segunda-feira, 1 de maio de 2023

Bolsonaro é recebido com festa na Agrishow

 Ministro da Agricultura de Lula falta ao primeiro dia do evento


Jair Bolsonaro, ex-presidente da República | Foto: Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil


Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, compareceu à Agrishow na manhã desta segunda-feira, 1º. O evento ocorre anualmente em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e é a maior exposição do Agronegócio da América Latina.

A entrada de Bolsonaro na Agrishow ocorreu por volta das 11 horas, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Os deputados Ricardo Salles (PL-SP) e Mario Frias (PL-SP) também acompanhavam o presidente.

Neste mesmo horário ocorreria a cerimônia de abertura. Ela foi desmarcada, depois que Carlos Fávaro, ministro da Agricultura, alegou ter sido “desconvidado” do primeiro dia do evento.

De acordo com o ministro, a organização da feira entrou em contato com ele na quarta-feira 26 para sugerir o adiamento da visita da comitiva presidencial, depois que Bolsonaro confirmou participação no primeiro dia do evento. Inicialmente, a organização emitiu uma nota reiterando o convite a Fávaro para a cerimônia de abertura.

Ministro Agricultura Agrishow
O ministro da Agricultura do governo Lula, Carlos Fávaro | Foto: Reprodução/Tv Senado

Ainda assim, o governo Lula aumentou a pressão sobre a organização do evento, ameaçando, inclusive suspender o patrocínio do Banco do Brasil. Essa cadeia de acontecimentos chegou ao ápice no sábado, 29, quando a cerimônia de abertura foi oficialmente suspensa.

Agrishow, a maior feira do agronegócio da América Latina

Realizada anualmente em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, a Agrishow é conhecida como o mais importante evento do agronegócio da América Latina.

Neste ano, ocorre a 28ª edição da feira. Ao todo, por volta 800 marcasmostram seus produtos. As soluções apresentadas atendem aos produtores de todos os tamanhos. O evento conta com 520 mil metros quadrados de área de exposição e deve receber cerca de 150 mil visitantes até o encerramento, marcado para a sexta-feira 5.

Artur Piva, Revista Oeste

Cinco filmaços para assistir e refletir neste Dia do Trabalho

 

Estrelado por Will Smith, “À Procura da Felicidade” é uma boa sugestão de filme para o feriado| Foto: Columbia Pictures/Divulgação


Nesta segunda-feira, o Dia do Trabalho (ou Dia do Trabalhador, Dia Internacional dos Trabalhadores) é celebrado em diversos países ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Como é certo que nenhum leitor da Gazeta do Povo aproveitará o 1º de maio nos comícios da CUT ou da Força Sindical, preparamos uma lista de cinco filmes que caem muito bem para serem vistos na data. São obras que tratam de questões trabalhistas envolvendo sindicatos e burocracia, de luta de classes e da dignidade que a labuta diária garante ao cidadão. O trabalho enobrece. E o ócio, quando leva a reflexões, pode ser ainda mais salutar.


Sindicato de Ladrões (1954)


Clássico em preto e branco estrelado por Marlon Brando, Sindicato de Ladrões segue a história de um ex-pugilista que trabalha como braço direito de um chefão do sindicato dos estivadores no porto de Nova York. O personagem se vê dividido quando se apaixona pela irmã do líder sindical e testemunha um assassinato cometido pelos próprios membros do sindicato. Ele decide lutar contra a corrupção do grupo e enfrentar o sistema, colocando sua vida e seu amor em risco. O longa dá um ótimo pontapé no debate de temas como justiça social, coragem e a luta pela verdade em uma sociedade corrompida.



Onde assistir: disponível para locação na Apple TV+


À Procura da Felicidade (2006)


Baseado na história real do milionário Chris Gardner, À Procura da Felicidade acompanha o drama de um vendedor ambulante que luta para se estabelecer. Após perder sua esposa e seu emprego, Chris (vivido por Will Smith) é obrigado a viver nas ruas com seu filho pequeno. Determinado a mudar sua situação, ele aceita um estágio não-remunerado em uma corretora de valores, lutando para se destacar em meio a seus colegas mais experientes. Com perseverança e trabalho duro, Chris enfrenta todos os desafios para construir uma nova vida para ele e seu filho. Trata-se de uma inspiradora história de superação e resiliência, que afirma que a felicidade pode ser encontrada em meio às maiores adversidades.



