Morreu nesta terça-feira (21), aos 93 anos, de causas naturais, Ben Bradlee, editor-executivo do jornal americano "The Washington Post". O jornalista comandou a repercussão provocada pelo caso Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon em 1974.
Bradlee exerceu o cargo na publicação da capital americana entre 1968 e 1991 e virou uma das figuras mais importantes da história do jornalismo americano. No período em que comandou o jornal, o "Washington Post" tornou-se um dos principais meios de comunicação dos Estados Unidos.
| Tim Sloam - 23.jul.2001/AFP | ||
![]() | ||
| Ben Bradlee, em foto de 2001; ex-editor-executivo do "Washington Post" morreu nesta terça-feira |
Ele chefiou os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein no relato do caso, que estabeleceu a relação entre o assalto à sede do Partido Democrata americano, cujo complexo se chama Watergate, e a Casa Branca.
Bradlee deu aos dois jornalistas licença para que eles continuassem atrás dos laços entre o governo de Nixon e o crime. A publicação do caso levou o "Washington Post" a vencer o Prêmio Pulitzer, o mais importante do jornalismo americano.
Dentre as autorizações dadas pelo então editor aos repórteres, estava o uso das declarações do "Garganta Profunda", um funcionário do FBI que teve a identidade revelada apenas em 2005. Ao todo, foram publicadas 400 reportagens sobre o caso em 28 meses.
Além do livro sobre a cobertura, o caso levou ao filme "Todos os Homens do Presidente", além de inspirar uma geração de jornalistas.
Questionado sobre o caso no American Journalism Review, Bradlee disse que a maior lição que o caso dava era a "teimosia" do jornal. "O fato é que nós nos agachamos e apoiamos o cavalo certo. Acho que foi uma lição maravilhosa para os editores também".
Além do comando no caso Watergate, Bradlee esteve à frente do jornal em 1981, quando a publicação devolveu um Pulitzer após se descobrir ser falsa uma reportagem sobre uma criança de oito anos viciada em drogas.
O ex-editor do "Washington Post" foi condecorado pelo presidente Barack Obama com a Medalha Presidencial da Liberdade, maior honraria civil americana
