terça-feira, 26 de abril de 2016

Vídeo - Romero Jucá no Roda Viva: “Convocar novas eleições a esta altura do campeonato é uma artimanha. Isso sim é golpe”

Com Blog do Augusto Nunes - Veja


O convidado do Roda Viva desta segunda-feira foi o senador Romero Jucá. Aos 61 anos, esse pernambucano do Recife notabilizou-se desde o começo da carreira política, no fim dos anos 80, pela extraordinária capacidade de adaptação a mudanças na direção dos ventos. Depois de escolhido por José Sarney governador do território de Roraima, elegeu-se em 1994 senador pelo novo Estado, que renovou seu mandato duas vezes.
No Senado, foi líder dos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff, e voltaria a ocupar o cargo com a posse de Michel temer, de quem é o principal articulador político. Entre os assuntos abordados no programa, os bastidores do impeachment, questões ligadas ao delicado período de transição que o país enfrenta e as urgências que desafiam o vice-presidente.
Já no primeiro bloco, o senador rechaçou a tese da convocação de novas eleições presidenciais para outubro deste ano, como propõem alguns políticos e setores da sociedade civil: “Convocar novas eleições a esta altura do campeonato é uma artimanha, é tirar da Dilma a responsabilidade pelas pedaladas fiscais”, argumentou. “A Constituição diz que, com a saída da presidente, assume o vice. Defender algo diferente, isso sim é golpe, uma tentativa de anular a regra”.
Jucá evitou defender Eduardo Cunha, mas também não condenou o presidente da Câmara nem tirou sua legitimidade na condução do processo de impeachment. “Existe um processo contra ele no Supremo Tribunal Federal e ele tem o direito de defesa”, observou. “O STF precisa acelerar este julgamento, como com relação a qualquer outro político. Mas isso não tira o direito dele de presidir a Câmara enquanto não for condenado. Isso é abrir um precedente perigoso”.
Ao comentar a performance dos deputados durante a votação do impeachment na Câmara, Jucá observou que ali estava um retrato da população brasileira. “A Câmara agiu corretamente, independente do espetáculo ter sido mais ou menos grotesco”, concluiu. Simultaneamente, considerou “irracional e pouco civilizado” a homenagem do deputado do PMDB do Rio de Janeiro Jair Bolsonaro ao coronel Brilhante Ustra.
O senador também falou sobre as ameaças petistas de inviabilizar um possível governo de José Temer: “O  PT não assinou a constituição de 1988, assinou dezenas de pedidos de impeachment contra todos os presidentes, não participou do governo de Itamar Franco, não apoiou o Plano Real e não assinou a Lei de Responsabilidade Fiscal”, disse. “Caso cumpra essas ameaças, o PT estará involuindo. Estará voltando a ser um partido raivoso. O PT tem que reconhecer que perdeu e voltar para o jogo”.
A bancada de entrevistadores reuniu os jornalistas Natuza Nery (Folha), Maria Cristina Fernandes (Valor), Murilo Ramos (Época), Silvio Navarro (VEJA) e José Alberto Bombig (Estadão). Com ilustrações em tempo real do cartunista Paulo Caruso, o programa foi transmitido ao vivo pela TV Cultura.