Onde assistir: Netflix e HBO Max


Dois Dias, uma Noite (2014)


O drama dos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne parte de uma premissa insólita: Sandra é demitida da firma porque seus colegas tiveram de escolher entre receber um bônus salarial ou seguir com a colega no time. Mas Sandra tem uma chance de reverter a situação. Ela ganha um fim de semana para visitar os funcionários e convencê-los a mudar de ideia. Nesses embates delicadíssimos, brilha a estrela da atriz francesa Marion Cotillard, que já possuía um Oscar em sua estante (por viver Edith Piaf) quando aceitou o convite dos irmãos Dardenne. A chaga do desemprego na Europa e o individualismo poucas vezes foram tão bem retratados no cinema.



Onde assistir: Prime Video


Eu, Daniel Blake (2016)


Apesar de ser um socialista declarado, o britânico Ken Loach está sempre batendo na inoperância e nas burocracias do estado em seus filmes. No aclamado Eu, Daniel Blake, ele narra a saga de um trabalhador que precisa dos benefícios do governo para sobreviver após passar por um problema cardíaco. Para viver o protagonista, Loach escalou Dave Johns, um comediante de pouca fama que nunca havia encarado um papel dramático. E seu desempenho é brilhante, seja em cenas melancólicas, seja nos momentos em que o personagem exibe sua falta de intimidade com os computadores na hora de preencher formulários (ele chega a passar o mouse na tela).



Onde assistir: Globoplay, HBO Max e Prime Video


O Irlandês (2019)


Dirigido por Martin Scorsese e estrelado pelas feras Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci, O Irlandês acompanha a vida de Frank Sheeran, um veterano da Segunda Guerra Mundial que se torna um assassino de aluguel da máfia. Ao longo da trama, o longa aborda a corrupção sindical e a influência da máfia nos sindicatos dos caminhoneiros, que resulta em esquemas de desvio de dinheiro e suborno. Frank se envolve nesse mundo obscuro e se torna amigo do líder sindical Jimmy Hoffa, interpretado magistralmente por Pacino, mas acaba tendo que escolher entre a lealdade à máfia e a amizade com o sindicalista. São três horas e meia que passam voando.


Onde assistir: Netflix



José Flávio Júnior e Erich Thomas Mafra, Gazeta do Povo


'Defesa da objetividade', por Carlos Alberto Di Franco

 

Valerio Errani/Pixabay


Minha mais recente coluna neste espaço opinativo teve um título bem estudado: “Jornalismo – a hora de recuperar o encanto”.  É disso que se trata. O jornalismo precisa recuperar a confiança dos consumidores. O texto repercutiu entre leitores e colegas. Recebi muitas mensagens. Isso mostra uma sadia inquietação. Um movimento de autocrítica e renovação.

Hoje, provocado por um excelente artigo de Martin Baron, ex-editor-executivo do Washington Post, publicado no caderno “Ilustríssima” da Folha de S.Paulo em 15 de abril, volto ao tema. O texto é magnífico. E está ancorado no prestígio de um dos grandes nomes do jornalismo norte-americano.

Num momento de crise da mídia, Baron, na contramão de boa parte dos seus colegas, empunha o valor da objetividade como arma poderosa em defesa do jornalismo de qualidade. “A maior parte do público, me arrisco a dizer, espera que os jornalistas sejam objetivos. Ignorar suas expectativas ou desafiá-las diretamente é um ato de arrogância. Demonstra leniência com nossos vieses, os consagra e, o que é mais grave, trai a causa da verdade”. O diagnóstico de Baron é certeiro: um dos elementos centrais da crise dos veículos está no questionamento e na corrosão cotidiana da objetividade.


Queremos juízes e médicos objetivos; por que não jornalistas?


Baron defende que devemos iniciar nossas pesquisas “com a cabeça aberta e então trabalhar da maneira mais conscienciosa possível. Isso requer uma disposição de ouvir, uma ânsia de aprender e uma consciência de que há muito que precisamos saber. (...) Não começamos já com as respostas prontas. Saímos em busca delas, primeiro com o desafio já grande de articular as perguntas certas e finalmente com a tarefa árdua de verificação”.

