Assessora parlamentar registrou 52 entradas na sede do governo para apresentar
pedidos municipais
Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha mais velha do petista - Foto: Reprodução/Instagram
A assessora parlamentar Lurian Cordeiro Lula da Silva lidera o número
de visitas à sede do governo federal entre os familiares do presidente.
Registros da portaria obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram
que a filha de Luiz Inácio Lula da Silva esteve 52 vezes no local entre
fevereiro de 2023 e março de 2025. O volume supera os 18 acessos
marcados por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A apuração é do
portal Metrópoles.
Lurian atua no gabinete do senador Rogério Carvalho (PT-SE) desde
2019. A proximidade física do Senado com a sede do Executivo facilitou
os deslocamentos constantes da assessora.
Trânsito livre em gabinetes
A filha do presidente levava demandas de prefeituras de Sergipe a
integrantes da administração federal. O marido de Lurian, Danilo Dias
Sampaio Segundo, busca espaço na política sergipana. Servidores
relatam que a assessora entrava sem agendamento prévio no gabinete
da Secretaria de Relações Institucionais durante a gestão do ministro
Alexandre Padilha.
Os relatórios da portaria apontam pouca presença dos demais
herdeiros do presidente no prédio principal do governo. O filho caçula,
Luís Cláudio, anotou apenas cinco entradas no mesmo intervalo. O neto
Thiago Trindade registrou 18 acessos no período analisado.
Reportagem questiona: se o relatório da PF era grave o bastante para negar a licença, por que deixou de ser?
Deolane Bezerra, que foi presa por envolvimento em crimes, faz o "L" ao lado de Lula (PT). Foto: Reprodução
Em dezembro de 2024, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda usou relatórios da Polícia Federal para negar licença a casas de apostas. Meses — e, em um caso, apenas 22 dias — depois, todas as empresas barradas com base nesse filtro estavam autorizadas a operar. Os relatórios que sustentaram os vetos seguem tarjados. As defesas das empresas e os argumentos usados para liberá-las, não. A revelação é o centro da terceira reportagem da série Bet Files, publicada nesta segunda-feira (31) pelo jornalista investigativo David Ágape no site A Investigação, a partir dos processos que a Fazenda divulgou depois de ter tentado impor sigilo de até 100 anos e recuado sob pressão jornalística.
Denúncia foi publicada no site “A Investigação”.
O recorte é objetivo: o governo escreveu que o alerta policial bastava para proteger o mercado. Depois abandonou a regra. Nos recursos, voltou a exigir condenação ou “elementos concretos”. O secretário Regis Dudena chegou a registrar que um dos indeferimentos “foi acertado” — e autorizou mesmo assim.
O que a SPA disse quando barrou — e o que fez depois
Segundo a apuração, Vaidebet, Sportvip, Esportes da Sorte e 1xBet tiveram a idoneidade reprovada após consultas da própria Fazenda à PF. Uma quinta empresa, a Hiper Bet, teve o processo travado pelo mesmo tipo de alerta e também foi liberada. Nenhuma ficou fora do mercado regulado.
No processo da BPX Bets Sports Group, dona da Vaidebet, a Coordenação-Geral de Monitoramento de Lavagem de Dinheiro afirmou que a análise de idoneidade “não se limita a um mero cumprimento de requisitos formais”. O dever de cautela, escreveu a secretaria, “se impõe ao gestor público em casos de indícios de supostas práticas delituosas”. A licença, segundo a doutrina então adotada, não era pena criminal e podia ser negada antes de condenação.
O pedido da BPX foi indeferido em 23 de dezembro de 2024. A empresa recorreu e perdeu nas duas primeiras instâncias. Havia ainda a conclusão de que a declaração de reputação ilibada continha informação inverídica, porque o sócio José André da Rocha Neto não informara que respondia a inquérito. A reversão veio na última instância. Dudena reconheceu que “foi acertada a decisão de indeferimento original, que se baseou inclusive em apurações da Polícia Federal”. Em seguida, derrubou a decisão que considerava correta. Adotou a hipótese de que o sócio poderia desconhecer o inquérito sob sigilo. Os autos públicos, segundo a reportagem, não registram diligência para verificar se ele sabia ou não.
Na Sportvip, o intervalo foi de 38 dias. Em 13 de dezembro de 2024, um parecer concluiu que a empresa não cumpria os requisitos de idoneidade com base em relatório da PF. Em 20 de janeiro de 2025, a SPA afirmou que, “com as informações atualmente disponíveis”, não era possível comprovar as supostas práticas e reverteu o veto. Entre os dois documentos públicos não há registro de nova consulta à polícia. O recurso da empresa é o único fato novo indicado.
Na Hiper Bet, um relatório da PF recebido em 26 de novembro de 2024 travou o processo. Em 20 de janeiro de 2025, a mesma área técnica reformou a decisão porque a empresa apresentou certidões negativas atualizadas e contratos de mútuo. A nova nota exigiu “elementos concretos ou condenações judiciais” — o critério que a secretaria havia dito ser desnecessário para barrar.
Esportes da Sorte: veto em 31 de dezembro, licença 22 dias depois
O caso mais visível é o da Esportes Gaming Brasil, operadora da Esportes da Sorte. O pedido foi indeferido em 31 de dezembro de 2024, após consultas à Diretoria de Combate ao Crime Organizado da PF e à Interpol. A empresa patrocinava Corinthians, Bahia, Ceará e Grêmio. Com o estadual já em andamento, a Fazenda publicou a licença por ordem judicial.
A empresa impetrou mandado de segurança na 4ª Vara Federal Cível do Distrito Federal. A liminar determinou que a Fazenda afastasse a inidoneidade, recebesse os R$ 30 milhões da outorga, publicasse a autorização em até 72 horas e não impedisse a atividade enquanto não houvesse condenação no procedimento investigatório. A Portaria SPA/MF nº 136, de 22 de janeiro de 2025, liberou Esportes da Sorte e Onabet. Depois entrou também a Lottubet.
A ordem judicial adotou exatamente a exigência de condenação que a SPA havia rejeitado nos outros processos. A secretaria declarou “prejudicado” o rito administrativo, inclusive a anuência do Ministério do Esporte, e manteve suspensa a análise de idoneidade. Um parecer de junho de 2025 ainda descrevia a empresa como operadora “autorizada por decisão liminar”. O filtro policial iniciado pelo governo não chegou ao fim nos documentos divulgados.
