domingo, 11 de outubro de 2026

Ives Gandra Martins escreve sobre 'A herança fiscal do atual governo que ameaça o futuro do Brasil

 A dívida está crescendo cada vez mais, e a atividade econômica, caindo progressivamente


'O atual governo está exterminando o futuro econômico do Brasil' | Foto: Imagem gerada pela ferramenta de inteligência artificial Gemin


Diante do descalabro da atual gestão no que diz respeito às finanças públicas, resolvi reforçar um alerta que vem sendo feito por economistas, jornalistas, professores, juristas e especialistas: o governo que assumir os destinos do Brasil em 2027 terá de aplicar um choque econômico dramático sobre o povo brasileiro. 

O presidente Lula entregará o poder ao próximo presidente ou, se for reeleito, enfrentará uma gestão absolutamente descompassada do ponto de vista financeiro. A dívida do Brasil está crescendo cada vez mais, e a atividade econômica, caindo progressivamente. Os juros estão sempre altos, e não há condições de serem reduzidos.

O Brasil hoje deve o equivalente a 83% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, e isso terá de ser pago. Calcula-se que esse número deverá aumentar até 2029, se o país continuar nesse ritmo.

O governo anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro, deixou as contas com um superávit de R$ 54 bilhões, que o atual governo fez desaparecer já no primeiro ano. Ao continuar gastando compulsivamente, o Executivo vem gerando déficits sucessivos. Isso mostra que esse descompasso, esse desgoverno, esse descalabro e essa desastrosa política financeira de gastar sem controle e sem receita correspondente vão gerar um imenso caos. 

Na Assembleia Nacional Constituinte, participei da comissão que tratou do setor financeiro e fui ouvido em diversos momentos, particularmente no que diz respeito ao Título VI da Carta Magna (da Ordem Financeira e Tributária). 

Nós, que integramos a comissão, especialmente o jurista Décio Miranda, dizíamos: “Agora não haverá mais déficit, porque a Constituição estabeleceu que nada pode ser feito sem os recursos devidos; é preciso ter as fontes necessárias”. 


Alguns dados da herança fiscal

Entendíamos, pelo texto dos artigos 165 a 169 da Constituição Federal que o endividamento seria uma exceção. Jamais imaginamos um endividamento de tal proporção quanto o que existe hoje, transformado em algo tão normal, natural e corriqueiro a ponto de crescer continuamente. Esse quadro se reflete na Dívida Bruta do Governo Geral, que atingiu 82% do PIB recentemente (82,9% do PIB, equivalente a R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026), segundo dados oficiais divulgados pelo Banco Central, e deve ultrapassar 83% até o fim do ano.

Cabe recordar aqui as palavras certeiras do embaixador e economista Roberto Campos, que sintetizou com precisão cirúrgica os perigos da hipertrofia estatal e da irresponsabilidade orçamentária: “O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar.” Quando os governantes se julgam acima dos limites aritméticos impostos pela realidade, o Estado deixa de ser o indutor do progresso para se tornar o grande devorador da riqueza nacional. 

Essa marcha irresponsável rumo ao abismo fiscal demonstra o desapego com a matemática elementar e com o próprio bem-estar das gerações vindouras. A ilusão demagógica de que o Estado possui recursos infinitos para custear o voluntarismo político invariavelmente desemboca no confisco silencioso promovido pela inflação, na carestia do crédito e no empobrecimento generalizado da população mais vulnerável.

A restauração do equilíbrio fiscal não é apenas uma diretriz econômica fria ou uma exigência de mercados financeiros; é um dever moral e uma imposição pétrea do texto constitucional. Se o Congresso Nacional e a sociedade civil não impuserem barreiras firmes à gastança desmedida e à erosão da responsabilidade fiscal, o Brasil continuará a ser o país do futuro que nunca chega — condenado a pagar eternamente a conta do populismo de hoje com o sacrifício do amanhã. Sobre a postura de Lula 

Não é possível que o presidente da República não tenha percebido — depois de ser alertado por todos os grandes economistas, juristas e editoriais dos principais jornais do país — que levou o Brasil para a beira do precipício. 

É preciso considerar que, se ele for reeleito com essa mentalidade de gastar sem a devida cobertura orçamentária, a economia sofrerá uma desaceleração ainda maior, com queda do desenvolvimento, e mais empresas entrarão em recuperação judicial.

Ao optar por expandir o gasto público sem freios e priorizar soluções arrecadatórias em vez de cortar despesas, o governo Lula aposta em um modelo esgotado de crescimento via intervencionismo estatal. Essa escolha deliberada de ignorar a prudência fiscal e sufocar o setor produtivo com impostos corrói a confiança dos investidores, eleva os juros e transfere para as próximas gerações uma conta impagável. Trata-se de uma política econômica que sacrifica a estabilidade de longo prazo em nome do populismo imediato.

 Estamos realmente vivendo um momento da nossa história que me lembra o título de um filme protagonizado por Arnold Schwarzenegger: O Exterminador do Futuro. O atual governo está exterminando o futuro econômico do Brasil.

Ives Gandra Martins - Revista Oeste

sábado, 10 de outubro de 2026

Dólar tem maior queda semanal depois de 1° turno desde 1994; Bolsa bate recorde

Nesta sexta-feira, 9, a moeda norte-americana recuou 0,79% frente ao real, cotada a R$ 4,985; Ibovespa subiu 1,38%, aos 209 mil pontos


Dólar teve sua maior queda em uma semana depois de um primeiro turno de eleição desde o Plano Real, em 1994 | Foto: Freepik


O favoritismo do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, na corrida eleitoral movimentou o mercado financeiro nesta semana, derrubando a cotação do dólar frente ao real e impulsionando o desempenho da Bolsa de Valores do Brasil (B3), que renovou suas máximas históricas.

Ao final do último pregão da semana, nesta sexta-feira, 9, a moeda norte-americana recuou 0,79%, cotada a R$ 4,985. Em apenas uma semana, desde o resultado do primeiro turno da eleição, o dólar saiu do patamar de R$ 5,21 e chegou aos R$ 4,98.

Foi a maior queda semanal da moeda dos Estados Unidos depois de um primeiro turno de eleição desde que o real foi instituído no país, em 1994.\

Na cotação máxima da sessão de sexta-feira, o dólar bateu R$ 5,009. A mínima foi de R$ 4,976. No acumulado da semana, a moeda dos EUA cedeu 4,43%. 

No ano, a queda já chega a 9,19% e, no mês de outubro, é de 3,67%. O segundo turno das eleições presidenciais acontece no dia 25. 


Ibovespa bate novo recorde histórico 

O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, bateu mais um recorde histórico de fechamento no pregão de sexta-feira.

Ao final da sessão, o índice avançou 1,38%, aos 209.066,90 pontos, maior valor de fechamento da história da bolsa brasileira. 

Na máxima do pregão, o Ibovespa cravou 209.713,45 pontos, novo recorde intradiário (durante a sessão). 

A mínima foi de 206.237,55 pontos. Leia também: “Ibovespa dispara e volta a bater recorde histórico; dólar cai a R$ 4,98” 


Expectativa de vitória de Flávio 

Os investidores continuaram repercutindo os números das pesquisas de intenção de voto que mostram Flávio Bolsonaro à frente de Lula no segundo turno da eleição.

De acordo com os números do Datafolha divulgados na quinta-feira 8, o candidato do PL aparece com 52% das intenções de voto contra 48% de Lula (em votos válidos, que não contam brancos ou nulos). 

Na sexta-feira, um levantamento da AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio com 52,8% e Lula com 47,2% da preferência do eleitorado, também em votos válidos. 

No primeiro turno da disputa, no domingo 4, Flávio Bolsonaro obteve 56,1 milhões de votos (o equivalente a 47,03% dos válidos), ante 53,9 milhões de Lula (45,16%)

A expectativa dos agentes econômicos é que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial mude os rumos da economia do país a partir de janeiro de 2027. 

Os agentes de mercado esperam que um novo governo implemente um programa de ajuste fiscal, com a redução das despesas do governo e a diminuição do tamanho da dívida pública brasileira em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). 

O mercado financeiro também tem grande expectativa em relação a uma agenda de reformas de um governo liberal na economia, entre as quais a reforma administrativa e uma nova etapa da previdenciária. Também há projeções que apontam para a redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central (BC) diante de um possível alívio na inflação. 