Queremos juízes e médicos objetivos; por que não jornalistas? A pergunta de Baron está gritando em muitas críticas sinceras ao nosso trabalho. A busca da objetividade, nem sempre fácil ou tranquila, é uma meta a ser perseguida. Todos os dias.

O importante é saber escutar. As respostas são sempre mais importantes que as perguntas que você faz. A grande surpresa no jornalismo é descobrir que quase nunca uma história corresponde àquilo que imaginávamos. Precisamos lutar contra as atitudes de engajamento, arrogância e prejulgamento que corroem e desfiguram a reportagem e minam a credibilidade dos produtos jornalísticos.

O bom repórter ilumina a cena, o jornalista manipulador constrói a história. A distorção, no entanto, nem sempre é clara. Escapa, frequentemente, à perspicácia do leitor médio. Tem aparência de informação, mas não é. Daí a gravidade do dolo. Na verdade, a batalha da isenção, forte demanda da sociedade atual, enfrenta a sabotagem da manipulação deliberada, da preguiça profissional e da incompetência atrevida. Todos os manuais de redação consagram a necessidade de ouvir os dois lados de um mesmo assunto. Mas alguns procedimentos próprios de certa delinquência editorial transformam um princípio ético irretocável numa grande farsa.

A apuração de faz-de-conta representa uma das maiores agressões à imprensa de qualidade. Matérias previamente decididas em guetos sectários buscam a cumplicidade da imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o outro lado não é honesta, não se apoia na busca da verdade. É um artifício que transmite um simulacro de objetividade, uma ficção de imparcialidade. O assalto à verdade factual culmina com uma estratégia exemplar: a repercussão seletiva. O pluralismo de fachada convoca pretensos especialistas para declarar o que o repórter quer ouvir. Mata-se a reportagem. Cria-se a versão. Uma das grandes crises de nossa profissão é a perda da primazia do trabalho de reportagem.

A imprensa tem caído nessa armadilha antijornalística. Trata-se de uma prática que, certamente, acaba arranhando sua credibilidade. Ainda não conseguimos superar a síndrome dos rótulos. Alguns colegas não perceberam que o mundo mudou. Insistem, teimosamente, em reduzir a vida à pobreza de quatro qualificativos: direita, esquerda, conservador, progressista. Tais epítetos, estrategicamente pendurados, têm dupla finalidade: exaltar ou afundar, gerar simpatias exemplares ou antipatias gratuitas. A reportagem é, ou deveria ser, sempre substantiva. O adjetivo é o enfeite da desinformação, o farrapo que tenta cobrir a nudez da falta de apuração. É, frequentemente, uma mentira.


A batalha da isenção, forte demanda da sociedade atual, enfrenta a sabotagem da manipulação deliberada, da preguiça profissional e da incompetência atrevida


É importante que os repórteres e responsáveis pelas redações tomem consciência desta verdade redonda: a isenção (que não é neutralidade) é o melhor investimento. A audiência quer informação clara, corajosa, bem apurada. E, hoje em dia, pode buscá-la em muitos espaços do imenso mundo digital. Ficará conosco se soubermos apresentar um produto de qualidade.

A reportagem precisa ser recuperada. Deve ser trazida para a posição central da produção jornalística. Basta de narrativas. Basta de militância ideológica, romântica ou não. Basta de contrabando opinativo na informação.

O público busca formar uma convicção equilibrada, corajosa e firme nos espaços de opinião e nos editoriais. Mas quer informação objetiva no conteúdo jornalístico.

Não devemos sucumbir à tentação do protagonismo. Nosso ofício, humilde e grandioso, é o de iluminar a história.


Gazeta do Povo

'Lula quer controlar as redes sociais', afirma Sérgio Moro

 

Foto: EFE/Andre Borges


Escrevo sob a sombra do PL 2.630, com o qual o governo Lula pretende obter o controle sobre o que se posta nas redes sociais. No fim, superadas as discussões técnicas e os detalhes, é disso que trata o projeto.

A boa notícia que o início de semana nos traz é que o risco de aprovação do projeto aparenta ser declinante. Placares informais dos votos dos parlamentares apontam para a rejeição do projeto. O mais provável é que não seja colocado em votação diante das chances de rejeição.