Deolane, a casa e as investigações posteriores
Deolane sempre exibiu sinais de riqueza.
A reportagem registra que Deolane Bezerra promoveu a mesma casa. Em 2024, a influenciadora foi presa na Operação Integration, da Polícia Civil de Pernambuco, que apurava lavagem e jogos ilegais em torno da bet e de uma banca de jogo do bicho ligada à família do então CEO. Deolane disse que recebia por publicidade e que havia comprado uma Lamborghini do dirigente. Negou lavagem. A empresa também negou as acusações.
Em fevereiro de 2026, a Justiça Federal em Pernambuco anulou medidas da esfera estadual relativas a possíveis crimes federais e autorizou PF e MPF a seguirem apuração própria. Em maio de 2026, Deolane voltou a ser presa, agora na Operação Vérnix, em São Paulo, em investigação separada que a aponta em esquema de lavagem ligado ao PCC. A defesa nega organização criminosa e lavagem. A Justiça manteve a prisão.
Deolane se declara lulista e esteve com Lula e Janja na campanha de 2022 e na posse de 2023.
Esses episódios não comprovam, por si, que a licença federal da Esportes da Sorte tenha sido concedida de forma ilícita. Mostram, no recorte da série, o contraste entre o alerta policial usado para vetar a empresa e a rapidez com que ela passou a operar com aval judicial, patrocínio de clubes grandes e exposição pública.1xBet e o que ficou de fora do papelA Defy, operadora da 1xBet, foi indeferida em 27 de dezembro de 2024 com base em informações da PF. Ao aceitar o recurso, a SPA condicionou a continuidade à comprovação de que sócios da Navasard Limited não tinham relação com fundadores russos citados nos autos. Os pareceres seguintes afirmam que as exigências foram atendidas, mas a prova específica não consta da versão pública. A empresa foi autorizada. A reportagem reserva o detalhamento para a próxima parte da série.
A 1xBet já era conhecida por histórico internacional conturbado e por ter operado no Brasil enquanto aguardava a outorga federal — ponto também documentado pela imprensa convencional.
O que o público não pode ler
Nos processos da Vaidebet, da Sportvip, da Esportes da Sorte e da Defy, as informações da PF aparecem como páginas cobertas ou meras referências a números de documentos. A Fazenda alega proteção de dados pessoais pela LGPD. A Investigação argumenta que a Lei de Acesso à Informação permite ocultar dados protegidos e liberar o restante. Nas versões publicadas, a tarja impede conhecer a substância dos fatos que o próprio governo usou para negar as licenças.
A série não conclui que as empresas cometeram os atos investigados pela polícia. Conclui que há uma contradição documental: a SPA formulou uma doutrina de cautela segundo a qual indícios bastavam; depois autorizou todas as empresas que havia barrado com base nela e publicou só a metade do processo que explica a mudança.
O contexto é o mercado que o próprio governo Lula regulamentou. A lei das apostas de quota fixa foi sancionada no fim de 2023. A outorga de R$ 30 milhões por operadora virou receita. O mercado regulado entrou em vigor na virada de 2025. Em paralelo, o presidente passou a criticar o setor e a falar em proibição na campanha — depois de ter vetado trechos e sancionado o marco que criou o negócio.
A segunda reportagem da série já havia mostrado que a Betnacional foi autorizada em 30 de dezembro de 2024 enquanto a Receita investigava o grupo desde 2023. Na sexta-feira anterior a esta publicação, Receita e MPF deflagraram a Operação Jogo de Sombras contra o mesmo grupo, com bloqueio de R$ 191 milhões. O Fisco disse que os indícios levados à SPA na habilitação foram insuficientes para barrar a licença. Os autos, segundo Ágape, registram aprovação da origem do capital sem investigação e sem quebra de sigilo.
O que os Bet Files cobram agora não é um veredito criminal contra cada marca. É uma explicação pública: se o relatório da PF era grave o bastante para negar a licença, por que deixou de ser? E por que o trecho que responderia a essa pergunta continua preto?
Polícia Federal vê articulação com filho de Lula e investiga tráfico de influência
O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger
A empresa de tecnologia 3Structure fechou R$ 81 milhões em contratos
e aditivos com o governo federal. A Polícia Federal (PF) investiga a
atuação da lobista Roberta Luchsinger na defesa dos interesses do dono
da empresa, Cleber Ribas. As informações são do jornal O Globo.
Os investigadores suspeitam de uma sociedade oculta entre Roberta e
Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. Documentos da PF citam o filho do
presidente em diálogos como destinatário de repasses e benefícios do
empresário.
A investigação encontrou pagamentos de pelo menos R$ 2,5 milhões de
Ribas para Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. Em
mensagens, ela afirma que usou parte dos valores para comprar
passagens aéreas para o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Contratos envolvem tecnologia
A 3Structure assinou seis contratos federais para serviços como backup
e armazenamento de dados. O Ministério do Desenvolvimento Social
concentra R$ 53,1 milhões desse total, em dois acordos e aditivos.
A empresária Roberta Moreira Luchsinger foi alvo da Operação Sem Desconto em dezembro de 2025 - Foto:
Reprodução/X/@RoLuchsinger
Registros oficiais revelam 17 visitas de Roberta ao gabinete do ministro
Wellington Dias desde 2023. O ministério informou que os encontros
não resultaram em atos administrativos e citou a amizade entre os dois.
A empresa também fechou quatro contratos de R$ 5,8 milhões com o
governo do Maranhão em 2024. Áudios mostram Roberta e Lulinha em
articulação de uma agenda para o governador Carlos Brandão no
Palácio do Planalto. A PF identificou ainda um contrato de R$ 12,4 milhões da Duosystem com a Secretaria de Saúde do Maranhão. A
empresa também era representada pela lobista.
Apuração inclui Ministério da Saúde
Roberta participou de negociações com o Ministério da Saúde e a
Dataprev, mas os acordos não foram concluídos. Ela também enviou
uma minuta sobre a venda de medicamentos com canabidiol ao exchefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro.
O Supremo Tribunal Federal analisa três inquéritos da PF que
envolvem Lulinha e Roberta Luchsinger. As investigações apuram
suspeitas de tráfico de influência.
