quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Pesquisas levam dramaticidade ao debate final

Blog do Josias - UOL


As oscilações de humor do eleitorado, captadas pelas últimas pesquisas, adicionaram dramaticidade no enredo do último debate presidencial do primeiro turno. Será transmitido pela Rede Globo na noite de quinta-feira, nas pegadas da novela. Numa disputa em que a encenação prevalece sobre a razão, uma participação chocha pode custar caro. Os candidatos vão à arena com objetivos bem definidos.
Ampliar

Campanha presidencial 2014 269 fotos

189 / 269
9.set.2014 - O candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) participa de ato político em apoio à sua candidatura ao lado do governador de Goiás, e candidato à reeleição, Marconi Perillo (PSDB), em Goiânia Orlando Brito/Divulgação
Em queda nas sondagens eleitorais, Marina Silva precisa convencer a plateia de que não merece ser desligada da tomada. Para isso, terá de exibir disposição para desempenhar no segundo round um papel diferente do de crufificada vitalícia. Deus existe, não há dúvida. Mas já está claro que Ele confiou o departamento de marketing ao Diabo, que o terceirizou ao João Santana. No penúltimo debate, exibido pela Record, Marina foi derrotada antes de molhar a camisa. Perdeu o prumo nos primeiros cinco minutos do jogo, quando Dilma atravessou no seu caminho a macumba da “mentira'' sobre a votação da CPMF. Um novo fiasco pode lhe ser fatal.
Aécio Neves vem dizendo que sua experiência pessoal e os quadros que o tucanato é capaz de reunir são mais compatíveis com os desafios do Brasil do que o voluntarismo quixotesco de Marina. Mas sua recuperação nas pesquisas é demasiado lenta. É como se as pessoas enxergassem no PSDB a imagem de um elefante sem um rajá, isto é, sem um líder que o monte.
Para tentar seduzir o pedaço do eleitorado antipetista que migrou de Marina para a coluna de indecisos, Aécio terá de ser esfuziante diante das câmeras. Nos últimos dias, o presidenciável tucano compareceu a vários atos de campanha com o ex-craque Ronaldo a tiracolo. No debate, precisa evitar uma repetição do mistério do final da Copa na França, quando o Ronaldo teve desempenho pífio justamente na hora em que mais se esperava dele. Para Aécio, a simples vitória no debate não basta. Precisa de um triunfo com show.
Dilma vai à peleja em situação menos desconfortável. Evitando o uso excessivo da expressão ‘no que se refere a…’, desviando das caneladas e garantindo um zero a zero, a candidata oficial já estará no lucro. As pesquisas indicam que uma vitória no primeiro turno, embora possível, é improvável. Mas se Dilma, por algum milagre, conseguir encarnar no debate uma personalidade autêntica, diferente das muitas que seu marqueteiro lhe indicou, quem sabe…

Marina: ‘Eu vou pescar a baleia com anzol’

Blog do Josias


Horas antes da divulgação do Datafolha e do Ibope que atestaram a continuidade do movimento de desintegração do seu índice de intenção de votos, Marina Silva reuniu representantes dos partidos de sua coligação. Conforme já noticiado aqui, ela fez um discurso impregnado de indignação.
O pronunciamento foi adornado com um guizo retórico que eletrificou a plateia. Um dos presentes identificou no comentário final de sua candidata um quê de messianismo. Para certificar-se, ao chegar em casa, o correligionário de Marina colocou para rodar o áudio do discurso, que ele gravara no celular. Eis a frase que lhe soara mal:
“Meus amigos, vamos à luta, vamos à vitória, vamos mostrar que hoje, aqui, tem que se ver relâmpago de caracol, os nevoeiros pararem, dar eclipse no Sol, as águas do mar secarem e eu pescar a baleia com anzol.” Seguiu-se um coro de inspiração petista: “Marina, guerreira da pátria brasileira…”
Como não acredita que o mar possa secar até domingo, dia das eleições, o aliado de Marina receia que, se não ajustar sua estratégia, a candidata “corre o risco de ser a melhor presidente que o país jamais terá.”