Favoráveis ao projeto estão apenas o PT, partidos satélites e outros partidos que se aproximam sempre de qualquer governo. Como o PT não vê qualquer problema em ditaduras como Cuba, Venezuela e Nicarágua, é natural que não tenha óbices ao PL 2.630.

Faço aqui uma confissão. Gostaria muito de só ler coisas boas nas redes sociais. Seria um sonho não ver nelas postagens agressivas ou grosseiras e poder confiar em tudo o que nelas se posta. Se elas fossem uma fonte dinâmica de informação verdadeira e confiável, seria o melhor dos mundos. Aliás, desde 2014, sou uma das principais vítimas de fake news espalhadas pelo PT e por seus aliados. A lista é gigantesca, passando do negacionismo da corrupção na Petrobras às acusações falsas de ligações com a CIA ou o governo norte-americano. Apesar disso, mesmo quando ocupava a posição de ministro da Justiça, jamais defendi conceder ao governo que integrava um poder de censura sobre as redes.


Desde 2014, sou uma das principais vítimas de fake news espalhadas pelo PT e por seus aliados. A lista é gigantesca


Não discordo de que as redes sociais precisam de alguma regulação. Há uma disputa comercial entre elas e a imprensa. O jornalismo profissional se ressente de produzir material e nada receber financeiramente por sua veiculação nas redes sociais ou na internet. Há bons argumentos para ambos os lados e defendo que a questão seja debatida em projeto de lei próprio e específico para que ela não seja contaminada pelo debate sobre a censura nas redes sociais.

Discordo da utilização das redes sociais para disseminar pornografia infanto-juvenil, veicular ameaças ilegais e golpes financeiros ou incitar a prática de violência. Com falhas, as redes sociais já atuam para excluir conteúdos da espécie e reputo razoável que a lei preveja mecanismos para garantir que sejam excluídos. Em relação a este tipo de postagem, é mais improvável termos divergências quanto à sua caracterização como impróprio ou mesmo para reconhecê-lo.

Já ofensas, calúnias e difamações são um problema nas redes, mas essas condutas são criminosas e a legislação penal já as trata como crimes, sendo de se questionar a necessidade de regras especiais aplicáveis às redes sociais.

Também sou favorável à ampla transparência das redes sociais. Conteúdo promovido ou patrocinado deve ser identificado. Contas automatizadas, inautênticas ou mecanismos artificiais de disseminação deveriam ser suprimidos ou completamente identificados. As regras de automoderação e autocontrole já utilizadas pelas plataformas deveriam ser publicizadas e deve haver mecanismos que promovessem a transparência de sua aplicação. Às plataformas ainda deveriam ser impostas regras que garantissem o espaço para o livre debate público, com respeito à pluralidade de opiniões e com a proibição de concessão de vantagens a conteúdos por motivos político-partidários ou por preferências ideológicas. Nesses aspectos, o PL 2.630 é bem falho.

Mas o grande problema é a pretensão do PL 2.630 de retirar das redes sociais as assim denominadas fake news, ainda que a pretexto de proteger a democracia e o debate público. Em última análise, alguém terá de ser encarregado de definir se uma informação divulgada na rede é ou não verdadeira. O PL 2.630 pretendia resolver isso criando uma misteriosa “entidade autônoma de supervisão” vinculada ao governo, com a atribuição de vigiar as redes sociais e as grandes plataformas. Diante de uma reação negativa da sociedade, o relator do projeto, na última versão, suprimiu o artigo que criava tal entidade. Ao incauto, o problema pode parecer superado, mas na prática o projeto tem um sujeito oculto e indefinido ao qual caberá a tarefa de censurar as redes sociais. Quem será ele? Nem o relator sabe dizer, o que já diz muito sobre o açodamento e a falta de ténica da proposta.


