quarta-feira, 1 de outubro de 2014

"Voto de protesto", editorial do Estadão

Na segunda-feira, primeiro dia útil depois da divulgação da pesquisa do Datafolha, que não apenas consignava que a presidente Dilma Rousseff abriu vantagem de 13 pontos sobre a rival Marina Silva, mas trazia de volta a hipótese de reeleição da petista já no primeiro turno, o Ibovespa caiu 4,52%, o maior tombo em um único pregão dos últimos três anos, e o dólar fechou a R$ 2,451, a mais alta cotação desde dezembro de 2008, no auge da crise internacional. Trata-se de uma reação impressionante pela intensidade e racional pelo que a motivou. É um enfático voto de protesto da comunidade econômica, depositado na urna dos mercados financeiros, diante da perspectiva, agora mais nítida, de que os próximos quatro anos podem ser um replay destes que estão para terminar (ver, abaixo, o editorial Desastre nas contas públicas).
O cenário de mais do mesmo não resulta, como quer fazer crer a presidente, de um patológico pessimismo dos agentes econômicos nem tampouco denota uma inclinação perversa pelo quanto pior, melhor - o jogo jogado pelo PT nos anos 1990 quando o País do Plano Real mudava, aí sim, para melhor. O pessimismo com o sombrio quadro presente e com o que muito provavelmente está por vir deriva de fatos insuscetíveis de controvérsia: a coleção de desastres de um governo que, desde o seu advento, carrega a duvidosa distinção de não ter feito outra coisa a não ser meter os pés pelas mãos. E que maliciosamente transfere para a retração do nível de atividade das grandes potências econômicas a responsabilidade pelo atolamento da economia nacional. Como se o mundo exterior - e não ela própria, com a sua combinação tóxica de soberba e incompetência - a tivesse conduzido ao charco.
Olhem-se pelo ângulo que se queira os resultados da "política econômica" dilmista e o que se enxerga é um país despencando ribanceira abaixo. Praticamente a cada dia pioram os prognósticos - entre os quais do próprio Ministério do Planejamento - sobre os números do PIB deste ano. O mais recente deles, do Banco Central (BC), rebaixou de 1,6% para 0,7% a taxa de expansão da economia em 2014. Trata-se de um desempenho de envergonhar, mesmo perante os nossos vizinhos. E não periga melhorar, dado outro indicador alarmante: a taxa de investimento em bens de capital e obras de infraestrutura deverá encolher 6,5% até dezembro. E o que dizer da indústria sucateada, com um retrocesso previsto de 1,6% em comparação com 2013? Já a inflação anual, na melhor das hipóteses, ficará em 6,3% - ou 1,8 ponto porcentual acima do centro da meta, que já é alto.
Não venha o governo jogar areia nos olhos do público, gabando-se do que seria o pleno-emprego obtido graças à clarividência da presidente. Os números oficiais escamoteiam que, nos últimos tempos, a taxa de ocupação não aumentou, mas, sim, o contingente de brasileiros que deixaram de procurar trabalho, excluindo-se da população economicamente ativa e, portanto, das estatísticas. Além disso, com as contratações se concentrando no setor público e no de serviços, cresce a proporção de empregos de baixa qualidade: os de alta qualidade sumiram porque o seu provedor natural, a indústria, se tornou um morto-vivo. Nenhum agente econômico que se preze pode ignorar essa realidade - e o seu prolongamento por mais quatro anos se as urnas confirmarem as últimas pesquisas. Quem se encarrega de fundamentar as piores previsões é a presidente em pessoa.
Diante do desmazelo das finanças públicas, por obra da gastança erigida em política de Estado, Dilma deixa explícito que dela não se espere, no segundo mandato, o choque fiscal imprescindível para resgatar a economia do buraco. Nesse ponto, uma comparação se impõe: em 2002, quando o favoritismo de Lula nas sondagens levava o dólar à estratosfera, bons conselheiros o induziram a acalmar os agentes econômicos garantindo numa Carta aos Brasileiros que o seu governo não faria aventuras. Lula tinha a seu lado interlocutores capazes como Antonio Palocci e Henrique Meirelles. Mas a interlocução só foi possível porque Lula era pragmático. Já Dilma é ideológica e onisciente. Diante disso, ninguém vê na anunciada demissão do titular da Fazenda, Guido Mantega, um sinal de mudança. O comportamento do mercado comprova o ceticismo.

No Rio, PT corre risco de eleger bancada federal menor

Igor Mello - O Globo

Na Alerj, previsão é que partido consiga manter as seis cadeiras atuais


O desempenho aquém do esperado de Lindbergh Farias (PT) — estagnado no 4º lugar e com dificuldade para marcar dois dígitos nas pesquisas — forçou o PT e seus aliados a refazerem os cálculos em relação à eleição de deputados federais, que antes previa um crescimento expressivo da bancada. A derrapada em nível estadual, no entanto, deve ser atenuada pela inusitada coligação proporcional formada para a disputa de vagas na Câmara dos Deputados. Rivais na luta pela Presidência, PT e PSB estão juntos — aliados também ao PCdoB — e acabam compartilhando votos.