Fábio Matos - Revista Oeste 

Ministra do TST: ‘A função do juiz é aplicar a lei’

 Ex-presidente do tribunal, Maria Cristina Peduzzi discorre sobre a IA, comenta o fim da escala 6x1 e defende atualização da CLT



A ex-presidente e ministra do TST Maria Cristina Peduzzi em seu gabinete em Brasília | Foto: Divulgação/TST 


“Forte ou fraco? Eu prefiro fraco”, perguntou a mulher de vestido rosa e brincos de pérola ao oferecer um café. Assim, Maria Cristina Peduzzi, ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), recebeu a reportagem de Oeste em seu gabinete em Brasília, onde volumes jurídicos de lombadas vermelhas dividem a estante de madeira com fotografias, imagens de Nossa Senhora Aparecida e mais de 20 condecorações. A cordialidade do convite acompanha a conversa. Com voz pausada e tom professoral, ela desenvolve as respostas, encadeia argumentos e encontra exemplos com rapidez. 

A familiaridade com o Direito foi construída em diferentes lugares: nos escritórios de advocacia, no Ministério Público, nas salas de aula e, há 25 anos, no TST. Formada pela Universidade de Brasília (UnB) em 1975, Maria Cristina exerceu a advocacia por mais de duas décadas, com atuação nos tribunais superiores. Foi procuradora da República, procuradora do Trabalho e professora universitária. Na UnB, também obteve o mestrado em Direito, Estado e Constituição. Chegou ao tribunal em junho de 2001, durante o governo FHC, em uma vaga destinada à advocacia, e depois integrou o Conselho Nacional de Justiça e dirigiu a escola nacional de formação de magistrados do trabalho. 

Em fevereiro de 2020, tornou-se a primeira mulher a presidir o TST. Um mês depois, teve de comandar o tribunal com as portas fechadas pela pandemia de covid-19 e manter os julgamentos a distância. Ao recordar aqueles dias, descreveu sessões que presidia de casa, tomando votos e anotando divergências dos outros 26 colegas sem assessoria ao lado. A experiência abriu uma conversa com Oeste que percorreu a inteligência artificial (IA), o fim da escala 6×1, a reforma trabalhista e a proteção ao trabalhador além da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Mesmo quando trata das ferramentas capazes de preparar minutas de decisões, Maria Cristina ressaltou a tarefa que permanece com o magistrado: estudar o processo e aplicar a lei. “É isso que promove segurança jurídica”, disse.


A seguir, os principais trechos da entrevista.


A CLT foi criada em 1943 e recebeu diversas alterações ao longo dos anos. A senhora considera necessária uma atualização mais ampla para adequá-la às relações de trabalho de hoje?

 Penso que sim. Vamos completar dez anos da reforma trabalhista, e os avanços tecnológicos precisam de regulamentação. É o caso da contratação por plataformas digitais, que nem sempre configura uma relação de emprego. Em geral, é trabalho autônomo, o que não significa retirar direitos. Temos de compreender que a CLT não é a única fonte de direitos. É possível assegurar proteção legal e previdenciária por outros meios. Há leis específicas que regulam, com garantias equivalentes, o trabalho de representantes comerciais, corretores de seguros, parceiros de salões de beleza e taxistas. O autônomo é contribuinte obrigatório da Previdência Social; portanto, não está à margem dela. Também existem contratos de prestação de serviços entre pessoas jurídicas ou entre pessoas físicas e jurídicas. Um contrato pode ser inválido quando usado para fraudar os direitos de quem efetivamente é empregado. Não se pode contratar qualquer atividade por pessoa jurídica, mas a pejotização é aceita no nosso ordenamento há muitos anos. Não podemos confundir um caso de abuso com uma forma legítima de contratação. A negociação coletiva também pode ocorrer entre categorias autônomas e estabelecer condições de segurança. Um motorista de aplicativo não deve trabalhar 15 horas por dia. É preciso estabelecer limites, intervalos e períodos de repouso, por negociação coletiva ou individual. Ficamos sempre concentrados na CLT, mas ela nem sempre permite contratações, porque impõe custos ao empregador e uma jornada muito inflexível. Outras formas de contratação podem ser mais flexíveis e também garantir limites jornada, intervalos e repouso. As normas de saúde e segurança devem ser observadas tanto no emprego regido pela CLT quanto no trabalho autônomo. Há outras maneiras de preservar a dignidade do trabalho e promover a livre iniciativa. Não podemos impor uma única modalidade de contratação. A Constituição estabeleceu a liberdade econômica, o estímulo ao empreendedorismo e a proteção social do trabalho. Esses princípios devem se harmonizar.


“A IA é uma realidade do nosso dia a dia. Não podemos resistir a ela. Precisamos capacitar as pessoas e ter uma regulamentação efetiva”


No ano que vem, a reforma trabalhista completa dez anos. O que a senhora considera um avanço desde 2017 e o que precisa mudar? 

A reforma trabalhista foi muito importante. Modernizou o que precisava ser modernizado, e o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade de grande parte dos seus dispositivos. Que eu me recorde, houve duas situações em que o Supremo declarou dispositivos inconstitucionais: a possibilidade de gestantes e mulheres que amamentam trabalharem em locais insalubres mediante atestado médico e a cobrança de honorários advocatícios de beneficiários da Justiça gratuita com recursos obtidos naquele ou em outro processo. No caso dos honorários, há um prazo de dois anos para demonstrar que o beneficiário tem condições de pagar. Se isso não for comprovado, ele não pagará. Já a extinção da contribuição sindical obrigatória teve sua constitucionalidade reconhecida logo no início, assim como diversos outros dispositivos examinados pelo Supremo. Vejo a reforma como um avanço. Um exemplo concreto é o teletrabalho: a CLT tinha uma regulamentação muito limitada sobre o assunto, e a reforma estabeleceu diretrizes que se mostraram fundamentais quando veio a pandemia.


Qual é a opinião da senhora sobre o fim da escala seis por um?

Não vou entrar no mérito da proposta em tramitação. Depois de editada a lei, examinaremos se ela é válida e constitucional. O que posso dizer é que a questão é complexa. Hoje, em muitos casos, já se trabalha cinco dias, porque as quatro horas do sábado são compensadas durante a semana. Mas há um dia de repouso semanal remunerado e outro dia útil não trabalhado. Estabelecer dois dias de repouso remunerado altera o valor do salário-hora, com repercussões nas demais verbas. Isso representa um encargo muito grande para os empregadores. A mudança exige mais do que uma visão poética. Se houver estudos concretos demonstrando aumento de produtividade e viabilidade econômica, acho muito bom. Mas não sei se os estudos realizados mostram que os dois dias de repouso vão aumentar a produtividade e permitir que as empresas mantenham os empregos. Vai encarecer muito a mão de obra, sem dúvida. Já vi algumas estatísticas, mas não vou comentá-las porque não tenho conhecimento suficiente para isso. É fundamental ouvir todos os agentes sociais e produtivos para que o Legislativo tenha elementos para elaborar a lei da melhor forma possível. Como integrante do Judiciário, não posso dizer se acho bom ou ruim. Depois de editada, devo aplicar a lei, salvo se houver alguma inconstitucionalidade. Cabe ao Legislativo elaborá-la. A técnica que está por trás da poesia também precisa ser considerada. O processo legislativo existe para que todos os setores sejam ouvidos e os efeitos da mudança sobre a sociedade e a economia sejam levados em conta.


As despesas da Justiça do Trabalho estão na casa dos R$ 30 bilhões. Os resultados entregues à sociedade justificam esse custo ou há espaço para reduzir as despesas? 

Quando fui presidente e vi esses números pela primeira vez, também tomei um susto. Os valores são elevados, mas o retorno é muito maior, porque a Justiça do Trabalho presta um serviço inestimável à sociedade. Nas semanas de conciliação e de execução, são obtidos valores superiores ao orçamento. Não sei os números exatos agora, mas as estatísticas estão disponíveis. Esses recursos vão para as partes, não para o Estado. Nossa função não é produzir renda, mas produzir justiça e garantir que os direitos das partes sejam atendidos. Nos conflitos coletivos, há um papel cuja importância nem sempre pode ser medida: evitar greves, especialmente em atividades essenciais, ou atuar imediatamente quando elas começam. Quando necessário, interrompemos férias para julgar esses casos, ouvir as partes e mediar uma solução que restabeleça a normalidade para a população. A conciliação tem sido muito estimulada. Hoje temos centros especializados, com profissionais capacitados e supervisão judicial. Mesmo quando o processo está em fase de recurso, inclusive no TST, as partes podem pedir uma tentativa de acordo. Antes, essas tentativas aconteciam principalmente durante as audiências. Agora, contamos também com esses centros, nos quais muitos acordos são feitos. É um trabalho intenso. O custo pode parecer alto, mas, quando se considera a função social da Justiça do Trabalho, vemos que ela promove muito mais do que gasta.


