Obama e McCain entram na polêmica após críticas a pais de militar
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WASHINGTON — Veteranos e familiares de militares engrossaram as críticas contra Donald Trump, após o candidato republicano trocar insultos com os pais de um capitão morto na Guerra do Iraque, que participou, ao lado do marido, da convenção democrata na semana passada. Nesta segunda-feira, um grupo de famílias "Gold Star" - nomeação dada quando um militar perde a vida em combate - publicou uma carta aberta ao magnata, que ainda enfrentou duras críticas dentro da legenda e viu até mesmo o presidente Barack Obama entrar no tema. O episódio pode gerar ainda mais arranhões ao candidato entre os conservadores, principal base do Partido Republicano.
Esta é a segunda grande polêmica que Trump vive desde que conseguiu a nomeação e, agora, começa, novamente, a parecer atrás de Hillary Clinton nas pesquisas - segundo o último levantamento da CNN, a democrata tem vantagem de nove pontos percentuais.
"Você nunca saberá o que é o nosso sacrifício", dizia o texto assinado por familiares de militares mortos em combate, que considera as manifestações do republicano "ofensivas" e "repugnantes". "O nosso é um sacrifício que você nunca vai saber. O nosso é um sacrifício que nunca queremos que você saiba. Você não está apenas nos atacando, está minimizando o sacrifício feito por aqueles que perdemos. Está minimizando o risco que os membros do Exército fazem por todos nós. Isso vai além da política. Trata-se de um senso de decência. Esse tipo decência você zomba como 'politicamente correto'."
A polêmica surgiu das reações de Trump à participação da família do capitão Humayun Khan, morto na Guerra do Iraque em 2004, na conveção democrata. Eles criticaram a proposta de Trump de barrar a chegada de muçulmanos aos EUA. Khzir Khan, paquistanês e pai do militar, sugeriu que o republicano "lesse a Constituição".
Trump, então, partiu para o ataque, dizendo que, apesar de respeitar a morte de seu filho, não tinha o direito de, diante de milhões, dizer que ele não conhecia a Constituição e que "estranhou" o silêncio da mãe do capitão, afirmando que talvez ela não tivesse "nada a dizer" ou não tinha sido autorizada a falar.
Em Atlanta, na convenção anual dos veteranos deficientes, o presidente Barack Obama entrou na polêmica, sem, contudo, citar diretamente o episódio. Ele afirmou que ninguém fez mais pela liberdade do país que os "Gold Star":
- As famílias dos Gold Star fazem um sacrifício que a maioria de nós não pode sequer começar a imaginar.
Dentro do partido, a maior reação partiu do ex-candidato, herói da Guerra do Vietnã e senador John McCain, que até o momento não declarou voto em Trump. "O fato de que o partido o tenha nomeado não lhe dá o direito de difamar o melhor de nós", disse o senador pelo Arizona em um comunicado. "Eu queria dizer ao Sr. e à Sra Khan: obrigado por terem imigrado para os EUA. Somos um país melhor por causa de vocês. E vocês estão certos, seu filho era o que os EUA têm de melhor e a memória de seu sacrifício vai fazer de nós uma nação melhor, nunca será esquecido".
E se na semana passada, Trump sugeriu que os russos interceptassem e-mails de Hillary Clinton, nesta segunda-feira insinuou que pode haver fraude:
- Temo que a eleição será manipulada, tenho que ser honesto.
Estes novos problemas assustam os republicanos e colocam em xeque a frase de Trump em janeiro, quando afirmou que "poderia atirar em alguém na Quinta Avenida", em Nova York, que não perderia votos. As últimas pesquisas, divulgadas ontem, mostraram um forte vantagem para Hillary após a convenção democrata da semana passada: 52% para ela, contra 43% para Trump. Na sondagem da semana passada, Trump tinha uma vantagem de três pontos, segundo a CNN.