Assim, o fato de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) receberem votações expressivas no primeiro turno, impulsionando também os votos de legenda, é visto como tábua de salvação por lideranças dos três partidos.

As projeções, antes do começo da campanha, apontavam a possibilidade de o PT ampliar sua bancada federal, atualmente com cinco parlamentares, para até oito deputados, mas, atualmente, as estimativas mais realistas falam em manutenção do atual número de cadeiras na Câmara, podendo chegar, com sorte, a seis. O PSB também trabalha com a perspectiva de manter as duas vagas que possui, enquanto o PCdoB espera reeleger Jandira Feghali, sua única congressista no estado. Benedita da Silva (PT) ainda mantém esperanças de que a bancada petista cresça, mas admite que será necessária uma reação de Lindbergh.

— Precisamos que o Lindbergh suba um pouquinho — assume.

A situação só não é considerada de crise por conta da situação inusitada proporcionada pela coligação, que reuniu os candidatos a deputado federal de PT e PSB, adversários na disputa presidencial. O bom desempenho de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) no Rio — juntas, elas somas 66% das intenções de voto na última pesquisa do Ibope, publicada na semana passada — é visto como uma compensação às dificuldades de Lindbergh na corrida pelo Palácio Guanabara.

O deputado estadual Gilberto Palmares, um dos principais apoiadores de Lindbergh no partido, acredita que a situação em nível estadual não é tão problemática quanto uma ala do partido quer pintar. Segundo ele, o histórico recente mostra que os números da candidatura ao governo tornam o PT competitivo:

— Ele está com um percentual maior do que o da nossa última candidatura própria ao governo, com o Wladimir Palmeira, em 2006. Naquela ocasião, tivemos 7% para governador e fizemos seis deputados federais.

No PSB e no PCdoB, a previsão também é manter as atuais bancadas. O PSB acredita que conseguirá novamente eleger dois deputados federais, mesmo sem contar com Romário, o mais votado do partido na última eleição, que desta vez lidera a corrida pelo Senado. O deputado federal Glauber Braga, presidente regional do PSB, diz que não é impossível chegar a três deputados federais:

— A gente vê uma possibilidade concreta de, para federal, fazer de dois a três, dependendo das votações das legendas.

Se PT, PSB e PCdoB estão unidos na disputa por vagas na Câmara, quando o assunto é a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), os partidos disputam sozinhos. Mesmo assim, em nível local o cenário previsto também é de estagnação. No PT, a previsão é manter as atuais seis cadeiras. O PSB espera eleger dois deputados estaduais, metade da bancada na legislatura anterior.



Quadrilha Lula-Dilma em ação: Polícia Federal investiga ação política em fundos de pensão

Alexandre Rodrigues e Rennan Setti - O Globo

Há suspeita de influência do esquema do doleiro Alberto Yousseff nos investimentos de Petros e Postalis


A Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que revelou a relação entre o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, começa a esbarrar em possíveis ramificações nos fundos de pensão de funcionários das estatais. Controladas por dirigentes indicados por partidos da base do governo, essas entidades acumulam prejuízos em operações financeiras complexas e parecem obedecer a uma coordenação externa para fazer os mesmos investimentos controversos.

A PF abriu uma nova frente de investigação para apurar se investimentos feitos por fundos de pensão em empresas ligadas a Youssef foram influenciados pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O GLOBO revelou que o advogado Carlos Alberto Pereira Costa, um dos principais auxiliares de Youssef, disse em depoimento que Vaccari frequentou uma empresa em São Paulo, entre 2005 e 2006, para tratar de negócios com fundos de pensão com um operador do doleiro.

Domingo, o jornal “Folha de S.Paulo” revelou que a PF encontrou e-mails em computadores de pessoas ligadas a Yousseff atribuindo à influência de Vaccari a aplicação, em 2012, de R$ 73 milhões das fundações Petros e Postalis, dos funcionários da Petrobras e dos Correios, na empresa Trendbank, que administra fundos de investimentos, causando prejuízos às fundações. Vaccari nega participação. Em maio, O GLOBO já havia mostrado que Postalis teve prejuízo ao aplicar R$ 40 milhões num fundo no Banco BNY Mellon por meio de uma gestora de investimentos indicada a dirigentes da fundação por operadores de Youssef, em 2012.

Um caso emblemático é a quebra do Banco BVA, em 2013, cuja falência foi formalmente pedida no início deste mês. Apuração do Banco Central apontou indícios de conluio entre dirigentes do BVA e da Petros na formulação de operações fraudulentas. No entanto, mais de 70 fundos de pensão de funcionários de estatais, estados e prefeituras perderam dinheiro no BVA comprando principalmente títulos lastreados em empréstimos dados pelo BVA a empresas com poucas condições de pagamento. 