A IA permite automatizar funções antes exercidas por pessoas. Que responsabilidade as empresas devem assumir pela requalificação dos trabalhadores?

A IA é uma realidade do nosso dia a dia. Não podemos resistir a ela. Precisamos capacitar as pessoas e ter uma regulamentação efetiva, com transparência, ética, possibilidade de auditoria e supervisão humana permanente. Vejo a IA como uma consequência inevitável do desenvolvimento tecnológico da sociedade e da economia. Devemos regulamentar seu uso e, ao mesmo tempo, aproveitar a eficiência que ela pode proporcionar na vida profissional e pessoal. A velocidade com que isso ocorre às vezes me assusta. A atualização permanente é fundamental. Hoje, quem não tiver conhecimento enfrenta dificuldades até para viajar, que dirá trabalhar. Nem sempre conseguimos avaliar, no cotidiano, a dimensão dessa inovação. Precisamos compreendê-la e conviver com ela da forma mais harmoniosa e eficiente possível.


A IA também chegou ao Judiciário. Até onde ela pode participar da elaboração de uma sentença?

Temos de ter muita cautela. O CNJ já regulamentou o uso da IA, e os tribunais utilizam ferramentas generativas dentro dessas regras. Na Justiça do Trabalho, começamos com o Bem-te-vi, implementado em 2018, que auxiliava na organização dos processos, verificava se os recursos haviam sido apresentados no prazo e identificava temas recorrentes. Na minha gestão, aperfeiçoamos o sistema. Hoje temos o Chat-JT, que auxilia magistrados e servidores na elaboração de ementas, relatórios e resumos de processos, recursos e contrarrazões. A ferramenta também consulta a jurisprudência e os precedentes que podem ser aplicados ao caso. O Monitor do Trabalho Decente identifica demandas sobre trabalho infantil, assédio sexual e trabalho análogo ao de escravo e alerta os gabinetes para que sejam examinadas com prioridade. O TRT da 4ª Região desenvolveu o Galileu, que lê e resume petições, contestações e atas de audiência e prepara uma minuta de sentença com fundamentos extraídos de bases controladas. Seu códigofonte foi compartilhado com o STF para adaptar a tecnologia a outros ramos do Judiciário. Essas ferramentas proporcionam muita eficiência, mas a supervisão humana é fundamental, porque podem errar. Não podemos confiar que vão resolver tudo nem perder, como juízes, a preocupação de julgar bem. Julgar bem significa estudar bem o processo e aplicar a lei. A função do juiz na pacificação social é exatamente essa: aplicar a lei. É isso que promove segurança jurídica.


A senhora assumiu a presidência do TST poucas semanas antes da pandemia. Como foi comandar o tribunal naquele período? 

Foram dois anos buscando manter toda a Justiça do Trabalho funcionando, com segurança para magistrados e servidores e sem interromper o atendimento à sociedade. Assumi em fevereiro de 2020 e, um mês depois, o tribunal estava fisicamente fechado. A parte mais difícil foi presidir também o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, responsável pela organização e pelo funcionamento dos 24 tribunais regionais. Tivemos uma vantagem: o processo judicial eletrônico já estava praticamente todo implementado. No TST, ficamos uma semana sem sessões; na seguinte, já estávamos julgando por videoconferência. Nos tribunais regionais, conseguimos manter o funcionamento em pouco tempo. No primeiro grau, houve resistência inicial às audiências de instrução por vídeo, que envolvem depoimentos das partes e de testemunhas. Depois de alguns meses, conseguimos fazer funcionar esse sistema em todo o país. Eu presidia sessões de casa, inclusive as do pleno, sem assessoria imediatamente ao lado. Havia julgamentos com quatro, cinco ou seis divergências, e precisava conduzir a sessão, tomar os votos e registrar essas diferenças. Direcionamos a economia com despesas do funcionamento presencial para o aperfeiçoamento tecnológico e contamos com o apoio do Comando Cibernético do Exército para prevenir e enfrentar ataques de hackers. Nos dois anos da minha presidência, não tivemos interrupções por problemas tecnológicos. Também criamos meios de facilitar o acesso à Justiça: pelo celular, o cidadão podia pedir uma mediação antes de ajuizar uma ação. O tribunal localizava o empregador e marcava uma audiência por videoconferência. Foi expressivo o número de acordos obtidos dessa maneira. Recebemos o selo Diamante do CNJ nos dois anos da gestão (categoria do Prêmio CNJ de Qualidade, que avalia governança, produtividade, transparência e gestão de dados e tecnologia), porque conseguimos atingir as metas. Foi um período difícil, mas gratificante, porque continuamos servindo à sociedade e levando a Justiça a quem precisava dela.

Cristyan Costa - Revista Oeste

PT desqualifica denúncia grave de corrupção para não explicar recusa de investigar Lula

 

Presidente Lula ao lado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. (Foto: Reprodução/PR/Redes sociais).


A reação atabalhoada do PT, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República, tentando desqualificar a reportagem da Veja sobre acordo de corrupção de R$1 bilhão em propina de Daniel Vorcaro para pessoas próximas do presidente, parece uma jogada para não terem de explicar a recusa de investigar os fatos graves em gravações e documentos.⁠ A revista não atribui os áudios a depoimentos na PF ou PGR, como fizeram parecer: esclarece que foram obtidas com fontes próximas Vorcaro, cujo advogado Daniel Bilinski confirmou: a voz é mesmo do ex-banqueiro.

Miopia seletiva

PF e PGR não investigaram denúncia de R$30 milhões em dinheiro vivo para o Instituto Lula, entregues a João Vaccari Neto, compadre de Lula.

Provas ignoradas

A PGR alegou “falta de provas”, apesar da profusão de mensagens, registros de retiradas, identificação de quem recebeu, rotas de entrega.

Perícia, nem pensar

Temos órgãos de investigação que nem sequer sugerem a possibilidade de periciar os áudios e abrir procedimento investigativa. Tá feia a coisa.

Ojeriza a investigação

Ainda mais revelador é Vorcaro relatar em áudio que “Ubiratan”, braço direito do PGR Paulo Gonet, barrou qualquer delação envolvendo Lula.

Diário do Poder

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

O reconhecimento ao vereador que 'desmascarou' João Campos

Eleito deputado federal por Pernambuco, Eduardo Moura se destacou com o trabalho de oposição ao socialista no Recife


Sucesso nas redes sociais, socialista João Campos fracassou nas urnas nas eleições gerais de 2026 | Foto: Reprodução/ão/TikTo


No último domingo, 4, Eduardo Moura entrou para a história do Novo. Foi o primeiro deputado federal eleito pelo partido fora do Sul e do Sudeste. 

Moura recebeu 113 mil mil votos. Acabou o pleito como o 15º candidato mais bem votado na disputa pela Câmara dos Deputados por Pernambuco.

A Oeste, Moura atrela a expressiva votação ao reconhecimento do que define como “desmascarar” João Campos (PSB). O político do Novo protagonizou aguerrida oposição durante o período em que o socialista era prefeito do Recife, e ele atuava como vereador da capital pernambucana. 

+ Entenda como funciona a política brasileira no guia de Oeste Moura foi responsável, entre outras ações, por mostrar que a Prefeitura do Recife, então sob comando de Campos, alterou regras de concurso público, o que resultou na nomeação de Lucas Vieira Silva, filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco. 

Ele havia terminado o certame em 63º lugar geral, mas ganhou a vaga ao, posteriormente, se declarar como pessoa com deficiência. O caso fez com que o integrante do Novo protocolasse pedido de impeachment contra o socialista. Campos escapou da cassação, mas se viu obrigado a anular a nomeação de Lucas.