Ibope Rio – Pezão ganha de todos; Garotinho perde para todos; esquerdas no Rio não enchem o Posto 9

Blog Reinaldo Azevedo - Veja




Há uma semana, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que concorre à reeleição, ainda estava tecnicamente empatado com Anthony Garotinho, do PR. A diferença agora aumentou no Ibope: o peemedebista tem 31% no primeiro turno, contra 24% do adversário: um oscilou dois pontos para cima, e o outro, dois pontos para baixo. Marcelo Crivella (PRB) oscilou um ponto para baixo e tem 16%. O petista Lindbergh Farias segue dando vexame: 9%. Os demais candidatos somam 2%. Dizem não saber em quem votar 6%, e 12% anulariam ou votariam em branco.
Ibope Rio 30.09

Garotinho segue o líder absoluto da rejeição, com 40%, seguido de longe por Lindbergh (20%), Pezão (16%) e Crivella (14%). Em que isso resulta no segundo turno? Ele perderia para todos os adversários — e Pezão venceria todos, a saber:
Pezão 46% x Garotinho 31%;
Pezão 43% x Crivella 32%;
Crivella 37% x Garotinho 32%
Ah, sim: incluindo Lindbergh (9%), as esquerdas no Rio somam 11% dos votos apenas: os outros dois pontos estão com o PSOL (1%) e PSTU (1%).
Não dá para encher o Posto 9!
Ibope Rio 2º turno 30.09
Por Reinaldo Azevedo

Alckmin leva no 1º e Pezão no 2º também no Datafolha; Serra amplia vantagem para o Senado; no Rio, vai dando Romário…

Blog Reinaldo Azevedo - Veja


O Datafolha realizou pesquisa eleitoral em São Paulo e no Rio entre anteontem e ontem. O resultado não difere muito do do Ibope. Comparem:

IBOPE 1º TURNO EM SÃO PAULO
Geraldo Alckmin (PSDB) – 49%
Paulo Skaf (PMDB) – 19%
Alexandre Padilha (PT) – 11%
DATAFOLHA 1º TURNO EM SÃO PAULO
Geraldo Alckmin – 49%
Paulo SaKaf – 23%
Alexandre Padilha – 10%
Houvesse um segundo turno, o tucano venceria o peemedebista por 57% a 28% no Ibope e por 57% a 32% no Datafolha.
Senado em SP
Ah, sim, uma outra boa notícia: cresce a vantagem de José Serra (PSDB) sobre Eduardo Supolicy (PT) na disputa pela vaga única para o senado: 39% a 30%.
Depois de 24 anos, veremos Suplicy fazendo outra coisa. Ou alguma coisa, sei lá — que não, claro!, defender o renda mínima, cantar e declamar.
1º TURNO IBOPE NO RIO
Luiz Fernando Pezão (PMDB) – 31%
Anthony Garotinho (PR) – 24%
Marcelo Crivella (PRB) – 16%
Lindbergh Farias (PT) – 9%
1º TURNO DATAFOLHA RIO
Luiz Fernando Pezão – 31%
Anthony Garotinho – 24%
Marcelo Crivella – 17%
Lindbergh Farias – 11%
2º TURNO IBOPE RIO
Pezão – 46%
Garotinho – 31%
2º TURNO DATAFOLHA RIO
Pezão – 50%
Garotinho – 33%
Senado
No Senado, o Rio caminha mesmo para a galhofa. No Datafolha, Romário tem 49% dos votos, e Cesar Maia (DEM), 21%.