Compraram juntos R$ 2,7 bilhões diretamente ou por fundos de investimento ligados ao BVA.A complexidade e o grande número de operações, muitas delas feitas de forma indireta por meio de fundos que fazem outros investimentos, dificultam a identificação dos prejuízos dessas fundações, que administram as contribuições de funcionários das estatais e pagam os benefícios complementares aos aposentados dessas empresas. Os negócios suspeitos já revelados mostram que os interessados em lesar os fundos usam como estratégia a capilaridade e a divisão dos riscos entre vários fundos.

PREJUÍZOS COM DEBÊNTURES DO GALILEO

Nesse tipo de papel, se o credor não paga numa ponta, o investidor (no caso o fundo de pensão) perde na outra. Petros e Postalis estão entre os que mais perderam dinheiro no BVA. Os dois fundos são protagonistas de outro fracasso: compraram R$ 100 milhões em debêntures do Grupo Galileo, mantenedor da Universidade Gama Filho, que fechou as portas insolvente no ano passado. A Petros comprou 25% dos papéis e o Postalis ficou com os outros 75%, contra a regulação que limita aos fundos a aquisição de até 25% de emissões de títulos.

Postalis e Petros têm muito mais em comum do que péssimas aplicações. O atual presidente do Postalis, Antonio Carlos Conquista, foi executivo da Petros entre 2003 e 2009, quando o fundo de pensão era dirigido por Wagner Pinheiro, atual presidente dos Correios, que o indicou para o Postalis. O fundo de pensão dos Correios é dividido entre o PT, que indicou o presidente, e o PMDB, que indicou os outros diretores, inclusive o financeiro. A Petros segue sob domínio exclusivo do PT, embora as diretorias sejam divididas por dois grupos: o dos ex-sindicalistas bancários e o dos petroleiros, todos oriundos da CUT, braço sindical do PT.

NO POSTALIS, ROMBOM DE R$ 1 BILHÃO

Com um patrimônio de R$ 6,8 bilhões, bem menor que o da Petros (R$ 60 bilhões), o Postalis tem sofrido mais com a má gestão. Os prejudicados são os 140 mil participantes, o maior contingente entre as fundações de estatais. Em 2012, o Postalis passou a cobrar contribuição adicional dos participantes e pensionistas para cobrir um rombo de R$ 1 bilhão, cuja metade foi assumida pelos Correios. Agora, segundo funcionários, novo déficit atuarial chega a R$ 2,2 bilhões.

A Previc, órgão do Ministério da Previdência que fiscaliza as fundações, é considerada lenta nas investigações, que não são transparentes e geralmente terminam em punição leve. Em agosto, a Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap) e outras entidades pediram à Previc uma intervenção no Postalis.

— A diretoria da Previc nos informou que a reposta só virá no fim de outubro ou em novembro — afirmou Maria Inês Capelli, presidente da Adcap.

A Previc se recusou a informar que medidas toma sobre o Postalis, alegando, em nota, que “não trata publicamente de situações específicas, em face da necessária preservação de fatos e dados envolvidos em possíveis processos administrativos.”

Em nota, o Postalis informou que reestruturou sua carteira de investimentos da fundação, privilegiando títulos públicos, e negou influência de Youssef. A fundação considera natural que vários fundos de pensão participem de um mesmo investimento, já que são grandes investidores no mercado. O mesmo argumento foi usado pela Petros, que também negou influência política e disse que as avaliações de investimento são estritamente técnicas. A Petros diz não ter investido diretamente no BVA e diz ter recuperado 90% do que investiu em operações estruturadas pelo banco, mas não informou o valor.




Atividade da indústria paulista recua 7,1%. Dilma afundou o Brasil

O Globo

Queda é em comparação ao mesmo mês de 2013; na comparação com julho, desempenho ficou estável, diz Fiesp


A atividade da indústria de São Paulo caiu 7,1% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado. Na comparação com mês de julho, a atividade ficou estável, segundo pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Alguns indicadores do levantamento, no entanto, ainda apontam para o fraco desempenho do setor nos próximos meses.

O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, lembrou que o mês de agosto teve 21 dias úteis, um a menos do que em agosto de 2013.

- Nós ainda não conseguimos enxergar a recuperação no horizonte - diz Francini.

Ele mantém a previsão de queda para o desempenho da indústria este ano em torno de 5%. Ele observa que, desde abril do ano passado, a atividade da indústria entrou em rota de declínio.

O desempenho da indústria de Veículos Automotores registrou queda de 0,1% em agosto em relação a julho. Esta é a quarta queda consecutiva. No acumulado do ano, o segmento apresenta queda de 14,7%. Já a atividade no setor de Máquinas e Equipamentos apresentou sua sétima queda consecutiva, de 1% em agosto ante julho.

