domingo, 27 de setembro de 2015

Quantos partidos são PMDB e PT?

Com Blog do Sérgio Praça - Veja


Tudo indica que os principais líderes do PMDB no nível federal – Michel Temer (vice-presidente), Eduardo Cunha (presidente da Câmara dos Deputados) e Renan Calheiros (presidente do Senado Federal) – não endossarão, formalmente, nenhum ministro na reforma que a presidente pretende fazer nos próximos dias.
Após essa recusa, que mostra ainda mais fragilidade de seu governo, Dilma procurou líderes do segundo escalão do PMDB (como o senador Eunício Oliveira, o deputado Leonardo Picciani e o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando “Pezão”) para negociar cargos.
A pergunta que se impõe é: como é possível negociar com um partido com tantos líderes com interesses diferentes? Bem ou mal, outros partidos relevantes delegam a um ou dois líderes a negociação básica com o governo. É o caso, por exemplo, do PSD do vaiado Gilberto Kassab. Partidos da oposição também têm líderes mais claros, como o PSDB com Aécio Neves (senador, MG) e Geraldo Alckmin (governador, SP).
Não é impossível governar assim, mas o custo aumenta. Quanto mais tendências internas um partido tem, mais cargos e ministérios terão que ser negociados para mantê-lo fiel às propostas do presidente. O caso da Itália é um ótimo exemplo disso, detalhado em artigo de Andrea Ceron publicado recentemente no British Journal of Political Science.
Como se não bastasse o complicadíssimo PMDB, a presidente também tem que lidar com dissidências internas ao PT. O deputado federal Alessandro Molon acabou de se filiar ao novo partido de Marina Silva – há, então, um PT que desistiu de se reformar e está de saída. O líder do PT na Câmara, Sibá Machado, lidera um grupo de 30 deputados (dos 64 da bancada) que quer a pele de Mercadante, Levy e Cardozo. Por fim, há outro PT que apoia Dilma – este cada vez menor.
É improvável que a reforma ministerial que será anunciada semana que vem transforme oito partidos em dois.