Ao jornal O Estado de S. Paulo, a 3Structure afirmou que venceu as
licitações dentro das normas legais e com transparência.
Brandão
negou a intermediação de terceiros em sua agenda. Já a Duosystem
também afirmou que venceu licitação regular. A defesa de Roberta
Luchsinger e a Telebras, porém, não se manifestaram.
Ministra vê grave descontextualização em peça que associa candidato do PL a
crimes
TSE suspende propaganda eleitoral de Lula que atacava Flávio
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou neste domingo, 30, a
suspensão de uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL). A ministra Estela
Aranha concedeu uma liminar e proibiu Lula e a coligação Brasil Pronto
Pra Mais de fazer nova divulgação da peça apontada como irregular.
A inserção, intitulada “Conheça o currículo de Flávio Bolsonaro”, afirma
que o candidato começou a carreira como “funcionário fantasma” e foi
“denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no
escândalo da rachadinha”.
A peça também menciona uma homenagem feita por Flávio ao policial
militar Adriano da Nóbrega e, em outro trecho, diz que o candidato foi
“flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões no escândalo do
Banco Master”.
Ao analisar o pedido, Estela afirmou haver, nesta fase do processo,
elementos suficientes para concluir que o conteúdo “extrapola os
limites da crítica política”. Segundo a ministra, a propaganda associa o
candidato a organizações criminosas “sem indicação de qualquer dado
concreto, investigação formal ou imputação jurídica que ampare as
alegações”.
Ministra Estela Aranha durante Sessão Plenária do Tribunal Superior Eleitoral – 20/08/2026 | Foto: Antonio Augusto/TSE
TSE aponta descontextualização contra Flávio
“A propaganda, portanto, passa ao eleitor a falsa informação no sentido
de que o candidato estaria presentemente denunciado por crimes
gravíssimos, situação que não corresponde com a realidade e que
caracteriza grave descontextualização”, escreveu Estela.
A ministra ressaltou, contudo, que a decisão não representa um
julgamento definitivo sobre “a veracidade histórica de cada episódio
mencionado pela propaganda”. Nesta etapa, o TSE analisa se existem
elementos suficientes para justificar a suspensão enquanto o processo
continua.
Mecanismo captou R$ 10,7 bilhões desde 2023; Petrobras responde por 89% dos
aportes de estatais em 2026
Lyla e uma der suas cúmplices - Rebvista Oersts
Os projetos culturais beneficiados pela Lei Rouanet captaram R$ 10,7
bilhões desde 2023, começo do terceiro mandato do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. O montante já supera os R$ 9,2 bilhões registrados
durante os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro, conforme
levantamento do site Poder360 divulgado neste domingo, 30.
Os dados são do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura, do
Ministério da Cultura. Os valores de 2025 e dos anos anteriores foram
corrigidos pela inflação até junho de 2026. O maior volume permanece
no primeiro mandato de Dilma Rousseff, com R$ 10,8 bilhões.
Em 2026, até 27 de agosto, empresas haviam destinado R$ 1,1 bilhão a
projetos culturais por meio do mecanismo. Na Lei Rouanet, projetos
recebem autorização do Ministério da Cultura para buscar
patrocinadores. As empresas que fazem os aportes podem descontar os
valores do Imposto de Renda devido, dentro dos limites legais.
O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura,
Thiago Leandro, afirmou que o governo pretende ampliar o mecanismo
nos próximos anos caso Lula seja reeleito. “A ideia é seguir crescendo
com responsabilidade, mas seguir aumentando o investimento, porque
é um bom investimento, retorna mais do que [é investido].”
A Petrobras é a principal financiadora da Lei Rouanet sob Lula -| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasi
As empresas públicas da União responderam por R$ 312 milhões
captados pela Lei Rouanet em 2026. Desse total, a Petrobras destinou
R$ 278 milhões, equivalente a 89%. Em seguida aparecem Banco do
Brasil, com R$ 28 milhões, e Banco do Nordeste, com R$ 5,5 milhões.
Entre todos os patrocinadores, tanto públicos como privados, a
Petrobras também lidera em 2026, seguida por Vale e Nubank.
A Petrobras informou ao Poder360 que os valores correspondem aos
pagamentos previstos em contratos de patrocínio. Segundo a empresa,
todos os procedimentos “seguem critérios técnicos rigorosos,
processos transparentes e as melhores práticas de governança, em
conformidade com a legislação vigente”.
Entre os projetos com maiores valores de captação apresentados para
2026 estão o plano plurianual da Orquestra Sinfônica do Estado de São
Paulo para 2027 a 2030, com R$ 201 milhões; o Museu do Petróleo e
Novas Energias, com R$ 141 milhões; e o plano plurianual da Orquestra
Ouro Preto, com R$ 105 milhões.
"Veja" destaca mensagens, contratos e acordo penal firmado pelo empresário
O descondenado, o filho Lulinha e seu amigo Cleber Ribas, que ganhou contratos de R$58 milhões no atual governo.
A Polícia Federal investiga as relações do empresário Cléber Ribas, dono da empresa de informática 3Structure, com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT). A 3Structure recebeu R$58 milhões em contratos federais desde o início do atual governo. Reportagem da revista Veja, publicada neste domingo (30 de agosto de 2026), dos jornalistas Hugo Marques, Ricardo Chapola e Laryssa Borges, detalha mensagens, contratos e um acordo penal firmado pelo empresário.
Um dos três inquéritos da PF contra Lulinha envolve a Dataprev e Ribas. Mensagens em poder da polícia mostram que o empresário contratou a lobista Roberta Luchsinger — descrita pelos investigadores como sócia oculta de Lulinha e com trânsito em Brasília — para obter mais contratos na Dataprev e no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Também foram obtidas mensagens de Lulinha orientando a lobista a “emitir NF” (nota fiscal) para ser paga por Cleber, o que tem sido interpretado como provável pagamento pelos “serviços prestados” por Lulinha, investigado por tráfico de influência.
Em março de 2023, Luchsinger perguntou a Ribas se ele queria falar com alguém de outro ministério. Ele respondeu que havia “uma questão da Dataprev”. Ela prometeu verificar “quem está no comando”. Em abril, a lobista organizou um jantar com a presença de Lulinha e de Fernando Bittar, sócio do filho do presidente. “A ideia é aquela: vc contratar eles”, escreveu ela. No mesmo mês, mencionou um encontro com Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência. Em maio, Ribas pediu reunião com Fábio e comentou a posse do novo presidente da Dataprev.
