A eleição presidencial mais disputada de todos os tempos divide também os funcionários da Petrobras. De um lado, os funcionários e fornecedores filiados aos sindicatos representados pela FUP (Federação Única dos Petroleiros), ligada ao PT, apoiam Dilma Rousseff. De outro, funcionários que não gostam da administração de Graça Foster fazem campanha para Aécio Neves, ainda que veladamente. Desde que assumiu a presidência da Petrobras em 2012, Graça impôs seu estilo. Pouco dada à conversa, ela apeou de cargos de chefia funcionários de carreira, trocando-os por profissionais mais sintonizados com a máxima quem-não-estiver-desconfortável-não-pode-trabalhar-comigo. Os pedidos de transferência de setor dentro da empresa e o clima interno de insatisfação não aparecem nos relatórios divulgados para os investidores, mas eles acontecem e contaminam a empresa. "É difícil hoje a gente dizer com o orgulho do passado: trabalho na Petrobras", afirma uma funcionária concursada, com mais de 15 anos de carreira na empresa e -- que, como a quase totalidade dos empregados ouvidos por ÉPOCA, pede para não ser identificada para não sofrer pressões internas.
Os relatos vêm de funcionários de diversas áreas, desde as da linha de frente da produção, em plataformas e refinarias, a ex-executivos escanteados por discordar dos rumos da estatal. Mesmo entre aqueles que votarão em Dilma Rousseff há uma ponta de desconfiança e receio. "Eu voto Dilma porque, entre os dois, prefiro as conquistas sociais que afetam diretamente o bairro de renda baixa onde vivo. Mas temo que, com Dilma no poder, a gente vá continuar com Graça na Petrobras. Ela impôs a cultura do medo", diz um gerente. Os funcionários evitam emails, mensagens, troca de ideias e até telefonemas. "Sinto, mas não posso falar aqui de dentro", diz por telefone, esquivando-se, uma funcionária, propondo um encontro fora da empresa. Espalhou-se pela empresa o boato de que as ligações estejam sendo controladas – apesar da pouca probabilidade de que isso tenha, de fato, acontecido.
A militância do PT age em peso na porta do edifício-sede da empresa, no centro do Rio, distribuindo panfletos, adesivos e o jornal da FUP. Os adesivos de Aécio ficam mais distantes, colados em postes nos arredores do edifício sede. O contra-ataque dos tucanos se dá no ambiente virtual, principalmente na página PTbras.com.br. A campanha virtual – que é apócrifa -- usa o título dado por Aécio Neves a uma coluna publicada por ele em agosto de 2012 no jornal Folha de S.Paulo. Em ptbras.com.br , os "malfeitos" do PT à frente da Petrobras, os prejuízos da petrolífera e o conteúdo das denúncias de Paulo Roberto Costa ganham destaque diariamente.
Além de estar sob investigação da Polícia Federal no inquérito aberto pela operação Lava Jato, a Petrobras caiu no radar de dois órgãos fiscalizadores do mercado acionário: a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no Brasil e a SEC (Security Exchange Commission) nos Estados Unidos. A CVM está ainda na fase preliminar de um processo administrativo que pode, no limite, resultar em multas e punições para a empresa e seus gestores, proibindo-os de voltar a trabalhar em empresas de capital aberto, conforme informou epoca.com.br. O objetivo é saber se as operações denunciadas na Lava-Jato resultaram em prejuízo para os acionistas -- e quem foram os responsáveis por elas. A CVM abriu a investigação dias depois do vazamento da notícia de que a SEC estava agindo. Em notas oficiais, a Petrobras tem dito que colabora com as investigações da Polícia Federal.
A Petrobras tem um efetivo que passa de 446 mil empregados (86 mil próprios e 360 mil terceirzados). Se fosse uma zona eleitoral, seria a maior do país. Promessas relacionadas ao futuro da empresa não impactam apenas a exploração do pré-sal, um negócio para os próximos 30 anos. Impactam também as urnas – este, sim, um negócio de curtíssimo prazo.