quinta-feira, 16 de junho de 2016

Reação moderada ajuda Hillary após massacre em Orlando


Henrique Gomes Batista, correspondente - O Globo

WASHINGTON - Desde domingo, a campanha eleitoral nos Estados Unidos está dominada pelo massacre na boate Pulse, em Orlando, que deixou 49 mortos. E, de acordo com a primeira pesquisa sobre o tema, Hillary Clinton, com seu discurso mais moderado e focado no controle de armas, pode ter se saído melhor que Donald Trump, que, mais explosivo, culpou os democratas pela tragédia e ressuscitou sua proposta de impedir muçulmanos de entrarem no país. Talvez já sentindo o impacto, o republicano admitiu, pela primeira vez, proibir a venda de armas para pessoas que estejam na lista de investigados por suposta ligação com o terrorismo.

Segundo pesquisa da CBS, 36% aprovam a reação de Hillary, enquanto só 25% endossam o posicionamento de Trump. Mas, mais importante que isso, 34% rejeitaram a resposta da democrata, contra desaprovação de 51% da do republicano. Como a sondagem foi feita logo após a chacina, não está claro se este será o impacto final do episódio nas campanhas — é preciso aguardar inclusive as conclusões das investigações — e nem como isso poderá se refletir nas intenções de votos. Nos outros episódios de terrorismo, Trump cresceu até cinco pontos nas pesquisas, mas especialistas lembram que, agora suas respostas explosivas podem ter impacto negativo, pois os eleitores esperam alguém com “comportamento de presidente”.

Hillary já aproveita a eventual rejeição de Trump. Ontem, ela afirmou em um evento na Virgínia que as propostas do magnata “não teriam impedido uma única morte” no massacre de Orlando:

— E como já foi salientado, o terrorista de Orlando não nasceu no Afeganistão, como disse Trump. Ele nasceu em Queens, Nova York, a apenas milhas de distância de onde o próprio Trump nasceu. A proibição a muçulmanos não teria impedido este ataque. Nem o muro (que ele defende na fronteira entre os EUA e o México). Não se constrói um muro para barrar a internet. Portanto, nenhuma das propostas imprudentes de Donald Trump teria salvado uma única vida em Orlando, e são apenas mais evidências de que ele é totalmente desqualificado para ser o comandante em chefe (da nação).

Trump, por sua vez, voltou a defender as armas como solução. Segundo ele, pessoas armadas na boate, “poderiam ter diminuído um pouco a tragédia”, caso fossem treinadas e abatessem o assassino. Mas, num inédito recuo, o bilionário sugeriu a proibição de venda de armas para pessoas que figuram em listas de vigilância antiterrorismo. O republicano deve se encontrar hoje com líderes da Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), que recomendou o voto de “seus sete milhões de associados” no republicano, mas, na terça-feira, criticou no a proposta que o bilionário passou a considerar.

Além da aprovação por sua resposta aos ataques, Hillary venceu a última primária democrata, no Distrito de Columbia, onde fica Washington, com 78,7% dos votos. A ex-secretária de Estado se reuniu com Bernie Sanders e ambas as campanhas informaram que debateram “formas de combater Trump”, mas cada vez mais se espera o fim da campanha do senador.