sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

'O patrocinador da imprensa velha', por Anderson Scardoelli

 Apesar da queda de leitores, jornais e revistas têm no governo do PT um aliado generoso


A crise no setor impresso não impediu o repasse volumoso de verbas de publicidade pela gestão petista | Foto: Montagem/Revista Oeste


U m fato une aqueles que já foram os grandes jornais brasileiros: a fuga de leitores. Em 2015, os 14 maiores diários impressos do país somavam 1,3 milhão de exemplares. Em 2024, a tiragem caiu para menos de 385 mil, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC) e da consultoria PwC. Retração de 70% em nove anos. Mas, enquanto a circulação cai, os gastos do governo federal com anúncios em jornais aumentam. 

Nos três primeiros anos do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os repasses publicitários da Secretaria de Comunicação Social (Secom) para esse tipo de publicação somam R$ 24,3 milhões, quantia que supera em aproximadamente 50% os R$ 16,3 milhões gastos durante todo o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. 


Anúncios do governo federal em jornais impressos


Com revistas impressas, o roteiro é semelhante. A circulação despenca, mas as ações publicitárias voltam a subir com o PT no poder. Na parte de tiragem, há, inclusive, carência de informações. Os últimos dados públicos auditados pelo IVC são de 2021, quando, juntas, sete publicações registraram média semanal de 220 mil exemplares. Recuo de 30% em relação ao ano anterior. 

A queda foi de quase 90% na comparação com 2015, quando  a tiragem foi de 1,75 milhão. Apesar da ausência de levantamentos recentes, a tendência é de manutenção na curva de queda na circulação. Afinal, um dos títulos acompanhados pelo IVC, a revista Época, deixou de ser impresso em maio de 2021. 

Segundo o instituto auditor, a publicação, que era mantida pelo Grupo Globo, deixou o mercado com tiragem semanal média de 30 mil exemplares. Os dados que mostram o encolhimento das revistas impressas no Brasil não têm, entretanto, sinergia com a estratégia adotada pela Secom no governo Lula 3. Desde 2022, o Executivo distribuiu R$ 10,3 milhões em anúncios publicados por veículos de comunicação desse formato de mídia. Assim como no caso dos jornais, os gastos ultrapassam o valor somado durante a administração Bolsonaro. De 2019 a 2022, o montante repassado foi de R$ 7,2 milhões, 30% menos em relação à atual gestão federal.


Anúncios do governo federal em revistas impressas


Lucas Berlanza, diretor-presidente do Instituto Liberal, não encontra explicações válidas para o aumento da publicidade em jornais e revistas. Para ele, esse tipo de gasto só serve aos interesses de autoridades que buscam manter boas relações com empresários de comunicação. “Um governo não é uma empresa, não concorre no mercado para atrair clientes, pois detém monopólio de suas funções”, diz. “O que ocorre é o uso de dinheiro público para fazer propaganda de si mesmo.” 

O deputado federal Evair de Melo (PP-ES) destaca que os dados referentes a anúncios são sintomas de uma equipe gastadora e ineficaz. “O governo argumenta que precisa divulgar políticas públicas”, afirma. “O problema é a desproporcionalidade e a prioridade orçamentária”. O parlamentar lembra o cenário de déficit fiscal elevado, pressão sobre serviços públicos essenciais e aumento da carga tributária. 

“Nesse contexto, ampliar gastos com comunicação levanta dúvidas legítimas sobre eficiência e razoabilidade.” Gastos multimídia A gastança do governo Lula como anunciante também se faz presente no ambiente online. De 2023 a 2025, foram injetados mais de R$ 480 milhões em campanhas publicitárias na internet, o que inclui blogs, sites e plataformas de redes sociais. Cifra acima dos menos de R$ 400 milhões repassados nos quatro anos em que Bolsonaro esteve à frente do Palácio do Planalto. 


