quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Vorcaro diz que ‘Andrei Rodrigues e outros membros do sistema político’ serão delatados por ele

 Ex-banqueiro acusou PF de estar vazando as informações sobre as investigações para intimidar a todos que possam ser envolvidos em uma eventual delação

 


Daniel Vorcaro: caso provocou um desfalque de 41 bilhões de reais no Fundo Garantidor de Créditos (Ana Paula Paiva/Agência O Globo/.) 


Durante depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro demonstrou disposição em delatar o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues,... 

“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, disse Vorcaro em oitiva realizada na semana passada 

“Eu, desde o começo, sempre fui muito resistente, reticente. Fiquei, inclusive, surpreso com a própria PGR, com a atuação que foi proativa de tentar saber, entender a realidade. Mas isso nãoaconteceu, desde o começo, com a polícia. E isso me incomodou. Somado a essas falas e tudo, no ambiente em que eu estou vivendo, de exposição, de destruição, de prisão da família toda, tudo vira mais exponencial ainda. Às vezes, pequenas falas, elas são mais intimidadoras do que uma situação normal”, acrescentou. 

O ex-banqueiro acusou a PF de estar vazando as informações sobre as investigações para intimidar a todos que possam ser envolvidos em uma eventual delação dele. 

“No meu entendimento, com muita franqueza, a própria PGR, como o gabinete, como eu, nós estamos sendo levados por membros de uma Polícia Federal que está levando o caso para um lado e usando a mídia, com vazamento seletivo desde o começo, para intimidar todos. E, sinceramente, todos aqui estão sendo intimidados, mesmo que seja indiretamente”, pontuou Vorcaro. 

No depoimento, ele relatou ter sofrido tortura psicológica e física, mas reconheceu que, após a transferência para a penitenciária federal, esse tipo de episódio parou de acontecer.  “Estou tendo assistência, sim, nesse local. Hoje, o meu maior problema é que, quando os fatos forem revelados, eles vão se mostrar que não era para eu estar preso. Por mais absurdo que pareça esse caso ou os fatos que foram colocados, não sou uma pessoa violenta, nunca amaciei ninguém. Eu deveria estar na minha casa, protegendo os meus filhos, endo a oportunidade de exercer meu direito de defesa e o direito e o direito de colaborar e trazer a verdade. Isso, sim, está sendo a minha privação, porque eu quero muito que seja restabelecida se a verdade vier à tona”. 

Vorcaro destacou nunca ter sido ameaçado ou intimado pela PGR e sinalizou que Andrei seria um dos nomes que citaria em uma eventual delação. Em sua avaliação, os acordos de colaboração não avançaram por influência do diretor da PF. 

“Não só ele, como outras pessoas ligadas a um núcleo político que, hoje, efetivamente, existe um interesse político também. Mas sim”, afirmou o ex-banqueiro, acrescentando ter certeza que houve pressão. “de cima pra baixo” para que acordos não avançassem. 

“Então, doutor, eu estou sendo transparente. Eu não quero, nesse foro, detalhar as questões, mas, obviamente, se existe um interesse que eu não fale, é porque houveram situações que, dentro do contexto geral, de questões da moralidade e de questões de ilicitude foram afetadas e que seriam… haveria receio não só por parte dele [Andrei Passos], mas por parte de alguns membros, que eu acredito, acredito, do sistema político atual”, completou. 

Maecelo Ribeiro - Veja