Herman Benajmin afirmou ter a impressão de que a estatal era um 'antro de corrupção'
PORTO SEGURO - Relator do processo que pode levar à cassação da chapa vitoriosa de Dilma Rousseff e Michel Temer nas eleições de 2014, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin disse em entrevista a jornalistas que as indenizações que vierem a ser pagas pela Petrobrás em virtude do esquema de corrupção instalado na empresa devem ser debitadas na conta dos envolvidos.
"Todas as indenizações que a Petrobras pagar, seja de natureza contratual, seja por conta da legislação de proteção de acionistas minoritários, em decorrência do escândalo que a empresa enfrentou, isso tem que ser debitado na conta de quem causou o escândalo", defendeu Benjamin, em conversa com jornalistas durante o VI Encontro Nacional de Juízes Estaduais (Enaje), que se encerrou neste sábado em Porto Seguro.

Para ministro indenizações devem ser debitadas na conta dos envolvidos
'Podre'. Antes dos depoimentos das testemunhas de acusação, o ministro Herman Benjamin afirmou que tinha a impressão de que a Petrobrás era um antro de corrupção, "do peão ao presidente".
Entre as 25 testemunhas de acusação já ouvidas pelo TSE estão ex-diretores da Petrobras, executivos de empreiteiras e lobistas, muitos deles delatores da Operação Lava Jato. Nesta semana, serão ouvidas testemunhas de defesa de Dilma, como Edinho Silva e Giles Azevedo, respectivamente ex-tesoureiro da campanha de 2014 e ex-chefe de gabinete da petista.
"A imagem que eu fazia antes desses depoimentos era que a Petrobrás estava podre. E depois desses depoimentos todos, eu estou convencido de que a corrupção na Petrobras é localizada e é sobretudo nos cargos de chefia e muito disso tem a ver com duas coisas: primeiro, com o fato de haver concurso público e, segundo, com os salários serem altos", ponderou.
"E, posso estar equivocado, mas a impressão que eu tenho é de que há um alto grau de profissionalismo na empresa. E de certa maneira isso bate com a avaliação, a imagem que a Petrobrás tem internacional. De capacidade, de técnicos, de confiança mesmo na empresa", completou o ministro.
"Eu acho que essas investigações estão contribuindo enormemente para dar transparência a um problema que é crônico da nossa história e segundo para mostrar para a população que a lei existe e que ela pode ser aplicada. Mas o maior exemplo não é só para a sociedade. É para nós juízes mesmos, internamente", afirmou o ministro.