sexta-feira, 31 de julho de 2015

A turma de Dilma no eletrolão

Claudio Dantas Sequeira - IstoE



Investigação do esquema de propinas chega às elétricas e se aproxima personagens muito próximos da presidente, como o ministro Aloizio Mercadante, a antiga auxiliar Erenice Guerra e o diretor da Eletrobras, Valter Cardeal


Em julho de 2007, a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, reuniu alguns ministros num comitê que tinha como missão fixar novas metas para o programa nuclear brasileiro. Aficionada às questões do setor elétrico, Dilma puxou para si o papel de coordenadora do grupo. O trabalho resultou num plano que previa, dentre tantas metas ambiciosas, a conclusão das obras da usina nuclear de Angra 3, paralisadas nos anos 80. No comando operacional da empreitada estava o presidente da Eletronuclear, almirante Othon Pinheiro da Silva, que se tornou na semana passada o principal alvo da 16ª fase da Operação Lava Jato. 
Othon, que estava licenciado do cargo desde abril, quando surgiram os primeiros indícios de irregularidades, foi preso pela Polícia Federal sob acusação de receber R$ 4,5 milhões em propinas pagas por empreiteiras integrantes do consórcio responsável pela obra. Embora o militar tenha surgido como a face mais visível do esquema, a PF tem elementos que podem fazer com que as investigações atinja outras personagens muito próximos da presidente Dilma. “É possível que a gente chegue aos políticos”, disse o delegado Igor Romario de Paula.

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NA ANTE-SALA DO PLANALTO 
Aloizio Mercadante, Erenice Guerra e Valter Cardeal (da esq. para dir.)
deverão estar entre os investigados no Eletrolão
Chegar aos políticos é quase um eufemismo. Ao mergulhar no setor elétrico, a PF vai bater na porta do Palácio do Planalto. Não há um só projeto no setor elétrico que Dilma não tenha acompanhado de perto. Se como presidente do Conselho da Petrobras a presidente alega que não tinha informações completas sobre o que acontecia na estatal, dificilmente poderá dizer que desconhecia os rolos em Angra 3 ou na usina de Belo Monte, os dois maiores investimentos do governo em geração de energia. 
Em ambos os casos, os investigadores já têm indícios de envolvimento de gente de confiança da petista. Há informações, por exemplo, de que boa parte dos contratos de equipamentos da mega hidrelétrica que está sendo construída na bacia do rio Xingu era antes negociada num escritório de advocacia – ou lobby – abrigado num imponente edifício de linhas modernistas e fachada de concreto na quadra 8 do Lago Sul, bairro nobre de Brasília.
O imóvel está situado a apenas uma quadra do escritório de advocacia de Erenice Guerra. E não é mero acaso. Além da ex-ministra de Dilma, segundo investigadores, também frequenta o local o advogado Joaquim Guilherme Pessoa e o empresário Marco Antonio Puig, ligado à empresa LWS envolvida numa investigação de fraudes em contratos de informática nos Correios. Puig teria relação com o diretor da Eletrobras Valter Cardeal, outro apadrinhado de Dilma.

