quinta-feira, 28 de abril de 2016

Janaina Paschoal diz que quadrilheiros da dupla Lula-Dilma falam em golpe, mas nunca reconheceram a Constituição



Janaina Paschoal se emocionou ao sacudir um exemplar da Constituição, chamando-o de “livro sagrado” - Andre Coelho / Agência O Globo


EDUARDO BRESCIANI E CRISTIANE JUNGBLUT - O Globo

 Eles (PT) falam em golpe, mas nunca reconheceram a Constituição — disse Janaina, emocionada.



A sessão desta quinta-feira da Comissão do Impeachment no Senado foi dominada pela atuação expansiva da jurista Janaina Conceição Paschoal. Conhecida pelo seu temperamento forte, se emocionou ao sacudir um exemplar da Constituição, chamando-o de “livro sagrado”. Logo no início de sua explanação, pediu que não a chamassem mais de “tucana” e afirmou que o país estava mal justamente porque a oposição é “fraca”. Antes de sua exposição, alongou-se no plenário e logo no início da fala, pediu desculpas pela voz, mas ressaltou que não estava com “gripe suína”.


As críticas ao PSDB foram feitas logo no início da exposição. Ela afirmou que apesar de ter trabalhado na gestão de Fernando Henrique Cardoso no governo federal e na gestão de Geraldo Alckmin em São Paulo, nunca nem sequer “apertou a mão” dos dois. Disse ter “mágoa” do ex-presidente por ter demorado a apoiar o impeachment e criticou o PSDB:

— Não quero mais ouvir que sou tucana, que tenho partido. Estamos nessa posição porque eles (PSDB) são uma oposição fraca — disse Janaína.

A jurista teve um embate com a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) quando foi questionada pelo fato de ter recebido R$ 45 mil para ter feito um parecer, junto com Miguel Reale Jr., para o PSDB. Ela reconheceu o serviço e afirmou que cobrou justamente por não ser do partido. Mas também sobraram farpas para o PT. Janaína fez diversos ataques à gestão do partido, aos casos de corrupção e ao fato de a legenda não ter assinado a Constituição.

— Esse é o livro sagrado, quero que os brasileirinhos que estão me ouvindo acreditem que vale a pena lutar por esse livro! Eles (PT) falam em golpe, mas nunca reconheceram a Constituição — disse Janaina, emocionada.


Ela ainda arrancou risos quando disse que não era “pastora ou mãe de santo” e que não estava bêbada quando sacudiu a bandeira em evento em São Paulo que acabou viralizando nas redes sociais. Ao longo de sua fala foi interrompida diversas vezes por senadores governistas, como José Pimentel (PT-CE). Até o líder do governo, Humberto Costa (PT-PE), chegou a pedir a alguns colegas que mantivessem a calma.

Antes da exposição, os senadores discutiram requerimentos. Com isso, a fala dos juristas, que deveria começar as 16 horas teve início duas horas depois. Como tinha voo marcado, Reale Jr. saiu às 19 horas, sob protestos dos governistas. Na saída, o jurista disse estar cansado e reclamou de os senadores terem ficado discutindo “sexo dos anjos”.




Jurista se alonga antes da falar na comissão do impeachment do Senado - Andre Coelho / Agência O Globo