Anúncios do governo federal na internet

Professor de jornalismo e mestre em comunicação, Jorge Tarquini ressalta que parte dessa verba teve como destino os cofres de big techs, como a Meta (controladora de Instagram, WhatsApp e Facebook) e a Alphabet (dona do Google e do YouTube). De acordo com ele, a parceria comercial entre grupos de comunicação e o governo de plantão se dá, cada vez mais, de forma multimídia, com acertos que envolvem mais de uma plataforma. Tarquini entende que é, inclusive, uma forma para a mídia em papel ganhar algum fôlego. “Os veículos impressos, apesar da queda impressionante da sua circulação, hoje negociam pacotes que incluem não a penas páginas de publicidade, mas tudo o que o veículo possui, versão online, redes sociais e apps.” 

Dinheiro para cinema, rádio e TV 

Fora os valores absolutos em jornais, revistas e internet, o governo Lula 3 supera a administração anterior na média anual de gastos com anúncios em outros quatro tipos de mídia: cinema, mídia exterior digital (totens, painéis digitais e aparelhos de TV corporativa), rádio e televisão. A era Bolsonaro só aparece na liderança em mídia exterior (outdoors, banners e painéis físicos). 

Em cinema, o governo Bolsonaro gastou R$ 15,6 milhões em ações de publicidade, o que dá a média anual de R$ 3,9 milhões, valor inferior aos R$ 4,4 milhões desembolsados pela Secom de Lula na média nos três primeiros anos da atual administração — com total parcial na casa dos R$ 13,2 milhões. 


Anúncios do governo federal em cinema 

Lula 3 também vence Bolsonaro na proporção de gastos com mídia exterior digital. Enquanto o liberal entregou, na média anual, R$ 79,1 milhões em anúncios no setor, o petista aparece como responsável por liberar, também na média por ano, R$ 80,6 milhões.


Anúncios do governo federal em mídia exterior digital 

Na conta ano a ano, o atual governo também vence o confronto com a gestão anterior no critério dinheiro entregue a emissoras de rádio. Bolsonaro fechou seus quatro anos com média anual de R$ 62,3 milhões. Lula aparece com mais de R$ 10 milhões de vantagem. Afinal, em três anos, ele distribuiu R$ 218 milhões em virtude de campanhas de publicidade veiculadas em estações radiofônicas espalhadas pelo país, o que dá a média anual de R$ 72,7 milhões.  


Anúncios do governo federal em rádio

Quando o assunto é anúncio em canais de televisão, incluindo tanto TV aberta quanto TV por assinatura, Bolsonaro aparece à frente na soma total: R$ 1 bilhão gastos em anúncios durante todo o seu mandato, contra R$ 910 milhões contabilizados pela Secom de Lula em três anos de governo. Dessa forma, o petista supera o liberal na média anual: R$ 303,2 milhões versus R$ 250,7 milhões.


Anúncios do governo federal em televisão

Até o momento, levando-se em consideração que a Secom ainda não divulgou todos os gastos com publicidade em 2025 e que Lula ainda terá quase todo um ano pela frente para patrocinar veículos de comunicação, o governo Bolsonaro supera o seu sucessor tanto em cifras totais quanto na média anual na divisão de mídia exterior. Em quatro anos, Bolsonaro gastou R$ 143,7 milhões com empresas do setor, média de R$ 35,9 milhões a cada ano. Por ora, o integrante do PT contabiliza R$ 92,2 milhões (total) e R$ 30,7 milhões (média anual).


Anúncios do governo federal em mídia exterior

No geral, com todo um ano de mandato pela frente e com gastos com campanhas publicitárias de 2025 ainda a serem divulgados, Lula 3 já se aproxima dos R$ 2 bilhões entregues a veículos de comunicação. Na soma de seus quatro anos de governo, Bolsonaro usou R$ 2,1 bilhões para o mesmo tipo de ação.


Anúncios do governo federal (soma em todas as mídias)


Parceria comercial e editorial 

A dinheirada que sai dos cofres públicos diretamente para as contas de veículos de comunicação põe em xeque a independência jornalística. Lucas Berlanza, Evair de Melo e Jorge Tarquini concordam que a dependência comercial pode afetar a liberdade da imprensa. 

“Infelizmente, a relação entre os grandes veículos de imprensa e o Estado é um problema antigo no Brasil, comprometendo a tarefa de nosso jornalismo”, diz Berlanza, jornalista por formação. “Daí a grande importância de veículos independentes de verba estatal.”

