terça-feira, 30 de junho de 2020

Nina Simone - Montreux 1976 - "How it feels to be free"

‘Uma jabuticaba’, diz senador tucano Plínio Valério (AM) sobre projeto das ‘fake news’

Plínio Valério (PSDB-AM) adiantou que votará contra a proposta que pauta o Senado
jabuticaba
Para tucano, PL das fake news é uma jabuticaba | Foto: REPRODUÇÃO/WIKPÉDIA
“É uma jabuticaba”. Foi assim que o senador Plínio Valério (PSDB-AM) definiu o Projeto de Lei das fake news, que irá à votação hoje. Para o parlamentar tucano, a proposta prejudica a liberdade de expressão no país. De acordo com ele, entidades de imprensa são contra o PL.
Ao pedir que a votação fosse adiada, o que foi negado por Davi Alcolumbre (DEM-AP), o senador do Amazonas afirmou que o Congresso só deveria discutir assuntos relacionados à pandemia da covid-19. Conforme aprovado pelo Congresso Nacional, o Brasil está em estado de calamidade pública desde março.
“Se o projeto fosse bom não precisa de um relatório tão extenso”
Por fim, o parlamentar tucano aproveitou para criticar o texto apresentado pelo relator Angelo Coronel (PSD-BA). “Se o projeto fosse bom não precisa de um relatório tão extenso”, disse Valério. Divulgado na noite de ontem, o substitutivo do PL das fake news conta com mais de 30 artigos, organizado em 68 páginas.

Jornalista

Eleito senador pelo Amazonas nas eleições de 2018, Plínio Valério é jornalista e radialista formado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

, Revista Oeste

"A reviravolta que pode mudar o Brasil: Existe a possibilidade de Bolsonaro indicar quantos ministros para o STF?", por Gonçalo Mendes Neto

Celso de Mello aposenta em novembro e Marco Aurélio em julho de 2021.
Em 2022 teremos eleição presidencial e para o Congresso Nacional: Câmara dos Deputados e Senado Federal.
Em caso de reeleição de Bolsonaro e a conquista de uma expressiva maioria nas duas casas do legislativo, a PEC da Bengala poderia ser revogada. E os pedidos de impeachment de diversos ministros poderiam ter os seus andamentos efetivados.
De qualquer forma, com as regras atuais, Lewandowski e Rosa Weber deixam o STF em 2023.
Se revogada a PEC da Bengala, Fux chega ao seu limite também em 2023, Carmen Lúcia em 2024 e Gilmar Mendes em 2025.
O andamento dos processos de impeachment engavetados por Davi Alcolumbre, poderia resultar nos afastamentos de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do próprio Gilmar.
Assim, restariam Edson Fachin e Luis Roberto Barroso, que teriam seus substitutos indicados pelo sucessor do presidente Bolsonaro, eleito em 2026. Ambos, em 2028.
Gonçalo Mendes Neto. Jornalista

Jornal da Cidade

Com cavadinha, Lionel Messi chega aos 700 gols na carreira

Lionel Messi chegou ao 700º gol da carreira nesta terça (30). O atacante anotou de pênalti, com cavadinha, no empate do Barcelona em 2 a 2 sobre o Atlético de Madrid, no Camp Nou, pelo Campeonato Espanhol.
Com a expectativa de atingir o número histórico, o argentino havia passado em branco nas três partidas anteriores e sua equipe foi superada pelo Real Madrid na liderança da liga.
Se não anotasse nesta terça, ele igualaria seu maior jejum pelo Barcelona desde a temporada 2013-2014, quando ficou quatro jogos sem marcar.
Entre o gol 600 e 700, se passaram pouco mais de dois anos. O 600º da carreira do atacante aconteceu em 5 de março de 2018, contra o mesmo Atlético de Madrid.
Foi também em uma jogada de bola parada e diante do mesmo goleiro Oblak, mas aconteceu em cobrança de falta.

Messi cobra pênalti com cavadinha para anotar o 700º gol de sua carreira
Messi cobra pênalti com cavadinha para anotar o 700º gol de sua carreira 
Albert Gea/Reuters
A marca acontece em um momento conturbado do Barcelona, em que se discute o relacionamento da comissão técnica de Quique Setién com vários jogadores, Messi entre eles. No confronto do último final de semana, diante do Celta de Vigo, argentino deixou um auxiliar do treinador falando sozinho quando este queria lhe dar uma instrução. A partida terminou empatada em 2 a 2.
Com o resultado diante do Atlético, o Barcelona chegou aos 70 pontos, um a menos que o Real, que enfrenta o Getafe na próxima quinta (2)
Dos 700 gols de Messi, 630 foram pelo Barcelona e 70 pela seleção argentina, sendo 34 em amistosos. Em partidas válidas por campeonatos, são 666.
Recordista de gols, Pelé marcou 1.282 vezes, sendo 515 em amistosos e 767 em jogos oficiais

