quarta-feira, 31 de julho de 2019

Flybondi, aérea de baixo custo, terá voos entre Buenos Aires e Florianópolis

A companhia aérea argentina de baixo custo Flybondi começará a voar entre Florianópolis e Buenos Aires em 20 de dezembro. A empresa ainda não divulgou os preços mínimos das  passagens, que começarão a ser vendidas na noite desta quarta-feira, 31.
Flybondi
Preços deverão ser 20% inferiores aos das aéreas tradicionais,segundo Flybondi 
Foto: Flybondi/ Divulgação
Em entrevista recente ao Estado, o presidente da Flybondi, Sebastián Pereira, disse que a intenção era ter valores, em média, 20% inferiores aos das companhias tradicionais.
A rota entre Buenos Aires e Florianópolis terá três frequências semanais -- às segundas, quartas e sextas-feiras -- e será mantida apenas durante o verão. Na capital argentina, o voo sairá do aeroporto El Palomar. A Flybondi é a única empresa a operar no terminal, que fica a 20 quilômetros do centro de Buenos Aires, mas está a 300 metros de uma estação de trem.
Florianópolis é o segundo destino da Flybondi no Brasil. Em outubro, a companhia aérea começa a operar no Rio de Janeiro, também com três voos semanais -- as passagens já estão sendo vendidas. Além de voos internos na Argentina, a empresa ainda tem rotas, a partir de Buenos Aires, para o Paraguai e o Uruguai.
A Flybondi foi criada em janeiro de 2018, poucos meses antes de a crise cambial atingir a Argentina, provocando uma recessão econômica. Planos de diversificar a operação já eram previstos pela empresa, mas se tornaram mais importantes diante desse cenário. Segundo Pereira, a companhia ainda estuda a possibilidade de voar para São Paulo e Porto Alegre.

Além da Flybondi, outras duas empresas internacionais de baixo custo começaram a atuar no Brasil -- a norueguesa Norwegian e a chilena Sky.

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

Lava Jato Rio denuncia operador do PSDB por propinas de R$ 29 mi em obras da Marginal Tietê

Paulo Vieira de Souza. Foto: Robson Fernandjes/Estadão
A força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro denunciou o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, suspeito de operar propinas para o PSDB, por supostas fraudes, propinas e lavagem de dinheiro de R$ 29 milhões em obras da Marginal do Rio Tietê, em São Paulo.

Documento

O caso está nas mãos do juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, que julga ações em que os dois colaboradores-chave neste processo, os irmãos Adir e Samir Assad, têm confessado crimes.
Segundo o Ministério Público Federal, entre 2008 e 2012, o ex-diretor da Dersa, os executivos da Delta Fernando Cavendish e André Machado Ferreira atuaram para fraudar licitação para expandir a Maginal do Rio Tietê, em contrato que foi assinado em março de 2009.
A Procuradoria afirma que Vieira de Souza teria tomado R$ 29 milhões em propinas.
Segundo os procuradores, a ocultação teria se dado com o uso dos doleiros Adir e Samir Assad, e também com contratos fictícios de recursos humanos com Magna Freitas de Carvalho.

Luiz Vassallo. O Estado de São Paulo

Caixa corta juros do cheque especial e lança pacote de produtos com taxas menores

Para pessoas físicas, a taxa máxima 

caiu de 13,45% ao mês para 9,99%; 

para pessoas jurídicas, de 14,95% 

ao mês também para 9,99%




A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quarta-feira, 31, cortes nas taxas de juros de suas principais linhas de crédito a partir de quinta-feira, 1.º, tanto para empresas quanto para pessoas físicas. Além disso, a partir de 19 de agosto, o banco vai oferecer um novo pacote de produtos, chamado de Caixa Sim, com taxas mais atrativas aos clientes.
“Somos o banco mais solvente do mercado. Nenhum outro banco tem 20% de Índice de Basileia (indicador de quanto o banco pode emprestar sem comprometer seu capital)”, afirmou o presidente da instituição, Pedro Guimarães. “Isso nos permite tomar essa medida. As reduções de taxas são permanentes."
Pedro Guimarães
Presidente da Caixa, Pedro Guimarães Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
No cheque especial para pessoas físicas a taxa máxima passou de 13,45% ao mês para 9,99% ao mês. Para pessoas jurídicas, o juro caiu de 14,95% ao mês também para 9,99% ao mês.
No pacote Caixa Sim, essas taxas serão ainda menores: tanto para famílias quanto para empresas, o juro do cheque especial será de 8,99% ao mês.
No crédito pessoal, haverá redução de até 21% nas taxas cobradas. Atualmente o piso cobrado é 4,99% ao mês e passará a ser de 2,29% ao mês, variando conforme o perfil do cliente.