Para o deputado federal, a parceria na parte de conteúdo não é perceptível ao grande público, que, por vezes, acaba influenciado sem ter a real dimensão disso. “O problema é mais sutil: pode haver autocontenção editorial, suavização de críticas, seleção mais cautelosa de pautas ou redução de espaço para questionamentos mais duros ao governo, que financia parte significativa da receita”, avalia Melo. “O dinheiro é público. Não pode se transformar em mecanismo de alinhamento editorial nem em instrumento de fortalecimento político.” 

Com mais de 30 anos dedicados a pesquisas na área da comunicação, Tarquini tem opinião similar. “Seria ingenuidade acreditar que o governo utiliza e distribui essas verbas de modo desinteressado, sem a expectativa de algum retorno sob a forma, se não de apoio, de um olhar mais suave para seus erros e outros problemas”, afirma.

Para exemplificar, ele faz analogia à cobertura esportiva. “Manchetes em que se abusa das adversativas, criando ressalvas ou para desmerecer algo positivo ou para fazer parecer bom algo ruim: tal time ganhou o jogo, mas jogou mal, ou o contrário: perdeu o jogo, mas jogou bem”. Por falar em jornalismo político, a expressão “follow the money” (“siga o dinheiro”) ficou famosa durante a cobertura do escândalo conhecido como Watergate, que resultou na renúncia de Richard Nixon à presidência dos Estados Unidos, em 1974. 

No Brasil, para compreender a linha editorial adotada por certos veículos de comunicação, talvez seja preciso “seguir o dinheiro” oriundo da publicidade estatal. Longe do caso Watergate, o jornalista J. R. Guzzo (10/7/1943 – 2/8/2025), um dos fundadores de Oeste e diretor perpétuo da publicação digital, definiu anúncios bancados por órgãos públicos como “aberração” brasileira. “O certo, no fim de todas as contas, é que o governo não deveria pagar um único tostão para a mídia publicar sua propaganda”, ensinou Guzzo, em artigo publicado na revista Veja em junho de 2012. 

“Eis aí mais uma coisa que nos separa, por exemplo, de um país como a Alemanha, onde publicidade oficial não existe. É que a Alemanha, coitada, é apenas a Alemanha. Já o Brasil é o Brasil — aqui há dinheiro de sobra para o governo jogar pela janela.”


O caminho do dinheiro estatal ajuda a explicar a linha editorial adotada por grandes veículos de comunicação no Brasil | Foto: Reproduçã


Anderson Scardoelli -  Revista Oeste

Augusto Nune e 'O dilema da toga'

 Moraes terá de escolher entre o antigo professor e o pior aluno da classe

 

Os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes em sessão plenária do STF (4/2/2026) - Foto: Luiz Silveira/STF 


Q uando o ministro Alexandre de Moraes desanda numa discurseira de improviso, mesmo amparada por anotações e trechos grifados de livros, convém que a Justiça se refugie em ruínas gregas ou romanas, que o idioma nacional se esconda na embaixada de Portugal e que a verdade se faça de morta no porão do Supremo Tribunal Federal. Foi assim neste 4 de fevereiro, quando a toga, sempre à beira do chilique, entrou em ação no, como direi?, Pretório Excelso. Previsivelmente, foram submetidas a outra medonha sessão de tortura a Lei, a língua portuguesa e os fatos. Surpreendente foi o esforço do ministro para cair fora do pântano gerado pelo Caso Master.

O Brasil que pensa e presta vê com justificada estranheza o contrato firmado entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes. Ela não foi designada pelo golpista falido para cuidar de algum caso específico. A partir de janeiro de 2024, deveria atuar pelos três anos seguintes “onde for necessário”. Ainda mais estranhos são os valores. O trabalho renderia a Viviane R$ 129 milhões (isso mesmo: cento e vinte e nove milhões de reais), distribuídos em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões. Até que o Banco Central fechasse a usina de espertezas, quanto foi pago a Viviane? Que serviços foram prestados pela advogada? Ela se aconselhou com o marido antes de assinar o contrato que deixaria em êxtase o mais caro advogado de filme de tribunal? 

