quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Testemunha favorável a Dilma 'trambique' foi nomeada a cargo pela notória senadora petista Gleisi Hoffmann. Que quadrilha, essa da dupla Lula-Dilma!

DANIELA LIMA
DÉBORA ÁLVARES
MARIANA HAUBERT

Folha de São Paulo


Uma das testemunhas arroladas pelo advogado de defesa da presidente afastada Dilma Rousseff foi nomeada para um cargo no Senado no último dia 18 a pedido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

O ato que sacramentou a nomeação de Ester Dweck para um posto de assessoramento na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) se tornou alvo de questionamentos da base aliada do presidente interino Michel Temer.

As críticas à nomeação são o segundo capítulo de uma disputa política que dominou os debates no Senado na tarde desta quarta-feira (25), primeiro dia do julgamento do impeachment de Dilma. O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) foi o porta-voz da queixa. A informação sobre Dweck havia sido publicada no site do jornal "O Globo".

Evaristo Sa/AFP
A senadora Gleisi Hoffman (PT-PR), que solicitou a nomeação Ester Dweck para cargo no Senado
A senadora Gleisi Hoffman (PT-PR), que solicitou a nomeação Ester Dweck para cargo no Senado


O primeiro episódio desse imbróglio começou quando o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), que preside a sessão, decidiu requalificar a classificação do procurador do Ministério Público de Contas Julio Marcelo de "testemunha" da acusação para "informante". A ação ocorreu após a defesa de Dilma questionar a divulgação nas redes sociais do procurador de um evento pela rejeição das contas da petista, um dos pilares do impeachment.

Na condição de informante, Júlio Marcelo não teria a obrigação de dizer a verdade. Ele minimizou o incidente e disse que "como membro do Ministério Público" têm compromisso com a verdade em qualquer circunstância.

A reclassificação do procurador se tornou o principal foco de ataque dos petistas à fala de Marcelo, que formulou relatório técnico submetido ao TCU (Tribunal de Contas da União) apontando as chamadas "pedaladas fiscais".

Agora, os senadores favoráveis ao impeachment mostram que vão usar a mesma estratégia para tentar descredibilizar testemunhas arroladas pela defesa da petista, como Ester Dweck.

Professora universitária, Dweck foi secretária de Orçamento durante a gestão de Dilma. Como ela não falaria nesta quinta (25), Lewandowski postergou a decisão sobre o questionamento em torno da vinculação entre a testemunha e o PT e apontou que só opinará sobre o caso nesta sexta (26).

Em defesa de Dweck, Gleisi afirmou que pediu à UFRJ a cessão da economista para a comissão do Senado, mas que o processo ainda não foi "finalizado". "A Ester sempre teve um lado. Ela atuou em um cargo de confiança do governo. Todo mundo sempre soube que ela teve um lado. Ela é importante como testemunha por ter sido secretaria de Orçamento", disse a senadora.