Partido torrou um dinheirão dos fundos partidário e eleitoral - leia-se, dos pagadores de impostos - e não conseguiu montar uma eleição com 40 mil votantes. Foi humilhante
PSDB adia prévias que escolheria candidato do partido à Presidência após falha de aplicativo Foto: Dida Sampaio/Estadão
De todas as aberrações que falsificam a democracia brasileira, e transformam numa piada as grandiosas “instituições” formalmente previstas na Constituição, poucas se comparam aos partidos políticos.
São 34 – ou seja, não são nada, porque não pode existir nem sinal de política séria com tanto partido assim.
Multiplicam-se como ratos não por alguma questão de “diversidade”, mas porque recebem dinheiro vivo do pagador de impostos, através dos “fundos” partidário e eleitoral: R$ 1 bilhão esse ano, mais quase R$ 6 bilhões em 2022, por conta da eleição.
(É uma PG: nos últimos 20 anos, essa fortuna dada de presente aos partidos aumentou em 1.000% – isso mesmo: 1.000%).
Anos atrás a ex-deputada Heloisa Helena chamou os partidos brasileiros de “gangues partidárias”.
Não eram partidos políticos; eram quadrilhas. De lá para cá não surgiu definição melhor.
Confie nos políticos brasileiros, de qualquer forma, quando se trata de transformar o péssimo em mais péssimo.
O autor da proeza, desta vez, foi o PSDB, justamente uma das gangues que mais se esforçam para fazer pose de coisa séria.
Acredite se quiser: depois de passarem uma eternidade enchendo o noticiário com a história de que iriam fazer uma grande prévia interna para escolher seu candidato a presidente da República, seus chefes e “militantes” não conseguiram, sequer, organizar a votação.
O aplicativo “caiu”.
As pessoas não conseguiam votar. Sem outra saída, a coisa toda acabou suspensa.
Gastaram um dinheirão (que veio dos “fundos”, justamente), para fazer a tal prévia, trocaram enfezadas acusações mútuas de fraude e convenceram a mídia de que o PSDB era o centro da política brasileira e do sistema solar.
No fim, não conseguiram nem montar uma eleiçãozinha com 40.000 votantes, ou algo assim.
Foi humilhante.
O PSDB, com essa prévia patética, mostra o grau de desrespeito que os seus caciques têm pelo cidadão brasileiro; se não conseguem cuidar nem da própria vida, imagine-se a atenção que podem dar ao público e ao encaminhamento dos seus problemas.
Ou seja: tanto faz quem será o candidato presidencial que ainda não tiveram competência para escolher.
Todos eles são sócios com partes mais ou menos iguais nessa massa falida.
Ao mesmo tempo, fica exposta, mais uma vez, a farsa segundo a qual o PSDB tem mais “qualidade” que as outras 33 gangues partidárias que estão aí, ou coisa que o valha – a desordem é não grande que não se sabe ao certo, sequer, o número exato de partidos que há no Brasil.
A prévia furada deixa claro que a falta de seriedade é a mesma; cada um é incompetente ao seu próprio jeito, é claro, mas são todos pinga da mesma pipa.
O Estado de São Paulo