A percepção geral dos empresários diante do cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, mostrou pequena melhora este mês, subindo a 48,6 pontos em setembro contra 45,6 pontos em agosto.

- Mas nós esperávamos isso, porque o sensor de setembro é normalmente melhor que o do mês de agosto - diz Francini.

O cenário de 2015 para a indústria também é incerto, afirma Francini, já que depende do resultado das eleições.

"Enredos repetidos", por Roberto DaMatta

O Globo


O autoritarismo se repete tanto quanto as eleições. Só que o traço familístico e personalista que o forma ocorre diariamente e surge nas negativas envergonhadas e cínicas das roubalheiras; enquanto a eleição desponta como um ato cívico. Um ritual de passagem do poder mais do que positivo emoldurado na forma pelos partidos, mas no fundo por pessoas, padrinhos e ventríloquos cuja sombra se projeta em certos candidatos. Qual é a fórmula do autoritarismo? Ela é banal: no Brasil, todos os crimes e desafios dependem de pessoas. Se for X, duvidamos; se for de classe média e não petista, é fascista.

Em véspera de eleição, determinados assuntos surgem nitidamente como propriedade de candidatos ou partidos. O PT aparece, mesmo alquebrado, como dono absoluto do Brasil. Ele, condescendentemente, relega seus opositores ao papel de incapazes de enfrentar problemas e de inimigos dos pobres. Mas, como compensação, o PT falha clamorosamente quando não explica como um sistema de corrupção tomou conta da vida pública brasileira nestes "momentos mágicos" em que tem governado. Nunca, jamais e em nenhum momento, as pessoas foram tão ou mais importantes do que os assuntos, os crimes e as leis neste país quanto neste período lulopetista. Daí o recorrente da máquina pública para o enriquecimento ilícito por meio do personalismo. Se é nosso, pode! Se for uma outra pessoa, polícia!

Centrado em protagonistas, o processo eleitoral amplia esse lado. Porque em campanha presidencial todos se apresentam como a "solução" para os problemas. Na refrega que vai ter o primeiro turno neste fim de semana, todos os recursos pessoais e institucionais são mobilizados na esperança de mudar os prognósticos das pesquisas.

Mas o fato é que o ritual eleitoral exerce pressão para votar. Nisso reside a esperança de quem espera mudar o jogo, indo para o segundo turno (caso de Aécio); ou simplesmente de lá chegar sem maiores trepidações (caso de Marina); ou de vencer e liquidar a fatura neste primeiro embate (caso da presidente Dilma).

Os marqueteiros e observadores sutis ou medíocres, como é o meu caso, especulam e se abrem às angustias dominantes do não saber - essa máquina de fazer rezar e promover insônia.

Pessoalmente, eu gostaria que o eleitor estivesse também interessado em liquidar o "Você sabe com quem está falando?", essa praga cultural que faz parte de nossa estrutura autoritária. Que revela o personalismo porque tenta distinguir, proteger e inocentar os que, em nome do povo e elevados a donos do poder, promovem a má-fé e uma intolerável transgressão dos limites entre a esfera pública (que é de todos) e a pessoal - a do partido, do compadre e do filhotismo. Hoje, graças ao PT e a uma exemplar ausência de oposição, partidos, parentes e companheiros se confundem.

Nascido de um sistema aristocrático, o nosso republicanismo acabou com o Império, mas manteve o baronato. Hoje, ministros, senadores, magistrados, deputados e outros altos funcionários públicos são muito mais patrões do estado do que seus servidores. No Brasil, o significado profundo da palavra "poder" tem tudo a ver com a tomada de cargos. Tomar o poder é ter o gosto de "tirar" e de promover a "queda" de milhares de pessoas. O poder à brasileira é tão onipotente que ele pode até mesmo saquear o nosso dinheiro, como ocorreu no governo Collor e ocorre na roubalheira atual. Ele também censurou, prendeu, exilou e torturou, como ocorreu no Estado Novo e na ditadura militar.

A reação sistemática contra a autonomia de certas instituições é um sintoma da relação entre pessoas e cargos estatais por meio do governo que faz a intermediação entre o estado impessoal e grupos que passam a comandá-lo e, inevitavelmente, o fazem com um viés pessoal.

Seria isso feito apenas por maldade? Penso que é mais complicado. Não sou fascista, embora tenha alergia aos reducionismos e ao controle do mercado, da informação e do mérito. Sei como isso opera porque tenho observado o processo ao longo da minha longa vida.

Alexis de Tocqueville observou como, nos Estados Unidos, a democracia liberal e individualista promovia solidão e isolamento. Ele viu a luta para desmanchar elos pessoais, mesmo num país excepcional porque foi fabricado por imigrantes. Em sociedades que transitaram da Monarquia para a República por meio de golpes (de elos pessoais entre poderosos), as oligarquias continuaram a operar juntando sua força familística ao poder do voto aberto e livre. Em todo lugar a democracia tem recriado clãs pelo voto. É um defeito do regime ou da sociedade? Essa é a questão.