Skaf, o empresário que não tem empresa; Padilha, o petista que não é trabalhador

Blog Reinaldo Azevedo - Veja


A união exótica do não capital com o não trabalho


A TV Globo realizou ontem o debate final — antes do primeiro turno — entre os candidatos aos governos dos Estados. Assisti, é evidente, ao de São Paulo. Pois é… A ditadura ainda em vigência da Lei Eleitoral obriga a que se tratem em pé de igualdade os que podem ser eleitos e aqueles que dão traço nas pesquisas. É um absurdo que as TVs e as rádios sejam impedidas de confrontar as ideias, opiniões e propostas dos que efetivamente têm alguma chance de vencer a eleição — e o mesmo vale para a disputa presidencial.
Em São Paulo, participaram do embate oito candidatos: além do tucano Geraldo Alckmin, do peemedebista Paulo Skaf e do petista Alexandre Padilha, havia lá mais cinco candidatos de si mesmos: Walter Ciglione (PRTB), Gilberto Natalini (PV), Gilberto Maringoni (PSOL) e Laércio Benko (PHS). Um show de horrores e, com frequência, de picaretagem política — e não só dos nanicos.
Na verdade, foi a frente dos “seis contra um”. Exceção feita a Ciglione, que não participou da tropa, todos os outros se uniram para atacar Alckmin e o governo de São Paulo. E o fizeram com tal fúria que o resultado pode ter sido contraproducente. Chegava a ser engraçado ver Skaf e Padilha a implorar a chance de um segundo turno para que possam, nas suas palavras, governar o estado mais dinâmico do país etc. e tal. Mas como pode haver alguma qualidade nas terras paulistas se, segundo eles próprios, tudo por aqui está errado?
Skaf e Padilha estavam mais afinados do que O Gordo e o Magro. Um é presidente licenciado da Fiesp sem ser empresário, e o outro é membro do PT sem ser trabalhador. Assim, deu-se a união da falta de capital com a falta de trabalho. Coisa que não pareceu espantar Maringoni, o socialista do PSOL mais ortodoxo do que embalagem de Emulsão Scott
Ter de ouvir um petista e um peemedebista a dar aula de combate à corrupção depois do que sabemos da Petrobras, controlada pelo PT e pelo PMDB, é para estômagos fortes. Ouvir de Padilha lições sobre segurança pública — dados os desastres colhidos na área por seu partido no país e nos Estados em que é governo — seria de gargalhar não fosse o tédio.
E o tal Laércio Benko, de uma legenda chamada PHS? Resolveu atacar a Sabesp, que, segundo ele, distribuiu dividendos aos acionistas, em vez de investir em água. É uma afirmação tecnicamente estúpida. A empresa é uma Sociedade Anônima. Graças a Deus, está na Bolsa e é cobiçada por investidores, o que lhe garante recursos para investir — o mesmo acontece com outras empresas públicas de capital aberto. Parte desses dividendos, diga-se, vem para o próprio governo, que os reinveste. Maringoni, o esquerdista, claro!, pegou carona na bobagem — afinal, ele é um socialista. Mas Padilha e Skaf fizeram o mesmo. E eles sabem que se trata de uma asnice. Mas e daí? Era o vale-tudo.
A nota surrealista, no entanto, era outra: era estupefaciente ver a tropa toda a sustentar que, naquela hora, faltava água na torneira dos paulistas. E, como é sabido, não faltava. Das 1.200 cidades com crise de abastecimento no país, só oito estão no Estado — em áreas em que a Sabesp não atua. Uma delas é Guarulhos, cujo sistema é municipalizado. A cidade é administrada pelo PT há 14 anos.
E a nota que ultrapassou o limite do escândalo factual foi dada por Padilha. Segundo o petista, o sistema de concessões de estradas do governo federal é superior ao vigente em São Paulo. É mesmo? Atenção! Este estado tem 9 das 10 melhores rodovias do país. Querem mais? Nada menos de 93,7% dos 6.252 km sob concessão privada foram considerados ótimos ou bons em 2013; 6% foram tomados como regulares, e apenas 0,3% eram ruins. Esses números são meus? Não! Da CNT, a Confederação Nacional dos Transportes.
Já o governo federal tentou três marcos regulatórios para fazer suas concessões e deu com os burros n’água. Conseguiu juntar o ruim ao desagradável: antes, havia estradas federais com buraco e sem pedágio. Hoje, existem estradas com buraco e com pedágio.
Segundo todas as pesquisas, Alckmin venceria hoje a disputa no primeiro turno. Acho que o debate demonstrou por quê.