Isenção de anuidade no cartão de crédito

O banco também anunciou a isenção da anuidade no cartão de crédito para pessoas físicas. “A isenção de anuidade é importante em um momento de grande competição no mercado bancário, inclusive com a liberação de recursos do FGTS”, disse Guimarães.
Para empresas, haverá redução de 11% nas taxas de capital de giro nas operações com aval de sócios (a partir de 1,69% ao mês) e de 13% nas de capital de giro com aval de sócios mais imóvel ou aplicação financeira (a partir de 0,99% ao mês ou 0,95% ao mês, respectivamente).
Na antecipação de recebíveis com cartão de crédito, a taxa será de 1,85%. Também não haverá anuidade no primeiro ano do cartão de crédito para pessoas jurídicas.
O corte horizontal nos juros do banco para pessoas físicas e jurídicas tem como foco, principalmente, linhas como crédito pessoal e capital de giro. O movimento teria partido de uma orientação interna do banco e visa a se antecipar à uma retomada mais aquecida na demanda por crédito no segundo semestre.

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

Dario Messer, o 'doleiro dos doleiros', é preso em São Paulo


Dario Messer. Foto: Reprodução/Facebook

Dario Messer, conhecido como ‘doleiro dos doleiros’, foi preso nesta quarta, 31, em uma ação coordenada pela inteligência Polícia Federal e a Procuradoria da República, em São Paulo. Ele é alvo da Operação Câmbio, desligo, braço da Lava Jato no Rio de Janeiro. Segundo fontes ligadas às investigações, Messer foi encontrado em um flat, na capital paulista, que foi alvo de buscas e apreensões. Ele estava foragido.
O ‘doleiro dos doleiros’ mudou sua aparência. Quando flagrado pelos agentes, em um apartamento da Alameda Pamplona, nº 1802, ele tinha cabelos ruivos. Exibiu aos agentes uma identidade falsa.
A Câmbio, desligo foi deflagrada em 3 de maio de 2018 contra um ‘grandioso esquema’ de movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no exterior por meio de operações dólar-cabo, entregas de dinheiro em espécie, pagamentos de boletos e compra e venda de cheques de comércio.
A delação dos doleiros Vinícius Vieira Barreto Claret, o Juca Bala, e Cláudio Fernando Barbosa, o Tony, resultou na operação. A ação tinha como principal alvo Dario Messer, apontado como controlador de um banco em Antígua e Barbuda com 429 clientes, até meados de 2013. Ele era citado pelas delações de Juca e Tony.
“Dario Messer é foragido da justiça há anos, operações passadas não conseguiram capturará-lo, diante do seu poder econômico e sua influência no submundo do crime. Mas, hoje, a Força Tarefa do Rio De Janeiro, que congrega o MPF, a PF e a Receita Federal, e em cooperação com outros países, conseguiu prender o mais importante doleiro do Brasil, provando que não há fronteiras para criminosos, também não há para investigadores. O “doleiro dos doleiros” terá que prestar contas à Justiça brasileira”, afirma o procurador regional da República José Augusto Vagos

Cerco fechado

Ainda em julho, a Polícia Federal prendeu um dos principais homens de confiança de Messer, Mario Libmann. Ele e seu filho, Rafael, é suspeito de suposta lavagem de dinheiro por pai e filho, em benefício de Messer. Somente Rafael tem 18 apartamentos de luxo, segundo o Ministério Público Federal.
A Procuradoria da República no Rio ‘assinala que foram adquiridos imóveis no Rio de Janeiro e em São Paulo por Rafael Libman e Denise Messer, com pagamento em espécie diretamente das contas de Dario Messer’.
Na decisão que decretou a prisão do operador, o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, anotou que, ‘segundo apurado pelo MPF, Rafael Libman conta atualmente com dezoito apartamentos em áreas nobres do RJ e SP, além da fração ideal de dois terrenos para construção’.
“Ao que parece, Rafael investiu na aquisição de bens imóveis com montante repassado por Dario Messer, configurando prática comum no delito de lavagem de capital”, disse Bretas.
Maior recuperação de valores da Lava Jato

Delação do filho e o maior valor recuperado pela Lava Jato

Desse total, R$ 240 milhões já estão com a Justiça e serão ressarcidos aos cofres públicos.
Filho de Dario Messer, foragido desde maio de 2018, Dan foi um dos quatro familiares do “doleiro dos doleiros” a fazer delação premiada.

