
Daiane Costa - O Globo
Em 12 meses, taxa é de 7,87%; no ano IPCA acumula 5,78%
A inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou em outubro em 0,26%, mas registrou a menor taxa para o mês desde 2000 e ficou um pouco abaixo das estimativas de analistas do mercado financeiro compiladas pela Bloomberg, que previam alta de 0,29%. Em setembro, os preços variaram apenas 0,08%.
Em outubro de 2015, a taxa foi de 0,82%. Nos doze meses últimos meses, a inflação ficou em 7,87% — ficando pela primeira vez abaixo dos 8% desde fevereiro de 2015 (7,7%). No acumulado do ano, o resultado é de 5,78%.
Entre os grupos de itens pesquisados, a variação mais elevada em outubro ficou com transporte (0,75%), puxada especialmente por etanole e gasolina, enquanto alimentação e bebidas (-0,05%) e artigos de residência (-0,13%) apresentaram recuo nos preços.
Também subiram os preços da habitação (0,42%), vestuário (0,45%), saúde e cuidados pessoais (0,43%), despesas pessoais (0,01%), educação (0,02%) e comunicação (0,07%). Todos os grupos desaceleraram no acumulado em doze meses.
Para Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, o resultado no acumulado em 12 meses mostra que a inflação está numa trajetória clara de desaceleração. Pela primeira vez desde fevereiro de 2015, quando ficou em 7,7%, o índice voltou a ficar na casa dos 7%.
No grupo alimentação e bebidas, embora a queda em outubro, de 0,05%, tenha sido menos intensa do que em setembro (-0,29%), os preços de vários produtos caíram. Destaque para o leite longa vida, que ficou 10,68% mais barato e exerceu o principal impacto para baixo no resultado geral desse mês, de -0,13 ponto percentual.
A INFLAÇÃO MÊS A MÊS
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mensal, em %
Fonte: IBGE | Última atualização: 09/11/2016 às 10:46:06
Em contrapartida, o item carnes, que teve variação de 2,64%,pressionou o grupo dos alimentos e exerceu o principal impacto individual no índice do mês, com 0,07 ponto percentual. Em algumas regiões, a alta das carnes foi ainda maior, como Curitiba (4,4%), Fortaleza (4,19%), Vitória (4,18%) e Rio (4,09%). Salvador (0,52%) e Brasília (0,61%) apresentaram as menores variações.
— A carne nós estamos em período de entressafra no pasto e isso diminui a oferta de boi gordo para abate. Também temos um volume maior de exportações desse produto, o que vem aumentando os preços internos — diz Eulina.
GASOLINA E ETANOL EM ALTA
Entres os itens que compõem o grupo transporte, o aumento de 6,09% no preço do litro do etanol levou o preço da gasolina a subir 1,22%, já que esta contém 27% de etanol em sua composição. A alta de 10,06% nas passagens aéreas também exerceu pressão sobre o grupo. A alta do preço do etanol acabou anulando as chances de a redução do preço da gasolina paras as refinarias, anunciada pela Petrobras no último dia 14, ser repassada ao consumidor.
Agora, com o novo anúncio de redução no preço da gasolina paras as refinarias, feito ontem pela estatal, de 3,1%, fica a expectativa para o índice de novembro.
- Vamos ver quem terá mais força. A redução da gasolina ou a alta do etanol - analisa Eulina.
Caso tal reajuste seja inteiramente repassado ao consumidor, isso representa um corte de 6,6% do diesel na bomba (-R$ 0,20 por litro) e de 1,3% da gasolina (-R$ 0,05 por litro), segundo a Petrobras. O Banco Bradesco aposta que, dessa vez, o consumidor sentirá os efeitos da redução. Revisou para baixo, nesta manhã, a projeção para o IPCA de novembro de 0,41% para 0,37%, "considerando esse nível de ajuste".
Outros itens que também influenciaram o IPCA do mês foram: seguro de veículo (1,7%), botijão de gás (1,19%), plano de saúde (1,07%), empregado doméstico (0,87%), mão de obra para pequenos reparos (0,87%), emplacamento e licença (0,81%), taxa de água e esgoto (0,74%), telefone fixo (0,62%) e condomínio (0,52%). Quanto aos itens em queda, os destaques foram hotel (-5,63%) e cigarro (-1,63%).
A INFLAÇÃO ACUMULADA NO ANO
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano, em %
Fonte: IBGE | Última atualização: 09/11/2016 às 10:46:06
— Depois dos alimentos terem queda de 0,29% em setembro, ajudando a inflação a ter ficado em 0,08% naquele mês, em outubro os alimentos continuaram em queda, mas foi menos intensa. E sobre o resultado de outubro também houve influência do aumento do preço de etanol devido a baixa oferta da cana de açúcar, elevando o preço da gasolina, que tem peso de 4 pontos percentuais no índice geral. Então o mês de outubro é muito influenciado por transportes e alimentos — explica Eulina, do IBGE.
O Banco Fator destacou que, a alta nos preços administrados, que passou de 0,37% para 0,54% em outubro, é bastante explicada pelo comportamento dos preços de combustíveis.
A variação acumulada em doze meses desacelerou de 7,88% para 6,98%. Nessa base de comparação, a alta nos preços administrados ficou pelo quarto mês consecutivo abaixo da dos livres, que subiram 8,18% em outubro. A taxa de variação dos livres passou de estabilidade no mês de setembro para alta de 0,17%. Da variação de 0,26% do IPCA de outubro, metade veio de livres e metade veio de administrados, de acordo com o banco.
Entre as regiões pesquisadas, o índice mais elevado foi o de Campo Grande (0,53%), onde seis dos nove grupos de produtos e serviços verificados apresentaram taxas superiores à média nacional. O menor índice foi o da região metropolitana de Vitória (-0,16%). O Rio de Janeiro, depois de registrar deflação em setembro (-0,14%) voltou a ter alta nos preços na ordem de 0,16% em outubro. Em 12 meses, o Rio acumula alta de 9,27% nos preços e no ano a inflação está em 6,48%. Ambos os índices são maiores do que a média geral para esses dois períodos.
A taxa de inflação acumulada no ano, de 5,78%, já ultrapassa em muito o teto da meta fixada pelo Banco entral (BC), que é de 4,5% ao ano, com tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.
Depois de sete reduções seguidas, o Boletim Focus divulgado na última segunda-feira pelo BC manteve inalterada a previsão para o IPCA deste ano, em 6,88%. Há duas semanas, a taxa ficou abaixo de 7% pela primeira vez desde 29 de abril. Já para 2017, preveem que o IPCA ficará em 4,94%, se aproximando cada vez mais do centro da meta do governo, de 4,5%.
Colaborou Daniel Gullino, estagiário sob supervisão de Daiane Costa