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O consórcio construtor de Belo Monte é liderado pela Andrade Gutierrez em parceria com Odebrecht, Camargo Correa, Queiroz Galvão e OAS, as mesmas do clube do bilhão, além de outras cinco menores. A PF sabe que no mesmo local também eram negociados projetos para captação de investimento de fundos de pensão e acertos para a anulação de multas fiscais no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), que já é alvo de outra operação. Erenice, dizem os investigadores, também atuou na comercialização de energia. Ela chegou a se associar informalmente ao ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau e ao lobista Alexandre Paes dos Santos no Instituto de Desenvolvimento de Estudos e Projetos Econômicos.
O caso da usina de Belo Monte, orçada em R$ 30 bilhões, segundo um procurador da Lava Jato, se relaciona diretamente com o de Angra 3. A força-tarefa obteve os primeiros indícios de que o esquema do Petrolão se alastrara para o setor elétrico quando apreendeu com o doleiro Alberto Youssef a planilha de 750 obras federais. Mais recentemente, em delação premiada, o ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini revelou detalhes sobre o superfaturamento das obras e pagamento de R$ 20 milhões em propinas a políticos, por meio de empresas de fachada. 
Avancini citou como um dos beneficiários do esquema o diretor da Eletronorte Adhemar Palocci, irmão do ex-ministro Antonio Palocci, que já é investigado em outro procedimento da Lava Lato e foi um dos coordenadores da campanha de Dilma em 2010 – além de sministro da Casa Civil. Adhemar era considerado intocável. Seu nome surgiu em 2009 na Operação Castelo de Areia. 
Avancini também envolveu o nome de Flávio David Barra, presidente global da Andrade Gutierrez Energia, que era seu interlocutor nas obras de Belo Monte. Barra foi preso com Othon na semana passada. A PF cumpriu ainda 30 mandados de busca e apreensão na sede da Eletronuclear e outros imóveis residenciais e comerciais em Brasília, Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Barueri. As prisões se basearam em movimentações bancárias de empresas envolvidas no esquema e no depoimento de Avancini, que revelou a existência de um acerto para pagamento de propinas ao PMDB e a funcionários da Eletronuclear em relação às obras de Angra 3. 
Ele contou detalhes de uma reunião feita em agosto de 2014 e apontou Flávio Barra como “o representante da Andrade Gutierrez que discutia valores a respeito da propina de Angra 3”, segundo o procurador Athayde Ribeiro Costa.

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As obras civis de Angra 3 começaram em 1984, mas ficaram paralisadas por 25 anos. Foram retomadas em 2009 com previsão de aportes de R$ 7 bilhões. Nessa época, o presidente da Eletronuclear – que segundo a Lava Jato já recebia propinas – defendia a retomada do contrato com a Andrade Gutierrez, mas o projeto antigo não considerava uma série de parâmetros de segurança adotados mundialmente após o acidente nuclear de Three Mile Island, na Pensilvânia (EUA), em 1979. As falhas de projeto foram denunciadas por ISTOÉ e levaram os órgãos de controle a pressionarem o governo por uma reformulação do projeto.
Em última análise, foi necessário o lançamento de uma nova licitação. A concorrência foi vista pelas empreiteiras do clube do bilhão como uma oportunidade para acertarem um novo negócio, elevando o custo da obra de R$ 7 bilhões para R$ 15 bilhões. Segundo o MPF, a propina alcançaria o valor de 1% dos contratos. No despacho que determinou as prisões, o juiz Sérgio Moro ressaltou que Othon Pinheiro da Silva era ao mesmo tempo presidente da Eletronuclear e proprietário da Aratec Consultoria e Representações, configurando um conflito de interesses.
Outro provável foco de irregularidades na área sob controle de Othon é o projeto do submarino nuclear, o Prosub. Coube ao presidente da Eletronuclear a elaboração do projeto de aquisição de submarinos franceses. O pacote orçado em R$ 28 bilhões inclui a compra de quatro Scorpéne de propulsão a diesel e o desenvolvimento conjunto com a estatal DCNS de um modelo de propulsão nuclear, que será montado num estaleiro em Itaguaí, no Rio. A Odebrecht foi escolhida pela Marinha para construir o estaleiro, mas não houve licitação. Esse negócio foi conduzido por outro militar, o coronel Oswaldo Oliva Neto, irmão do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.
A investigação do MPF reúne indícios de que Oliva Neto possa ter atuado como operador de Mercadante, que ao assumir a pasta de Ciência e Tecnologia pressionou para a realização de uma nova licitação para Angra 3. Coronel reformado, Oliva Neto ocupou até 2007 o cargo de chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência. Desde então, ele reativou a Penta Prospectiva Estratégica e passou a prestar consultoria em todos os grandes projetos do governo do PT na área de defesa, não só na compra dos submarinos, mas dos helicópteros franceses EC-725 e em projetos da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. 
Em 2010, Penta se uniu à Odebrecht Defesa e Tecnologia, criando a Copa Gestão em Defesa. Depois foi adquirida a Mectron, que igualmente firmou sem concorrência contrato com a Amazul Tecnologias de Defesa, estatal de projetos criada por Dilma para atuar no Prosub. A Lava Jato puxará agora o fio desse novelo que pode levar a identificar possível tráfico de influência de Mercadante e eventual uso da empresa de consultoria de seu irmão para recebimento de propina.
Foto: Regina Santos/Norte Energia 