Nenhum governo é confiável para dizer o que é verdade e o que é mentira. Para isso não cabe solução fácil, não existe uma solução milagrosa ou um Deus ex machina. Essa tarefa cabe a cada um, a nós mesmos


Temos um presidente da República campeão em produzir fake news. Destaco apenas algumas pérolas mais recentes. Segundo ele: a Ucrânia é tão culpada pela guerra como a Rússia; os Estados Unidos e a União Europeia incentivam a guerra ao ajudar a Ucrânia a se defender; Cuba, Venezuela e Nicarágua não são ditaduras e a primeira é um paraíso social; os Estados Unidos fomentaram a Lava Jato no Brasil pois as empresas brasileiras estavam ficando competitivas internacionalmente; o autor deste artigo teria ligações com a CIA ou com o FBI e teria “armado” um plano do PCC para figurar como vítima de um sequestro. Pois bem, este mesmo presidente quer criar um órgão vinculado ao seu governo ao qual caberá o poder de dizer o que é verdade e o que é mentira. Dá para confiar? Eu diria que não, que esse governo com um histórico vinculado a tentativas autoritárias de controlar a imprensa – recordemos da tentativa frustrada de criação do Conselho Federal de Jornalismo – não é confiável.

A questão, porém, é ainda mais profunda: nenhum governo é confiável para dizer o que é verdade e o que é mentira. Para isso não cabe solução fácil, não existe uma solução milagrosa ou um Deus ex machina. Essa tarefa cabe a cada um, a nós mesmos. A melhor solução encontrada pela humanidade, em jogo de tentativa e erro, foi o livre intercâmbio de ideias, sem censura estatal, por meio do qual as informações e opiniões puderam ser testadas no grande palco da humanidade e aquelas ruins ou falsas, como a teoria de que o Sol girava em torno da Terra ou de que o comunismo traria liberdade e igualdade para todos, foram jogadas fora. Agora, está na hora de jogar fora o PL 2.630 e sepultar em definitivo a ideia falsa e autoritária de que o governo deve ter algum papel em dizer o que é verdade ou mentira nas redes sociais, na imprensa ou em qualquer meio de comunicação.


Gazeta do Povo

Agro avança para dar adeus ao diesel e fabricar combustível nas fazendas

 

Trator movido a biometano ao lado de estação de abastecimento da fazenda SF, em Brasilândia (MS): agronegócio avança na produção de biocombustível para substituir o diesel.| Foto: Divulgação/New Holland


O óleo diesel consumido por tratores, caminhões e colhedeiras é um dos insumos que mais pesam na planilha de custos dos agricultores brasileiros, chegando a responder por até 30% dos gastos de colheita. A guerra da Ucrânia e as instabilidades do mercado de combustíveis fósseis só têm feito essa conta aumentar. “Tenho 64 anos e pela primeira vez na vida eu vejo o preço do diesel mais caro que o da gasolina”, diz Fábio Pimentel de Barros, sócio-proprietário da granja de suinocultura da SF Agropecuária em Brasilândia, no Mato Grosso do Sul.

O preço do combustível, contudo, já não tira o sono de Barros. Ele largou na frente e poderá se tornar o primeiro produtor brasileiro a declarar independência em relação ao óleo diesel. Os dejetos da granja de suínos já produziam biogás para gerar energia elétrica. Agora, o gás passa por mais um estágio de transformação, e agregação de valor, por meio da separação do metano, que é usado para mover um trator de 180 cavalos da New Holland. Barros é o primeiro agricultor do país a comprar o modelo T6 180 Methane Power, que reduz a emissão de poluentes em até 80% na comparação com um motor diesel padrão.

À parte os benefícios ambientais do uso do biometano – se livrar de um passivo de excrementos, produzir adubo orgânico e sequestrar um poderoso gás de efeito estufa –, o resultado econômico fala por si só. A começar pela elegibilidade para créditos de descarbonização do programa Renovabio, que as distribuidoras são obrigadas a comprar. Mas também na comparação financeira direta entre biometano e óleo diesel.


Economia perto de 90% em relação ao diesel

“O preço do litro de óleo diesel e do metro cúbico do gás (GNV), na bomba, se equivalem. Mas devido à redução do consumo do trator movido a metano, você já sai com uma vantagem de 40%. Só que o gás está aqui, eu vou vender para mim mesmo. E o preço do gás produzido na fazenda é de apenas R$ 1 o metro cúbico. Daí a vantagem econômica passa a ser de 90%”, sublinha Barros.