Uma ferramenta nova na VEJA em defesa da democracias: ´Memória Cívica`

Blog Reinaldo Azevedo - Veja


Vejam esta imagem:
MEMÓRIA CÍVICA
A quem cabe zelar pela democracia e pelo estado de direito? A resposta está nas três primeiras palavras da Constituição americana, ainda um exemplo dos fundamentos que fazem a grandeza da civilização: a “nós, o povo”. Os dias que vivemos não são fáceis. Oportunistas e vigaristas de toda espécie se aproveitam de imperfeições que existem, sim, no regime democrático — e que precisam ser corrigidas — para atacar a própria essência do regime de liberdades. Um dos alvos preferenciais dessas investidas obscurantistas é o Poder sem o qual a liberdade que se quer falece: o Congresso. Sim, meus caros: ditaduras sempre têm Executivos fortes; ditaduras podem ter até um Judiciário robusto, ainda que atrelado ao poder central. Mas ainda não se viu uma tirania com um Parlamento livre.
Defender o Congresso e suas prerrogativas corresponde a defender os valores que garantem a nossa liberdade. Por isso é de aplaudir a inciativa de VEJA, que cria uma ferramenta para que você acompanhe, no detalhe, a atuação dos parlamentares nos quais você votou — ou qualquer outro. Em vez de achincalharmos o Congresso; em vez de malharmos no ferro frio da descrença e do cinismo; em vez de darmos cordas a vozes das trevas que simulam pantomimas que pretendem chamar de “democracia direta” — e não passam de autoritarismo de minorias radicalizadas —, que tal usarmos os recursos que nos fornece a tecnologia para pôr, efetivamente, o Parlamento sob nosso controle?
Clique aqui para saber como funciona. Trata-se de um instrumento interativo, que vem acompanhado com um banco de dados.
Memória Cívica 2
A ferramenta “Memória Cívica” nasce da certeza de que os males da democracia serão corrigidos com mais democracia e com maios transparência. Participe!

A influência das redes sociais

Com Blog do Magno Martins

Se nunca antes na história deste País tanta gente passou tanto tempo conectada à internet, também se pode dizer que nunca antes na história das eleições nacionais a disputa está sendo tão influenciada pelas redes sociais. Para o pesquisador Silvio Meira, as redes sociais interferem e muito no comportamento do eleitor.
Graças à popularização dos smartphones, um contingente inédito interage de forma instantânea com a discussão política, compartilhando ou contestando mensagens. Mas ele faz uma ressalva: “Essa interferência muda comportamentos, não necessariamente a escolha do candidato”, diz.
Para acrescentar: “Tem um bocado de gente querendo chegar na minha timeline e querendo dizer um monte de coisa. E eu posso interferir diretamente. Eu posso comentar, gostar ou não. Não estou dizendo que vai influenciar o voto, mas pode interferir de forma direta e em tempo real na conversa sobre a eleição”.
Parte desse poder vem do crescente engajamento nacional às redes, que faz com que o tempo de utilização dos smartphones pelos brasileiros já supere a média global (com média de 84 minutos no uso diário dos aparelhos, contra 74 no mundo). Por outro lado, é preciso lembrar que o acesso ainda é limitado.
A 1ª Pesquisa Brasileira de Mídia 2014 aponta que 47% da população costuma acessar a internet – e desses só 26% o fazem diariamente. Ainda assim, a força das redes é amplificada pelo seu potencial de reverberação.
Um dos organizadores do livro Do Clique à Urna: Internet, Redes Sociais e Eleições no Brasil (Edufba, 2013), o professor da Universidade Federal do Ceará, Jamil Marques, chama atenção para o fato de que mesmo os que não estão na rede são influenciados por ela.
Em meio ao tráfego incessante de informações, ganham espaço as chamadas guerrilhas de internet, alimentadas por blogs anônimos que difundem ataques contra adversários. A estratégia, explica Jamil, é produzir tantos links e compartilhamentos a ponto de iludir a indexação do Google, para que os boatos apareçam nas primeiras páginas de pesquisa, como se fossem fatos.
“Esses militantes são treinados e remunerados para espalhar mentiras, e isso reverbera. Mas do mesmo jeito que há perfis voltados para atacar, surgem outros para defender. Isso faz parte do jogo. Campanha negativa sempre vai existir, mas o eleitor também está cada vez mais atento – pondera Jamil.
Essa história de guerrilha de internet é uma paranoia, tudo artificial. A estratégia é culpar a internet por questões que têm a esconder. Os candidatos deveriam contrapor com verdades o que consideram mentira. Porque a verdade também pode se propagar rápido.
Existem grupos em todos os partidos que espalham boatos. É como antes o cara que chegava e começava a falar mal de um candidato para que aquilo se propagasse. Isso não é originário da internet.