
João Roma - Foto Câmara dos Deputados
A nomeação do deputado João Roma (Republicanos-BA), aliado de ACM Neto (DEM), como ministro da Cidadania, é dada como certa nos bastidores do Palácio do Planalto. O atual ministro, Onyx Lorenzoni (DEM), já foi comunicado que será deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência.
ACM Neto, responsável pelo racha do DEM na eleição para a presidência da Câmara, ainda tenta demover João Roma a aceitar a indicação. Os dois são muito próximos. Consta que o deputado já “vestia a roupa de ministro”, mas ainda não se decidiu. Embora o comando de seu partido, Cidadania, esteja empenhado em fortalecer ainda mais os laços com o governo Jair Bolsonaro.
Interlocutores de Neto afirmam que ele teve de intervir porque, dada a relação de compadrio entre eles, “ninguém acreditaria” que a nomeação não fosse aprovada pelo presidente do DEM.
Mesmo sob intensa pressão, Roma não rechaçou ainda virar ministro. Não respondeu nem “sim”, nem “não” ao apelo de ACM Neto. A aliados, o deputado confidencia que o “incômodo” da vinculação de seus nomes é decorrente da crise no Democratas. Pondera, no entanto, ter aspirações pessoais e que deverá se guiar por compromissos partidários do Republicanos. Quem negocia pelo partido é o presidente nacional, deputado Marcos Pereira (SP).
De forma sutil, o Republicanos se aproxima cada vez mais do presidente e abriga dois filhos dele (o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro). Já havia indicado cargos de menor escalão no governo. A busca por um ministério vem desde antes da eleição no Congresso e se fortaleceu com a vitória nas eleições do Senado e da Câmara. O Republicanos apoiou os nomes do Planalto na eleição na Câmara (Arthur Lira, Progressistas-AL) e no Senado (Rodrigo Pacheco, DEM-MG).
No ano passado, Bolsonaro esteve em Vitória da Conquista (BA) e elogiou o “velho ACM”. Além do Onyx, o partido tem outro filiado como ministro, a deputada Tereza Cristina, da Agricultura. Ambos, porém, são escolhas do presidente e não indicações partidárias.
Apesar de rejeitar os “extremos” na política há pelo menos quatro anos, Neto tem dito que não pode, ainda, rechaçar aliança com Bolsonaro para as eleições de 2022, nem com outros nomes de centro.
Em vídeo divulgado nesta sexta-feira, 5, ele negou que vá aceitar compor uma chapa presidencial como candidato a vice-presidente em 2022. “Não serei candidato a vice-presidente da República de Bolsonaro nem de nenhum outro candidato”, disse o ex-prefeito da capital baiana.
Neto disse que jamais aceitou “discutir ou negociar cargos ou espaços” e que o DEM não tem interesse em virar base do governo, apesar de o Planalto considerar o partido aliado.
Os cinco deputados baianos do DEM se rebelaram publicamente na semana passada e romperam o acordo do então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Votaram em Arthur Lira.
Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo
