quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Empresário diz que doleiro da quadrilha comandada por Lula e Dilma ‘abria as portas’


Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt - O Estado de São Paulo


À Justiça Federal, Márcio Bonilho, do Grupo Sanko, afirmou que Alberto Youssef repassava comissões para executivos de empreiteira das obras da refinaria Abreu e Lima


O empresário Márcio Bonilho, sócio do Grupo Sanko, declarou à Justiça Federal que fazia pagamento de comissões para Alberto Youssef e que o doleiro repassava parte do dinheiro para dois executivos da empreiteira Camargo Corrêa; Eduardo Leite e Paulo Augusto.
Bonilho também é réu da Lava Jato, na ação penal sobre superfaturamento e desvio de dinheiro nas obras da Refinaria Abreu e Lima. Ele detém 33% das cotas da Sanko Sider, dona da Sanko Serviços.
A Polícia Federal aponta elos de Bonilho com o doleiro Youssef, alvo da Lava Jato. Interrogado na Justiça Federal na última segunda feira, 20, Bonilho fez um longo e esclarecedor depoimento.

Acompanhado do criminalista Luiz Flávio D’Urso, o empresário respondeu a todas as perguntas, uma a uma, minuciosamente. A Sanko foi contratada pelo Consórcio CNCC, responsável por uma parte da Abreu e Lima, para fornecimento de tubos e conexões. Bonilho administra a Sanko Sider e a Sanko Serviços.
Indagado sobre “qual a influência” do doleiro Alberto Youssef, ele disse. “Eu não sabia o teor da influência, o que eu sabia é que ele tinha um bom contato e ele abria as portas. Eu fechei negócios com o CNCC (Consórcio CNCC), com a UTC, com a Engevix, meia dúzia de negócios com 10 empresas distintas.”
OUÇA TRECHO DO DEPOIMENTO DE BONILHO À JUSTIÇA FEDERAL
Outra pergunta dirigida ao empresário foi sobre “como funcionava” o pagamento de comissões para Youssef. “Eram variáveis que compunham. Os pagamentos eram feitos no êxito, após o recebimento, e de acordo com a margem de lucro. Se eu levasse prejuízo teria que pagar 3%. Dependendo do lucro cheguei até 15%.”
Bonilho falou sobre as planilhas com a palavra “repasse”. “Ele (Alberto Youssef) dizia que na comissão dele ele repassaria para dois indivíduos da Camargo Corrêa, Eduardo Leite e Paulo Augusto. Eu pagava uma comissão e ele repassava uma parte para esses dois indivíduos da Camargo Correa.”
O criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que representa o executivo Eduardo Leite, não foi localizado.
COM A PALAVRA, O GRUPO SANKO SIDER.
Por meio de sua Assessoria de Imprensa, o Grupo Sanko informou. “Todos os esclarecimentos foram prestados durante o depoimento dado à Justiça. Ficou evidenciado que o Grupo Sanko não cometeu qualquer ato ilícito.”
COM A PALAVRA, O CONSÓRCIO CNCC
O Consórcio CNCC esclareceu que o depoimento do empresário Márcio Bonilho comprova, mais uma vez, que o fornecimento dos produtos e serviços ocorreu em processo de concorrência e, consequentemente, pelo melhor preço praticado à época dos fatos.
Leia a íntegra da nota do Consórcio CNCC
“O CNCC informa que o referido depoimento mais uma vez comprovou que o fornecimento dos produtos e serviços ocorreu em processo de concorrência e, por conseguinte, pelo melhor preço de mercado à época dos fatos. Reitera também a lisura de seus procedimentos e de seus profissionais, reafirmando que jamais fez pagamentos para as empresas do Sr. Alberto Youssef, não podendo responder por pagamentos efetuados por terceiros.”
CONFIRA ABAIXO A ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO DE MÁRCIO BONILHO 
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5