
Nota da edição:
O artigo a seguir é um trecho do décimo capítulo do livro Keynes, The Man. Na obra, Murray Rothbard busca fazer uma análise crítica da biografia do economista John Maynard Keynes, traçando as origens da sua defesa de uma política econômica intervencionista e como ela obteve adesão de parte considerável da opinião pública dentro e fora do ambiente acadêmico.
O livro A Teoria Geral do Juro do Emprego e da Moeda de Keynes foi, pelo menos no curto prazo, um dos livros de maior sucesso fulminante de todos os tempos. Em poucos anos, sua teoria “revolucionária” havia conquistado a profissão econômica e logo transformado as políticas públicas, enquanto a economia antiga foi varrida, sem honra e sem louvor, para a lata de lixo da história.
Como esse feito foi realizado? Keynes e seus seguidores responderiam, é claro, que a profissão simplesmente aceitou uma verdade flagrantemente auto evidente. E, no entanto, A Teoria Geral não foi verdadeiramente revolucionária em coisa alguma, mas apenas continha velhas falácias mercantilistas e inflacionistas que foram frequentemente refutadas, vestidas com um novo figurino reluzente, repleto de jargões recém-construídos e em grande parte incompreensíveis. Como explicar, então, um sucesso tão rápido?
Parte da razão, como apontou Schumpeter, é que tanto os governos quanto o clima intelectual da década de 1930 estavam maduros para tal conversão. Os governos estão sempre à procura de novas fontes de receita e de novas formas de gastar dinheiro, muitas vezes com considerável desespero; contudo, a ciência econômica, por mais de um século, vinha advertindo de maneira severa contra a inflação e os gastos deficitários, mesmo em tempos de recessão.
Os economistas — que Keynes viria a agrupar em uma única categoria e a depreciar com desdém como “clássicos” em A Teoria Geral — eram os rabugentos do piquenique, lançando uma sombra de pessimismo sobre as tentativas dos governos de aumentar seus gastos. Então surgiu Keynes, com sua economia moderna e “científica”, afirmando que os antigos economistas “clássicos” estavam completamente errados: que, ao contrário, era dever moral e científico do governo gastar, gastar e gastar; incorrer em déficit após déficit, a fim de salvar a economia de vícios como a parcimônia, os orçamentos equilibrados e o capitalismo irrestrito; e gerar a recuperação da depressão. Quão bem-vinda foi a economia keynesiana para os governos do mundo!
Além disso, intelectuais em todo o mundo estavam se convencendo de que o capitalismo laissez-faire não poderia funcionar e de que ele era responsável pela Grande Depressão. O comunismo, o fascismo e várias formas de socialismo e de economia controlada tornaram-se populares por essa razão durante a década de 1930. O keynesianismo era perfeitamente adequado a esse clima intelectual.
Mas também havia fortes razões internas para o sucesso de A Teoria Geral. Ao revestir sua nova teoria com um jargão impenetrável, Keynes criou uma atmosfera na qual apenas jovens economistas corajosos poderiam, possivelmente, compreender a nova ciência; nenhum economista com mais de trinta anos conseguia entender a Nova Economia. Economistas mais velhos, que, compreensivelmente, não tinham paciência para as novas complexidades, tendiam a descartar A Teoria Geral como um amontoado de bobagens e se recusavam a enfrentar a obra formidavelmente incompreensível. Por outro lado, jovens economistas e estudantes de pós-graduação, inclinados ao socialismo, aproveitaram as novas oportunidades e se dedicaram à tarefa recompensadora de descobrir do que A Teoria Geral realmente tratava1.
