domingo, 9 de agosto de 2020

Bolsonaro lançará pacote social

 A próxima eleição nacional ocorrerá daqui a mais de dois anos, mas o presidente Jair Bolsonaro já começou a implementar um projeto de longo prazo para aumentar as chances de ser reeleito em 2022.

O presidente montou um cronograma de inaugurações pelo país até o final do ano e lançará medidas de impacto social de olho nas classes D e E.

Em paralelo, começou a avaliar possibilidades para a sua chapa eleitoral, como o partido pelo qual se lançará à reeleição e o perfil do candidato a vice-presidente que lhe trará mais apoio.

Na última semana, quando visitou São Paulo, Bolsonaro disse a um deputado aliado que a sua meta a partir de agora é visitar até dois estados por semana. Nos próximos dias, Bolsonaro irá a Belém, no Pará, para inaugurar uma praça, e pretende ir ao Rio, a um evento militar.

Os ministérios da Infraestrutura e do Desenvolvimento Regional apresentam ao presidente uma lista de opções para que ele escolha aonde ir.

O foco das viagens será o Nordeste e o Sudeste.

As projeções internas do Palácio do Planalto mostraram que o auxílio-emergencial, pago desde abril, teve efeito positivo nas regiões e faixas sociais onde o presidente ainda tem sofre alguma resistência. E, por isso, ele avalia estendê-lo pelo menos até outubro.

Até lá, o governo federal deve enviar ao Congresso um projeto de lei que cria o Renda Brasil, uma reformulação do Bolsa Família que serviria como um substituto ao auxílio-emergencial sobretudo para trabalhadores informais.

O valor do benefício ainda não foi definido, mas deve ficar entre R$ 250 e R$ 300.

Além da nova iniciativa, o governo federal distribuirá até o final do ano R$ 5 milhões em cestas básicas para mulheres em situação de vulnerabilidade e pretende lançar o programa social “Cuidar + Brasil”, discutido pelo Ministério dos Direitos Humanos.

A medida deve oferecer também acesso a microcrédito e a cursos de capacitação profissional a famílias de baixa renda, uma espécie de porta de saída a beneficiários do Bolsa Família.

A ideia de porta de saída é uma tentativa diferenciar o pacote social de velhos programas, e, ao mesmo tempo, acenar ao público liberal de que esta política não é um gasto de recursos sem retorno.

Em outra frente, Bolsonaro disse a ministros palacianos que até dezembro recriará o Ministério da Segurança Pública para reforçar uma das suas principais bandeiras eleitorais que foi o combate à criminalidade.


O ministro Fabio Faria tem conversado com a militância bolsonarista para explicar que o novo comportamento do presidente não significa que ele tenha abandoando suas bandeiras.

Ele já disse a deputados da base que, caso não consiga criar a tempo o Aliança pelo Brasil, pode se filiar a uma sigla já existente. Em avaliação, estão o PTB e o Republicanos.

O primeiro é comandado pelo ex-deputado federal Roberto Jefferso, que repaginou o partido para dar-lhe um verniz mais conservador e já foi ao Palácio do Planalto conversar com Bolsonaro e distribuir a última versão do programa da legenda.

Condenado no Mensalão de Lula, Jefferson cumpriu a pena e está novamente fazendo política.

Já o Republicanos é o partido no qual estão filiados os dois filhos mais velhos do presidente —o senador Flávio Bolsonaro (RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (RJ).

“Não está em discussão [a filiação de Bolsonaro]. As vindas dos dois filhos foram pontuais. Acho que eles estão focados e assim devem continuar na criação do seu próprio partido”, disse o presidente da legenda, Marcos Pereira, à Folha.

Com informações de Gustavo Uribe e Daniel Carvalho, Folha de São Paulo