Líder da Organização

À época da deflagração da Câmbio, desligo, a Polícia Federal expandiu as investigações para a atuação de muitos outros doleiros.
Em junho de 2018, Messer foi denunciado e apontado como líder da organização criminosa, em uma peça que elenca 62 acusados.
“O denunciado Dario Messer era líder da organização criminosa. Ele criou uma rede de lavagem de dinheiro, essencial para a prática de crimes como corrupção, sonegação tributária e evasão de divisas. Era sócio capitalista do “negócio”, no qual angariava 60% dos lucros, e ainda financiava o sistema, aportando nele recursos próprios”, afirma o Ministério Público Federal.
Segundo a Lava Jato, Messer era o ‘doleiro dos doleiros’.

Breno Pires, Patrick Camporez, Caio Sartori, Luiz Vassallo e Fausto Macedo, O Estado de São Paulo

Dario Messer, o 'doleiro dos doleiros', é preso

Dario Messer, o “doleiro dos doleiros”, foi preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira.

Messer estava foragido desde que a Operação Câmbio Desligo, desdobramento da Lava Jato, foi deflagrada.

O doleiro estava em São Paulo, no apartamento de uma amiga. Ele foi preso na capital paulista.

A PF cumpriu mandados de prisão expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, Messer vivia entre São Paulo e a região da Tríplice Fronteira, no Paraguai.

Com O Antagonista

Fed corta taxa básica de juros nos Estados Unidos pela 1ª vez desde 2008

SÃO PAULO E NOVA YORK - O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciou nesta quarta-feira, 31, a redução da taxa básica de juros nos Estados Unidos. A autoridade monetária diminuiu os juros em 0,25 ponto porcentual, descendo a taxa para a faixa entre 2% e 2,25%. É a primeiro corte efetuado pelo Fed desde a crise de 2008.
A maioria dos analistas consultados pelo Estadão/Broadcast já previa um corte de 0,25 ponto porcentual nos juros nesta reunião. Todos os dirigentes do Fed, à exceção de Esther George, do Fed de Kansas City, e Eric S. Rosengren, do Fed de Boston, foram favoráveis ao movimento.
As bolsas de Nova York operavam em leve alta, mas inicialmente inverteram o sinal e recuaram, passando então a oscilar, logo após a decisão do Federal Reserve. No Brasil, o Ibovespa acentuou o ritmo de queda logo após o corte, perdendo os 102 mil pontos.
Federal Reserve
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, o banco central americano. 
Foto: Mandel Ngan/APF - 1/5/2019

Em seu comunicado sobre a decisão, o Fed afirmou que, ao contemplar a trajetória futura da sua taxa básica, agirá "como apropriado para sustentar a expansão", uma vez que o crescimento sustentado da atividade econômica, condições fortes no mercado de trabalho e a inflação perto da meta de 2% são o desfecho mais provável, "mas as incertezas sobre essa perspectiva permanecem".
A avaliação sobre o panorama atual nos EUA retrata um aumento "moderado" da atividade econômica, ganhos "sólidos" de emprego e uma taxa de desemprego "baixa". "Apesar de o crescimento dos gastos das famílias ter acelerado em relação ao início do ano, o crescimento dos investimentos fixos das empresas tem sido suave", pondera o colegiado responsável pelas decisões de política monetária do Fed.
Além disso, os dirigentes apontam que, nos últimos 12 meses, as leituras da inflação e do núcleo da inflação, que exclui os componentes de alimentos e energia, "estão vindo abaixo de 2%", que é a meta do BC americano. "Medidas baseadas nos mercados de compensação da inflação permanecem baixas" e "medidas de expectativas de inflação no prazo mais longo mudaram pouco", completa.

Novos cortes

O corte dos juros em 0,25 ponto porcentual e o fim da redução do seu balanço de ativos financeiros dois meses antes do previsto visam gerar boas expectativas no mercado de que o banco central americano está adotando um conjunto de medidas acomodatícias de política monetária, comentou Satyam Panday, economista da S&P Global Ratings.
Para ele, a dissidência de dois dirigentes do Fed, Eric Rosengren e Esther George, que preferiram manter as taxas estáveis, podem sinalizar certa moderação do banco central para adotar mais reduções nos próximos meses.
De acordo com Panday, o comunicado do Fed da reunião de julho é relativamente próximo ao texto oficial semelhante divulgado ao final do encontro de junho, quando os juros foram mantidos. “O documento informado hoje é cauteloso e não é possível inferir agora quantos cortes virão no segundo semestre”, disse. Ele continua esperando apenas uma redução dos juros neste ano.