Eduardo Moura (Novo) é crítico ao trabalho de João Campos à frente da Prefeitura do Recife | Foto: Divulgação/Partido Novo

“Comecei a desmascarar João Campos, o prefeito tiktoker”, diz o deputado federal eleito. “O cara, que era tido como a renovação da esquerda e o possível substituto de Lula, passou a não poder andar mais nas comunidades.” 


As derrotas de João Campos 

Com o desfecho do primeiro turno das eleições gerais deste ano, Eduardo Moura teve motivos para comemorar além de sua própria vitória. Enquanto ele foi eleito, João Campos perdeu. Campos, que havia renunciado ao cargo de prefeito do Recife em 2 de abril, perdeu a disputa pelo governo pernambucano. Raquel Lyra (PSD) foi reeleita, com 53% dos votos válidos. 

O ex-prefeito recifense também sofreu derrota enquanto dirigente partidário. Presidido nacionalmente por Campos, o PSB não elegeu nenhum governador, elegeu três senadores (todos no Nordeste) e diminuiu a bancada de deputados federais, de 17 para 15.


Anderson Scardoelli - Revista Oeste

Advogado atesta que é mesmo de Vorcaro voz que revela corrupção no entorno íntimo de Lula

Criminalista Daniel Bialski não defendia o ex-banqueiro na época das gravações, mas onfirma que a voz é dele mesmo


Advogado criminalista Daniel Bialski, que integra a defesa de Daniel Vorcaro


A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro confirmou que a voz no áudio revelado pela revista Veja, no qual ele relata pagamentos de propina ao Instituto Lula e a um filme sobre Lula (PT), pertence ao seu cliente.

O advogado criminalista Daniel Bialski, que representa Vorcaro nas investigações do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou à própria revista que “a voz realmente é dele nos áudios”, embora não saiba quando nem em que circunstâncias a gravação foi feita. A confirmação veio em meio a especulações de aliados de Lula sobre o material.

Nessas gravações, Daniel Vorcaro cita personagens muito comhecidos por serem do cículo íntimo de poder no governo Lula, a começar pelo velho amiho e ex-tesoureiro do PT João Vaccari, que chegou a ser preso mas acabaria “descondenado”. Vaccari inclusive, segundo relato do ex-banqueiro, foiquem impôs comissão de 10% sobre negócios gerados para o Banco Master nos fundos de pensão. A meta era de negócios de mais de R$9 bilhões, com expectativa de comissão de R$ 1 bilhão.

Entreos integrantes do círculo íntimo de amigos de Lula mencionados por Vorcaro foram o ministro Alexandre Padilha, hoje chefiando a pasta da Saúde, e Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo Lula no Senado. Ambos estão entre os amigos mais próximos do presidente,

Bialski, que assumiu a defesa para elaborar uma nova proposta de delação premiada, ressaltou que não era o advogado de Vorcaro na época das tratativas de colaboração e, por isso, desconhece o anexo mencionado. Segundo ele, o banqueiro não prestou depoimento à Polícia Federal nem a qualquer outro órgão sobre o tema e nunca fez alusão ao assunto em conversas com a defesa.

Na nota enviada a Veja, o advogado declarou: “A voz realmente é dele em um dos áudios, porém não saberia dizer quando e em qual circunstâncias isso foi gravado. Só o cliente, futuramente, poderá confirmar ou não o teor dos fatos”.

Diário do Poder

'A força de um sobrenome', por Yasmin Alencar

 Dos 19 candidatos registrados nas urnas com o sobrenome Bolsonaro, seis foram eleitos, quatro da própria família



“E stá decretado o fim da era do PT.” A frase foi dita por Flávio Bolsonaro ao fim da apuração do primeiro turno, no último domingo, 4. O senador terminou a primeira etapa à frente de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio recebeu cerca de 47% dos votos válidos, 56 milhões. Lula teve 45%, menos de 54 milhões. A diferença é de quase dois pontos porcentuais, e o resultado final será decidido em 25 de outubro. 

Embora Flávio estivesse se referindo à disputa presidencial, o resultado do primeiro turno também permitiu medir a força eleitoral dos políticos que levaram os nomes “Bolsonaro” e “Lula” às urnas. Dos 19 candidatos que levaram “Bolsonaro” no nome, seis foram eleitos, sem contar Flávio, que segue na disputa. Quatro são parentes do expresidente e dois não têm vínculo com ele. Michelle Bolsonaro foi eleita senadora pelo Distrito Federal com quase 1 milhão de votos. Carlos Bolsonaro obteve um mandato de senador por Santa Catarina com votação acima de 2 milhões. No mesmo Estado, Jair Renan Bolsonaro, que concorreu como “Jair Bolsonaro”, foi eleito deputado federal com 131 mil. 

Em São Paulo, Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, chegou a 379 mil e terminou como o segundo deputado mais votado do PL no Estado. Juntos, os quatro receberam mais de 3,4 milhões de votos. Entre os que não têm parentesco, Fabiana Bolsonaro foi eleita deputada estadual em São Paulo com 61 mil votos. 

No Paraná, Crysthofour Pereira de Almeida, registrado como Fão do Bolsonaro, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa com 48 mil. Além dos candidatos que levaram o sobrenome, Bolsonaro também deixa um legado político de ex-ministros eleitos. É o caso de Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito governador de São Paulo no primeiro turno com mais de 14 milhões de votos, mais de 62% dos válidos. Ex-ministro da Infraestrutura, Tarcísio se firmou como um dos principais nomes do campo da direita.

Para o cientista político Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piauí, o sobrenome funciona como marca licenciada. Ele descreve o movimento em torno de Bolsonaro e Lula como “as duas grandes franquias políticas”. “O nome Bolsonaro ficou muito forte, semelhante ao que aconteceu em 2018, mas com muito mais força agora, porque o grupo busca voltar ao poder”, observa. 


Com Lula, a escala foi outra



Sobrenome Bolsonaro soma mais de 3,4 milhões de votos no Legislativo, e aliado Tarcísio de Freitas se consolida ao ser reeleito em São Paulo | Foto: Reprodução/X


No primeiro turno, nove candidatos chegaram à urna com “Lula” no nome, e nenhum tem parentesco com o presidente. Apenas dois foram eleitos, ambos para o Senado. Júlio César de Carvalho Lima (PSD) concorreu como “Júlio César O Julim do Lula” e fez 973 mil votos no Piauí. Aos 78 anos, ele foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1994, cumpriu mandato de 1995 a 1999, ficou de fora, voltou à Câmara em 2003 e se reelegeu quatro vezes. Samanda Alves de Freitas, presidente estadual do PT e vereadora de Natal, concorreu como Samanda de Lula e fez 636 mil votos no Rio Grande do Norte, a segunda mais votada do Estado. 

Um terceiro eleito carrega o nome e não entra na conta. Lula da Fonte (PP) foi reeleito deputado federal por Pernambuco, mas “Lula” é seu apelido desde criança, derivado de Luiz. Filho do deputado Eduardo da Fonte, ele se elegeu com o mesmo nome em 2022, e a família é aliada de Bolsonaro. Para Gomes, o tamanho da vitória traz um problema próprio. “Enquanto o Lula não tem sucessor nenhum, o Bolsonaro tem sucessores demais”, enfatiza. 

“É uma espécie de briga por herança de alguém que ainda está vivo, mas inelegível, incomunicável.” A campanha de Lula, no entanto, discorda do diagnóstico e revela que, no entorno do PT, não é tão simples a transmissão de uma herança política. Para Marco Aurélio Carvalho, que coordena a campanha do presidente, os dois campos operam de maneiras diferentes. “No progressista, você não herda de forma automática um legado”, afirma. A fala de Carvalho reflete a dificuldade que o PT possui em construir um herdeiro político para Lula.


Enquanto Bolsonaro tem excesso de herdeiros políticos, Lula enfrenta a falta de um sucessor claro no PT | Foto: Shutterstock


A diferença entre os dois campos fica evidente quando se olha para o futuro. Enquanto o movimento em torno de Bolsonaro já tem sua segunda geração empossada e novos protagonistas surgindo, o PT encara o dilema de como sobreviver politicamente sem sua principal liderança. Lula disputa aquela que tende a ser sua última eleição, já que em 27 de outubro fará 81 anos. Gomes acredita que o presidente não preparou um sucessor por enxergar a ascensão de outro nome dentro da sigla como uma ameaça à sua hegemonia.

