"Debandada da equipe econômica mostra descompromisso de Bolsonaro com privatizações e reforma administrativa"

Tiago Mitraud (Novo-MG) avalia que debandada da equipe econômica confirma que parte da agenda liberal não tem espaço com Bolsonaro | Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados
A recente debandada da equipe econômica dá sinais de que o governo não é tão liberal quanto diz ser. Ao menos não defende a agenda de privatizações e da reforma administrativa como se esperava, pondera o deputado federal Tiago Mitraud (Novo-MG), presidente da Frente Parlamentar Mista da Reforma Administrativa.
Em coletiva de imprensa, o ministro da Economia, Paulo Guedes, avisou que a agenda de reformas e privatizações seguem o ritmo de Bolsonaro. “O secretário fala isso: ‘olha, eu não vou ficar aqui se não houver essa reforma’. E o presidente vai pensar o seguinte: ‘tudo bem. Vira político, seja eleito presidente, venha aqui e faça a reforma que você quiser'”, comentou.
O chefe da equipe econômica ainda citou que quem dá o timming da agenda liberal é a “política”. “Se o presidente da Câmara quiser pautar algo, é pautado. Se o presidente da República quiser mandar uma reforma, é mandado, se não quiser, não é mandado. Quem manda não é o ministro e nem os secretários”, comentou Guedes.
As declarações de Guedes foram interpretadas dentro da bancada do Novo como uma clara sinalização de que o governo não tem compromisso com a reforma administrativa e as privatizações. “Infelizmente é uma confirmação do que a gente sabia: o presidente não é alguém reformista, não é alguém liberal”, avalia Mitraud.
Temor
Durante muito tempo, interpreta Mitraud, o governo tentou construir a narrativa da defesa da agenda de privatizações e da reforma administrativa, mas acredita que a retórica se esgotou. “Tentaram isso durante muito tempo, até ver que não teve mais saída. E acho uma pena, porque confirma nosso temor que essas agendas realmente não têm espaço com Bolsonaro”, pondera.
O parlamentar cita o agora ex-secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, como exemplo de seu argumento. “A gente via que a reforma administrativa não andava. E estava claro que não era por falta de esforço do Uebel [quem conduzia os trabalhos], da equipe dele. É porque não era uma agenda do presidente”, diz Mitraud.
Antítese
O movimento liberal suprapartidário Livres foi outro a criticar, nas redes sociais, a saída de Uebel e do secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar. A linha adotada foi a mesma de Mitraud. “O governo não tem compromisso com as privatizações e a reforma administrativa. Jair Bolsonaro é a antítese do liberalismo, sob qualquer ângulo”, protestou.
Rodolfo Costa, Revista Oeste