“O Fed continua dependente de dados econômicos para decidir se cortará mais os juros no curto prazo. Vamos ver como se comportarão indicadores do setor manufatureiro e de investimentos nas próximas semanas, que são muito afetados por questões como as disputas comerciais entre os EUA e a China”, disse Satyam Panday. /EDUARDO GAYER, GABRIEL BUENO DA COSTA, NICHOLAS SHORES E RICARDO LEOPOLDO

O Estado de São Paulo

A princesa que fugiu de Dubai quer sangue; o marido também, por Vilma Gryzinski

Dinheiro e política, ambos em quantidades fenomenais, já eram suficientes para fazer da crise conjugal entre a princesa Haya da Jordânia e o xeque Mohammed Al Maktoum de Dubai um dos divórcios do século.
Novos elementos injetados no processo criam dimensões estonteantes.
Como era previsível, Maktoum pediu a guarda dos filhos levados juntos com a mãe, Jalila, de onze anos, e Zayd, de sete.
Pelos princípios muçulmanos, os filhos ficam com o pai, ainda mais se ele for o manda-chuva de um emirado forrado de petróleo.
A reação de Haya indicou que ela não pretende entregar os filhos de jeito nenhum. E vai arrancar sangue nessa briga.
Primeiro, Haya, que fugiu de Dubai, indo para a Alemanha para depois de instalar em seu palacete em Londres (presente de 100 milhões de dólares do marido, nos bons tempos), pediu uma ordem de proteção contra casamento forçado.
A única conclusão é que Maktoum já estava tratando do casamento precoce da filha Jalila, nem que fosse apenas para deixar tudo tratado para o futuro.
Os casamentos árabes são tradicionalmente arranjados entre famílias na maioria dos países. No caso de uma “família real”, uma designação algo exagerada, também selam alianças tribais para consolidação do poder. Maktoum tem 23 filhos e Haya foi sua sexta esposa – embora a mais visível, a que levava para compromissos e viagens ao exterior.
Não precisaria usar as crianças para reforçar mais ainda os laços entre as “tribos coroadas” dos sete emirados, mas imaginem a reação de um xeque árabe ao ser largado pela mulher num clima de enorme escândalo.
E num episódio que ainda por cima não pode ser abafado num mundo em que as redes sociais furam todas as censuras.
O segundo pedido de Haya ao juiz da família de Londres dá uma ideia da fúria do xeque abandonado. A princesa recebeu uma ordem de restrição, o instrumento legal usado nos casos em que há motivos para temer violência doméstica.
Mais combustível para as fofocas que já haviam começado a se espalhar depois da fuga: Haya era espancada pelo marido, além de maltratada por outras esposas e filhos mais velhos do xeque Maktoum por ser independente, aparecer o quanto podia em obras beneficentes típicas da realeza e não usar a cobertura negra total, da cabeça aos pés, incluindo o rosto, requerida pelos padrões estritos da religião muçulmana seguidos na Arábia Saudita e países do Golfo.
E mais: ela colaborou para limpar a barra do marido depois do estranho episódio envolvendo sua segunda filha fugitiva, Latifa, mas depois ficou horrorizada com o tratamento dado à enteada de 33 anos. Teria acontecido aí a ruptura.

‘Homem cruel’