Paul Samuelson escreveu sobre a alegria de ter menos de trinta anos quando A Teoria Geral foi publicada em 1936, exultando, com Wordsworth: “Foi uma bênção estar vivo naquela aurora, mas ser jovem era o próprio paraíso”. No entanto, esse mesmo Samuelson, que aceitou entusiasticamente a nova revelação, também admitiu que A Teoria Geral:
“é um livro mal escrito; mal organizado. (…) Abunda em verdadeiros ninhos de confusões absurdas. (…) Creio não estar revelando nenhum segredo quando afirmo solenemente — com base em uma vívida lembrança pessoal — que ninguém em Cambridge, Massachusetts, realmente sabia do que se tratava durante cerca de doze a dezoito meses após sua publicação”2 3
É preciso lembrar que a hoje familiar cruz keynesiana, os diagramas IS-LM e o sistema de equações não estavam disponíveis para aqueles que tentavam desesperadamente compreender A Teoria Geral quando o livro foi publicado; de fato, foram necessários de dez a quinze anos e incontáveis horas de trabalho humano para decifrar o sistema keynesiano. Com frequência, como no caso tanto de Ricardo quanto de Keynes, quanto mais obscuro o conteúdo, maior o sucesso do livro, à medida que estudiosos mais jovens correm como um rebanho para ele, tornando-se seus acólitos.
Também foi importante para o sucesso de A Teoria Geral o fato de que, assim como uma grande guerra cria um grande número de generais, a revolução keynesiana, e seu rude afastamento da geração mais velha de economistas, criou um número maior de oportunidades para jovens keynesianos, tanto na profissão quanto no governo.
Outro fator crucial para o sucesso súbito e avassalador de A Teoria Geral foi sua origem na universidade mais insular do centro econômico nacional mais dominante do mundo. Durante um século e meio, a Grã-Bretanha havia se arrogado o papel de liderança na economia, com Smith, Ricardo e Mill todos engrandecendo essa tradição. Já vimos como Marshall estabeleceu sua dominância em Cambridge e como a economia que ele desenvolveu era essencialmente um retorno à tradição clássica de Ricardo e Mill.
Como um proeminente economista de Cambridge e aluno de Marshall, Keynes possuía uma vantagem importante para promover o sucesso das ideias apresentadas em A Teoria Geral. É seguro afirmar que, se Keynes tivesse sido um obscuro professor de economia em uma pequena faculdade do Meio-Oeste americano, sua obra, na improvável hipótese de sequer encontrar uma editora, teria sido totalmente ignorada.
Naqueles dias anteriores à Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha, e não os Estados Unidos, era o centro mundial mais prestigioso do pensamento econômico. Embora a economia austríaca tivesse florescido nos Estados Unidos antes da Primeira Guerra Mundial (nos trabalhos de David Green, Frank A. Fetter e Herbert J. Davenport), o período que vai da década de 1920 ao início dos anos 1930 foi, em grande medida, um período estéril para a teoria econômica. Os institucionalistas anti teóricos dominaram a economia americana durante esse intervalo, deixando um vácuo que foi fácil para Keynes preencher.
Também foi importante para o seu sucesso a enorme estatura de Keynes como líder intelectual e político-econômico na Grã-Bretanha, incluindo seu papel proeminente como participante e, posteriormente, severo crítico do Tratado de Versalhes. Como membro do grupo Bloomsbury, ele também exercia influência relevante nos círculos culturais e artísticos britânicos.
Além disso, devemos perceber que, nos dias anteriores à Segunda Guerra Mundial, apenas uma pequena minoria em cada país frequentava o ensino superior e que o número de universidades era reduzido e geograficamente concentrado na Grã-Bretanha. Como resultado, havia pouquíssimos economistas britânicos ou professores de economia, e todos se conheciam. Isso criou um espaço considerável para que fatores como personalidade e carisma ajudassem a converter a profissão à doutrina keynesiana.
A importância de fatores externos como carisma pessoal, política e oportunismo de carreira foi particularmente forte entre os discípulos de F. A. Hayek na London School of Economics. Durante o início da década de 1930, Hayek na LSE e Keynes em Cambridge eram polos opostos da economia britânica, com Hayek convertendo muitos dos principais jovens economistas do país à teoria austríaca (isto é, misesiana) da moeda, do capital e dos ciclos econômicos.
