A revolução do proletariado, quem diria, virou o último suspiro da burguesia decadente. Note a excitação no clube dos ricos

No Dia da Independência, Lula disse que está “à disposição” dos brasileiros para salvar o país do atual governo.
Se todos os ladrões condenados fossem voluntariosos como Lula, o Brasil seria um lugar quase tão solidário quanto uma colônia penal.
Não tem a menor importância o fato de que ninguém mais acredita no que Lula fala (nem ele).
O problema está nos que fingem acreditar.
Para que serve Luiz Inácio da Silva hoje? Serve essencialmente como disfarce progressista (leia-se: reacionário) para uma elite egoísta.
Olhe em volta e veja essa gente confortavelmente confinada em suas bolhas burguesas soltando frases empáticas pelo Zoom.
Eles nem precisam que o governo caia. Basta que não caia (no ridículo) a lenda da resistência antifascista.
É o suficiente para manter o verniz revolucionário dos seus espíritos de porco.
E para continuarem faturando com isso, que ninguém é de ferro.
O Lula bibelô da burguesia é aquele criminoso que sai da cadeia direto para uma pelada no campo do Chico Buarque.
É a apoteose de uma elite muito bem-educada que sempre quis ser imune à lei: uma fotografia é o bastante para lavar uma reputação.
Lava a jato.
Sobre a devastação causada pela gangue do Lula você jamais será patrulhado
Que outros valores você precisa afirmar, além da devoção à MPB 171, para ganhar sua pulseirinha de homem sensível e mulher consciente?
Não precisa muito mais que isso, vai.
A verdade é que a vida ficou fácil — pelo menos em certos endereços concorridos.
Com duas ou três frases convenientes que qualquer analfabeto consegue pronunciar você pode conquistar seu crachá de grande alma.
É ou não é um final feliz?
É claro que para chegar a esse olimpo instantâneo você tem que dar um foda-se para milhões de pessoas desgraçadas pela rapinagem do Lula, mas também ninguém lembra direito disso — pelo menos não nos endereços que te interessam.
Você está no meio de patrulheiros que andaram dedurando até quem subisse numa bicicleta, mas sobre a devastação causada pela gangue do Lula você jamais será patrulhado — não por essa gente culta que ficou linda de máscara.
Aliás, uma espécie de catarse coletiva foi propiciada pelo mesmo Lula ao declarar que “felizmente a natureza criou esse monstro chamado coronavírus”.
É isso aí.
Um líder precisa vocalizar o que está no coração dos seus seguidores. Já tínhamos ouvido uma ou outra formulação mais tímida nessa linha — aquele papo de que a pandemia seria depuradora etc. — mas foi preciso o brado retumbante do bom ladrão para a verdadeira redenção.
Ao festejar a covid, Lula falou por todos os que estão há meses no armário excitadíssimos com o trancamento geral e a transformação da sociedade numa confraria vip.
Deu até para ouvir, ao longe, o grito abafado dessa gente linda e enrustida: “Mito!”.
Observe as ONGs de laboratório, seus democratas de auditório e seus candidatos de proveta
Lula é o mito dos hipócritas de boa aparência, dos inocentes úteis e inúteis, dos intelectuais dedicados a coreografias de solidariedade para manter seu poderzinho particular e avarento.
A revolução do proletariado, quem diria, virou o último suspiro da burguesia decadente.
Note a excitação no clube dos ricos, com suas ONGs de laboratório, seus democratas de auditório e seus candidatos de proveta, unindo de FHC a Alexandre Frota, de João Doria a Lula — o criminoso muito bem recebido de volta ao “campo democrático”, desfilando por aí seus mais de 20 anos de prisão congelados pelo STF.
O problema é o fascismo — e basta mandar pintar umas suásticas em meia dúzia de muros que está feita a mágica.
Quem vai checar?
O STF?
Os senhores da verdade?
O jornalismo de valas e panelas?
Ou a delação premiada da OAB?
É tanta referência que você até se confunde.
Como diria a OMS: apaga a luz e aumenta o som que ninguém é de ninguém.
Revista Oeste