Enquanto negociava com o governo, Ribas enfrentava outro problema. Em setembro de 2024, assinou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público para não ser preso por corrupção. O MP concluiu que, entre 2006 e 2010, o então presidente do Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat), Adriano Niehues, recebeu R$ 218 mil em vantagens indevidas da Consist Software Solutions Inc por intermédio de Ribas. O empresário classifica o episódio como “mal-entendido”.
Pelo acordo, Ribas se comprometeu a devolver valores a uma entidade social, informar qualquer mudança de endereço ao juízo e se abster de frequentar casas de prostituição e bares. Mesmo assim, ele visitou o Palácio do Planalto em maio de 2024 e fechou dois contratos com o MDS comandado pelo ministro Wellington Dias. Ribas afirma que tudo ocorreu “dentro da legalidade”.
O empresário atribui o estreitamento da amizade com Lulinha a um episódio pessoal. “Eu descobri um câncer em junho de 2024. Até então eu conhecia o Fábio, mas convivia pouco com ele”, disse à Veja. “Não sei se por conta do problema do pai e da mãe, ele resolveu se aproximar. Quando fiquei careca e raspei a cabeça, ele raspou também. Minha relação com o Fábio é de amizade, não é financeira.”
A reportagem da Veja se insere em uma série de apurações da PF sobre um suposto núcleo de atuação envolvendo Lulinha, Luchsinger e Bittar para interlocução de interesses privados junto a órgãos federais.
Lulinha é alvo de três inquéritos. Sua defesa tem sustentado que ele colabora com as investigações e que não cometeu ilícitos. Lula tem declarado que não interferirá nas apurações sobre o filho.
A PF segue analisando as mensagens e os contratos.
Presidenciável cita experiência de El Salvador como inspiração para plano de
segurança, com ministério exclusivo e expansão do sistema prisional
Flávio Bolsonaro e o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro -Foto: Divulgação/Charles
Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro
Depois de se reunir com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El
Salvador, Gustavo Villatoro, o candidato à Presidência pelo PL, Flávio
Bolsonaro, afirmou que o enfrentamento às facções criminosas no
Brasil depende de “coragem” política. O senador disse que pretende
incorporar ao seu plano de governo medidas adotadas pelo país
comandado por Nayib Bukele no combate ao crime organizado.
“Eu falei pra ele que muita gente aqui no Brasil acha impossível acabar com as
facções criminosas”, disse Flávio. “Ele me disse que não é impossível, que fizeram em El Salvador, que é um país pequeno, mas muito pobre. E nós somos
um país grande com muitas riquezas, não tem explicação para que as facções
criminosas continuem dominando os territórios. Basta ter um presidente da
República que tenha a coragem de enfrentá-los. E o Flávio Bolsonaro terá.”
A reunião ocorreu em São Paulo e contou também com a presença do
candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL-AL), do candidato ao
governo do Paraná pelo PL, Sergio Moro, e dos candidatos ao Senado
Guilherme Derrite (PP-SP) e André do Prado (PL-SP).
Segundo Flávio, a conversa com Villatoro reforçou propostas que já
integram o eixo de segurança pública de seu programa de governo.
Entre elas estão a criação de um Ministério da Segurança Pública,
separado da Justiça, e uma maior coordenação da União com Estados e
municípios.
“Nossa ideia é criar um Ministério da Segurança Pública exclusivo para fazer
essa gestão junto com as forças estaduais e também com as polícias
municipais”, explicou. “Vou ser um presidente muito municipalista, quero dar
esse suporte não apenas financeiro, mas de organização, de conexão, de troca
de inteligência, de troca de informações entre todas as esferas de poder.”
Mais presídios e endurecimento das penas
O programa de Flávio prevê a criação de 500 mil novas vagas no
sistema prisional e de cinco presídios federais de segurança máxima,
inspirados no modelo de El Salvador. O candidato também defendeu
penas maiores e permanência mais longa dos condenados na prisão.
“Tem pouco preso no Brasil”, declarou. “Só não tem mais porque a
legislação é frouxa. Então vamos criar mais meio milhão de vagas em
presídios para que ladrão de celular comece com, no mínimo, 8 anos de
cadeia. Para que fique preso, não apenas seja preso.”
O plano também propõe classificar PCC e Comando Vermelho como
organizações narcoterroristas, reforçar o combate ao financiamento
das facções e integrar forças federais, estaduais e municipais em
operações para retomada de territórios dominados pelo crime
organizado.
“No nosso governo, a legislação vai mudar”, disse. “Os presídios vão
deixar de ser escolas do crime e vão ser exemplo. Você, marginal que for
preso, não vai sair rápido. Você vai ficar preso, você vai pagar pelos
crimes que você cometeu. E isso vai desencorajar muita gente a
continuar praticando crime.”
Visita a El Salvador
Flávio já havia visitado El Salvador em 2025, quando conheceu o Centro
de Confinamento do Terrorismo (Cecot), presídio de segurança máxima
que se tornou um dos símbolos da política de segurança de Bukele.
Entre outras medidas previstas no programa estão a redução da
maioridade penal de 18 para 16 anos, regras mais duras para
adolescentes a partir dos 14 anos envolvidos em crimes graves, uso de
reconhecimento facial e mais de 1 milhão de câmeras de
monitoramento, além da criação de um sistema nacional de fronteiras.
Candidato a presidente diz que Cláudio Lottemberg como ministro promoverá saúde pública ao nível do renomado hospital
Senador Flávio Bolsonaro (PL), em campanha presidencial, em Angra dos Reis. (Foto: Divulgação/Vittor Sales)
Instituir o padrão do Hospital Israelita Albert Einstein em todo o Sistema Único de Saúde (SUS) foi a promessa exposta pelo candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL), neste sábado (30), durante agenda de campanha em Angra dos Reis (RJ). A proposta foi justificada pelo seu convite ao presidente do Einstein, Cláudio Lottemberg, para comandar o Ministério da Saúde em seu eventual governo.
“Eu quero levar o padrão Einstein para todo o SUS. Então a saúde pública vai ser padrão Einstein com o Claudio Lottenberg”, afirmou Flávio, sobre o gestor do que consideram um dos melhores hospitais do Brasil, com uma rede reconhecida pela excelência em assistência médica, inovação, ensino e pesquisa.
