O cientista político Felipe Nunes, consultado pelo jornal Folha de S. Paulo, avaliou a estratégia de comunicação do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o professor, da Universidade Federal de Minas Gerais, o chefe do executivo, “parece estar falando sempre a verdade: Pode até errar, mas [parece que] não está mentindo para você”, analisou Nunes.
Quer dizer, o povo confia no presidente da República. Há mais de 20 meses à frente do Executivo, Bolsonaro mantém o voto de confiança dos brasileiros. Não há um único caso de corrupção no governo. Para o cidadão comum, é um exemplo de seriedade. Brasileiros, estávamos habituados a ouvir no rádio, ver na TV ou nas manchetes de jornais e revistas denúncias de falcatruas. A partir do governo FHC, isso virou uma rotina e foi à exaustão quando Lula chegou ao poder.
Os escândalos do Mensalão e do Petrolão provocaram no brasileiro a convicção de que era necessário eleger presidente da República alguém que não integrasse o sistema corrompido.
Natural, pois, que Jair Bolsonaro tenha sido eleito presidente da República com mais de 57 milhões de votos. E quando o eleito formou uma equipe sem o toma-lá-dá-cá, o cidadão se convenceu de que havia feito a coisa certa ao lhe depositar um voto de confiança.
Esses mais de 20 meses sem corrupção e o fato de Bolsonaro ter enfrentado nesse período a mais terrível campanha de destruição por parte da velha mídia e, de forma lamentável, por parte do STF, consagrou no imaginário popular a certeza de que o país finalmente está no caminho certo para se afirmar como uma nação decente.
O enfrentamento do vírus chinês, apesar da ação predadora do STF de impedir que o governo federal atuasse para inibir o mal vindo da China, fortaleceu o respeito a Bolsonaro junto à maioria da população.
E quando explodiram os escândalos do 'Covidão', com governadores e prefeitos metendo a mão no dinheiro do povo, a aprovação de Bolsonaro começou a crescer ainda mais.
Comunicação
Ainda conforme a avaliação do cientista político da UFMG, Bolsonaro adota uma estratégia de comunicação que preza pela forma, mais do que o conteúdo. O professor ressaltou a popularidade do presidente.
“Bolsonaro sempre foi a personalidade mais popular desde o início do monitoramento, em 2019. Mas sofreu reveses. A primeira vez que a base se dividiu foi quando ele tentou emplacar o filho como embaixador nos Estados Unidos. Depois, com a saída do Mandetta [ex-ministro da Saúde] e do Moro [ex-ministro da Justiça]', nota o cientista político.
Mas, rapidamente, o povo percebeu as razões do presidente. Mandetta e Moro retornaram à obscuridade. Bolsonaro em ascensão, apesar dos transtornos provocados pelo vírus chinês.
"Assim, como se equivoca, Bolsonaro muda de postura sem nenhum tipo de constrangimento. Faz isso, porque a comunicação em rede vale como um stories [publicação no Instagram], vale 24 horas [depois sai do ar]. Pautar a discussão de 24 em 24 horas, alimentar a opinião pública de polêmica é o que faz com que o presidente mantenha a popularidade em alta”, ensina o professor da UFMG.
Com Gazeta do Brasil