O fato é que, quando a maré vai mal, os laços pessoais compensam a derrota política e ficam acima das clivagens ideológicas mais ferozes. No Brasil, sempre fomos nobres ou comunistas e fascistas generosos e, mais que isso, bem educados e penhorados a quem nos prestou um favor ou roubou conosco.

Amor com amor se paga.

Antes de votar, caro leitor, reflita sobre o personalismo que relativiza todos os crimes, caso o criminoso seja amigo, partidário ou parente. O que o país precisa é de um Plano Real Social. De uma moeda ética única que discuta o espaço dos favores trocados com justiça e mérito; ao lado dos empenhos que conduzem a essas falcatruas que, realizadas debaixo do caldo do filhotismo, inibem a oposição e impedem a apuração dos carnavais de escândalos.

Isso para não falar da crise institucional envolvendo as polícias que, para alguns, atuam independentemente e, para outros, agem dentro de parâmetros partidários e familísticos para derrubar os nossos em favor dos adversários.

Você decide!

Segundo Fernando Rodrigues, Dilma, fortalecida, pode escolher quem prefere enfrentar no 2º turno

UOL


Estratégia eficaz na TV permite à petista influir sobre quem será seu adversário
A presidente Dilma Rousseff (PT) chegou a esta fase da campanha eleitoral de 2014 com um trunfo nada desprezível: está em suas mãos a decisão de colocar no segundo turno Marina Silva (PSB) ou Aécio Neves (PSDB). A petista vai escolher quem preferirá enfrentar.
É evidente que Dilma gostaria de vencer ela própria a disputa já no primeiro turno do dia 5.out.2014. Mas essa é uma possibilidade incerta e mais improvável, como mostrou a pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem (29-30.out.2014).
Dilma tem 40% contra 25% de Marina. Aécio está em terceiro, com 20%. As curvas de intenção de voto do Datafolha mostram que Dilma pode ter chegado muito perto de seu limite máximo. Ela tem agora os mesmos 40% da semana passada.
Já Marina parece ainda não ter chegado ao seu piso. E Aécio tem se beneficiado dos votos perdidos pela pessebista. É o tucano, e não Dilma, que parece estar herdando os eleitores em processo de descolamento do marinismo
O que isso significa? Quatro coisas principais:
1) Narrativa do medo deu certo: funcionou muito bem para Dilma a estratégia de bater sem dó nem piedade em Marina nos comerciais de TV. Entrou na cabeça de muitos eleitores o sentimento de dúvida e de medo do desconhecido. A pessebista entrou em curva descendente acentuada;
2) PT aproxima-se do seu patamar: ainda falta um pouco, mas a presidente em busca da reeleição começa a ficar mais perto da taxa de intenção de votos que teve nesta mesma época em 2010 (tinha 47%) e à de Lula às vésperas do primeiro turno em 2006 (46%);
3) Marina desidratou: a candidata a presidente pelo PSB guarda semelhanças com a equipe de futebol do Santos contra a do Barcelona, em Tóquio, na final do campeonato mundial de times da Fifa, em 2011. Mesmo com excelentes jogadores (Neymar e Ganso em forma), o Santos ficou de joelhos enquanto apanhava do Barcelona, até que o placar de 4 a 0 para os espanhóis encerrou o sofrimento. A impressão hoje é que se a eleição fosse apenas em dezembro, Marina terminaria devendo votos, pois reage mal ou não reage aos ataques dos quais vem sendo alvo;
4) Aécio ajudou a tática do PT: mesmo com apenas cerca de 4 minutos na TV, o tucano escolheu bater em Marina. Pode parecer pouco, mas ao dizer que “a Marina é a Dilma com outra roupa”, Aécio contribuiu para a afirmação do nefando processo de “assemelhamento” da política (“os políticos são todos iguais”). De um lado, a campanha presidencial do PT mostrava as inconsistências programáticas de Marina. Do outro, o PSDB dizia que as duas eram a mesma coisa.
Em meio a esse cenário, o eleitor viu ser alimentado o sentimento de desencanto com a política.
Tudo isso levou a uma vitamização inaudita de Dilma Rousseff e da arriscada (e arrojada) estratégia desenhada pelo seu marqueteiro, João Santana.
Hoje, com seus 12 minutos na TV, dezenas de dezenas de comerciais ainda para colocar no ar, Dilma tem duas decisões pela frente. Pode continuar a malhar Marina nos próximos dias antes da eleição e acabar de destruir as chances da candidata do PSB. Alternativamente, pode retirar o pé do acelerador e ajudar o marinismo a passar para o segundo turno no olho mecânico –até porque o processo está em curso e nada pode ser feito de maneira automática, simplesmente apertando um botão.
A definição de Dilma e de João Santana parece clara: o PT prefere mil vezes enfrentar Aécio no segundo turno. E não Marina. Assim como lá atrás, o maior temor dos petistas era que Eduardo Campos (que morreu em 13.ago.2014) pudesse crescer e passar para a fase final da disputa.
Por que havia (com Eduardo) e há (com Marina) esse temor? Simples. Instalou-se no Brasil ao longo dos últimos anos uma fadiga entre os eleitores a respeito da política tradicional. Ninguém mais aguenta chegar em casa, ligar a TV e assistir a mais uma reportagem sobre roubalheira em Brasília com políticos engravatados dizendo “eu posso explicar”.