O biometano, assim, seria “três vezes mais vantajoso” em termos de economia do que o próprio biogás, usado na geração de energia elétrica.

Barros investiu cerca de R$ 1 milhão na compra do trator T6 da New Holland, movido a biometano, cujos protótipos estava em testes no país há seis anos. Para viabilizar a inovação tecnológica, contudo, o empresário precisou implantar o seu próprio posto de combustível. No caso, uma estação compacta de purificação e compressão do gás natural desenvolvida em parceria da New Holland com as empresas Sebigas Cotica (instalação do biodigestor), Air Liquide (purificação do biogás) e FPT (motor a gás cogerador de energia elétrica).


O produtor Fábio Pimentel de Barros foi o primeiro a comprar um trator movido a biometano no país| Divulgação / New Holland

Joint-ventures assim já ocorreram na Europa, onde a tecnologia do biometano está mais madura, mas nunca tinham chegado à redução de escala obtida no Brasil, nem a uma solução integrada. Enquanto aqui a estação já pode ser movida com produção de 50 m3 de gás por hora, na Europa o mínimo exigido costuma variar entre 1 mil e 5 mil m3 por hora. Isso abre a possibilidade de que a tecnologia para geração de energia e combustível próprios, já utilizada por gigantes como a Raízen, chegue também para milhares de suinocultores, avicultores, criadores de gado de leite e de corte.


Bioposto em escala menor multiplica potencial do metano

“É diferente de qualquer lugar do mundo. Essa solução antes não tinha escala nem estava integrada. Se você quisesse ter um equipamento desses, você tinha que comprar um sistema de purificação e um sistema de compressão e fazer a interligação pela sua própria lógica. Aqui nós temos tudo integrado, de forma viável, segura e robusta para o produtor rural”, diz Caio Mogyca, diretor de desenvolvimento da Air Liquide para a América do Sul.

A diminuição de escala representa democratização e oferta de biometano no país inteiro, na avaliação de Alessandro Garnemann, presidente da Associação Brasileira de Biogás (Abiogas).

“É economia circular na veia, agrega a substituição de combustíveis caros como o diesel e o GLP, trazendo segurança energética. A gente não pode esquecer que o biometano foi regulado não faz nem cinco anos. E só o projeto de infraestrutura, e seu desenvolvimento, leva dois a três anos. A oferta do trator a gás é a grande prova da viabilidade e da importância deste combustível. Acho que o ciclo todo está se fechando, tem tecnologia, tem matéria-prima disponível, tem oferta de equipamento. Agora passam a surgir os projetos de referência, tais como esse que a New Holland inaugurou”, enfatiza Garnemann.

O investimento do produtor pioneiro do Mato Grosso do Sul na estação foi de R$ 1,7 milhão, que deve se pagar em dois a quatro anos, em função da economia com o diesel. Em paralelo, o empresário começou um projeto para substituir os caminhões por modelos movidos a gás. O biometano tem a mesma especificação e se equivale ao gás natural extraído do petróleo.


Dejetos da suinocultura são uma das principais fontes para produção de biometano no setor rural.| Jonathan Campos/Arquivo Gazeta do Povo


Biometano poderia substituir 70% do diesel

Atualmente existem no país mais de mil plantas de biogás, utilizado prioritariamente para geração de energia. Isso coloca o país no quinto lugar mundial neste mercado, atrás apenas de Alemanha, China, Estados Unidos e Itália. Apesar disso, o Brasil utiliza apenas 3% das matérias-primas orgânicas disponíveis para produção de gás renovável, como dejetos de animais, descartes de frigoríficos e resíduos agrícolas. Se todo o potencial fosse aproveitado, seria possível substituir 70% do consumo nacional de óleo diesel.

O desafio agora é expandir esse ecossistema do biometano. O que depende tanto da propaganda boca a boca dos produtores como do incentivo de governos e entidades para adoção da tecnologia. Segundo a Abiogás, há 41 projetos de usinas que devem decolar até 2027, elevando a produção atual, de 400 mil m3 diários, para quase 3 milhões.

“As expectativas são as melhores possíveis. Não se trata de apenas um trator, mas de todo um ecossistema. Tecnologia nós já temos. O potencial é muito grande pelo lado da sustentabilidade, da substituição dos combustíveis fósseis, da autossuficiência energética”, diz Claudio Calaça, diretor de mercado da New Holland no Brasil.