Além disso, Hayek, em uma série de artigos, havia demolido brilhantemente a obra anterior de Keynes, seu Treatise on Money, em dois volumes, e muitas das falácias expostas por Hayek aplicavam-se igualmente bem a A Teoria Geral4 5 6. Para os estudantes e seguidores de Hayek, portanto, deve-se dizer que eles sabiam disso. No campo da teoria, já haviam sido inoculados contra A Teoria Geral. E, ainda assim, ao final da década de 1930, todos os seguidores de Hayek haviam pulado para o lado keynesiano, incluindo Lionel Robbins, John R. Hicks, Abba P. Lerner, Nicholas Kaldor, G. L. S. Shackle e Kenneth E. Boulding.
Talvez a conversão mais surpreendente tenha sido a de Lionel Robbins. Robbins não apenas havia se convertido à metodologia misesiana, bem como à teoria monetária e dos ciclos econômicos, como também fora um ativista ferrenho pró-austríaco. Convertido desde sua participação no Privatseminar [seminário privado] de Mises em Viena, na década de 1920, Robbins, altamente influente no departamento de economia da LSE, havia conseguido trazer Hayek para a London School of Economics em 1931, além de traduzir e publicar as obras de Hayek e de Mises.
Apesar de ter sido um crítico de longa data da doutrina keynesiana antes de A Teoria Geral, a conversão de Robbins ao keynesianismo aparentemente se consolidou quando ele passou a atuar como colega de Keynes no planejamento econômico de guerra. Há no diário de Robbins uma nota decididamente marcada por um entusiasmo eufórico que talvez explique sua surpreendente humilhação ao repudiar sua obra misesiana, The Great Depression (1934).A retratação de Robbins foi publicada em sua Autobiografia, de 1971: “Sempre considerarei esse aspecto de minha disputa com Keynes como o maior erro de minha carreira profissional, e o livro The Great Depression, que escrevi posteriormente, em parte como justificativa dessa posição, como algo que eu ficaria satisfeito em ver esquecido”7. As anotações de diário de Robbins sobre Keynes durante a Segunda Guerra Mundial só podem ser consideradas uma visão pessoal absurdamente extasiada. Eis Robbins em uma conferência preliminar pré–Bretton Woods, realizada em Atlantic City, em junho de 1944:
“Keynes estava em seu humor mais lúcido e persuasivo; e o efeito foi irresistível(…) Keynes deve ser um dos homens mais notáveis que já viveram — a lógica rápida, a visão ampla e, acima de tudo, o incomparável senso de adequação das palavras, tudo se combina para produzir algo vários graus além do limite das realizações humanas comuns. Apenas Churchill, prossegue Robbins, é de estatura comparável. Mas Keynes é maior, pois utiliza o estilo clássico de nossa vida e de nossa linguagem, é verdade, mas este é atravessado por algo que não é tradicional, uma qualidade única e sobrenatural da qual só se pode dizer que é pura genialidade. Os americanos permaneceram encantados enquanto o visitante quase divino cantava e a luz dourada se espalhava ao redor”8.
Esse tipo de bajulação só pode significar que Keynes possuía algum tipo de magnetismo pessoal forte ao qual Robbins era particularmente suscetível9.
Centrais à estratégia de Keynes para impor A Teoria Geral foram duas alegações: primeiro, a de que ele estava revolucionando a teoria econômica; e, segundo, a de que teria sido o primeiro economista — à exceção de alguns poucos “personagens subterrâneos”, como Silvio Gesell — a se concentrar no problema do desemprego. Todos os economistas anteriores, que ele agrupava sob a denominação de “clássicos”, segundo afirmava, partiam da suposição de pleno emprego e insistiam que o dinheiro era apenas um “véu” sobre os processos reais e, portanto, não constituía uma presença verdadeiramente perturbadora na economia.
Um dos efeitos mais infelizes de Keynes foi sua concepção equivocada da história do pensamento econômico, já que sua devotada legião de seguidores aceitou as visões falhas de Keynes na Teoria Geral como a palavra final sobre o assunto. Alguns dos erros altamente influentes de Keynes podem ser atribuídos à ignorância, pois ele tinha pouca formação na área e lia principalmente os trabalhos de seus colegas cantabrigianos. Por exemplo, em sua grotescamente distorcida síntese da lei de Say (“a oferta cria sua própria demanda”), ele constrói um espantalho e passa a demolí-lo com facilidade.
