domingo, 7 de maio de 2023

Vencedor do Oscar, Richard Dreyfuss peita o politicamente correto em Hollywood

Ator afirma que novas regras de diversidade 'dão vontade de vomitar'


Richard Dreyfuss atuou em Tubarão (1975) e Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), ambos de Steven Spielberg | Foto: Reprodução/Flickr


Vencedor do Oscar em 1977 e conhecido por participar dos filmes Tubarão Contatos imediatos de terceiro grau, o ator Richard Dreyfuss, 75 anos, fez uma crítica contundente às novas regras de inclusão da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Para que uma produção possa ser indicada ao Oscar, a academia impôs critérios de diversidade que passam a valer a partir de 2024.

Um filme deverá atender a dois dos quatro critérios estabelecidos – que, na verdade, são cotas para atores, produtores e diretores não brancos ou não heterossexuais. A intenção é acabar com grupos “sub-representados” na indústria cinematográfica.

Para Dreyfuss, no entanto, essas regras buscam limitar e submeter a arte, o que viola o direito à liberdade de expressão, inerente às atividades artísticas. “As novas regras me dão vontade de vomitar”, declarou, em entrevista à jornalista Margaret Hoover.

“O cinema é uma forma de arte. Ninguém deveria poder me dizer, como artista, que devo ceder ao conceito mais recente de moralidade. O que estamos arriscando? Estamos mesmo arriscando ferir o sentimento de pessoas? Não é algo que você possa legislar”, prosseguiu o ator. “Você deve deixar a vida ser vida. Sinto, não acho que exista uma minoria ou maioria no país que deva ser atendida dessa maneira.”

A reserva de cotas começou a ser discutida em Hollywood a partir de 2015. Com a anuência dos dirigentes e com a ameaça de boicotes à cerimônia do Oscar, em razão da “sub-representatividade” de determinados grupos, quatro critérios acabaram sendo aprovados.

As obras que competirem na categoria de melhor filme terão que cumprir pelo menos dois dos quatro critérios criados para melhorar as práticas de contratação e representação dentro e fora da tela.

Os critérios de Hollywood

Hollywood
Foto: Reprodução/Flickr

O primeiro critério exige que o protagonista do filme seja de um grupo sub-representado, ou que 30% dos papéis secundários sejam distribuídos entre minorias, ou que se abordem os problemas que rodeiam essas comunidades como tema principal da obra.

O segundo critério exige que as figuras principais nos bastidores façam parte de grupos “historicamente” desfavorecidos, entre os quais também estão incluídas as mulheres, as comunidades LGBT+ e pessoas com deficiências.

O terceiro e o quarto critérios se referem à oferta de estágios e capacitação para grupos “sub-representados” e à diversidade nas equipes de comercialização e distribuição.

Revista Oeste