TV Globo
Ministério Público da Suíça já localizou e vai entregar extratos de uma conta do ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
Vídeo Jornal Nacional http://migre.me/n5USGPromotores que investigam a corrupção na Petrobras estão embarcando, nesta segunda-feira (24) para a Suíça, onde foram depositados milhões desviados de obras da empresa.
Nesta segunda (24), o último foragido da sétima etapa da Operação Lava Jato se apresentou às autoridades, em Curitiba.
Adarico Negromonte Filho se entregou à Polícia Federal por volta das 11h. Ele chegou de táxi e foi do portão até a recepção cercado pelos jornalistas. Mas se manteve calado. Adarico, irmão do ex-ministro das cidades, Mário Negromonte, é suspeito de fazer o transporte de dinheiro vivo em nome do doleiro Alberto Youssef.
A advogada dele não comentou essa suspeita. Disse, apenas, que quer que o cliente, de 70 anos de idade, responda ao processo em liberdade.
“O senhor Adarico já colaborou, já fez o depoimento. Ele conta com uma idade avançada, um estado de saúde delicado. Por esse motivo, nós aguardamos o bom senso da Justiça para que ele possa responder os demais atos em liberdade”, afirma a advogada de Adarinco Negromonte Joyce Royzen.
E nesta segunda-feira (24) procuradores da força tarefa do Ministério Público Federal embarcaram para a Suíça em busca de parte do dinheiro que teria sido desviado de obras da Petrobras. O Ministério Público da Suíça já localizou e vai entregar extratos de uma conta do ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Nesta conta estão depositados cerca de US$ 27 milhões. A força-tarefa quer identificar a origem exata desse dinheiro.
Os procuradores querem investigar a movimentação da conta para descobrir se Paulo Roberto Costa repassou dinheiro para outras pessoas. O Ministério Público Federal também vai buscar provas de que outros investigados mandaram dinheiro para o exterior.
Entre eles Renato Duque, ex-diretor de serviços da Petrobras; Pedro Barusco, que era gerente-executivo de serviços e já aceitou devolver cerca de US$ 100 milhões; e o lobista Fernando Soares, apontado por Paulo Roberto Costa como operador do PMDB no esquema de corrupção. A defesa dele e o PMDB negam essa acusação. Os investigadores já têm muitas indicações sobre os pagamentos de propina.
O executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, por exemplo, disse em depoimento que, em 2008, repassou R$ 6 milhões para a diretoria de serviços da Petrobras. Segundo ele, a maior parte foi depositada no banco Credit Suísse, em contas indicadas por Renato Duque e Pedro Barusco. Júlio Camargo também afirmou que repassou de US$ 12, 5 milhões a US$ 15 milhões a Fernando Soares - e que esse dinheiro foi transferido para um banco no Uruguai e para várias outras contas indicadas por Fernando no exterior.
O Ministério Público quer identificar e bloquear todas as contas que possam ter sido usadas no esquema de corrupção na Petrobras - e iniciar, rapidamente, os processos necessários para trazer o dinheiro de volta.
O ex-diretor da Petrobras Renato Duque nega participação em crimes e o recebimento de vantagens indevidas no brasil ou no exterior.
Os advogados de Pedro Barusco e Fernando Soares não quiseram se manifestar.
O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa do ex-diretor Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar.
O doleiro Alberto Youssef, preso na primeira fase da Operação Lava Jato, em março, voltou a ser ouvido nesta segunda, em Curitiba.