sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Falta de liderança política e omissão do empresariado agravam crise, dizem executivos

FERNANDA PERRIN
GABRIELA STOCCO

Folha de São Paulo


A falta de liderança é a pior dimensão da crise atual e enfrentá-la exige maior mobilização da sociedade civil —do empresariado, principalmente— que, contudo, se omite.

A leitura foi feita por Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração da Gerdau, e Pedro Passos, sócio fundador da Natura, durante o CEO Summit SP, evento para empresários que ocorreu em São Paulo nesta quinta-feira (22).

"Vocês acham que vem algo do Congresso se o deixarmos correr solto?", questionou Gerdau, defendendo uma atuação mais incisiva do empresariado para pressionar o governo. "Hoje, não estamos atendendo as nossas responsabilidades sociais e políticas", disse, seguido de aplausos da plateia.

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Jorge Gerdau (centro), presidente da Gerdau, e Pedro Passos (direita), executivo da Natura, debatem impacto da crise econômica nas empresas, mediados por Juliano Seabra, diretor-geral da Endeavor
Jorge Gerdau (centro), da Gerdau, Pedro Passos (dir.), da Natura, e Juliano Seabra (esq.), da Endeavor

Para o empresário, a solução para a crise é "tecnicamente evidente", mas travada por um impasse político, referindo-se à lentidão com a qual o ajuste fiscal proposto pelo governo federal caminha no Congresso.

O maior problema, porém, está na falta da definição de rumos para o país por uma liderança nacional. Passos criticou o governo Dilma Rousseff por ter apenas estendido e repetido a plataforma criada por Lula, centrada em políticas sociais, sem definir o próximo passo do país.

Apesar dos erros, ele se diz otimista com o fortalecimento de uma agenda "de tom mais liberal" -um Estado menor, menos intervencionista e mais eficiente.
COPO MEIO CHEIO

"O meio empresarial brasileiro nunca esteve tão contaminado pelo pessimismo", disse Cláudia Sender, presidente-executiva da TAM no painel de abertura do evento.

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Claudia Sender (esq.), CEO da TAM, fala sobre as perspectivas para empresas neste ano no CEO Summit SP, ao lado de Cristiane Amaral, da EY
Claudia Sender (esq.), CEO da TAM, fala sobre ano de crise ao lado de Cristiane Amaral, da EY

Embora reconheça que o momento seja difícil, Sender defendeu que o país já passou por momentos piores e que a crise também oferece oportunidades para quem saiba priorizar investimentos e inovar. Quem paralisar agora vai sair mais fraco do que a concorrência quando a economia voltar aos trilhos, disse.

"A crise é um episódio passageiro. Se nos dimensionarmos para a crise, corremos o risco de não estarmos preparados para a bonança que inevitavelmente virá depois", afirmou, na mesma linha, Flávio Rocha, presidente-executivo da Riachuelo.

Fizeram coro ao otimismo Edgard Corona, fundador das redes BioRitmo e SmartFit, Constantino Jr., presidente do conselho da Gol, e Guilherme Leal, presidente do conselho da Natura, durante os painéis "arrumando a casa" e "olhando para a frente".

O CEO Summit é um evento anual, organizado há 12 anos, fruto de uma parceria entre a Endeavor, organização sem fins lucrativos de fomento ao empreendedorismo, a consultoria EY (antiga Ernst & Young) e o Sebrae.