sexta-feira, 11 de setembro de 2020

"Empatia 171", por Guilherme Fiuza

A revolução do proletariado, quem diria, virou o último suspiro da burguesia decadente. Note a excitação no clube dos ricos


No Dia da Independência, Lula disse que está “à disposição” dos brasileiros para salvar o país do atual governo. 

Se todos os ladrões condenados fossem voluntariosos como Lula, o Brasil seria um lugar quase tão solidário quanto uma colônia penal. 

Não tem a menor importância o fato de que ninguém mais acredita no que Lula fala (nem ele). 

O problema está nos que fingem acreditar.

Para que serve Luiz Inácio da Silva hoje? Serve essencialmente como disfarce progressista (leia-se: reacionário) para uma elite egoísta. 

Olhe em volta e veja essa gente confortavelmente confinada em suas bolhas burguesas soltando frases empáticas pelo Zoom. 

Eles nem precisam que o governo caia. Basta que não caia (no ridículo) a lenda da resistência antifascista. 

É o suficiente para manter o verniz revolucionário dos seus espíritos de porco. 

E para continuarem faturando com isso, que ninguém é de ferro.

O Lula bibelô da burguesia é aquele criminoso que sai da cadeia direto para uma pelada no campo do Chico Buarque. 

É a apoteose de uma elite muito bem-educada que sempre quis ser imune à lei: uma fotografia é o bastante para lavar uma reputação. 

Lava a jato.


Sobre a devastação causada pela gangue do Lula você jamais será patrulhado


Que outros valores você precisa afirmar, além da devoção à MPB 171, para ganhar sua pulseirinha de homem sensível e mulher consciente? 

Não precisa muito mais que isso, vai. 

A verdade é que a vida ficou fácil — pelo menos em certos endereços concorridos. 

Com duas ou três frases convenientes que qualquer analfabeto consegue pronunciar você pode conquistar seu crachá de grande alma. 

É ou não é um final feliz?

É claro que para chegar a esse olimpo instantâneo você tem que dar um foda-se para milhões de pessoas desgraçadas pela rapinagem do Lula, mas também ninguém lembra direito disso — pelo menos não nos endereços que te interessam. 

Você está no meio de patrulheiros que andaram dedurando até quem subisse numa bicicleta, mas sobre a devastação causada pela gangue do Lula você jamais será patrulhado — não por essa gente culta que ficou linda de máscara.

Aliás, uma espécie de catarse coletiva foi propiciada pelo mesmo Lula ao declarar que “felizmente a natureza criou esse monstro chamado coronavírus”. 

É isso aí. 

Um líder precisa vocalizar o que está no coração dos seus seguidores. Já tínhamos ouvido uma ou outra formulação mais tímida nessa linha — aquele papo de que a pandemia seria depuradora etc. — mas foi preciso o brado retumbante do bom ladrão para a verdadeira redenção. 

Ao festejar a covid, Lula falou por todos os que estão há meses no armário excitadíssimos com o trancamento geral e a transformação da sociedade numa confraria vip

Deu até para ouvir, ao longe, o grito abafado dessa gente linda e enrustida: “Mito!”.


Observe as ONGs de laboratório, seus democratas de auditório e seus candidatos de proveta


Lula é o mito dos hipócritas de boa aparência, dos inocentes úteis e inúteis, dos intelectuais dedicados a coreografias de solidariedade para manter seu poderzinho particular e avarento.

A revolução do proletariado, quem diria, virou o último suspiro da burguesia decadente. 

Note a excitação no clube dos ricos, com suas ONGs de laboratório, seus democratas de auditório e seus candidatos de proveta, unindo de FHC a Alexandre Frota, de João Doria a Lula — o criminoso muito bem recebido de volta ao “campo democrático”, desfilando por aí seus mais de 20 anos de prisão congelados pelo STF. 

O problema é o fascismo — e basta mandar pintar umas suásticas em meia dúzia de muros que está feita a mágica.

Quem vai checar? 

O STF? 

Os senhores da verdade? 

O jornalismo de valas e panelas? 

Ou a delação premiada da OAB? 

É tanta referência que você até se confunde. 

Como diria a OMS: apaga a luz e aumenta o som que ninguém é de ninguém.

Revista Oeste