Mateus Coutinho e Fausto Macedo - O Estado de São Paulo
Advogados de Erton Medeiros de Fonseca, executivo da Galvão Engenharia, alegaram que ele foi ameaçado para pagar R$ 8,3 milhões de propina entre 2010 e 2014
A defesa do executivo investigado na Lava Jato, Erton Medeiros de Fonseca, da Galvão Engenharia, afirmou à Justiça Federal do Paraná que ele foi extorquido por um suposto emissário da Diretoria de Serviços da Petrobrás, para pagar R$ 8,3 milhões de propina em valores líquidos, entre os anos 2010 e 2014. Até 2012 a diretoria era comandada por Renato Duque, apontado como operador do PT no esquema de desvios da estatal.
Dentre esses valores há até um pagamento de R$ 230 mil efetuado em 25 de junho de 2014, quando a operação Lava Jato já havia sido deflagrada e Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef já estavam presos. Os pagamentos, segundo a defesa, foram para evitar que a empresa perdesse os contratos que mantinha com a Petrobrás.
De acordo com a versão da defesa do executivo, ele teria sido ameaçado por Shinko Nakandakari, ”pessoa que se apresentou como emissário da Diretoria de Serviços da Petrobrás na presença de Pedro Barusco”. Ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços, Barusco fechou acordo de delação premiada em que se comprometeu a devolver cerca de US$ 100 milhões e contar o que sabe sobre o esquema de corrupção e propina na estatal.
ABAIXO, A TABELA COM NOTAS FISCAIS ENCAMINHADAS PELA DEFESA DE ERTON
No documento encaminhado à Justiça Federal, a defesa de Erton alega que os pagamentos foram feitos pela Galvão Engenharia para contas da LFSN Consultoria, empresa que o executivo diz ter sido indicada por Shinko e para a qual Erton teria sido obrigado a fazer pagamentos a título de propina “com a efetiva ameaça de retaliação das contratações que a Galvão Engenharia S/A tinha com a Petrobrás, caso não houvesse o pagamento dos valores estipulados de maneira arbitrária, ameaçadora e ilegal”, assinalam os advogados José Luis Oliveira Lima e Camila Torres Cesar, responsáveis pela defesa do executivo.
As contas bancárias da LFSN estão em nome dos filhos de Shinko. O nome da empresa, inclusive remete às iniciais do filho de Shinko, o advogado Luis Fernando Sendai Nakandakari, que aparece como um dos sócios da companhia e em cujas contas bancárias foram realizados os depósitos.
A Diretoria de Serviços da estatal foi comandada até 2012 por Renato Duque, também preso na sétima etapa da Lava Jato. Duque é apontado como indicado do PT ao cargo e, segundo depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Yousser à Justiça Federal, ele seria o responsável por operacionalizar o esquema de propinas para o PT. Todas as licitações da estatal passam pela Diretoria de Serviços que, segundo Costa e Youssef, recolhia 2% do valor dos contratos para o Partido dos Trabalhadores.
A reportagem deixou recado no escritório onde Luis Fernando Sendai Nakandakari trabalha, mas ainda não obteve retorno. Shinko não foi localizado para comentar o caso.