As contrafofocas: a princesa jordaniana, criada em estilo comparativamente liberal, traiu o marido com um segurança britânico, funcionário da UK Mission Enterprise, a empresa que fornece proteção à família real de Dubai.
Foi pega em flagrante quando o xeque apareceu de repente em Londres. Havia uma camisinha usada e taças de vinho envolvidas.
Os seguranças da Mission Enterprise são todos espiões.
O dinheiro que ela roubou – 40 milhões de dólares – não bastou e a princesa quer mais. Aliás, é “louca por cavalos, sexo e dinheiro”.
Isso tudo vem de um site publicado no Paquistão de credibilidade, evidentemente, duvidosa, mas habilidade na mistura de fatos, fofocas e invenções.
Maktoum, segundo o site, “não apenas é um homem cruel como notório caçador de mulheres que paga qualquer coisa para trazer garotas do exterior”, especialmente as virgens. Engravidou duas “concubinas” filipinas.
As mulheres da família são prisioneiras dos palácios. Apenas Haya tinha liberdade de movimentos.
Essa parte pelo menos é comprovada pelos fatos. Haya foi uma esposa escolhida por Maktoum apesar dos problemas criados entre os conservadores religiosos pelo estilo ocidentalizado de vida da princesa jordaniana.
A rejeição era tanta que a festa, milionária, foi em Amã, não em Dubai.
Haya casou-se com o xeque quando já tinha 30 anos (ele, 25 a mais), e trajetória consolidada como amazona e promotora dos esportes e de boas causas.
A relação com o irmão, o rei Abdullah, não era exatamente fácil. Abdullah é filho do segundo casamento do rei Hussein, com a inglesa Antoinette Avril Gardiner – daí seus olhos azuis.
Hussein, outro conquistador notório, casou-se com a terceira mulher, Alia, mãe de Haya, imediatamente depois que saiu o divórcio de Antoinette, que adotou o nome de Muna ao se converter para o casamento.
Alia, que morreu num acidente de helicóptero quando Haya tinha três anos, era filha de palestinos, um componente importante na eternamente instável Jordânia. Metade da população jordaniana é formada por beduínos tribais e outra metade por palestinos, uma designação que nem existia, mas passou a existir, inclusive como identidade separada.
A Transjordânia, nome original, foi criada pelos ingleses como compensação pela aliança contra Turquia na época da I Guerra Mundial e pela perda de Meca, a cidade santa dos muçulmanos que durante séculos teve como xerife um herdeiro da dinastia hashemita.
O troca-troca acabou deixando sob domínio jordaniano outro lugar venerado, Jerusalém, Al Quds para os muçulmanos.
Depois de não só sobreviver ao ataque conjunto dos exércitos árabes como unificar Jerusalém sob seu poder, Israel manteve a custódia da mesquitas de Jerusalém a cargo da autoridade religiosa jordaniana.
Tudo o que a Jordânia nunca teve, ao contrário dos vizinhos bilionários, foi petróleo. Sempre dependeu da bondade de ingleses, americanos e, agora, sauditas e emirados árabes.

Silêncio é de ouro

Chegamos assim ao ponto em que a história de Haya, a princesa fugitiva, intersecta-se com a história do Oriente Médio e suas infinitas complicações.
A Jordânia depende da “mesada” dos Emirados Árabes Unidos, onde o xeque de Dubai é o mais poderoso.
Com o racha eterno da sua população, uma situação econômica periclitante, o trauma do pós-primavera árabe, a encrenca do Irã e a ressonância inevitável da situação dos palestinos dos territórios ocupados por Israel, sua estabilidade tem importância geopolítica desproporcional ao tamanho físico e financeiro.
Para complicar, o rei Abdullah tem se mostrado sensível à abertura – e aos milhões de dólares – do Catar, o país que bagunçou os alinhamentos do Golfo ao se aproximar do Irã, entre outras heterodoxias.
Não é um divórcio que vai afetar os interesses permanentes dos xeques dos emirados, mas os céus conhecem bem a fúria de um homem publicamente abandonado.
Mesmo sozinha em seu Palácio Verde, enfrentando um dos homens mais poderosos do mundo, Haya tem uma boa ideia dos elementos envolvidos.
É filha de rei, estudou em Oxford, transita desde pequena na família real britânica e nos círculos mais privilegiados do mundo árabe, sabe quem é aliado de quem e teve acesso a muitos segredos das Arábias.
O silêncio talvez seja sua carta mais importante. E a advogada, claro. A dela não é barata. Fiona Shackleton advogou em favor os dois filhos mais velhos da rainha, Charles e Andrew, quando se divorciaram.
Só para dar uma ideia: conseguiu um acordo em que a venerada princesa Diana ficou com meros 10 milhões de libras, uma miséria diante do patrimônio pessoal do príncipe herdeiro.
Fiona, que também representa os príncipes William e Harry em casos individuais, ganhou o título de baronesa.
No outro lado da “guerra das advogadas” está Helen Ward, outra fera dos divórcios milionários, contratada pelo xeque Maktoum.
Pelo menos ambas sabem que, depois que a raiva passa e os milhões são discutidos, sempre é possível chegar a um acordo.
Logo, logo Maktoum aparece com outra esposa, mais jovem e mais bonita, nas corridas de cavalos, sua esfera de dominação do mundo.
Se nada de extremamente pavoroso aparecer, será recebido com todos os salamaleques de sempre.
Haya será uma ex-esposa, com status seriamente diminuído, embora com um palacete em Kensington. E, se tudo der certo, os dois filhos sob sua guarda.

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