sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Nelson Motta: "Mulheres e lágrimas"

O Globo

Levávamos mais fé nas mulheres do futebol e do vôlei do que nos homens,mas aconteceu justamente o contrário


Nelson Motta Foto:  
Nelson Motta

Fui às lágrimas com as meninas do vôlei ovacionadas pelo Maracanãzinho lotado depois de serem derrotadas pelas chinesas. Como elas são amadas e respeitadas pelas alegrias e emoções que já nos deram! Como são fortes e bonitas, como são eficientes e combativas! Chorei com Sheilla e Jaque, mas não deixei de me orgulhar delas.

E, como ando muito chorão em tempos olímpicos, chorei também com o futebol feminino perdendo nos pênaltis depois de jogar muito e de se matar em campo, comovido com Marta correndo além de suas forças na prorrogação e pedindo para bater o primeiro pênalti. Foi muito triste, mas, antes do fim, elas só nos deram alegrias com as goleadas de seu belo futebol.

Levávamos mais fé nas mulheres do futebol e do vôlei do que nos homens, mas, por ironias do esporte, aconteceu justamente o contrário. Agora nossas esperanças estão nos pés e mãos dos machos.

E no handebol? Nossas campeãs mundiais de 2013, que nos levaram ao delírio com suas vitórias num esporte quase desconhecido aqui e que se tornou popular com as atuações de craques como Duda e Alexandra, começaram brilhando, mas também perderam.

Na areia, onde nossas sereias do vôlei nos dão medalhas e orgulho desde Sandra Pires e Jackie Silva em Atlanta, até a fabulosa medalhista Larissa perdeu, e a nova dupla Ágatha e Bárbara, depois de campanha sensacional, também caiu diante das poderosas alemãs. Foi de chorar.

No mar, Poliana saiu com um bronze polêmico, mas nas piscinas e trampolins, nossa belas ficaram longe de medalhas. Houve até o caso da dupla de garotas dos saltos ornamentais que saltou mal e acabou brigando porque uma queria que a outra saísse do quarto para transar com um ficante. Coisa de meninas.

As exceções douradas foram Rafa Silva, no judô, e as espetaculares Martine e Kahena, da vela, com lágrimas de alegria.

Pois é, amigas, apesar de tanto esforço e empenho, nossas mulheres nos fizeram chorar. Coisas do esporte e da vida. Mas pelo menos nenhuma delas atribuiu sua derrota ao machismo, como sempre fazem as políticas, as corruptas, as incompetentes, e até as presidentas ameaçadas de impeachment.