O candidato direcionou o anúncio a quem passa dificuldade ao precisar ir a um posto de saúde, ao enfrentar fila para fazer cirurgia eletiva, não é bem atendido em emergência e lida com falta de remédio até para diarreia e dor de cabeça.
“Então, com ele [Lottemberg], o investimento em tecnologia, inteligência artificial, com o padrão que ele conseguiu, junto com outros profissionais muito qualificados também na rede Einstein, é o padrão que eu quero para o SUS brasileiro”, disse Flávio, em entrevista divulgada em suas redes sociais.
O candidato do PL que concorre contra a reeleição do presidente Lula (PT) fez referências às críticas ao seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na condução das medidas contra a pandemia de covid-19 que matou 716 mil brasileiros, a partir de 2020. Afirmou estar olhando pra frente, por não adiantar ficar discutindo o passado.
“Eu acredito que muita coisa que a gente passou pela pandemia até agora, ninguém tem certeza exatamente de qual é a melhor forma, o que que tinha que ser feito, o que deu certo, o que não deu. Muitas coisas que o presidente Bolsonaro falou lá atrás, hoje estão se concretizando. Então não adianta ficar discutindo o passado, eu quero olhar pro futuro” afirmou Flávio Bolsonaro.
Candidato a vice de Flávio alerta que facções já movimentam bilhões por estruturas
legais e defende reação do Estado para atingir dinheiro, empresas e operadores do
crime
O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) foi relator da CPMI do INSS no Congresso Nacional - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
As organizações criminosas brasileiras deixaram de atuar apenas no
tráfico de drogas e no domínio armado de territórios e passaram a
ocupar espaços na economia formal, com empresas, operadores
financeiros e estruturas sofisticadas para movimentar e lavar bilhões
de reais. O diagnóstico é do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar
(PL-AL), que apontou justamente a transformação econômica das
facções como uma das principais vulnerabilidades do Estado brasileiro
no enfrentamento ao crime organizado.
“O crime organizado não vive mais apenas na boca de fumo”, afirmou Gaspar
em entrevista exclusiva a Oeste. “Ele tem empresas, operadores financeiros,
tecnologia e estruturas sofisticadas de lavagem de dinheiro. O crime
organizado cresceu porque o Estado foi deixando espaços vazios.”
Na avaliação de Gaspar, não há uma única falha responsável pelo
avanço dessas organizações. O problema começa nas fronteiras por
onde circulam drogas e armas, passa pelo sistema penitenciário — que
permitiu a chefes de facções continuarem comandando suas estruturas
mesmo presos — e chega à legislação penal.
“Tudo isso está interligado”, afirmou. “Temos fronteiras por onde passam
drogas e armas, um sistema penitenciário que durante muito tempo permitiu
que lideranças criminosas continuassem comandando organizações de dentro
das cadeias, uma legislação que precisa ser mais rigorosa e, talvez o ponto
mais preocupante, organizações criminosas que aprenderam a lavar bilhões de
reais e entrar na economia formal.”
Para Gaspar, essa mudança também exige uma resposta diferente do
poder público: “Por isso, o enfrentamento precisa acontecer em todas
as frentes”. “Vamos declarar guerra a essas organizações criminosas. O
Estado precisa voltar a ser mais forte que o crime.”
O uso de tecnologia e inteligência também aparece entre as propostas
de Gaspar para outra área que marcou sua atuação recente no
Congresso: a proteção de aposentados e pensionistas. O deputado
afirmou que um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende
reforçar os mecanismos para impedir que descontos sejam realizados
sem autorização efetiva dos beneficiários.
Gaspar apresentou um relatório de quase 5 mil páginas, com mais de 200 pedidos de indiciamentos e investigações na CPMI do INSS; o parecer foi rejeitado em articulação da base governista no Congresso - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Indagado sobre qual seria a primeira medida para evitar a repetição das
fraudes investigadas pela comissão, Gaspar foi direto: “Primeiro, fechar
a porta do cofre”.
“Depois de tudo que nós descobrimos, é inadmissível que alguém
consiga tirar um centavo da aposentadoria de uma pessoa sem uma
autorização verdadeira, segura e comprovada. Precisamos
responsabilizar quem abriu as portas para o roubo. Porque uma fraude
desse tamanho não acontece sozinha.”
Para o candidato a vice, a proteção desses recursos deverá ser tratada
como uma das prioridades da administração: “O aposentado trabalhou
a vida inteira. O dinheiro dele é sagrado. Quem meter a mão precisa
responder.”
Bolsa Família será mantido
Cartão do Bolsa Família | Foto: Reprodução/Agência Brasil
Em outra frente do programa de governo, Gaspar ressaltou que a chapa
não pretende extinguir o Bolsa Família. O benefício será preservado,
segundo ele, mas deverá funcionar em conjunto com políticas
destinadas a ampliar a renda e criar condições para que famílias
deixem de depender do programa. O plano chama essa abordagem de
“proteção à autonomia”.
“O presidente Flávio já deixou claro que o Bolsa Família será mantido. Ninguém
vai retirar proteção de quem precisa. O que queremos é acrescentar uma porta
de saída para a pobreza. O benefício precisa proteger a família no momento de
vulnerabilidade, mas o Estado também precisa oferecer qualificação,
oportunidade de emprego e condições para que aquela pessoa possa
aumentar sua renda.”
Segundo o deputado, a intenção não é estabelecer simplesmente uma
meta de redução do número de beneficiários.
“Não queremos simplesmente diminuir o número de pessoas no Bolsa
Família”, afirmou.
“Queremos diminuir o número de brasileiros que
precisam do Bolsa Família porque conseguiram emprego, renda e
autonomia.”
Resultado negativo cresce 30,4% em um ano; Lula promete recuperar a estatal
sem privatizá-la
Correios estão em processo de reestruturação - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
a -A
Os Correios acumularam prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no
primeiro semestre de 2026, conforme dados divulgados pela estatal
neste sábado, 29. O resultado representa aumento de 30,4% em relação
à perda de R$ 4,26 bilhões registrada no mesmo período de 2025,
conforme o jornal O Globo.