ISTOE: O diálogo inviável entre FHC e Lula

Sérgio Pardellas IstoE



Há uma diferença tão abissal entre o que os ex-presidentes FHC e Lula pensam hoje para o país que uma conversa entre os dois tornou-se impossível


No final da década de 70, FHC e Lula eram tão afinados que pareciam tocar de ouvido. Mas a radicalização do comportamento do petista, nos últimos tempos, aprofundou as divergências entre eles tornando-as inconciliáveis

Forjados no mesmo berço político, a esquerda paulista, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva são uma espécie de irmãos Karamázov da política brasileira. Como os personagens do romance de Dostoiévski, FHC e Lula reuniram predicados e exibiram visões de mundo que os aproximaram no passado. Em 1978, primeiro ano das greves do ABC, Lula chegou a participar da campanha de FHC ao Senado. O então líder sindical foi quem apresentou o acadêmico às portas de fábrica. Juntos, panfletaram pelas ruas de São Paulo. Embora estivessem unidos no começo de suas vidas públicas, os dois, como os irmãos Karamázov, nunca mais convergiram na forma de pensar política. Há pelo menos duas décadas, FHC e Lula trilham caminhos opostos e defendem idéias e projetos completamente distintos para o País. Nos últimos tempos, distanciaram-se de tal maneira que inviabilizou qualquer diálogo entre os dois sobre o futuro do Brasil, como o imaginado e proposto há duas semanas por Lula.

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Os reais propósitos do petista, ao planejar o encontro, ilustram bem o abismo existente hoje entre os dois principais líderes do País. Atualmente, enquanto Fernando Henrique apresenta alternativas para livrar o Brasil da crise política e econômica e demonstra preocupação com a manutenção do equilíbrio entre os poderes e com a saúde das instituições, Lula manda às favas as boas práticas republicanas. O petista articula nos bastidores toda a sorte de pressões sobre órgãos do Legislativo e Judiciário, como o TCU e o STF, onde o destino da presidente Dilma Rousseff será jogado no próximo mês. No Instituto Lula, transformado em bunker desde sua saída do poder, o ex-presidente orienta correligionários a trabalhar no Parlamento contra a rejeição das contas de 2014 do governo, caso o TCU as reprove e o assunto ganhe o rumo do Congresso, foro capaz de propor o impeachment de Dilma. A reunião com FHC faz parte deste contexto. Hoje, o pretenso diálogo buscado por ele com a oposição tem como único e real objetivo a tentativa de salvar a pele de Dilma, às voltas com a ameaça de afastamento, e a de si próprio. Diante de um erro tão surpreendente quanto primário do petista, qual seja, o de apresentar uma proposta com evidentes traços oportunistas num momento de fragilidade de uma presidente que ele próprio legou ao País, coube a FHC elevar o patamar do debate. “O momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim com o povo. Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo”, afirmou o tucano.
Curiosamente, as trajetórias de Lula e FHC contrastam na imagem apresentada e deixada por eles durante a chegada ao Planalto e o desembarque do poder. O ex-presidente Lula saiu da Presidência muito maior do que entrou. Depois de vencer as desconfianças iniciais, recuperou a credibilidade do País, consolidou os pilares macroeconômicos e aprofundou o processo de inclusão social, saindo do Planalto com uma popularidade colossal – a maior registrada entre os presidentes no pós-redemocratização. O apoio da população à sua gestão se traduziria nas urnas com a eleição da escolhida por ele para ser a sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff. Com FHC deu-se o inverso. Sociólogo respeitado e eficiente ministro da Fazenda de Itamar Franco, o tucano elegeu-se sem necessidade de segundo turno na esteira do retumbante sucesso do Plano Real, responsável pelo fim da inflação e estabilização da economia. O conturbado processo de aprovação da emenda à reeleição, com fortes indícios de compra de votos, somado às controversas medidas adotadas pela área econômica para manter a paridade entre o real e o dólar até a nova eleição foi proporcional à crise provocada pela consequente brusca desvalorização da moeda. Resultado: em 2002, FHC deixou o País à beira de uma crise. Portanto, menor do que entrou. Na campanha, o designado para sucedê-lo, então ministro da Saúde, José Serra, temendo perder votos, não se constrangeu em escondê-lo do programa eleitoral na TV. O resto da história todos sabem. Na eleição, o sucessor de FHC foi derrotado por Lula.