Para Gomes, o PT se transformou numa “estrutura de culto ao líder” e cercou Lula de conselheiros que competiam entre si pela atenção dele. “Tenho sérias dúvidas se esse grupo tem condições de sobreviver à morte física de Lula”, afirma. “Vai existir uma luta muito grande pelo espólio do lulopetismo.

” Mesmo inelegível e sem direito a voto, o ex-presidente Bolsonaro mantém influência por meio de familiares, aliados e ex-ministros que ampliaram seu espaço na política. Se a previsão de Flávio sobre o “fim da era do PT” vai se confirmar, ainda não é possível saber. Os resultados, porém, mostram dois movimentos distintos: enquanto o grupo ligado a Bolsonaro amplia sua presença por diferentes candidaturas, o PT enfrenta o desafio de preservar seu espaço político sem depender exclusivamente da liderança de Lula. 

O resultado dessa disputa terá impacto sobre a eleição de 2026 e sobre a composição das forças políticas nos próximos anos.


Yasmin Alencar  - Revista Oeste

'Piás bons de voto' - Reportagem da Revista Oeste

 A nova geração conservadora transforma audiência nas redes em força nas urnas


Com marcas recordes nas urnas, Lucas Pavanato e Nikolas Ferreira se consolidam como os deputados federais mais votados do país | Foto: Reprodução/Facebook/Lucas Pavanato

A multidão vestida de verde e amarelo que toma as ruas de Belo Horizonte responde à convocação de Nikolas Ferreira, um jovem cuja voz há muito ultrapassou as fronteiras de Minas Gerais e conquistou o país. “Nunca subestime um piá”, fala ao microfone o deputado federal mais votado da história do Brasil. A declaração responde à grosseria da primeira-dama, Janja da Silva, que horas antes o chamara de “piá de bosta” por ter criticado mais uma das incontáveis asneiras ditas pelo presidente Lula. Ao abordar a resistência masculina a realizar exames de prevenção do câncer de próstata, Lula havia dito que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”.

Enquanto líderes tradicionais construíram suas bases ao longo de décadas na política institucional, jovens com pouca experiência no meio político operam na lógica de algoritmos, gerando inúmeras visualizações e pautando o debate público. Nikolas recebeu 3,1 milhões de votos em Minas Gerais e garantiu a reeleição para a Câmara. Antes da votação, apoiadores do parlamentar já haviam incorporado o termo à campanha. Em um dos atos, um cartaz dizia: “Somos todos piá”. Em vídeo publicado nas redes sociais, Nikolas aparece cercado por apoiadores, sob gritos contra o PT, e diz: “É assim que se faz blocão, Janja.”

Nikolas não garantiu apenas a própria reeleição, mas também conseguiu emplacar 21 deputados federais em todo o país. Muitos deles foram os mais votados em seus Estados. É o caso do vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), de 28 anos, que também ultrapassou os 3 milhões, e o deputado estadual capixaba Lucas Polese (PL), de 30, que conseguiu 419 mil votos. 

Os três chegaram ao topo da votação nacional, enquanto nomes com décadas de mandatos ficaram pelo caminho. Eles representam uma geração da direita que combina militância nas redes, pautas conservadoras e ambição de ampliar sua influência no Legislativo. Eduarda Campopiano (PL-SP) também entrou para a história das votações milionárias ao ser eleita deputada estadual com quase 2 milhões de votos aos 23 anos. Nenhuma outra mulher recebeu tantos votos nas disputas para a Câmara e as assembleias legislativas. Dois anos antes, Eduarda havia conquistado seu primeiro mandato com 3,5 mil votos. Eduarda, Nikolas, Pavanato e Polese somam mais de 8,5 milhões de votos. 


Do sótão aos 3 milhões 

Antes da eleição, Pavanato calculava que poderia chegar a 700 mil votos. Considerava 1 milhão ou 1,2 milhão um cenário excepcional. Quando a apuração terminou, 3.038.438 eleitores haviam digitado seu número. O resultado fez dele o deputado federal mais votado de São Paulo e colocou seu nome, ao lado do de Nikolas, acima dos antigos recordes de votação para a Câmara

A escalada eleitoral ocorreu em apenas quatro anos. Em 2022, Pavanato recebeu pouco mais de 36 mil votos na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa e ficou como suplente. Em 2024, saltou para 161 mil e se tornou o vereador mais votado da cidade de São Paulo. Dois anos depois, multiplicou essa votação quase 19 vezes. 

A trajetória começou antes da fama nas redes. Nascido em Sorocaba e criado em São José dos Campos, Pavanato entrou na militância durante as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Aos 18 anos, mudou-se para a capital paulista. Sem uma estrutura familiar montada na cidade, chegou a morar no sótão de um comitê político na Vila Mariana e recebia um salário de R$ 1 mil. 

Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), começou como estagiário no gabinete do então vereador Fernando Holiday. Mais tarde, rompeu com o movimento, aproximou-se do ex-presidente Jair Bolsonaro e filiou-se ao PL. Se os gabinetes lhe ensinaram a mecânica da política, foram as redes que deram escala à carreira. Pavanato construiu sua audiência com vídeos curtos, abordagens nas ruas e confrontos sobre temas políticos.


Com mais de 3 milhões de votos, Pavanato supera as próprias previsões e bate recorde | Foto: Reprodução/Redes sociai

Depois da eleição, atribuiu parte da votação à autenticidade que o público reconhece nele. A explicação ajuda a entender uma característica compartilhada pelos quatro personagens. A presença nas redes vai além dos meses de campanha. O seguidor acompanha discussões, viagens, reações a notícias e disputas políticas ao longo do tempo. 

Quando chega a eleição, já os conhece, ainda que essa familiaridade nem sempre se transforme em voto. Pavanato pretende levar a Brasília bandeiras que defendia como vereador: segurança pública, redução da maioridade penal, fiscalização do Judiciário e legislação sobre ideologia de gênero. 

“Vão sair vários Nikolas”, diz. “Vamos construir os próximos prefeitos, parlamentares e governadores usando a força das redes sociais.” 


Das telas para as urnas 

Eduarda esperava obter cerca de 500 mil votos. Na noite da eleição, pediu aos convidados no QG de campanha que guardassem os celulares numa caixa. Queria receber a notícia de uma vez. Apenas um amigo acompanharia a apuração; o chefe de gabinete anunciaria os resultados quando a contagem terminasse. Ao ouvir que Pavanato havia ultrapassado 3 milhões, ficou pálida. 

Quando veio o anúncio de sua própria votação, os óculos saíram do rosto. Choravam os pais, o noivo e a equipe. Aos 17 anos, Eduarda mudou-se para a Praia Grande. Mais tarde, um livro que ganhou da mãe a estimulou a gravar vídeos sobre aborto e feminismo. 

O cabelo colorido e as tatuagens chamavam a atenção de quem não esperava ouvir posições conservadoras. A reação do público, segundo ela, ajudou a difundir os primeiros conteúdos. “Nossa, essa menina aqui, com cara de esquerdista, toda metaleira, meio emo, falando de política de direita?”, lembra. A repercussão trouxe convites para podcasts, palestras e, em 2024, a proposta de disputar uma cadeira de vereadora. Eduarda hesitou: pensava em continuar produzindo conteúdo. 

Com o incentivo da mãe, de Pavanato e de integrantes do PL, decidiu concorrer. Nikolas também apoiou a campanha. Na Câmara Municipal, Eduarda afirma ter aprovado três dos cerca de 20 projetos apresentados. Atribui as dificuldades a objeções jurídicas e à resistência dos colegas. Segundo ela, os vereadores evitam votar propostas polêmicas.



Eduarda Campopiano, a deputada estadual mais votada do Estado de São Paulo | Foto: Reprodução/X


Entre as propostas aprovadas, Eduarda cita a conscientização sobre saúde mental masculina, a preferência de matrícula para irmãos na mesma escola e restrições a contratações. Esta última limita o acesso a cargos públicos de condenados por violência sexual contra crianças e adolescentes. Ela pretende levar a medida à Assembleia. 

“Ser pró-vida não é só defender o direito de nascer, é você proteger essas crianças depois que elas nascem também.” Na Assembleia, como seu primeiro ato, pretende pedir informações sobre abortos realizados no Estado, seus motivos e investigações de clínicas clandestinas para orientar a elaboração de propostas. 