Como o caso foi transferido para o STF por ordem do onipresente Dias Toffoli, como se comportará o marido ministro? Ousaria condenar o cliente de Viviane, impedindo a própria mulher de embolsar a fortuna? Em dezembro, num único dia, Moraes telefonou seis vezes para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Quem demonstra tamanha insistência precisa decerto tratar com urgência de assuntos relevantes. Quais foram? Buscava algum tipo de salvação para o banqueiro vigarista? Queria apenas cumprimentar Galípolo? O ministro Dias Toffoli sequestrou o caso Master, enjaulou-o no STF e resolveu manter sob sigilo todas as informações, provas e evidências resultantes das investigações da Polícia Federal. Moraes acha que o parceiro agiu corretamente? Enfim, pretende participar de um julgamento que terá sua própria mulher entre os defensores de uma das partes? 


Os ministros do STF, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, durante a abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, DF (2/2/2026) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 


“Parece, Presidente, boa parte da imprensa, alguns críticos do Supremo Tribunal Federal, parece…ou por desconhecimento, ou por má interpretação, ou, infelizmente, muitos por absoluta má fé, que não há vedações aos magistrados, e que os magistrados não observam e não respeitam essas vedações”, disse o ministro no começo de mais um palavrório em que o sujeito troca socos e pontapés com o predicado, os verbos não sabem se tiram para dançar o singular ou o plural, o ponto vira vírgula ou vice-versa, o r dos verbos no infinitivo é amputado sem anestesia — e o que resta à plateia é tentar adivinhar o que o orador está querendo dizer. Transcrevo os melhores momentos do falatório, sem correções nem retoques: 

“Não há nenhuma carreira pública com tantas vedações quanto a magistratura. O magistrado não pode fazê mais nada na vida, só o magistério! Como o magistério só pode dá aulas, só pode dá palestras, passaram a demoniziá palestras dadas por magistrados. Todas carreiras podem. Sê sócio comercial, inclusive atuando, podem exercê em outros horários outra atividade. O magistrado, não. Por falta do que criticá, daqui a pouco tamém a má fé vai pra quem dá aula… nas universidades. O magistrado não pode recebê a qualquer título ou pretexto custas ou participação em processo”. 


Os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes em sessão plenária do STF (4/2/2026) | Foto: Antonio Augusto/STF


Subitamente, entrou no assunto que efetivamente interessa ao país:

 “O magistrado não pode ter ligação com o processo que julga. (…) E aí volta a má fé de muitas pessoas que querem prejudicá o Poder Judiciário e o Supremo Tribunal Federal dizendo, e não se dão trabalho que seja pelo menos uma má fé honesta, se é que isso existe, dizendo que este tribunal autorizouos magistrados a julgarem casos onde seus parentes são advogados. (…). Essa mentira absurda vem sendo repetida, dizendo que um determinado ministro possa julgá um casoque sua mulher ingressô, em que seu filho ingressô”. 

Em novembro de 2024, Moraes fez muito mais que isso: ao autorizar uma operação da Polícia Federal destinada a prender um grupo acusado de tramar o assassinato do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do próprio ministro, o relator Moraes referiu-se 44 vezes ao “monitoramento do ministro Alexandre de Moraes”. Quem acredita em milagres talvez se anime a acreditar que o antigo professor de Direito Constitucional reencarnou no corpo que já possuiu. Mas o que anda fazendo há seis anos adverte aos gritos que Moraes não perderá um minuto de sono caso resolva convencer os colegas e até os capinhas de que a mulher defende a causa certa. Poderá até declararse impedido de votar, mas só depois de garantido o recebimento dos R$ 129 milhões.


O ministro do STF, Alexandre de Moraes, durante a abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, DF (2/2/2026) - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministros da facção do STF mantêm participação em 11 empresas privadas

Magistrados possuem vínculos societários nos setores de agronegócio, educação e gestão imobiliária


Os ministros Gilmar Mendes, André Mendonça, Nunes Marques, Cristiano Zanin e Flávio Dino integram quadros societários de diferentes empresas - Foto: Gustavo Moreno/STF


Cinco magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) mantêm vínculos ativos com um total de 11 companhias dos setores de educação, agronegócio, advocacia e gestão de imóveis. De acordo com uma investigação do portal UOL, baseada em dados da Receita Federal, os ministros Gilmar Mendes, André Mendonça, Nunes Marques, Cristiano Zanin e Flávio Dino integram quadros societários de diferentes empresas. Dois desses magistrados, Mendonça e Marques, constituíram as firmas depois de tomarem posse na Corte.