Essa reformulação errônea e enganosa da lei de Say foi posteriormente repetida (sem citar Say ou qualquer outro defensor da lei) por Joseph Schumpeter, Mark Blaug, Axel Leijonhufvud, Thomas Sowell e outros. Uma formulação melhor da lei é a de que a oferta de um bem constitui demanda por um ou mais outros bens10.
Mas a ignorância não pode explicar a alegação de Keynes de que ele teria sido o primeiro economista a tentar explicar o desemprego ou a transcender a suposição de que o dinheiro é apenas um véu que não exerce influência importante sobre o ciclo econômico ou sobre a economia. Aqui, devemos atribuir a Keynes uma campanha deliberada de mentira e engano — o que hoje seria chamado, de forma eufemística, de “desinformação”.
Keynes conhecia muito bem a existência das Escolas Austríaca e da LSE, que haviam florescido em Londres já na década de 1920 e de forma ainda mais visível desde 1931. Ele próprio havia debatido pessoalmente com Hayek, o principal representante austríaco na LSE, nas páginas da Economica, o periódico da London School of Economics. Os austríacos em Londres atribuíam o desemprego persistente em larga escala a taxas salariais mantidas acima do nível de livre mercado pela combinação da ação sindical com a ação governamental (por exemplo, por meio de pagamentos extraordinariamente generosos de seguro-desemprego).
As recessões e os ciclos econômicos eram atribuídos ao crédito bancário e à expansão monetária, impulsionados pelo banco central, que empurrava as taxas de juros para abaixo dos níveis genuínos de preferência temporal e criava superinvestimento em bens de capital de ordem superior. Estes, então, precisavam ser liquidados por meio de uma recessão, a qual, por sua vez, surgia assim que a expansão do crédito cessava. Mesmo que Keynes não concordasse com essa análise, era inconcebível que ele ignorasse a própria existência dessa escola de pensamento então proeminente na Grã-Bretanha, uma escola que jamais poderia ser interpretada como negligenciando o impacto da expansão monetária sobre o estado real da economia.
Para conquistar o mundo da economia com sua nova teoria, era crucial para Keynes destruir seus rivais dentro da própria Cambridge. Em sua mente, quem controlasse Cambridge controlaria o mundo. Seu rival mais perigoso era o sucessor escolhido a dedo por Marshall e antigo professor de Keynes, Arthur C. Pigou. Keynes iniciou sua campanha sistemática de destruição contra Pigou quando este rejeitou sua abordagem anterior no Treatise on Money, momento em que Keynes também rompeu com seu ex-aluno e amigo próximo, Dennis H. Robertson, por se recusar a alinhar-se contra Pigou.
A declaração mais flagrante em A Teoria Geral, e uma que seus discípulos aceitaram sem questionar, é a apresentação ultrajante das posições de Pigou sobre dinheiro e desemprego, ao identificá-lo como o principal economista “clássico” contemporâneo que supostamente acreditava haver sempre pleno emprego e que o dinheiro seria apenas um véu que não causaria perturbações na economia — isto a respeito de um homem que escreveu Industrial Fluctuations em 1927 e Theory of Unemployment em 1933, obras que discutem extensamente o problema do desemprego! Além disso, neste último livro, Pigou repudia explicitamente a teoria do véu monetário e enfatiza a centralidade crucial do dinheiro na atividade econômica.
Assim, Keynes atacou Pigou por supostamente sustentar a “convicção(…) de que o dinheiro não faz diferença real alguma, exceto de maneira friccional, e de que a teoria do desemprego pode ser elaborada(…) como sendo baseada em trocas ‘reais’”. Um apêndice inteiro do capítulo 19 de A Teoria Geral é dedicado a um ataque contra Pigou, incluindo a alegação de que ele escrevia apenas em termos de trocas reais e salários reais, e não de salários monetários, e de que pressupunha apenas taxas salariais flexíveis.