Ascensão em todo o Brasil Fora do maior colégio eleitoral do país, a renovação chegou ao Espírito Santo, que tem cerca de 3 milhões de eleitores aptos a votar. Lucas Polese (PL) recebeu aproximadamente 419 mil votos e tornou-se o deputado federal mais votado da história capixaba. “Fiquei muito surpreso”, afirma. “Nem nas melhores projeções imaginávamos esse resultado. Estamos muito honrados pela confiança dos capixabas, mas também é muita responsabilidade. De cada cinco eleitores do Estado, um votou em mim”.


Lucas Polese (PL) é o deputado federal mais votado da história do Espírito Santo | Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa do ES


Toda a receita da campanha veio de doações, sem recursos do fundão eleitoral. “Foi a campanha mais barata do país para a Câmara dos Deputados. Custou cerca de 18 centavos o voto”, relata.

 Natural de Cariacica (ES), Polese mudou-se para Colatina, no interior do Estado. Sua família possui uma pequena propriedade rural em Linhares, dedicada ao cultivo de café, onde o parlamentar trabalhou na agricultura. Eleito deputado estadual em 2022, Polese priorizou a oposição ao governador Renato Casagrande (PSB), aliado do presidente Lula, e a defesa de pautas ligadas ao agronegócio.

Próximo de Nikolas, o parlamentar projeta uma atuação na Câmara baseada na defesa da propriedade privada, da desburocratização e de um Estado mais enxuto. Ele divide sua plataforma em grandes blocos. O primeiro visa a um “reequilíbrio de forças entre os Poderes”. 

“Apesar de o Senado conduzir o impeachment, a Câmara também é muito importante nesse processo de investigação política,” defende, citando a necessidade de reformas para que o Supremo “deixe de ser uma delegacia”. A terceira prioridade do mandato é a segurança pública. Seu alvo principal é o domínio das facções, que impõem “uma legislação própria e tribunais do crime” em partes do país.

O teste do Congresso 

A presença de jovens com forte atuação digital entre os mais votados do país desenha a troca geracional em curso. Em vez de estruturas partidárias consolidadas e décadas de mandatos, parte dos novos campeões de voto chegou à política na era dos vídeos curtos e construiu ali a própria base eleitoral. Os quatro assumem a legislatura com capital político erguido fora do roteiro tradicional. 

Se a velha política ensinava a esperar a vez, as urnas de 2026 provaram que essa geração decidiu chegar antes.


Vanessa Araújo, Rachem Diaz e Tauany Cattan - Revista O)este

'O discurso que o Ocidente precisava ouvir', por Ana Paula Henkel

Marco Rubio falou de nossa grandeza com orgulho, de nossas conquistas com admiração e de nosso futuro com uma confiança extraordinária


O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reúne-se com o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, em Atenas, Grécia, em 7 de outubro de 2026 | Foto: Mark Schiefelbein/Pool via Reuters


Nesta semana, o mundo assistiu a um dos discursos mais espetaculares e necessários dos últimos tempos. Diante da Acrópole de Atenas, com o Partenon ao fundo e 25 séculos de civilização diante dos olhos, o secretário de Estado americano Marco Rubio fez algo que deveria ser muito mais comum entre os líderes do mundo ocidental: falou de nossa grandeza com orgulho, de nossas conquistas com admiração e de nosso futuro com uma confiança extraordinária.

Houve algo profundamente emocionante e libertador naquele pronunciamento. A começar pelo cenário, que dispensava qualquer esforço de imaginação. Atrás de Rubio estavam as colunas de um templo erguido por homens que viveram antes de Cristo, sobreviveram à destruição de sua cidade e tiveram a extraordinária ousadia de construir algo destinado a atravessar os séculos. À sua frente estava um mundo que, apesar de todos os avanços materiais, parece ter desenvolvido uma relação cada vez mais desconfortável com palavras como honra, dever, excelência, heroísmo e grandeza. Rubio não demonstrou o menor constrangimento em pronunciá-las. Ao contrário, fez delas o coração de sua mensagem.

 Durante muito tempo, acostumamo-nos a discursos políticos cuidadosamente construídos para não ofender, não incomodar, não desafiar. Discursos que procuram acomodar todas as sensibilidades e ouça este conteúdo terminam sem dizer praticamente nada. Rubio escolheu outro caminho. Falou sobre excelência, ambição, heroísmo, honra, sacrifício e poder, sobre a beleza e a força do Ocidente. 

Recuperou a herança da Grécia, de Roma e do cristianismo, recordou os homens que transformaram o mundo e defendeu a responsabilidade de continuar construindo sobre os alicerces de uma das mais extraordinárias experiências humanas.

Em um dos momentos mais belos do discurso, descreveu o espírito que floresceu na Grécia antiga e que, transmitido de geração em geração, ajudaria a moldar o Ocidente: “Uma curiosidade insaciável sobre o mundo e sobre os princípios pelos quais ele funciona, uma fome de conhecer os mistérios da natureza e de captar os segredos do cosmos”.


Foto aérea de drone da icônica colina da Acrópole e do Partenon, destacando o Erecteion e o Pórtico das Cariátides, no centro histórico de Atenas, Ática, Grécia | Foto: Shutterstock


Existe algo de extraordinário na ideia de que homens cercados por um universo imenso, desconhecido e frequentemente assustador tenham decidido que poderiam compreendê-lo. Observar as estrelas, investigar a natureza, atravessar mares e questionar explicações estabelecidas tornaram-se atividades dignas de uma vida inteira. 

O conhecimento merecia ser perseguido mesmo quando exigia enfrentar o ridículo, o fracasso ou o perigo. Essa inquietação atravessou séculos. Encontrou expressão na filosofia, na ciência, nas artes, na arquitetura, na exploração de novos continentes e na capacidade de transformar ideias aparentemente impossíveis em realizações concretas. 

Os homens que ergueram as catedrais medievais dificilmente veriam suas obras concluídas, mas trabalharam para que gerações futuras pudessem contemplá-las. Os navegadores que partiram rumo ao desconhecido não possuíam garantias de retorno. Os cientistas que desafiaram os limites do conhecimento aceitaram dedicar uma existência inteira a perguntas cujas respostas talvez jamais encontrassem. 

Havia, em todos eles, uma disposição de olhar para além do que já estava diante dos olhos. E foi justamente essa disposição que Rubio decidiu celebrar, num tempo em que a geração com a maior capacidade de realização de toda a experiência humana frequentemente se deixa aprisionar por bolhas e limitações criadas por suas próprias mãos. 

Em uma das passagens mais provocadoras, Rubio criticou a mentalidade que passou a valorizar a segurança acima de qualquer realização: “O ideal de muitas ideologias do nosso tempo tornou-se, francamente, um mundo de segurança perfeita, sem risco nem fracasso, sem a glória da vitória nem a vergonha da derrota”.

É uma descrição incômoda de uma cultura que pretende eliminar toda possibilidade de frustração, como se o fracasso fosse uma injustiça e a competição, uma ameaça. A busca pela excelência, que os antigos gregos cultivavam na filosofia, na poesia, no atletismo, nas artes e na política, passou a despertar suspeitas em ambientes nos quais o reconhecimento do mérito é frequentemente confundido com privilégio.


Um filósofo grego e seus discípulos, pintura de Antonio Zucchi (1767) | Foto: Domínio Público

Rubio resumiu as consequências dessa mentalidade em uma frase contundente: “Mantemos refém do mediano, do ordinário, do medíocre o que há de mais excepcional entre nós”. 

Quantas vezes a exigência passou a ser confundida com crueldade? Quantas vezes a preocupação de impedir que alguém se sinta derrotado acabou diminuindo as oportunidades de ensinar o valor do esforço, da disciplina e da perseverança? 

A igualdade de dignidade entre os homens jamais exigiu que todos possuíssem os mesmos talentos, alcançassem os mesmos resultados ou recebessem os mesmos aplausos. Uma sociedade pode oferecer oportunidades e reconhecer, ao mesmo tempo, que existem realizações extraordinárias. 

Pode amparar quem enfrenta dificuldades sem transformar a excelência em uma espécie de ofensa coletiva. Rubio encontrou nos gregos uma palavra para expressar a energia que torna essas conquistas possíveis: thumos. O fogo interior da coragem, da paixão, do orgulho e da disposição de lutar. Um impulso que ajuda a explicar por que alguns homens aceitam enfrentar o desconhecido, desafiar obstáculos e dedicar suas vidas a causas maiores do que seus interesses imediatos.


