segunda-feira, 24 de março de 2014

Rebaixamento é resultado da guinada na política econômica

Miriam Leitão - O Globo


O rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela S&P está diretamente ligado à guinada que a política econômica sofreu a partir de 2011. O governo passou a tolerar um pouco mais de inflação, os juros caíram por vontade política, e os estímulos a empresas escolhidas se transformaram na principal arma para fomentar o crescimento. Como era de se esperar, deu errado.

O principal grupo empresarial apoiado pelo governo quebrou - o grupo X de Eike Batista -, a intervenção no setor elétrico se mostrou desastrosa, com perdas enormes para as empresas e uma conta fiscal que cresce a cada semana. Os aportes do Tesouro nos bancos públicos fizeram subir a dívida bruta.

A carga tributária cresceu nos três primeiros anos do governo Dilma e ainda assim o país manteve déficits nominais e só cumpriu as metas de superávit primário com truques contábeis. A bolsa de valores caiu para a casa dos 40 mil pontos. A taxa de investimento sobre o PIB continuou estagnada e a taxa de poupança caiu a 13% com os estímulos ao consumo.

A inflação estourou o teto da meta por mais de 10 meses e há vários preços congelados pelo governo: energia elétrica, gasolina, diesel, tarifas de transporte público urbano. As expectativas continuam altas, mesmo com o forte aumento das taxas de juros.

Nada do que diz a S&P em seu relatório divulgado hoje à noite é novidade para quem acompanha com atenção os rumos da economia brasileira. O melhor a fazer, diante desse sinal, é corrigir os erros.