Mas, como observa Andrew Rutten, Pigou realizou uma análise “real” apenas na primeira parte de seu livro; na segunda parte, ele não apenas introduziu o dinheiro na análise, como também apontou que qualquer abstração do dinheiro distorce a análise e que o dinheiro é crucial para qualquer exame do sistema de trocas. O dinheiro, afirma ele, não pode ser abstraído nem pode atuar de forma neutra, de modo que “a tarefa da presente parte deve ser determinar de que maneira o fator monetário faz com que o nível médio de emprego e as flutuações do emprego sejam diferentes do que seriam de outra forma”.
Portanto, acrescenta Pigou, “é ilegítimo abstrair o dinheiro [e] deixar todo o resto igual. A abstração proposta é do mesmo tipo daquela que estaria envolvida em imaginar a remoção do oxigênio da Terra e supor que a vida humana continuaria a existir”11. Pigou analisou extensamente a interação entre a expansão monetária e as taxas de juros, juntamente com mudanças nas expectativas, e discutiu explicitamente o problema dos salários monetários e dos preços e salários “fixos”.
Assim, fica claro que Keynes deturpou gravemente a posição de Pigou e que essa deturpação foi deliberada, pois, se Keynes leu algum economista com atenção, certamente leu cantabrigianos tão proeminentes quanto Pigou. Ainda assim, como escreve Rutten, “essas conclusões não deveriam causar surpresa, uma vez que há ampla evidência de que Keynes e seus seguidores deturparam seus predecessores”12. O fato de Keynes ter se engajado nessa enganação sistemática e de seus seguidores continuarem a repetir a fábula sobre o suposto “classicismo” cego de Pigou mostra que existe uma razão mais profunda para a popularidade dessa lenda nos círculos keynesianos. Como escreve Rutten:
“Há uma explicação plausível para a repetição da história de Keynes e dos clássicos(…) Trata-se do fato de que o relato padrão é popular porque oferece simultaneamente uma explicação e uma justificação para o sucesso de Keynes: sem A Teoria Geral, ainda estaríamos na era das trevas na economia. Em outras palavras, a história de Keynes e dos Clássicos é evidência em favor de A Teoria Geral. De fato, seu uso sugere que ela pode ser a evidência mais convincente disponível. Nesse caso, a prova de que Pigou não sustentava a posição que lhe foi atribuída é(…) evidência contra Keynes.(…) [Essa conclusão] levanta a(…) séria questão sobre o status metodológico de uma teoria que depende de maneira tão intensa de evidências falsificadas”.
Em sua resenha de A Teoria Geral, Pigou mostrou-se corretamente desdenhoso em relação à “mistura de deturpações” de Keynes; e, ainda assim, tal foi o poder da maré de opinião (ou do carisma de Keynes) que, por volta de 1950, após a morte de Keynes, Pigou passou por um tipo de retratação abjeta semelhante à praticada por Lionel Robbins, uma retratação que Keynes havia tentado arrancar dele por muito tempo13 14 15.
Mas Keynes utilizou, na promoção de A Teoria Geral, táticas que iam além da simples dependência de seu carisma e da enganação sistemática. Ele buscava conquistar o favor de seus alunos elogiando-os de maneira extravagante e os colocava deliberadamente contra os não keynesianos do corpo docente de Cambridge, ridicularizando seus colegas diante desses estudantes e incentivando-os a importunar seus colegas de faculdade. Por exemplo, Keynes incitou seus alunos com particular virulência contra Dennis Robertson, seu antigo amigo próximo.
Como Keynes sabia muito bem, Robertson era dolorosamente e extraordinariamente tímido, a ponto de comunicar-se até mesmo com sua fiel secretária de longa data, cujo escritório ficava ao lado do seu, apenas por meio de memorandos escritos. As aulas de Robertson eram inteiramente redigidas com antecedência e, por causa de sua timidez, ele se recusava a responder a quaisquer perguntas ou a participar de qualquer discussão, tanto com seus alunos quanto com seus colegas. E assim, foi uma tortura particularmente diabólica para os discípulos radicais de Keynes, liderados por Joan Robinson e Richard Kahn, provocarem e zombarem de Robertson, assediando-o com perguntas maliciosas e desafiando-o a debater16.
Murray N. Rothbard- Mises Brasil