Atletas correndo pintados em um vaso grego antigo | Foto: Shutterstock

Esse fogo também esteve presente em outra dimensão fundamental do discurso: a compreensão ocidental do heroísmo. 

Rubio evocou Sócrates, que preferiu enfrentar a morte a abandonar sua busca pela verdade; os homens que permaneceram em seus postos diante de exércitos superiores; os mártires cristãos que se recusaram a renunciar à fé; São Tomás More, que enfrentou o poder de um rei para permanecer fiel à própria consciência. 

São personagens separados por séculos, circunstâncias e crenças, mas unidos pela convicção de que existem princípios cujo valor ultrapassa a preservação da própria vida.

Foi nesse contexto que Rubio pronunciou uma frase que merece ser guardada: “Os nossos heróis podem estar dispostos a morrer pela sua causa; mas os nossos heróis não adoram a morte”. 

O homem que aceita sacrificar a própria vida para proteger a família, defender a liberdade ou permanecer fiel à consciência reconhece o valor daquilo que deseja preservar. Seu sacrifício encontra significado precisamente no amor à vida e a tudo o que a torna digna de ser vivida.



Retrato de Sir Thomas More, por Hans Holbein the Younger (1527) | Foto: Domínio Público


E é justamente essa disposição de defender o que se ama que também precisa existir entre as nações. 

Rubio lembrou que, durante décadas, o Ocidente permitiu que o orgulho pelas próprias realizações fosse substituído por um sentimento permanente de culpa. “Com o tempo, nós, no Ocidente, passamos a sentir vergonha das próprias coisas que nos tornaram excepcionais”, afirmou.

As consequências ultrapassaram o campo cultural. Monumentos foram derrubados, a história passou a ser condenada por julgamentos simplificadores e o nacionalismo tornou-se uma palavra inconveniente. Ao mesmo tempo, países abriram mão de parte de sua capacidade industrial, negligenciaram a própria defesa e transferiram decisões fundamentais para organismos internacionais cada vez mais distantes dos cidadãos. 

O resultado, advertiu Rubio, é que o Ocidente enfrenta uma escolha entre recuperar sua força ou aceitar um futuro de “atrofia, servidão e declínio”. Sua resposta foi uma convocação à ação. Falou da recuperação da indústria americana, do fortalecimento das Forças Armadas, do domínio das tecnologias estratégicas e da exploração espacial. 

Defendeu alianças entre nações que reconhecem interesses comuns sem precisar abandonar suas identidades e soberanias.



O astronauta Buzz Aldrin na Lua (20/07/1969) | Foto: Domínio Público


E aqui reside uma das qualidades mais admiráveis daquele pronunciamento: Rubio olhou para a Grécia antiga, para Roma e para a Cristandade com a mesma confiança com que falou das possibilidades do século 21. Existe uma continuidade inspiradora entre o homem que procurou compreender o movimento dos astros e aquele que finalmente conseguiu caminhar sobre a Lua. Entre os arquitetos que ergueram catedrais durante gerações e os cientistas que hoje procuram ultrapassar novas fronteiras do conhecimento. 

Os instrumentos mudaram, as possibilidades se multiplicaram, mas permanece a extraordinária capacidade humana de imaginar aquilo que ainda não existe e trabalhar para torná-lo realidade. É impossível permanecer indiferente ao ouvir essas ideias pronunciadas com tamanha convicção por um homem que ocupa um dos cargos mais importantes da diplomacia mundial. 

O secretário de Estado da maior potência ocidental poderia ter escolhido um pronunciamento protocolar, recheado de generalidades sobre cooperação internacional. Preferiu recordar ao mundo de onde viemos, o que fomos capazes de realizar e quanto ainda podemos conquistar, convocando-nos à ação, onde quer que estejamos.

Fica aqui um convite ao leitor: reserve 26 minutos deste fim de semana para assistir ao discurso de Marco Rubio. É uma mensagem tão necessária quanto inspiradora e, acima de tudo, revigorante. 

Daquelas que nos fazem recuperar o orgulho por tudo o que recebemos e, principalmente, o entusiasmo por tudo o que ainda podemos realizar. 


SIMPLESMENTE ESPETACULAR! Nesta semana, diante da Acrópole de Atenas, Marco Rubio fez algo que há muito não víamos com tamanha força: falou da grandeza da civilização ocidental com orgulho, admiração e uma confiança extraordinária no futuro. 👉 Um dos discursos mais inspiradores e fantásticos que eu já ouvi! Falou dos gregos, de Roma, do cristianismo, da coragem, da honra, do heroísmo e da excelência. Daqueles que ergueram catedrais, atravessaram oceanos, desafiaram o desconhecido e levaram o homem à Lua. De uma civilização que jamais teria realizado tanto se tivesse aceitado a mediocridade como destino. Rubio nos lembra que temos uma herança extraordinária para defender e um futuro inteiro para construir. E fez isso sem constrangimento, sem pedir desculpas por nossas conquistas e sem abrir mão da ambição de continuar realizando grandes coisas. 🗣️“A história da nossa civilização é a maior história já conhecida pelo homem.” ‼️ E deixou uma advertência que deveria ecoar por todo o Ocidente: 🗣️“Ou escolhemos agir agora, ou perderemos a própria possibilidade de agir.” ❣️Que extraordinário ouvir isso em 2026! 😌São 26 minutos de um discurso necessário inspirador e profundamente View more on Instagram 09/10/2026, 14:29 O discurso que o Ocidente precisava ouvir - Revista Oeste https://revistaoeste.com/revista/edicao-344/o-discurso-que-o-ocidente-precisava-ouvir/ 11/15 😌São 26 minutos de um discurso necessário, inspirador e profundamente revigorante. ⚠️⚠️⚠️ O Instagram me deixou postar apenas 20 minutos. O restante está no meu canal do YouTube- só digitar “MARCO RUBIO ATENAS”. Coloquei legendas para que vocês possam assistir! ⭐️ Assistam. Do começo ao fim. Vale cada minuto. 😍 💙 Voltem aqui depois e me contem o que acharam! View all 611 comments Add a comment...


Perto do fim, Rubio declarou: “A história da nossa civilização é a maior história já conhecida pelo homem”. 

Que extraordinário ouvir isso em 2026! Que extraordinário ouvir um líder político falar com tanta admiração de nossos antepassados, reconhecer o valor da herança que recebemos e convocar as gerações presentes a demonstrar a mesma coragem daqueles que vieram antes de nós em uma época de estúpidos e eternos pedidos de desculpas. 

O mundo precisava ouvir aquelas palavras. Precisava ser lembrado de que nossos antepassados nos deixaram muito mais do que monumentos para admirar. Deixaram uma civilização inteira para preservar, aperfeiçoar e transmitir, e ainda temos muito a construir. Deixaram, antes de qualquer coisa, a certeza de uma força interior capaz de mover engrenagens magníficas. 

Há uma razão para que esta revista se chame Oeste. E, nesta semana, diante da Acrópole, Marco Rubio nos lembrou da grandeza, do orgulho e da responsabilidade que acompanham esse nome.


Ana Paula Henkel  - Revista IOeste

Fascistas são os outros, escreve Guilherme Fiuza

 Anote para não ficar perdido no debate político


Foto: Montagem Revista Oeste/IA

S aiu o glossário com as atualizações para o significado de “fascismo”, a partir do resultado do primeiro turno das eleições 2026. Anote para não ficar perdido no debate político: 

1. “Fascista” é quem vota contra o abuso de poder da autoridade eleitoral, que segundo a maior emissora do país, atropelou as regras do debate presidencial para beneficiar um dos candidatos — exatamente aquele contra o qual o “fascismo” votou. Ou seja: “fascista” é quem repudia a censura; 

2. Quem deplora a disseminação de boato religioso — criado pelos que querem ganhar a eleição fazendo o diabo — é adepto do novo “fascismo”. Não é “fascista” quem usa cargo público para impulsionar deliberadamente a notícia falsa (que, nesse caso, não é fake news, nem desinformação, apenas distração); 

3. “Fascismo” é uma doutrina que acha estranho alimentar e desenvolver o tigrinho e deixá-lo à solta por aí para depois assassiná-lo fria e sumariamente, alegando que ele é um perigo para a sociedade. Para os “fascistas”, tentar transformar as bets em bode expiatório do endividamento nacional com uma canetada pré-eleitoral gera insegurança jurídica e prejudica o país;