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Em 1978, o líder sindical participou ativamente da campanha do acadêmico para
o Senado. Os dois panfletaram juntos pelas ruas de São Paulo
Hoje, aos 84 anos, FHC se redime de equívocos passados. Distinguindo-se de Lula no modo de pensar e agir, como também nos projetos desenhados para o País, o presidente de honra tucano comporta-se como estadista que, até pouco tempo, o petista parecia ser. Mesmo sem exercer cargo público há 12 anos, Fernando Henrique tornou-se uma das vozes mais equilibradas e lúcidas da atualidade. Desde 2007, integra a The Elders, colegiado idealizado por Nelson Mandela e composto por figuras de renome internacional como o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, o ex-secretário da ONU, Kofi Annan e o bispo anglicano Desmond Tutu. O grupo destina-se a promover a defesa dos direitos humanos e buscar caminhos para a paz mundial. No Brasil, FHC ministra palestras e, em seu Instituto, comanda debates onde busca alternativas para o País e a América Latina. Em artigo publicado no último mês, conclamou o PSDB a se aprumar à esquerda, ao condenar a aproximação do partido com as forças conservadoras do Congresso. Ao analisar um possível pedido de impeachment contra a presidente Dilma, ponderou. “Em sã consciência, nenhum líder político responsável deve propor como objetivo um impeachment. Por outro lado, também serão inconseqüentes se, diante do aumento do protesto e do aparecimento de uma base jurídica, os líderes não assumirem a responsabilidade de encaminhá-lo”, disse em recente entrevista. A oposição, para FHC, precisar ser propositiva e apontar direções para o Brasil. “A oposição deve apoiar medidas do ajuste fiscal que lhe parecerem necessárias. Ao mesmo tempo construir caminhos para a política econômica e para o jogo do poder”. Do outro lado da trincheira, Lula, vidrado no objetivo de perpetuar no poder ele e sua obra, apequena-se a cada átimo de tempo. Na eleição do ano passado, Lula manchou sua biografia ao endossar uma campanha de baixíssimo nível baseada em mentiras e difamações. Num dado momento da refrega política, chegou ao ponto de subir num palanque para insinuar que o adversário de Dilma tinha o costume de bater em mulher.
Na última semana, Lula ocupou as páginas do noticiário nacional e internacional emoldurando a notícia de que passou a ser investigado pelo Ministério Público por tráfico de influência, depois de deixar a Presidência. “Há sempre um problema no fato de um ex-presidente usar seus contatos, seu poder, para ajudar determinados interesses. Isso em si já traz implicações éticas”, diz Alejandro Salas, diretor de Américas da Transparência Internacional. A interlocutores, recentemente, o petista admitiu temer ser preso em meio às investigações da Lava Jato. Pessoas próximas a Lula já se encontram atrás das grades. De tão surrados, seus discursos já não emocionam como em outros tempos. Pelo contrário. São recebidos com indignação por parcela expressiva da população, tamanha a desfaçatez com que é pronunciado. As recentes pesquisas de intenção de voto mostram a deterioração de sua imagem pública. Antes favoritíssimo para 2018, Lula figura a dez pontos percentuais atrás do senador tucano, Aécio Neves – algo impensável até pouco tempo atrás. Para protegê-lo, o PT prometeu repetir o tom belicista da campanha de 2014 no retorno do recesso do Congresso esta semana. Atribuem as investigações do MP a uma ação orquestrada para atingir Lula. Das tribunas da Câmara e Senado, os petistas planejam atacar governadores de oposição e cobrar que a Lava Jato também aprofunde investigações sobre a relação das empreiteiras com governos do PSDB.

