terça-feira, 21 de outubro de 2014

Crescimento da China desacelera a 7,3% no terceiro trimestre, pior desde a crise global

Reuters

Resultado reforça expectativa de que governo deverá adotar mais estímulos à economia

PEQUIM - O crescimento econômico da China desacelerou para 7,3% anualizados entre julho e setembro, na comparação com um ano antes, ritmo mais fraco desde a crise financeira global e reforçando as expectativas de que o governo precisará adotar mais estímulos à atividade no país.

Com o mercado imobiliário cada vez mais pesando sobre a indústria e o investimento, a leitura foi a mais fraca para a segunda maior economia do mundo desde o início de 2009, quando a taxa de crescimento caiu para 6,6%.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que o crescimento no terceiro trimestre desacelerasse para 7,2%, ante 7,5% no segundo trimestre, ampliando as preocupações sobre o crescimento global que provocaram queda nos mercados financeiras nas últimas semanas.

Na comparação trimestral, o crescimento desacelerou para 1,9%, contra expectativas de 1,8% e sobre 2% no segundo trimestre.

Outros dados divulgados juntos com o relatório do Produto Interno Bruto (PIB) nesta terça-feira mostraram que a produção industrial subiu 8% em setembro sobre um ano antes, contra expectativa de alta de 7,5% e ante mínima de seis anos em agosto de 6,9%.

VENDAS NO VAREJO AVANÇAM 11,6%

As vendas no varejo avançaram 11,6% em setembro sobre o ano anterior, ante previsão de analistas de avanço de 11,8% e de 11,9% no mês anterior. Os investimentos, chave para a economia chinesa, foram mais fracos que o esperado: cresceram 16,1% nos primeiros nove meses do ano, comparados com o mesmo período do ano anterior, abaixo das projeções de 16,3% e dos 16,5% registrados nos primeiros oito meses do ano.

Uma série de dados econômicos medíocres e às vezes alarmantes nos últimos meses anunciava a desaceleração do crescimento no terceiro trimestre na China, com a crescente resistência do mercado imobiliário atenuando o impacto das medidas de estímulo que foram implantadas no início do ano.

Pequim deve anunciar medidas de apoio em resposta ao cenário econômico fraco, já que a China está a caminho de perder a meta oficial de crescimento de 7,5% para o ano, disseram analistas antes da divulgação dos dados.

No entanto, o premiê Li Keqiang repetidamente disse que o governo toleraria um crescimento ligeiramente inferior à meta, enquanto o mercado de trabalho se mantiver firme. A maioria dos economistas não espera a ação política mais agressiva, como cortes de juros, a menos que as condições se deteriorem mais fortemente.