Num cenário como o atual, quando a eleição torna-se mais equânime (no segundo turno), fica sempre em vantagem política aquele candidato que evoca o “novo” e tem um discurso mais afinado com as manifestações de junho de 2013. Não importa que seja apenas retórica. Há uma demanda aguda na sociedade por mudanças. mesmo que apareça alguém preenchendo essa necessidade só no gogó, sempre terá chances de prosperar –para o bem e para o mal, diga-se.
Isso não significa que se o segundo turno for entre Dilma e Marina a vitória é certa para o PSB. Claro que não. Mas certamente terminaria o estado de catatonia a que Marina se acorrentou no momento. Não seria tão fácil Dilma pelear com a pessebista se as duas tivessem as mesmas armas (tempo de TV igual e dinheiro).
Na dúvida, Dilma e João Santana sabem que é muito melhor disputar contra algo que já se conhece. O segundo turno do PT contra o PSDB não seria uma moleza para ninguém, mas as táticas já são todas manjadas.
Há também o fato de que Aécio, mesmo que passe para o segundo turno, estará bem debilitado em seu Estado natal, Minas Gerais, onde há reais chances de derrota do candidato do PSDB ao governo mineiro, Pimenta da Veiga. Pior: pode vencer o nome petista, Fernando Pimentel, que vem a ser amigo pessoal de Dilma Rousseff –ambos militaram na luta armada no final dos anos 1960.
Minas Gerais, nunca é demais lembrar, é o segundo maior colégio eleitoral do país. Em 2010, com pouquíssima estrutura, Marina teve forte votação entre os mineiros e poderia repeti-la neste ano, num eventual segundo turno.
Por todas essas razões, Dilma e João Santana tendem a acelerar o quanto puderem o processo de desconstrução de Marina. O comercial que vai à TV nesta quarta-feira (1º.out.2014) é prova disso. A diferença de 5 pontos percentuais que separa a pessebista de Aécio no Datafolha pode ser dilapidada até domingo, dia da eleição, 5.out.2014.
É claro que alguma reação poderá surgir por parte de Marina. Mas essa atitude deveria ter surgido há pelo menos umas duas semanas, no mínimo. Por exemplo, não deixando no ar acusações tão graves como a de que teria mentido a respeito de como votou, no Senado, no caso da CPMF, o imposto do cheque para a saúde.
Talvez nenhum eleitor brasileiro escolherá seu candidato a presidente pensando em como Marina votou sobre a CPMF. É verdade. Mas esse episódio é apenas um entre vários que ajudaram a produzir buracos na embarcação marinista.
João Santana não fez nenhum comercial mortal, para produzir um nocaute. Como numa luta de boxe, foi dando “socos de 30 segundos'' no fígado do adversário. E continua na mesma toada.
É curioso que uma política experiente como Marina tenha ficado até agora em estado quase catatônico, sem tentar algum tipo de reação ou resposta mais convincente quando foi atacada. Não vale dizer que ela não teve tempo de TV para se explicar. É só observar que o PSB tampouco teve tempo de TV quando a candidata estava quase 10 pontos percentuais à frente de Dilma, na média das pesquisas.
A OPÇÃO DE AÉCIO
Seria um erro ou uma injustiça dizer que Aécio foi apenas linha auxiliar do PT, incorporando bovinamente a estratégia de João Santana e sentando a pua em Marina? Talvez.
Mas foi exatamente o que aconteceu.
O tucano pode até disparar e vir a vencer a eleição presidencial mais adiante. Tomará posse em 1º de janeiro de 2015. Tudo então será esquecido.
Mas se a vitória não vier, terá de ser creditada ao fato de Aécio não ter enxergado em anos recentes o sentimento geral dos brasileiros a respeito de mudanças. Houve uma última chance pare ele em junho de 2013. Aécio poderia ter pensado: “Vai ser difícil eu ganhar uma eleição presidencial apenas com a política tradicional, aliando-me ao DEM e falando com a mesma entonação de meu avô nos discursos públicos”.
A palavra chave na política do século 21 é “conexão”. Os eleitores desejam se sentir conectados aos governantes. Aspiram a um outro tipo de interação em vez de apenas votar uma vez a cada 4 anos para presidente. Querem se sentir participantes do processo.
Aécio ficou longe de incorporar atitudes que pudessem ensejar essa nova abordagem. Até meados deste ano de 2014, o tucano sequer participava de redes sociais. Não tinha perfil no Facebook nem no Twitter.
Alguns dirão: mas se tudo isso é verdade, por que Dilma tem 40% nas pesquisas e pode ganhar? Afinal, a petista pode ser tudo, mas não tem nada a ver com formas modernas de fazer política,
A resposta é simples. Essa nova embocadura dos políticos é esperada de quem pretende fazer oposição. Dilma e todos os governadores que fazem administrações medíocres, mas sem nenhuma grande catástrofe para o dia a dia dos cidadãos, continuam bem fortes.
Contrariamente ao senso comum, o brasileiro é, antes de mais nada, um conservador. Basta ver o sucesso das propagandas com a narrativa do medo, estimulando a dúvida das pessoas a respeito do desconhecido que é Marina –como já elaborei neste post aqui.