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O comportamento mostra como o diálogo apregoado por Lula é implausível na atual circunstância política do País. Mesmo assim, manifestações dos ministros Jaques Wagner, da Defesa, Edinho Silva, da Comunicação Social, e Pepe Vargas, de Direitos Humanos, transmitiram a impressão de que o Palácio do Planalto avalizava o movimento. “Sou plenamente favorável (ao encontro) e acho que isso deveria acontecer mais no Brasil. Nos Estados Unidos, é a coisa mais normal do mundo ex-presidentes se reunirem, inclusive, a convite do presidente em exercício”, disse Edinho. “Apesar da última campanha dura, não podemos deixar consolidar na alma brasileira, e na política brasileira, uma dicotomia que não se conversa. Países que seguiram esse rumo não tiveram grande destino”, fez coro Wagner. Como, na sequência, FHC colocou uma pá de cal no assunto, Dilma, em reunião no Planalto, classificou as articulações para o encontro com o tucano de “absurda”, numa tentativa de demonstrar que nunca trabalhou por ele ou sequer almejou uma aproximação. A ser verídica esta versão, trata-se de mais uma trombada entre Dilma e Lula, entre tantas colecionadas este ano.
A linha que hoje separa FHC e Lula e os acomodam em campos diametralmente opostos já foi tênue. Quando debutaram na política, os dois pareciam tocar de ouvido, de tão afinados. Além de integrarem a mesma campanha, no fim da década de 70, FHC e Lula dividiram mesas de bar e, entre risadas e perorações sobre o futuro do País, até desfrutaram de um fim de semana numa casa de praia em Picinguaba, Ubatuba, litoral norte de São Paulo, ao lado de suas respectivas mulheres. Antes de fundar o PT, em 1980, Lula discutiu com FHC a criação de um partido socialista. A ideia não frutificou e cada um foi para um lado. Mesmo com o recrudescimento dos discursos, e o antagonismo que marcou as disputas entre o PSDB e o PT nas últimas quatro eleições, houve quem defendesse a união das duas legendas. Em 2005, o filósofo Renato Janine Ribeiro, atual ministro da Educação, evocou a “grande coalizão” na Alemanha Ocidental de 1966, quando a direita se aliou ao SPD (Partido Social-Demorata), para aventar a possibilidade de uma aliança entre PT e PSDB – FHC e Lula. Em 2011, o embaixador Rubens Barbosa propôs a união entre tucanos e petistas durante os cem primeiros dias de governo, para a aprovação de uma agenda mínima na qual os demais partidos agregariam os votos para a formação de maioria qualificada de modo a aprovar reformas essenciais ao País como a política, tributária, trabalhista e da previdência social. Mal sabia o embaixador, na ocasião, que quem desceria ao nível mais rasteiro do debate, três anos depois, tornando inviável qualquer forma de entendimento futuro, seria o ex-presidente petista, no vale-tudo pela reeleição de Dilma. Para o cientista político, Gaudêncio Torquato, é por essas e outras que Lula revela incoerência ao propor um diálogo com os tucanos. “Durante anos e anos, os petistas execraram o governo Fernando Henrique. Agora que o governo do PT se encontra num ringue e a imagem da Dilma se deteriora cada vez mais, o Lula sugere um encontro com FHC?”, questionou.