Folha de São Paulo

Set de 'Apocalypse Now' se dividiu entre ordem e caos, com cadáveres em cena

“Um caos organizado.” É assim que o fotógrafo holandês Chas Gerretsen resume o que viu durante os meses de 1976 e 1977 que passou no set de filmagem de “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola.
Organização: “Os helicópteros militares eram alugados do exército filipino, mas era difícil cumprir o contrato quando eles tinham que combater uma rebelião muçulmana todas as noites no sul do arquipélago. A estrela americana era pintada em cima do brasão filipino, que seria repintado de novo de noite. Um dia, onze helicópteros foram contratados e pagos, mas apenas cinco apareceram.”
Caos: “Alguém decidiu criar uma atmosfera de loucura profunda em volta do templo do coronel Kurtz [Marlon Brando]. Corpos pendurados e sangue não era o bastante. ‘Precisamos de pedaços humanos’. Em vez de usarem bonecos, alguém foi até o necrotério e pagou os caras. Depois que alguns profissionais reclamaram sobre o cheiro e ratos, a história saiu no jornal local. A polícia apareceu e logo depois um carro funerário chegou para levar os pedaços.”
Contratado como fotógrafo do set, capturando cenas à frente e de trás das câmeras, Chas tinha a experiência ter estado na guerra do Vietnã e Camboja entre 1968 e 1972 e no golpe militar do Chile em 1973. Mas é claro que o inferno pensado por Coppola nas Filipinas, um conjunto de ilhas ao sul do Vietnã, era pior do que a realidade.
Parte dessa história (a dos pedaços de corpos ele contou à Folha) está no documentário “Dutch Angle”, que entra no ar amanhã no serviço de streaming Belas Artes À La Carte. Junto, chega a mais nova versão de “Apocalypse Now”, chamada “Final Cut”, que estreou no ano passado em Cannes. É inédito no Brasil, com exceção de cinco sessões no Belas Artes Drive In em junho, com ingressos esgotados em poucas horas.
O pacote do Belas Artes é completado por “O Apocalipse de um Cineasta”, um dos melhores documentários sobre cinema já feitos, baseado em cenas filmadas por Eleanor, mulher de Coppola, nas Filipinas, e nas fitas das conversas que tinha com o marido durante o processo, que ela gravou sem que ele soubesse.
Em “Dutch Angle”, Chas Gerretsen comenta com certa ênfase que ele não era bem-vindo ao set. “Não é que fosse desagradável, mas eu não colaborava com o filme diretamente, apenas fazia fotos para serem usadas depois para publicidade e imprensa. Eu não era um deles”, conta o holandês, respondendo a entrevista da Folha em um barco ancorado em um porto na Martinica, no Caribe.
Questionado quem foi o ator mais difícil de trabalhar, não falou de Martin Sheen ou de Dennis Hopper. O fotógrafo sofreu, como Coppola, com a superestrela . “Ele chegou ‘levemente’ acima do peso e bastante animado”, recorda-se Chas.
“Francis me avisou: ‘Marlon não quer ser fotografado. Uma vez, nas filmagens de ‘O Poderoso Chefão’, ele arrancou a câmera de uma velha senhora e a arrebentou no chão.’ Pouco depois ele visitou o set e veio até cada um de nós dizendo, sem olhar no rosto, enquanto dava as mãos, ‘Oi, meu nome é Marlon Brando’. Dois minutos depois, ele estava de volta, dando as mãos e se apresentando mais uma vez.”
“Ele tinha trazido com ele uma garota chinesa magrela de 19 anos, ninguém sabia direito quem era. ‘Oi, sou Stefani’, ela me disse. ‘Marlon gosta de você. Você está autorizado a fotografá-lo. Mas peça permissão antes.’ No fim da tarde eu o vi sentado debaixo de uma árvore com Francis e sua mulher, que carregava a câmera com a qual filmava seu documentário. Aguardei que a conversa amainasse, fui até eles e disse ‘Com licença, sr. Brando, será que eu posso...’ Ele me deu uma olhada. ‘Não.’ Depois, Francis me disse que ele também não tinha autorizado Eleanor a filmá-lo.”
Segundo Gerretsen, as coisas não melhoraram após esse primeiro dia. Brando havia sido contratado, por três semanas, pelo inacreditável cachê de US$ 1 milhão por semana (US$ 4,6 milhões nos valores de hoje, ou R$ 25 milhões; R$ 75 milhões no total)
“No dia seguinte, ele não trabalhou porque estava com dor no dedão do pé. No outro, com dor no estômago. E no terceiro, ele e Francis se sentaram para reescrever suas falas. Ele não gostou do pijamão preto de algodão comum que o personagem usaria. Ele havia visto um outro com algodão egípcio em Hong Kong. Imediatamente alguém foi mandado para Hong Kong para comprá-lo.”
Durante as filmagens, “Brando não decorou nenhum fala porque, segundo ele, ‘isso tiraria a espontaneidade’. Então, Francis mandou fazerem cartazes com as falas, para serem levantados por trás das câmeras. Mesmo assim, ele não as lia. Além disso, aceitava muito pouco as orientações de Coppola e, de vez em quando, saía intempestivamente do set.”
Quanto ao fotógrafo vivido por Dennis Hopper na parte final do filme, Chas conta que Coppola nunca confirmou, mas que acredita que ele próprio foi a inspiração para o personagem. De fato, no documentário de Eleanor Coppola, vemos que o personagem não existia no roteiro inicial.
“Eu sugeri a ele num almoço a colocar um fotojornalista. Dois dias depois, ele me chamou e perguntou como um jornalista na guerra deveria se vestir.”
“Então, Dennis Hopper chegou. Coppola o vestia e me chamava, pedindo minha opinião. ‘Ele parece um turista, com apenas uma câmera no pescoço. Precisa ter três ou quatro câmeras’, eu disse.
No dia seguinte, um produtor me falou ‘Precisamos de suas câmeras para o Dennis.’ ‘Sem problemas, você me compra novas?’ ‘É claro.’ ‘Beleza, mas eu teria que ir a Hong Kong comprar câmeras e lentes para mim.’ ‘Apenas traga as notas.’ Alguns dias depois, voei para lá, comprei todo o equipamento e voltei no domingo, pronto para as filmagens da semana seguinte.”
Realmente, caos organizado é um resumo à altura das aventuras de Chas nas Filipinas.

Ivan Finotti, Folha de São Paulo