No segundo trimestre deste ano, o prejuízo ficou em R$ 2,39 bilhões.
Apesar do resultado negativo, houve melhora de 24,4% em relação aos
R$ 3,16 bilhões perdidos nos primeiros três meses de 2026. Entre o
primeiro e o segundo trimestre, a receita líquida cresceu 3,8%, de R$
3,86 bilhões para R$ 4,01 bilhões.
Os Correios executam um plano de reestruturação para reduzir
despesas, rever contratos, reorganizar suas operações e aumentar as
receitas. Entre as medidas estão programas de demissão voluntária e
o fechamento de 1 mil pontos, entre agências e unidades de tratamento
de carga. O primeiro PDV já resultou na saída de 6,5 mil funcionários.
CONTEÚDO
programas de demissão voluntária
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Atual presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon - Foto: Reprodução/Youtube
Correios recorrem a empréstimos e cortes
No fim de 2025, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12
bilhões, com garantia da União. Conforme a empresa, a operação
permitiu regularizar pagamentos de curto prazo e deu mais fôlego ao
caixa. O caixa da estatal encerrou junho em R$ 4,9 bilhões.
Além disso, uma nova operação de crédito de R$ 7 bilhões com garantia
da União está em estágio avançado, de acordo com o jornal.
Os Correios
também negociam R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de
Desenvolvimento, conhecido como Banco do Brics. O Projeto de Lei
Orçamentária Anual de 2027 deverá prever ainda um aporte de R$ 6
bilhões do governo federal nos Correios.
Os Correios afirmaram que a melhora das operações no primeiro
semestre ainda não foi suficiente para recuperar o caixa e a situação
financeira da empresa. “O resultado acumulado do semestre
permanece desafiador e reforça a necessidade de continuidade e
execução consistente das medidas de reestruturação”, declarou a
companhia.
Lula descarta privatização da empresa
Os números foram divulgados dois dias depois de o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva descartar a privatização dos Correios e prometer
retirar a empresa da crise, durante sabatina da TV Globo. “A crise dos
Correios é que não se adaptou aos novos tempos”, disse Lula na quintafeira 27.
“Surgiram muitas empresas de fazer entregas e os Correios
ficaram na mesmice.”
Pesquisa Vox Brasil: Flávio
aparece numericamente à
frente de Lula no 2º turno
PL anuncia filiação de
Daniella Marques,
coordenadora econômica da
campanha de Flávio
O presidente também defendeu um “enxugamento” das contas. “Desde
1985, os Correios vivem crise e alguém quer privatizar”, afirmou. “É
uma empresa muito importante para o Brasil, porque ela está em todos
os municípios.”
Enfurecido com falha no microfone, Lula gritou no palanque com seu assessor, à vista de todos
Lula se dirigiu grosseiramente ao seu fotógrafo que faz as vezes de "coordenador de audiovisual"- Foto: reprodução redes sociais.
O candidato Lula (PT) estava nitidamente nervoso, até descontrolado, no “day after” (dia seguinte) à desastrosa entrevista que concedeu ao Jornal Nacional, da TV Globo. Durante comício no Largo do Guarani, no bairro da Liberdade, em Salvador, ele tratou com grosseria o seu fotógrafo particular Ricardo Stuckert, apontado como “coordenador de audiovisual da campanha”, para reclamar de problemas com seu microfone. Enfurecido, Lula gritou e gesticulou para Stuckert, a ponto de sua exclamação “é a quinta vez!” ter sido captada à distância por câmeras de celulares.
O nervosismo de Lula tem sido atribuído à repercussão negativa da sua entrevista ao “JN”, marcada por suas mentiras em série, como quando afirmou nunca ter visto a lobista Roberta Luchsinger, sócia do filho Lulinha investigados pela Polícia Federal por negócios milionários em seu governo. Nos minutos seguinte à mentira de Lula, tentando se descolar do escândalo Luchsinger-Lulinha, as redes sociais foram inundadas por fotos suas lado da mulher, inclusive em situações familiares.
Na plateia e nas redes sociais, a atitude de Lula foi interpretada como “humilhação” ao subordinado. Frases como “se ele maltrata assim quem trabalha com ele, imagine o povo” apareceram em muitos posts.
Já em Belo Horizonte, Lula participou neste sábado (29) de ato voltado ao eleitorado feminino, mas o destaque foi o protesto de militantes petistas por dinheiro. Eles se dizem insatisfeitos com a divisão de recursos de campanha no partido.
Um grupo de petistas protestou no local e exibiu uma faixa com a frase: “As mulheres da base do PT-MG não aceitam ser tratadas como laranja”. A ala descontente distribuiu um manifesto assinado por 13 deputados federais e estaduais do PT. No texto, eles afirmam que destinar “recursos ínfimos e irrisórios” representa “a mais grave instrumentalização da mulher na política”.
Coaf apontou movimentação incompatível com receita de R$ 2,7 mil declarada ao
banco
Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS-| Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
A empresa Camilo Comércio e Serviços movimentou R$ 6,1 milhões em
uma conta do Banco de Brasília (BRB) entre 2023 e 2025. Segundo o site
Poder360, o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido
como “Careca do INSS”, e a lobista Roberta Luchsinger pretendiam
usar a firma para vender R$ 626 milhões em canabidiol ao Ministério
da Saúde.
O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf),
citado pelo Poder360, mostra que os valores destoavam da receita
operacional bruta de R$ 2.765,70 declarada ao banco.
Fundada em 25 de abril de 2023, a empresa tinha capital social de R$
10 mil e usava o nome fantasia World Cannabis. Segundo a reportagem,
o “Careca do INSS” detinha 90% do negócio. Seu filho, Romeu Carvalho
Antunes, possuía os outros 10%.
Relação entre Careca do INSS e Lulinha
Segundo o Coaf, a empresa recebia e enviava recursos principalmente
por meio de transferências com firmas ligadas aos próprios sócios. O
órgão afirmou que a conta não apresentava dados financeiros ou
informações sobre a origem dos valores que justificassem as
transações.
Empresas ligadas a “Careca do INSS”, como a Prospect Consultoria e a
Brasília Consultoria Empresarial, faziam depósitos e recebimentos
frequentes com a World Cannabis. Algumas operações envolviam
repasses superiores a R$ 100 mil.