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A sórdida campanha de 2014 não seria o primeiro episódio em que Lula e o PT colocariam seus projetos pessoais e de poder acima de interesses nacionais e do bom e salutar debate republicano. Em 1984, quando percebeu que a emenda Dante de Oliveira, que decidiria sobre o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República no Brasil após 20 anos de regime militar, não seria aprovada no Congresso, as principais lideranças política se aliaram em torno de Tancredo Neves, a quem coube liderar uma transição. O PT preferiu ficar de fora.
A cena se repetiu na Constituinte de 1988, em 1993, quando os partidos se uniram em torno do vice Itamar Franco, após o impeachment de Collor, e durante a concepção do Plano Real, quando petistas não só opuseram resistência à nova moeda como ingressaram com ações na Justiça para inviabilizá-la. “Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe que as elites aplicam na forma de um novo plano econômico”, afirmou o ex-ministro Gilberto Carvalho na ocasião. Apostando no quanto pior melhor e preocupado com as eleições seguintes, Lula seguiu na mesma toada. “Esse plano não tem nenhuma novidade. Suas medidas refletem as orientações do FMI. Os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, haverá condições”. A história mostrou quem estava ao lado do País e quem defendia interesses mais mesquinhos. Não à toa, as divergências, hoje, entre FHC e Lula são inconciliáveis. Como aquelas nutridas pelos Karamázov.
Colaborou Ludimilla Amaral
Fotos: Frederic Jean, Adriano Machado - Ag. Istoé, Nacho Doce/REUTERS; Wellington Pedro/Imprensa MG 

Bruce Springsteen - "Blowin in the Wind"

