Carina Bacelar - O Globo
Meritocrático, segmento, em sua maioria, considera a corrupção um dos principais problemas do Brasil

A classe C, que pode ser identificada como o segmento com renda de dois a cinco salários mínimos, no qual houve maior alta de Dilma Rousseff (PT) e queda de Aécio Neves (PSDB) de acordo com o Datafolha, aumentou durante as gestões do PT, quando saiu de 39% da população, em 2002, para 56% dela, em 2014. Essa faixa populacional, entretanto, não atribui a ascensão social ao governo: apenas 9% deles acreditam que foi o Estado que promoveu a melhoria de suas condições de vida, de acordo com uma pesquisa do Instituto Data Popular obtida pelo GLOBO. Ao todo, 89% dessa população acredita que essa mudança social foi fruto de esforço próprio — o que coincide com o discurso meritocrático defendido por Aécio.
A relação desse segmento com a política é dúbia: ao mesmo tempo em que 75% afirmam que ela é um assunto importante e 79% declararam "saber de seus direitos como cidadão", apenas 37% afirmam entender do assunto e 63% consideram o principal problema do Brasil a corrupção na política. Diante dessa descrença, o presidente do Data Popular, Renato Meirelles, acredita que a onda de ataques na campanha eleitoral para o segundo turno pode reforçar essa visão negativa e levar membros da classe C a engrossar as estatísticas da abstenção.