Cabe ao opositor estruturado se apresentar como novidade, mas ofertando segurança na transição de um modelo para o outro. Aécio e a política tradicional do PSDB não oferecem isso.
O tucano, é sempre bom ressaltar, pode até acabar vencendo –sobretudo numa eleição com tantas surpresas como a atual. Mas não é o que mostra a lógica do atual ciclo eleitoral. Alguém acredita em docilidade de Dilma e de João Santana no segundo turno?
E é muito importante também olhar para São Paulo. O Estado não está uma maravilha. Sofre com a iminência do esgotamento da água. A sensação de que a segurança vai mal é generalizada. Ainda assim os tucanos, agora com Geraldo Alckmin, vão ficando no poder. Por quê? Porque as alternativas não oferecem, aos olhos dos eleitores, uma relação custo-benefício aceitável: mudar com chances de tudo melhorar.
Os paulistas podem ser classificados de conservadores, mas ninguém pode acusá-los de não enxergar grandes alternativas e novidades em Paulo Skaf (presidente da Fiesp) nem em Alexandre Padilha (político profissional).
No plano federal, Aécio acerta ao dizer que faz campanha contra o PT e contra Dilma. De fato, há eleitores no país que gostariam de mudar.
Só que quando Eduardo Campos morreu, em 13 de agosto, o tucano começou a ficar em pânico porque despencou nas intenções de voto, tendo seus votos corroídos pela onda pró-Marina. A reação espasmódica –e não política– foi atacar a pessebista: “Marina me tira votos? Vou espancá-la”.
Aécio e seus marqueteiros jogaram dama e não xadrez. Não tentaram ganhar o jogo pensando no máximo de movimentos possíveis do adversário. Ao atacarem Marina, desidrataram quem talvez pudesse se robustecer para, de fato, derrotar o PT no segundo turno.
Os tucanos então vão reclamar dizendo: mas você escreve que Aécio está sendo linha auxiliar do PT e está sugerindo que ele fosse linha auxiliar da Marina?
Não, não é nada disso.
Em política ganha o jogo quem faz a melhor análise de conjuntura. Não adianta ficar emburrado e achando que vai ganhar a eleição dizendo “esta é minha vez''. Ulysses Guimarães, venerado por tantos (não por mim), cometeu esse erro. Em 1989 colocou na cabeça que aquela era a vez dele. Teve 4% dos votos. Se em algum momento tivesse optado por montar uma frente ampla contra Fernando Collor, talvez o Brasil pudesse ter sido privado daquele que foi um dos piores presidentes da história do país.
No caso de Aécio, faltou sangue frio. Ele é jovem. Poderia ter participado de uma estratégia mais ampla. Marina vive dizendo que se ganhar ficará só um mandato no Planalto. Em política quatro anos é muito tempo. É sempre temerário firmar um acordo com essa antecedência. Mas essa parecia ser uma janela real para o PSDB tentar retornar ao poder em 2018.
O PSDB e Aécio poderiam ter continuado, como vinham fazendo até agosto, na sua estratégia de falar aos eleitores a respeito do que consideram não funcionar na administração fedral do PT. Ao abdicar dessa tarefa e se juntar a Dilma na cruzada anti-Marina, o tucano pode até –isso ainda não é certo– ter conseguido um passe para entrar no segundo turno.
Mas entrará como? Possivelmente, Aécio indo ao segundo turno terá aproximadamente 23% a 25% dos votos totais do dia 5 de outubro. Marina estará um pouco abaixo. Dilma estará lá em cima, com algo na casa dos 40%. Em todas as eleições brasileiras, quem terminou o primeiro turno bem à frente, sempre ganhou a rodada final –essa não é uma regra imutável, mas alguma coisa de lógica existe aí.
O tucano terá então ajudado para que se autocumprisse a “profecia de João Santana”. O marqueteiro disse uma vez que Dilma ficaria nesta eleição flanando no Olimpo enquanto os anões políticos se digladiariam na planície. É exatamente o que está se passando.
Eleições como esta de 2014 são vencidas na política. Dilma fez o diabo, como ela própria disse que poderia fazer. Marina ficou paralisada, esperando a providência divina. E Aécio pensou que ser eleito presidente era como ganhar a eleição para governador de Minas Gerais.
EFEITO COLATERAL
Para terminar este texto excessivamente longo, uma última observação.
Imagine o que acontecerá se Dilma vencer a disputa com a fórmula que todos estamos vendo: muito tempo de TV + aliança ampla de partidos não-ideológicos (perdão pelo pleonasmo “partidos não-ideológicos”) + propaganda negativa tecnicamente perfeita quando as coisas apertam?
Essa passará a ser a receita de ouro de todos os políticos, sejam candidatos a presidente, governador ou a prefeito.
E daí? Daí que as forças hegemônicas farão de tudo e mais um pouco para jamais alterar as bases deste sistema perverso que permite a montagem de alianças na base da fisiologia, como Dilma, Lula e FHC já fizeram.
Quem se importa que os debates no primeiro turno sejam um lixo, com figuras tristes como a de Levy Fidelix produzindo despautérios? O que importa é ganhar a eleição. E o modelo atual dá a muitos políticos o acesso ao paraíso.