Em 31 de março de 2025, a World Cannabis enviou 70.653,87 euros,
equivalentes a R$ 451 mil na cotação da época, para a Foliumed, em
Madri, na Espanha. A firma informou que o pagamento era por serviços
de consultoria técnica.
A Daycâmbio considerou a operação atípica, recusou a transferência e
comunicou o caso ao Coaf. A operação ocorreu no mesmo período da
mudança de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para
a Espanha. A sede da Foliumed fica a 1,3 km da empresa de Lulinha e a
15 km da residência dele no país europeu.
O BRB considerou a movimentação incompatível com a capacidade
financeira declarada pela empresa.
Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Careca do INSS: repasses suspeitos-| Foto: Reprodução/X
Transferência envolveu associação de aposentados
Os documentos do Coaf também apontam uma triangulação financeira
envolvendo verbas de aposentados. Em 24 de outubro de 2024, a
Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação
(Abapen) transferiu R$ 625.962,50 para a Prospect Consultoria.
Em seguida, a Prospect repassou R$ 100 mil para a World Cannabis. O
relatório aponta ausência de justificativa econômica para o crédito
recebido pela Prospect.
Em sabatina na emissora, candidato do PL à Presidência lembra que empresa
ligada ao banco patrocinou o programa de Luciano Huck
Flávio Bolsonaro concede entrevista a Cesar Tralli e Renata Vasconcellos - Foto: TV Globo/Divulgaçã
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, citou
negócios do Banco Master com o Grupo Globo ao responder a perguntas
sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do expresidente Jair Bolsonaro. Durante sabatina na TV Globo nesta sextafeira, 28, o senador também defendeu o sigilo da fonte jornalística e
criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Perguntado sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, Flávio
comparou o patrocínio ao filme sobre o pai com a publicidade do Will
Bank, braço digital do Master, no programa Domingão com Huck. O
candidato afirmou que o patrocínio ao programa chegou a R$ 160
milhões.
Vorcaro também participou da abertura de um evento do jornal Valor
Econômico, do Grupo Globo, em Nova York. Flávio afirmou que o
banqueiro investiu R$ 50 milhões na Editora Globo para a realização de
palestras.
Os entrevistadores voltaram a cobrar informações sobre o destino dos
recursos destinados ao filme e a relação de Flávio com Vorcaro. O
candidato afirmou que não recebeu pessoalmente os recursos. “Não
recebi dinheiro nenhum, foi um patrocínio para a produtora que fez o
filme”, disse.
Segundo Flávio, sua participação no projeto consistiu em autorizar o
uso de sua imagem e captar investidores. “O patrocínio para o filme
privado foi de boa fé”, declarou. “Não tem nada de ilegal, está tudo
correto.”
O candidato também defendeu a instalação da Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito (CPMI) do Master e disse que já assinou o
requerimento para a investigação.
Flávio defende sigilo da fonte jornalística
Em outro momento da entrevista, Flávio contestou a condenação do pai
pela tentativa de golpe de Estado e criticou ministros do STF. Jair
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo
da suposta trama golpista, conforme lembrou a TV Globo durante a
sabatina.
Flávio defendeu a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de
2023 e prometeu, se eleito, restabelecer a segurança jurídica e assegurar a atuação das instituições dentro de suas atribuições
constitucionais.
Nesse contexto, o senador citou a proteção às fontes jornalísticas. “Até
fontes jornalísticas são ameaçadas, têm quebra de sigilo, sofrem busca
e apreensão, lesando o direito sagrado de todo jornalista de sigilo da
sua fonte”, declarou.
Flávio se referia ao caso do jornalista maranhense Luís Pablo, alvo de
busca e apreensão determinada por Moraes depois de publicar
reportagens sobre o uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do
Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino.
A análise dos
equipamentos apreendidos levou à identificação do ex-secretário
Raimundo Cutrim como fonte do jornalista.
Na área econômica, Flávio prometeu reduzir o número de ministérios e
cargos comissionados, cortar burocracia e buscar um ajuste fiscal. Ele
também afirmou que não pretende fazer economia sobre quem recebe
salário mínimo ou aposentadoria.
Encontro teve executivos de bancos, empresas e mercado financeiro e incluiu
discussões sobre economia, Congresso e STF
Flávio Bolsonaro, em discurso na Praia de Copacabana — 16/8/2026 | Foto: Reprodução/YouTube/@flaviobolsonaro
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
participou, na noite desta quinta-feira, 27, de um jantar com 14
empresários e executivos do mercado financeiro em São Paulo. Marcelo
Kayath, ex-presidente do Credit Suisse Brasil e sócio da gestora QMS,
ofereceu o encontro.
A reunião reuniu nomes bancos e empresas e sinalizou uma maior
aproximação de integrantes do setor financeiro com a candidatura de
Flávio. Segundo relatos sobre o encontro, os convidados aproveitaram a
ocasião para conhecer as propostas do senador para um eventual
governo.
Entre os participantes estavam Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco;
Milton Maluhy Filho, do Itaú; Gilson Finkelsztain, do Santander; Roberto
Campos Neto, do Nubank; Christian Egan, da B3; Pedro Parente, da
EbCapital; Richard Gerdau, da Gerdau; e Fábio Ermírio de Moraes, do
Grupo Votorantim.
Também participaram Fábio Carvalho, da Abril; Daniel Goldberg, da
Lumina; João Camargo, da Esfera Brasil; José Gallo, ex-Renner;
Fernando Simões, da JSL; e a administradora Dani Marques.
Economia e cenário político
Durante o jantar, Flávio apresentou propostas para a economia e falou
sobre a relação de um eventual governo com o Congresso Nacional e o
Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos temas discutidos foi a possibilidade de substituir o atual
arcabouço fiscal pelo retorno do Teto de Gastos. A avaliação
apresentada no encontro é que o governo Luiz Inácio Lula da Silva teria
enfraquecido o controle sobre as despesas públicas, contribuindo para
o atual cenário econômico.
O senador e candidato ao Planalto pelo PL, Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução/Redes sociais
A situação do comércio também entrou na conversa, com menções aos
pedidos de recuperação judicial de empresas como Habib’s e Casas Bahia.
Os jornalistas questionaram Flávio sobre como ele pretende lidar com a
influência do Centrão e com o poder do STF. Segundo relatos, o senador
afirmou que a solução deve seguir o caminho democrático, por meio do
Congresso Nacional.