A revelação dos dados ocorre no momento em que o ministro Dias Toffoli defende publicamente a ideia de que juízes brasileiros possam ter fazendas e participar como sócios de empresas para receber dividendos. Toffoli deu a declaração na quarta-feira 4, em meio ao escrutínio público sobre a Corte e notícias sobre relações empresariais de parentes de ministros com bancos que possuem causas no tribunal. Conforme a apuração do portal UOL, a Lei Orgânica da Magistratura (Loman) permite a participação como sócio, mas proíbe que juízes atuem como administradores.


Detalhes das participações societárias 

O ministro Gilmar Mendes detém a estrutura empresarial mais robusta, com participação em quatro frentes. Por meio da Roxel Participações, holding com capital de R$ 9,8 milhões, ele integra o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e empresas do agronegócio em Mato Grosso, como a MT Crops e a GMF Agropecuária. Esta última dedica-se ao cultivo de soja em Alto Paraguai (MT).

Já os ministros André Mendonça e Nunes Marques abriram empresas de treinamento profissional e palestras recentemente. Mendonça fundou a Integre Cursos em 2022, meses depois de assumir sua cadeira no STF. Nunes Marques criou a Educacional e Capacitação Ltda em junho de 2025. Ambos utilizam familiares na gestão das companhias. O ministro Cristiano Zanin, por sua vez, aparece como sócio do Instituto Lawfare e da Attma Participações, embora afirme que já solicitou a exclusão de seu nome da entidade educacional.


Posicionamento oficial do STF 

O STF informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os ministros respeitam rigorosamente a legislação vigente. O ministro Flávio Dino também se manifestou, ressaltando que fundou seu Instituto de Estudos Jurídicos (IDEJ) há mais de 20 anos. O debate sobre essas participações ganha força no Congresso, especialmente por causa do faturamento de alguns desses institutos com palestras e contratos públicos. 

A transparência sobre o patrimônio e as atividades paralelas dos ministros do STF visa a prevenir possíveis conflitos de interesse em julgamentos que envolvem grandes setores econômicos. Embora a legislação não aponte irregularidades na posse de quotas sociais, a sociedade civil e órgãos de controle acompanham a evolução dessas empresas e a relação dos magistrados com o mercado privado.


Erich Mafra - Revista Oeste

CPMI do INSS votará convocação da esposa de Moraes, Lulinha e irmão de Lula para depor

Deputado questiona contrato de R$129 milhões com o Banco Master


Deputado federal Marcel van Hattem. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)


Na retomada dos trabalhos da CPMI do INSS após o recesso, nesta quinta-feira (5), o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou haver apresentado requerimento para convocar Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, assim como o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, confirmou que colocará na pauta também as convocações de Fábio Luiz, o Lulinha, filho de Lula (PT), e do irmão do chefe de governo, Frei Chico, vice-presidente do Sindinapi, que diz representar os inativos, um dos sindicatos mais beneficiados pelo roubo do INSS. de acordo com o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

Van Hattem destacou que apresentou um requerimento para que ela explique o contrato de R$129 milhões firmado por seu escritório de advocacia com o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro envolvida em fraudes que roubaram ao menos R$7 bilhões de aposentados e pensionistas.

Segundo o parlamentar, embora a esposa do ministro não figure diretamente nos processos, a imprensa revelou que houve atuação de lobby do escritório dela para a compra do Banco de Brasília (BRB) pelo Banco Master.

“Que espécie de contrato era esse, então? Era de advocacia ou de lobby?”, questionou Van Hattem.

O deputado reafirmou o compromisso da CPMI em investigar a fundo possíveis irregularidades: “A CPMI do INSS reiniciou os trabalhos e vamos até o fim em busca da verdade, doa a quem doer”.

A convocação ainda precisará ser aprovada pelos membros da comissão antes que a esposa de Moraes seja oficialmente chamada para depor.

Veja abaixo um trecho da fala do parlamentar durante a comissão, compartilhada pelo gaúcho nas redes sociais:


Mael Vale - Diário do Poder