Ayn Rand e Frédéric Bastiat, dois importantes pensadores liberais, farão parte do currículo das escolas estaduais de Minas Gerais

Ayn Rand e Frédéric Bastiat
Karl Marx, Paulo Freire, Antonio Gramsci, Milton Santos, Friedrich Engels, Jean-Paul Sartre. A esses e tantos outros intelectuais de esquerda amplamente ensinados nas escolas brasileiras, o governo de Minas Gerais resolveu juntar alguns expoentes do lado oposto. As ideias de Ayn Rand, autora de A Revolta de Atlas, e Frédéric Bastiat, de O que se vê e o que não se vê, dois importantes pensadores liberais, farão parte do currículo dos alunos das instituições de ensino do Estado governado por Romeu Zema (Novo).
“O ensino no Brasil só introduz aos seus alunos o coletivismo e, pela primeira vez, as escolas estaduais mineiras terão de apresentar também o contraditório, o outro lado, as ideias que verdadeiramente funcionam: o individualismo, que coloca o indivíduo como protagonista social em detrimento do Estado interventor”, comemorou nas redes sociais Alexandre Freitas, deputado estadual pelo Novo do Rio de Janeiro. “Apesar de não parecer, é uma conquista gigantesca para a liberdade! Minas está se transformando em outro país”.
A decisão vai beneficiar cerca de 382 mil alunos do ensino médio. Ao terem contato com autores que dificilmente são ensinados nas escolas, jovens habituados a ouvir em sala de aula que o capitalismo é “do mal” e o socialismo, “do bem”, enfim serão apresentados ao pensamento liberal e descobrirão que existe (muita) vida inteligente fora da esquerda.
“O ensino público no Brasil sempre privilegiou autores de visão marxista”, disse à Folha Luiz Orione, professor da rede estadual de filosofia em Minas Gerais e um dos autores da iniciativa. “O próprio conceito de filosofia prevê a ideia do contraditório. Não queremos substituir um monopólio por outro. Vamos ter autores estatistas e socialistas, mas vamos dar também a outra visão”.
A quebra do pensamento único
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais afirmou que “o pluralismo de ideias é essencial para se formar cidadãos com visão ampla e crítica e que o conhecimento se constitui também a partir da troca de experiências”. O objetivo da adoção de autores liberais é, portanto, “proporcionar o debate e a dialética em todas as áreas do conhecimento, ampliando, com isso, a pluralidade de saberes, sujeitos e concepções na prática pedagógica”.
Conhecido por ser um meio dominado pelo pensamento de esquerda, outro desafio da secretaria Estadual de Educação será fazer com que os pensadores liberais não sejam demonizados e apresentados de maneira negativa pelos professores quando as aulas presenciais forem retomadas. Distorções como essa costumam acontecer quando são ensinados, por exemplo, sistemas econômicos como o capitalismo e o socialismo. Atualmente, com as aulas presenciais suspensas, os alunos estão recebendo apostilas digitais para o ensino à distância.
Diante deste impasse, Dennys Xavier, professor de filosofia da Universidade Federal de Uberlândia e coordenador dos cursos do Instituto Mises Brasil, declarou à Folha que vale a pena correr o risco. “Isso pode ser um eventual efeito colateral pontual, mas ou é avançar assim, ou ficar do jeito que está”.
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Branca Nunes, Revista Oeste