Stevie Wonder - Blowin' in the Wind Bob Dylan - The 30th Anniversary

‘Brasil exporta corrupção ao maior porto de Raúl Castro’, diz jornal mexicano

Com Blog Felipe Moura Brasil - Veja


Traduzo abaixo a reportagem do jornal mexicano La Razón sobre a corrupção no Porto de Mariel, em Cuba, uma obra no valor de US$ 957 milhões, sendo US$ 682 milhões em empréstimos do BNDES.
Brasil Cuba jornal
Em janeiro de 2014, os presidentes do Brasil e de Cuba, Dilma Rousseff e Raúl Castro, inauguraram a Zona Econômica Especial no porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, como uma estratégia comercial conjunta.
Hoje, o projeto portuário de Castro está marcado por práticas ilegais e de má gestão dos recursos… da mesma forma que a paraestatal sul-americana, a Petrobras, é marcada por uma teia de corrupção que inclui os altos escalões do Partido dos Trabalhadores dominantes e o ex-presidente Lula da Silva.
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Duas nações vinculadas pela ilegalidade
“Os trabalhadores e os gestores têm de identificar e eliminar deficiências e comportamentos negativos, como a indisciplina, o desvio de recursos, o roubo, o controle insuficiente, a apatia, entre outros males que mancham a ética e a moral dos trabalhadores do setor diante dos investidores e clientes nacionais e estrangeiros, causando danos econômicos ao país e à própria comunidade de trabalho”, destaca o documento introdutório publicado pelo semanário da ilha ‘El Artemiseño’.
No artigo intitulado “Disciplina para realizar uma obra decisiva”, ele explicou que os grupos de gestão e de trabalho da Empresa de Construção e Montagem Mariel discutem as diretrizes para o uso do tempo de trabalho, desempenho e produtividade.
As análises devem contribuir para o cumprimento dos cronogramas de execução com a qualidade exigida por esta importante obra, diz o relatório.
De acordo com a página Zedmartiel.com, criada para promover o progresso e a natureza do trabalho, a Zona Especial de Desenvolvimento Mariel é um projeto que visa promover o desenvolvimento econômico sustentável da nação, através da atração de investimentos estrangeiros, a inovação tecnológica e a concentração industrial, garantindo simultaneamente a proteção do ambiente.
“Um pedaço de concreto se quebrou [em] uma ocasisão, procuraram um pequeno equipamento para arrastar terra e derramaram todo o cimento no mar antes da chegada de investidores estrangeiros”, realtou o jornalista independente Moisés Leonardo Rodríguez, um residente da área, no programa ‘Cuba al Día’ da Rádio Marti.
De acordo com o site Marti Noticias, a menção de práticas de corrupção no Mariel na imprensa local simultaneamente a uma auditoria surpresa feito pelo Ministério Público, disse Rodriguez, acrescentando que eles prenderam vários líderes municipais e substituíram o Secretário do Partido e funcionários do Poder Popular pela corrupção que impera.
“Se você termina um trabalho e sobra metade do concreto e, em um país com o déficit de habitação que existe, com estradas em péssimas condições, eles são incapazes de ter previsto o aproveitamento de todo esse concreto e o despejam nas laterais da estrada”, acrescentou o jornalista.
De acordo com informações do governo cubano, o cais do Terminal tem um comprimento de 702 metros, equipados com quatro guindastes de “super pós-panamax”. Além disso, o seu pátio foi construído para acomodar operações de 822.000 contêineres por ano.
Para a segunda etapa, está previsto que o Brasil também contribua com um financiamento de US$ 290 milhões. Além disso, o terminal de contêineres é gerido pela empresa PSA Cingapura.
Atualmente, o governo cubano está analisando 23 projetos na Europa, na Ásia e na América para o investimento estrangeiro em vários setores econômicos para sua aprovação e estabelecimento na ZED de Mariel.
Entre os objetivos do projeto estão atrair o investimento estrangeiro, alcançar o desenvolvimento industrial para gerar exportações e promover a substituição de importações e incentivar a transferência de tecnologia avançada, além de desenvolver infraestrutura para fornecer uma plataforma de negócios eficaz.

Jornal mexicano
A versão impressa

Brasil em pane: o piloto pirou

Só Dilma não enxerga a zona de turbulência que ameaça a sobrevivência dos passageiros. Entenda o caso com Augusto Nunes.




Camargo Corrêa fecha acordo para colaborar com Lava Jato

Epoca


O acordo de leniência funciona como uma delação premiada, só que para pessoas jurídicas


A construtora Camargo Corrêa firmou nesta sexta-feira (31) um acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No acordo, a empreiteira se compromte a ajudar nas investigações da Operação Lava Jato, que apura um esquema de corrupção envolvendo construtoras e empresas públicas.
O acordo de leniência funciona como uma delação premiada, só que para pessoas jurídicas. No acordo, a Camargo Corrêa se compromete a ajudar nas investigações sobre a formação de um cartel para vencer a licitação das obras da Usina Nuclear Angra 3.
Em março de 2015, o presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, firmou um termo de delação premiada com o MPF. Ele disse que a empreiteira participou de um cartel, ao lado das construtoras Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa e UTC Engenharia, para construir a usina. Angra 3 esta atrasada e seu valor aumentou em R$ 4,8 bilhões.
O presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, deixou a sede da Polícia Federal em Curitiba nesta segunda-feira (30) (Foto: Paulo Lisboa / Brazil Photo Press / Ag. O Globo)
Em agosto, Avancini foi condendo pelo juiz Sergio Moro a 15 anos de prisão. Como ele fez a delação premiada, entretanto, poderá cumprir pena domiciliar, com tornozeleira eletrônica.
Este é o segundo acordo de leniência feito entre uma empresa na Operação Lava Jato. No começo do ano, as empresas Setal Engenharia e Sog Óleo e Gás firmaram um acordo para colaborar com as investigações na Petrobras.