quinta-feira, 13 de agosto de 2020

"A formidável evolução de Max Eastman: De revolucionário socialista a conservador intransigente", por Wagner Hertzog

Eastman nasceu em 1883 em Canandaigua, no estado de Nova Iorque. Desde a sua juventude, identificou-se com a esquerda política — que estava em ascensão pelo mundo — e passou a associar-se com diversos intelectuais e autores que compartilhavam de suas crenças. Sua irmã, Crystal, um ano e meio mais velha, ficaria conhecida como uma renomada jornalista, famosa por militar em benefício do socialismo e do feminismo. Crystal infelizmente faleceu precocemente, aos 47 anos, em julho de 1928.

Na década de 1920 — período da ascensão dos bolcheviques —, Eastman teve a oportunidade de visitar a União Soviética, então o epicentro do socialismo mundial. As expectativas eram elevadas, muitas pessoas realmente acreditavam que o socialismo poderia mudar o mundo. Eastman teve a oportunidade de passar quase dois anos no que era então a maior nação do mundo, e decepcionou-se completamente. Algo muito similar aconteceu mais ou menos na mesma época com a escritora brasileira Patrícia Galvão, mais conhecida como Pagu, que depois de visitar a União Soviética, decepcionara-se profundamente com o comunismo.

Quando tomou conhecimento das campanhas de genocídio, dos expurgos stalinistas e da ferrenha luta pelo poder que ocorria entre Stálin e Trotsky, Eastman passou a refletir de forma contundente sobre o que era, de fato, o socialismo. Depois que Trotsky fora assassinado no México por Ramón Mercader, em 1940, Eastman assumiu sua desilusão e seu amargo desapontamento para com a ideologia, mudando radicalmente suas convicções políticas.

Eastman, que já havia redigido e publicado inúmeros tratados sobre socialismo e revolucionários socialistas — como Desde que Lenin morreu e Marx e Lenin: A Ciência da Revolução, entre muitos outros — tornara-se um antissocialista convicto, que passou a denunciar de forma sistemática o totalitarismo, bem como todas as desgraças e arbitrariedades inerentemente arraigadas ao socialismo.

Eastman, no entanto, foi mais além. Tornou-se também um ardoroso defensor do livre mercado, ao perceber como este sistema dinâmico e descentralizado torna todo o tipo de riquezas acessíveis aos mais pobres, como nenhum outro sistema é capaz de fazer. Quanto mais estudava, mais Eastman afastava-se do socialismo, e com mais convicção difundia — sempre de forma veraz e pungente — as terríveis, lancinantes e dramáticas verdades sobre esta ideologia tirânica, assassina e escravagista. Seu ensaio Reflexões sobre o fracasso do socialismo tornou-se uma importante referência acadêmica sobre o tema.

Eastman amadureceu e reconheceu quão equivocado ele estava, como poucas pessoas são capazes de fazer. Sua humildade permitiu a ele reconhecer o seu erro. Até porque Eastman viveu sua juventude no início do século 20, quando o socialismo ainda não havia sido colocado em prática, e todas as promessas e expectativas estavam voltadas para esta ideologia, que alardeava ser a cura para todos os males da humanidade.

Assim que o socialismo foi colocado em prática, no entanto, Eastman escolheu não fazer vista grossa para a brutalidade, a violência e a degradante tirania que revelaram-se elementos inerentes deste cruel, opressivo e autoritário sistema. É natural estarmos equivocados na juventude. Deplorável é persistir no erro.

Evoluir faz parte da natureza humana. Max Eastman merece ser lembrado como um indivíduo que não permitiu que o orgulho, a arrogância e a soberba falassem mais alto, como é tão comum em militantes de seitas políticas, que normalmente são profundamente intransigentes em suas convicções; pois, via de regra, priorizam ideologias ao invés de seres humanos.

Max Eastman morreu em março de 1969, aos 86 anos de idade, na ilha de Barbados.

Wagner Hertzog


Jornal da Cidade