2015 ainda é ‘nebuloso’. Crise de Dilma parece sem fim

Cleide Silva - O Estado de São Paulo


Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, aposta, porém, que o próximo ano será melhor que 2014 em vendas no setor

O cenário para a indústria automobilística em 2015 ainda é “nebuloso”, mas o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, aposta que será melhor que este ano. “Se mantivermos o ritmo de vendas destes últimos meses, certamente será melhor que 2014”, diz ele.
Em setembro e outubro, as vendas melhoraram em relação ao mês anterior, mas seguem com queda de quase 9% no acumulado de janeiro a outubro, com 2,833 milhões de unidades.
Novembro deve ficar com resultado de vendas abaixo de outubro, mas porque há menos dias úteis. Na média diária de vendas, contudo, os números estão melhores.
Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, também está otimista. Segundo ele, o consumidor continua interessado em comprar carros, mas encontra resistência por parte dos bancos em liberar crédito.
“Passada a eleição e com a definição da nova equipe econômica é possível que os mecanismos de crédito sejam retomados”, diz Marques. A recém aprovada lei que facilita a recuperação de carros de inadimplentes também deve contribuir para a liberação de crédito por parte dos bancos.
O sindicalista acrescenta que “mesmo com a política econômica mais austera, as condições objetivas para uma retomada de mercado estão dadas”. Segundo ele, já há, inclusive, sinais de melhora de empregos na região do ABC, por exemplo no setor de autopeças.
Sinal vermelho. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, Aparecido Inácio da Silva, não tem a mesma percepção. “Estou muito pessimista com 2015 e acredito que o sinal continuará vermelho, inclusive por causa do ‘pacote de maldades’ que está sendo preparado pela nova equipe econômica.”
O presidente da consultoria MA8 Consulting Group, Orlando Merluzzi, acredita que, no segmento de caminhões – o mais afetado pela crise neste ano, com queda de 13,4% nas vendas até outubro – só haverá uma melhora a partir do segundo semestre.
“As incertezas de curto prazo na economia farão o empresário parar no primeiro semestre para analisar o contexto do cenário econômico do País”, diz Merluzzi.
“O mercado vai andar de lado”, afirma o consultor. “Maiores volumes de compras devem ocorrer apenas no segundo semestre, mas em ritmo moderado”. Merluzzi não acredita, porém, que ocorrerão demissões em massa. “Pode ter ajustes, mas não haverá redução significativa no quadro de pessoal”, acredita ele.

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