*O jornalista viajou a convite da New Holland.


Marcos Tosi, Gazeta do Povo

Por que o 1º de maio é o ‘Dia do Trabalho’?

Na maioria dos países do mundo celebra-se o 1º de maio como o "Dia do Trabalho", mas por quê?

Getúlio Vargas assina o decreto da criação do salário mínimo em 1º de maio de 1940. Imagem | Wikimedia Commons


A história é bastante conhecida. Em 1º de maio de 1886, na região industrial de Chicago, nos EUA, uma greve operária em prol de melhores condições de trabalho desencadeou uma onda de protestos em todo o país. Os trabalhadores exigiam a redução da extenuante jornada de trabalho, que, não raro, chegava a 15 horas por dia.

Os protestos foram violentos, e a polícia local foi acionada. Vários operários e policiais ficaram feridos durante o caos dos protestos. A origem do “Dia do Trabalho”, porém, está intimamente ligada ao movimento anarquista, que se aproveitou das reivindicações legítimas dos trabalhadores a fim de favorecer as pautas do movimento.

Estimulados pelos anarquistas, os operários insatisfeitos aderiram à greve geral que começou em 1º de maio de 1886. Cerca de 350 mil operários do país cruzaram os braços, o que afetou diversas empresas. A violência das manifestações seguiu em escalada, num confronto deflagrado no dia 3 de maio, três operários morreram; no dia seguinte, uma bomba matou um policial. No confronto que se seguiu depois do atentado, sete policiais morreram. O governo dos EUA prendeu os líderes anarquistas que conduziam a greve e instigavam os trabalhadores à violência. Eles foram condenados à forca.

Cartaz soviético celebrando o 1º de maio de 1919. Imagem | Wikimedia Commons

O 1º de maio no Brasil

A greve de Chicago foi amplamente usada como propaganda política pelos movimentos de extrema esquerda, como a Internacional Socialista. Diversos países sob a influência comunista adotaram a efeméride de 1º de maio como o “Dia do Trabalho”. No Brasil, a data passou a ter relevância com o crescimento do operariado nas primeiras décadas do século 20. Foi o presidente Artur Bernardes o responsável por sancionar o feriado nacional nesta data, em 1925, mas o movimento ganhou força mesmo durante o governo populista de Getúlio Vargas.

Vargas — que não era simpático às ideias socialistas, mas tinha o mesmo viés populista — aproveitou o ensejo do apelo social do “Dia do Trabalho” para fazer propaganda do seu próprio governo. De fato, foi num 1º de maio que o presidente Vargas sancionou a criação do salário mínimo, em 1940; da Justiça do Trabalho, em 1941; e finalmente da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943.

Vitor Marcolin, Revista Oeste

Deputado visita Anderson e vê sua prisão como instrumento de tortura

Presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara afirma que ex-ministro sofre grande injustiça


Sanderson destaca quadro depressivo de ex-ministro preso suspeito de tentar destituir Lula. Foto: Reprodução Twitter


O presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, Ubiratan Sanderson (PL-RS), visitou ontem (29) o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, e protestou nas redes sociais contra sua prisão, que classificou como “instrumento de tortura”. O ex-ministro de Jair Bolsonaro foi preso há mais de três meses, sob suspeita de favorecer uma tentativa de destituição de Lula (PT) da Presidência da República, nos ataques criminosos de 8 de Janeiro que destruíram as sedes dos Três Poderes.

“A prisão preventiva não tem razão de ser. Não pode, a prisão preventiva, ser instrumento de tortura psicológica, ou até mesmo de tortura física. E é isso que presenciei aqui, hoje. Anderson absolutamente abalado. Chorou praticamente todo o período em que estive conversando com ele”, relatou o deputado Sanderson.

Único parlamentar a visitar Anderson Torres, na custódia do 4º Batalhão da Polícia Militar de Brasília, Sanderson narrou que a situação é assustadora.

Ontem (29), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mandou a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal informar, em 48 horas, “se entende conveniente” transferir Anderson Torres para um hospital psiquiátrico.

Veja o relato:

Diário do Poder