Foto: Montagem Revista Oeste/I

4. De acordo com o novo dicionário da língua lacradora, “fascismo” é o ato ou efeito de votar contra a destruição da economia por um governo gastador. Não é “fascista” quem explica o lado bom da inflação e faz vista grossa para a irresponsabilidade fiscal; 

5. Você é “fascista” se, na hora de votar, você pensou que não quer a existência de um Ministério da Verdade com poderes para mandar apagar posts de jornalistas que ousaram criticar um projeto de lei de interesse do governo, solapando a liberdade de imprensa com o pretexto de defender minorias; 

6. “Fascismo” é ser contra a transformação do equilíbrio entre poderes independentes em bloco partidário; 

7. Quem vota na oposição a grupo político com múltiplas conexões não republicanas investigadas ao longo da história — seja no entroncamento da coisa pública com empreiteiras, sindicatos ou bancos — é, segundo a novíssima atualização do idioma providencial, “fascista”

8. Votar em aliado de nações livres, que não se identifiquem com regimes autoritários como o da Nicarágua, o da Venezuela, o da China e o do Irã, é sinal inequívoco de adesão ao “fascismo”; 

9. Opor-se a um governo que eleva impostos em média a cada mês e, mesmo assim, consegue bater recorde de endividamento é, segundo a norma culta da militância desvairada, coisa de “fascista”; 

10. “Fascismo” é estragar o conto de fadas petista.


Foto: Montagem Revista Oeste/IA 

Augusto Nunes - Mudanças geral

 O Brasil decente redesenhou a paisagem política


Gleisi Hoffmann, Renan Calheiros, Jean Wyllys, José Dirceu, Paulo Pimenta e Fernando Haddad | Foto: Montagem Revista Oeste/Agência Brasil


N unca houve um 1º turno assim. Neste 4 de outubro, milhões de eleitores decidiram mudar o país dominado pelo consórcio formado por duas siglas e um clube de vigaristas: PT, STF e Centrão. Transformado em arma do povo, o voto transferiu figurões mumificados para o mausoléu dos vigaristas, promoveu a protagonistas jovens parlamentares confiáveis, manteve no cargo governadores eficientes, livrou-se dos ineficazes, começou a dedetizar o Congresso, proibiu que alcolumbres e mottas continuem desmandando no Senado e na Câmara, ordenou aos ministros do Supremo Tribunal Federal que cumpram a lei, comunicou à nação que a ditadura do Judiciário acabou e avisou que pretende consumar a aposentadoria de Lula em 25 de outubro. 

Nunca houve um 1º turno assim, confirmam tanto a lista de vitoriosos quanto o cortejo dos excluídos da paisagem política brasileira. Amparado no critério da meritocracia, ressuscitando valores como a honradez e a vergonha na cara, o Brasil decente tornou muito mais estimulante a paisagem política brasileira. Os eleitores do Maranhão, por exemplo, não perderam a chance de punir simultaneamente o clã comandado por José Sarney e o bando chefiado por Flávio Dino.


José Sarney na tribuna do Senado Federal | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

No momento, os candidatos a governador apoiados pela dupla estão à procura de emprego. Sarney, ex-deputado federal, ex-governador, exsenador pelo Maranhão e pelo Amapá, repassou à filha Roseana a missão de piorar o Estado e o país. Governadora quatro vezes, senadora e agora deputada federal, Roseana não passou do quarto lugar ao tentar o retorno ao Senado. Aos 96 anos, seu pai viveu para ver o fim de uma era: faz 72 anos que algum integrante da família ocupa um cargo eletivo. Pela primeira vez desde 1955, não haverá nenhum Sarney exercendo qualquer mandato quando 2027 chegar.


Roseana não passou do quarto lugar ao tentar o retorno ao Senado | Foto: Reprodução/Redes Sociais


Flávio Dino que se cuide (e alerte seus pares de capa preta). Exgovernador, ex-senador e ex-ministro da Justiça, anda delinquindo no Supremo Tribunal Federal desde que Lula o presenteou com uma toga. Lahesio Bonfim, eleito senador pelo Novo, prometeu vingar-se da perseguição que Dino lhe moveu durante os oito anos em que foi prefeito de São Pedro dos Crentes. “Agora, Flávio Dino, eu é que estou indo atrás de você em Brasília”, advertiu. O que houve em 4 de outubro transformou o que parecia bravata em promessa de campanha a ser cumprida sem demora. Como a maioria dos eleitos, Bonfim garantiu que ministros fora da lei serão punidos com o impeachment. Quem se opôs ao fim da ditadura do Judiciário foi devolvido ao recesso do lar. Marina Silva e Simone Tebet, por exemplo. 

Por ordem de Lula, a ex-ministra acreana e a ex-ministra sulmatogrossense se consideraram prontas para representar São Paulo no Senado. Já festejavam a obtenção de ao menos uma vaga quando o governador Tarcísio de Freitas entrou em cena. A exumação do que diziam de Lula antes de juntar-se à seita ajudou a anexar a dupla à procissão dos que buscaram em vão uma vaga na mais cobiçada casa do Congresso. Foram proibidos de entrar, entre outros destaques, os gaúchos Paulo Pimenta e Manuela D’Ávila, a paranaense Gleisi Hofmann, a carioca Benedita da Silva e o mineiro Aécio Neves. E há o bloco dos despejados, merecidamente puxado pelo alagoano Renan Calheiros, o mais antigo frequentador do lugar.

Senador há 30 anos, campeão de processos (e absolvições) no Supremo Tribunal Federal, Renan desfrutou desde o começo de 2023 da companhia de Renan Filho. Quando o sucessor chegou, o patriarca já era uma sombra do poderoso alagoano que, presidente por três mandatos, garantiu-se no comando com a ameaça de divulgar dossiês que revelavam a face oculta do inimigo. O fracasso da tentativa de voltar ao governo estadual vai devolver Renan Filho ao Senado. Longe do pai, também sentirá saudade de parceiros como Randolfe Rodrigues, Leila do Vôlei, Ciro Nogueira e Soraya Thronicke. E não poderá conhecer mais intimamente os proibidos de entrar no Senado por escassez de voto.

Senador Renan Calheiros (MDB-AL) | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Não foi por falta de aviso que a plateia convocada para ornamentar a primeira aparição de Lula tinha cara de velório. Livre de intervenções do TSE governista e de um STF reduzido a partido político, a eleição municipal de 2024 atestou a insatisfação nacional com o PT e seus satélites. O alerta foi ignorado pelos donos do poder. Geraldo Alckmin traía no rosto a descoberta de que não terá chances de substituir, favorecido pela vantagem etária, o ex-inimigo que agora o chefia. Fernando Haddad exibia o meio sorriso abobalhado de recordista em fiascos formidáveis. Todos pareciam surpresos. O estrategista José Dirceu nem deu as caras por lá. Candidato a deputado federal, conseguiu uma votação de vereador de grotão. Foi outra celebridade fulminada pelo tsunami que devastou também uma Câmara controlada pelo centrão com o endosso do PT. 

O falatório confuso de Lula lembrou o pugilista que se acha invencível depois da primeira queda no ringue. Nos dias seguintes, a discurseira de grogue piorou. “O povo gosta de me ver no segundo turno”, jurou num palavrório. É improvável que mesmo um petista tenha tamanha admiração pelo deus da seita que vota no adversário só para aplaudir outra apresentação do artista do palanque. O retrospecto do palanque ambulante colide com a arrogância do campeão de araque. 

Em 1989, foi derrotado por Fernando Collor no 2º turno. Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso atropelou-o já no primeiro. Venceu só no segundo as disputas contra os frágeis José Serra e Geraldo Alckmin. Ao enfrentar Jair Bolsonaro, precisou da ajuda do juiz e dos jurados para ganhar — de novo no 2º turno. “Política só tem porta de entrada”, recita Sarney há 70 anos. 

A frase é endossada por todos os viciados em exercício do poder. Existe outra porta, corrigiu a primeira etapa da disputa. É a porta dos fundos, usada por eleitores para despejar escolhas erradas e, assim, redesenhar o cenário político. Desta vez, como reiteram as pesquisas iniciais sobre o 2º turno, a maioria dos brasileiros resolveu que mudanças drásticas na rota que conduz ao futuro devem ser feitas já.


Augusto Nunes - Revista Oeste