segunda-feira, 31 de março de 2014

"É hora de denunciar a nudez do reizinho que forçou a internação da Petrobras na UTI"



Blog Augusto Nunes - Veja


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Especialista em jogo sujo, Lula aproveitou a reunião com empresários do Paraná para golpear Eduardo Campos abaixo da linha da cintura. “A minha grande preocupação é repetir o que aconteceu em 1989: que venha um desconhecido, que se apresente muito bem, jovem e nós vimos o que deu”, disse o palanque ambulante em 14 de março, agora empenhado em reduzir o candidato à Presidência pelo PSB numa versão pernambucana de Fernando Collor. Uma semana antes, Campos ressalvara que as críticas que faz a Dilma Rousseff não se estendem ao ex-presidente de quem foi ministro de Ciência e Tecnologia. O afago foi retribuído com o pontapé desleal.

O silêncio de Campos sobre a comparação ofensiva informa que também ele não sabe com quem está lidando. Se não acordar a tempo, repetirá o mesmo equívoco cometido por José Serra no início da campanha de 2010, quando procurou convencer o eleitorado de que Lula e Dilma não são uma coisa só. O desfecho da disputa confirmou que é impossível fazer oposição à criatura e, simultaneamente, tratar com reverência o criador. Passados quatro anos, os que enxergam mais de um palmo além do nariz sabem que o poste é inseparável de quem o instalou no Planalto. Sem Lula, não existiria Dilma Rousseff. Sem o chefe supremo, o PT seria um partido nanico.

A subserviência dos devotos reitera diariamente que a seita lulopetista é incapaz de sobreviver sem o amparo de seu único deus. Os oposicionistas ainda não sabem disso. Caso soubessem, já teriam enxergado no grande farsante o alvo principal. Sobram flancos expostos. Faltam adversários prontos para contragolpes contundentes. O revide de Campos, por exemplo, poderia começar pela constatação de que Collor foi publicamente redimido por Lula, em julho de 2009, de todos os pecados que cometeu, comete e cometerá.

Como atesta a foto do encontro em Palmeira dos Índios, os inimigos do século passado revogaram o sentimento da honra, tornaram-se amigos de infância e viraram as páginas repletas de iniquidades. Na campanha eleitoral de 1989, por exemplo, o candidato do PT foi submetido ao que considera “o pior dia da vida” pela aparição no horário eleitoral de Collor da ex-namorada Miriam Cordeiro, que acusou Lula de tentar interromper com um aborto a gestação da filha Lurian. Lula topar qualquer negócio para abortar também a CPI que pretendia abrir a caixa-preta da Petrobras, lembrou o post inspirado na foto.

O apoio do senador Fernando Collor ajudou o presidente a esconder o que se passava nas catacumbas da empresa estatal. O abraço obsceno pagou parte do acordo. O restante foi muito além do simbólico, constatou em outubro de 2010 o texto republicado na seção Vale Reprise. O presidente despejado do Planalto por ter desonrado o cargo também foi autorizado a instalar o afilhado José Zonis na Diretoria de Operações e Logística da Petrobras Distribuidora. Com a nomeação do afilhado, Collor foi dispensado de designar algum homem de confiança para missões de grosso calibre na maior das estatais. O afilhado está lá para isso.

Eduardo Campos também poderia ter lembrado que o país que presta sempre soube que os personagens da foto em Palmeira dos Índios nasceram um para o outro. Escancarado pela grossura explícita, o primitivismo de Lula pode ser visto com nitidez por trás do falso refinamento de Collor.

Escancarado pela arrogância de oligarca, o autoritarismo de Collor é perfeitamente visível por trás do paternalismo populista de Lula. Os dois são, em sua essência, primitivos e autoritários. Neste fim de março, previsivelmente, lutavam lado a lado para matar no berço outra CPI da Petrobras.

Os oposicionistas têm mais uma chance de dar a Lula o tratamento que todo culpado merece. De novo, ele tenta escapar de um escândalo pelo atalho do silêncio. É preciso obrigá-lo a recuperar a voz para tentar explicar-se. Foi ele quem infiltrou na Petrobras os envolvidos na história malcheirosa da refinaria de Pasadena. Foi ele quem premiou José Sérgio Gabrielli com a presidência da Petrobras.

Foi ele quem transformou Dilma em ministra de Minas e Energia, chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da estatal. Foi ele quem decidiu que a refinaria Abreu e Lima seria construída em parceria com Hugo Chávez.

Depois de ter forçado a internação na UTI uma empresa que esbanjava saúde, tenta escapar do hospital. É preciso rasgar a fantasia do Descobridor do Pré-Sal. É preciso deixar claro que a autossuficiência na produção de petróleo foi mais uma fraude entre tantos.É hora de denunciar a nudez do reizinho.

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