"Há algo no ar além dos aviões de carreira", por Elio Gaspari

O Globo

O presidente da seccional de Brasília da OAB quer proibir o ex-ministro Joaquim Barbosa de advogar


De acordo com o paragrafo 1º ao artigo 5º do Ato Institucional nº 5, o presidente da República podia “fixar restrições ou proibições (...) ao exercício de quaisquer outros direitos públicos ou privados”.

Com base nisso, o marechal Arthur da Costa e Silva proibiu que os jornalistas Antonio Callado e Léo Guanabara exercessem a profissão.

Mesmo para tempos de treva, a medida foi vista como uma exorbitância e o presidente revogou-a pouco depois.

Agora, em pleno regime democrático, o advogado Ibaneis Rocha Barros Junior, presidente da seccional de Brasília da Ordem dos Advogados do Brasil, pediu a impugnação do pedido de inscrição de Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. Sem registro na OAB um bacharel em direito não pode advogar.

O doutor justificou seu pedido mencionando episódios em que, segundo ele, Barbosa ofendeu e prejudicou a classe dos advogados. Em todos os casos, o ministro agiu no exercício de função pública e em nenhum deles teve sua conduta condenada pelos poderes competentes. Felizmente, os tempos atuais são diferentes da treva que baixou sobre o país em 1968. O pedido de impugnação é uma iniciativa legítima e precisará ser ratificada por uma instância superior.

Do ponto de vista curricular, o doutor Ibaneis chegou à presidência da seccional da OAB de Brasília com menos títulos que o professor Luís Antônio da Gama e Silva, ministro da Justiça e redator do AI-5. “Gaminha” havia sido reitor da Universidade de São Paulo e diretor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Era um liberticida a serviço de uma causa. Achava que proibindo Callado e Leo Guanabara de exercer a profissão de jornalista contribuía para assegurar uma “autêntica ordem democrática”. Afinal, foi isso que escreveu no preâmbulo do Ato Institucional. Essa “ordem democrática” expulsou do Supremo Tribunal os ministros Evandro Lins e Vitor Nunes Leal, mas não os impediu de advogar.

O doutor Ibaneis certamente acredita que a ordem jurídica brasileira e a própria advocacia terão a ganhar negando a um ex-presidente do Supremo Tribunal o direito de advogar. Há pessoas que aplaudem Barbosa na rua e há aqueles que o detestam. Em todos os casos, a opinião que se faz dele relaciona-se acima de tudo com a conduta que teve no STF ao relatar e presidir o julgamento dos réus do mensalão.

O pedido do presidente da seccional da OAB de Brasília é uma iniciativa individual, mas pode ser perigosamente associado a uma maneira de pensar do comissariado petista. 

Nenhum cidadão que aplaudiu a formação da bancada da Papuda acredita que Barbosa deve ser proibido de qualquer coisa, muito menos de advogar.

Em qualquer época, em qualquer governo, sempre haverá nos arrabaldes do governo um militar querendo fazer a bomba atômica e um operador político querendo limitar os direitos de seus adversários. Parecem figuras folclóricas, como “Gaminha” parecia sê-lo quando o marechal Costa e Silva colocou-o no Ministério da Justiça. O tempo passa, as coisas se complicam e os personagens folclóricos ganham aliados e tornam-se sábios clarividentes.

Quando a festa acaba, atribui-se a ruína ao radicalismo de um “maluco”. Gaminha não era maluco, era apenas liberticida. Doidos foram os outros.