Em entrevistas na noite de segunda-feira, a presidente reeleita acenou com mudanças, sem dizer quais. Também falou de diálogo, sem explicar de qual tipo, se espera ouvir apenas quem concorda com as teses do governo ou se a ideia é buscar novas orientações.
Hoje, o movimento é de recuperação do dólar e da Petrobras. É natural, após a queda brusca de ontem, os investidores tentarem aproveitar as distorções.
A situação atual da economia, com inflação alta, crescimento baixo, deterioração das contas públicas e dos números externos, precisa melhorar. O rumo vai ficar mais claro quando for anunciada a equipe econômica. As informações dão conta de uma grande reformulação nessa parte do governo, que deve manter apenas Alexandre Tombini no Banco Central.
Nomes são importantes, mas a orientação do governo também. Henrique Meirelles, na presidência do Banco Central do governo Lula, teve autonomia e conseguiu deixar a inflação perto do centro da meta. Mas foi ajudado na passagem pela autarquia pela boa conduta do Ministério da Fazenda no período. A condução da política econômica mudou em 2008, quando passou a ser expansionista.
Dilma, diferentemente do Lula, interfere muito na economia. Mantém a área econômica sob seu controle. A equipe de Antonio Palocci, no ministério da Fazenda no começo do governo Lula, não era ligada a partidos e vinha de várias escolas. Dilma, por sua vez, tem relação direta com quem está abaixo do ministro também, com secretários de ministérios. É preciso saber se a próxima equipe terá autonomia.
O mercado financeiro e o país demandam otimismo. Empresários querem investir e os consumidores, consumir. Estamos à espera do conteúdo da fala da presidente reeleita. Ela precisa descansar. Mas quanto mais cedo a presidente agir, melhor; mais rápido a economia começará a se recuperar.
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