Thiago Herdy - O Globo
Depois de ajudar a eleger Dilma Rousseff em 2010, ao custo de R$ 39 milhões, o marqueteiro João Santana continuou trabalhando para a presidente. Criou slogans de governo, assessorou a petista em discursos e definiu o tom da comunicação oficial, embora afirme não cobrar pelo serviço.
Em compensação, dois anos depois de eleger Dilma, Santana foi contratado pelo PT por R$ 30 milhões para realizar a campanha a prefeito mais cara do Brasil, pela eleição de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. O valor pago pelo trabalho realizado na campanha municipal corresponde a 77% do custo dos serviços de Santana na campanha presidencial, segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As três agências que atualmente prestam serviços ao governo federal — a baiana Propeg, a Nova S/B e a Leo Burnett — receberam no governo Dilma, juntas, R$ 393,7 milhões.
O GLOBO perguntou às agências se causava incômodo ou constrangimento o fato de outro profissional, de outra empresa, assessorar a comunicação oficial e realizar serviços que deveriam ser realizados pelas vencedoras da licitação.
“A agência mantém contrato de publicidade exclusivamente com a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) e é com os profissionais de lá que mantemos o relacionamento do dia a dia”, informou a agência Nova S/B. A assessoria da Leo Burnett disse manter relação “apenas com a Secom” e informou que “não comenta trabalhos, seja de clientes da área do governo ou privados”. A Propeg não quis se pronunciar.
‘CONSULTOR INFORMAL’
O ministro da Secom, Thomas Traumann, disse que Santana atuou “como consultor informal da Presidência, sem nenhum tipo de vínculo empregatício ou de remuneração com o governo ou agências prestadoras de serviço”. O publicitário emplaca agora a terceira campanha presidencial pelo PT. Em 2006, trabalhou pela reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebendo R$ 13,7 milhões em valores da época.