O Flamengo, como sempre, perdeu para si próprio ao não respeitar a Regra de Ouro: futebol se ganha no campo. Houve de tudo: cheirinho de hepta, caravanas tumultuadas em aeroportos, o “Bonde de Deus” (!), o presihobbit que dá Bandeira mentindo... Como disse meu professor de Ética Esportiva, Fernando Calazans, o Flamengo não é isso tudo. O triste é que, desfeito o delírio, começa a caçada ao bode expiatório. O técnico Zé Ricardo passou de gênio precoce, de novo Tite a inexperiente, burro, culpado por substituições ruins etc.
Ora, o que o Flamengo pretende com o Pará, Réver, Rafael Vaz, Márcio Araújo e outras “joias”? Com esses caras, um clube pega a estrada rumo ao Mundial ou ao Aterro? É pena que os torcedores se deixem levar por cartolas facinorosos. Vejam a situação do Vasco hoje, uma lástima, transformado pela euricubaca em Anão da Colina. Rebaixamentos sucessivos, times tenebrosos, quase duas décadas comprando centroavantes, cerca de 20 ou 30, pra nada. O time atual, com exceção de Nenê, às vezes Andrezinho e do goleiro Martin Silva, é um tremendo come-e-dorme. Todo esse descalabro faz parte do plano de Jeurico, o Piranda, para acabar de vez com o Vasco, tentativas de destruição que duram décadas. Voltou à presidência como herói, foi bicampeão estadual porque os adversários eram medíocres. Agora, pobres de minhas filhas e netas vascaínas, o dilema: disputar a Primeirona pra cair de novo? Se não vence clubecos, como enfrentará times grandes sem pagar vexame, o que culminará com a QQ, Quarta Queda?
Também não entendo o endeusamento dos estrategistas Jorginho de Deus e Zinho Enceradeira. O segundo turno do Vasco mostra que eles também “não são tudo isso”...
Não brinquem com o futebol. Quem viu, na Eurocopa, a paixão dos islandeses e dos galeses (não esqueço uma jovem mãe com o filhinho no colo, uniformizados, os dois chorando), percebeu o drama dos torcedores. Nossos cartolas são falsos, e trambiqueiros. Se preocupam com poder. Poder é dinheiro. Não custa adverti-los: demagogos que iludem massas incautas às vezes acabam pendurados de cabeça pra baixo.