O encontro não representou uma adesão formal dos empresários à
candidatura, segundo participantes. Os organizadores compareceram à
reunião como uma oportunidade para ouvir as propostas do candidato.
O jantar ocorreu depois de Flávio cumprir agenda política em Alagoas,
onde participou de carreatas em Maceió e no interior do Estado.
Ex-presidente da Chesf vai liderar a gestão dos projetos estratégicos em inovação, impacto, finanças sustentáveis, inteligência de dados e gestão de projetos
Sergio Moreira, diretor de Operações e Projetos do Instituto Amazônia+21.
O Instituto Amazônia+21, organização vinculada à Confederação Nacional da Indústria (CNI), anunciou Sérgio Moreira como novo diretor de Operações e Projetos. Ele também passa a comandar a Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS), estrutura criada para captar e direcionar recursos a iniciativas sustentáveis na Amazônia e em outros biomas brasileiros.
Com mais de 40 anos de atuação em desenvolvimento territorial e em setores estratégicos, Moreira terá a missão de impulsionar a industrialização sustentável na região. Formado em Direito pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ele foi secretário de Planejamento e Orçamento de Alagoas, diretor-presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (hoje Axia Energia Nordeste), secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Amazônia Legal, superintendente da Sudene e diretor-presidente do Sebrae Nacional. Mais recentemente, atuou como diretor-adjunto do SENAI Nacional e da área de Educação e Tecnologia da CNI. Também passou pelo PNUD, pelo Fundo Multilateral de Investimentos do BID e integrou conselhos do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, do Metrô de São Paulo e do Comunidade Solidária.
No novo cargo, Moreira liderará a operação e a gestão dos projetos estratégicos do Instituto e da FAIS, à frente de uma equipe multidisciplinar nas áreas de inovação, impacto, finanças sustentáveis, inteligência de dados e gestão de projetos. Entre as atribuições estão o avanço do portfólio da economia verde amazônica, a estruturação de instrumentos financeiros e veículos de investimento, a originação de novas iniciativas e a mobilização de capital para ampliar escala e impacto no território.
“O Instituto tem uma tese fascinante e que me motivou a aceitar este novo desafio: transformar as vocações da Amazônia em atividades produtivas capazes de acelerar o desenvolvimento sustentável local. Encontro uma equipe extremamente qualificada e parceiros de peso, que reúnem conhecimento, capacidade de articulação e recursos para colocar essa visão em prática”, afirma Moreira.
Sob sua gestão estão iniciativas como o Morar Amazônico, em parceria com a Caixa, por meio do Fundo Socioambiental Caixa (FSA). O projeto busca demonstrar como o uso sustentável e industrializado da madeira nativa manejada pode gerar soluções habitacionais de interesse social e fortalecer a cadeia da construção civil. Também integram o portfólio o Fundo Travessias, realizado com o Sebrae, que combina assistência técnica e acesso a capital para negócios e startups da bioeconomia amazônica; e o Fundo Rural+Verde, em parceria com a Global Citizen e o Banco da Amazônia, voltado a ampliar o financiamento para pequenos produtores, assentamentos rurais e povos indígenas.
“O Instituto e a FAIS possuem um portfólio de projetos de grande magnitude, construído ao lado de instituições que são referência em suas áreas e que compartilham conosco a ambição de encontrar novos caminhos para a Amazônia. São iniciativas que atuam sobre desafios estruturais e, ao mesmo tempo, têm potencial para criar modelos capazes de ser replicados em diferentes territórios. É uma responsabilidade enorme e uma oportunidade muito estimulante”, avalia o novo diretor.
O Instituto Amazônia+21 é uma iniciativa da CNI e das Federações da Indústria da Amazônia Legal. Atua como hub entre capital e território, estruturando negócios sustentáveis, reduzindo riscos e atraindo investimentos em escala por meio da FAIS. Com base em ciência, dados e governança, a organização impulsiona cadeias da economia verde que geram emprego, renda e qualidade de vida, tendo a floresta em pé como ativo produtivo.
Redes sociais de Luchsinger ostenta rede de relacionamentos da amiga de Lulinha no centro do poder do Brasil
Roberta Luchsinger mantém feed poderoso com autoridades da República no Instagram (Fotos: Instagram @roberta.luchsinger)
A ostentação da proximidade, ao menos física, do presidente Lula (PT) nas suas 12 fotos das redes sociais com a lobista Roberta Luchsinger é apenas parte de sua ampla rede de relacionamentos com a cúpula dos Poderes da República. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo petista também ilustram a linha do tempo das postagens com a suspeita de intermediar negócios sob suposto tráfico de influência atribuído o filho de Lula, Fábio Luís, o “Lulinha”.
As imagens com Lula desmentiram a lorota do candidato petista à reeleição sobre nunca ter estado próximo da lobista investigada que ostenta tatuagem de “best friend” da esposa de Lulinha, Renata Moreira. E o feed extrapola o círculo familiar de Lula.
A primeira-dama Janja e a nora de Lula não são as únicas a aparecem felizes e sorridentes nas imagens com Luchsinger. O que indica o acesso privilegiado da lobista a quem ocupa o centro do poder nacional, em Brasília.
Personagens relevantes da República nas outras fotos com a lobista ampliam a dimensão dos contatos da amiga de Lulinha. Maior parte das imagens que Luchsinger ostenta com autoridades mostram encontros amigáveis em eventos sociais.
Aparecem com a lobista os ministros do STF Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, e os integrantes já aposentados do Supremo, Luís Roberto Barroso e Carlos Ayres Britto.
Porém, é necessário ponderar que a ostentação mostra a lobista integrada ao círculo de poder que decide o destino do Brasil, mas não indicam qualquer ato ilegal ou relativo às investigações e suspeitas que ligam a amiga da família do presidente a escândalos como o roubo bilionário a aposentados e pensionistas do INSS e o caso de Lulinha.
A assessoria de imprensa do STF ressaltou para o Diário do Poder que seus ministros cumprem agenda institucional e participam regularmente de solenidades, cerimônias sociais e eventos públicos abertos a diversos convidados do meio jurídico, político e da sociedade civil.
“Os registros fotográficos foram na posse do ministro Zanin no STF, evento público no qual é costumeiro que os ministros atendam a solicitações de fotos. No caso do ministro Flávio Dino, a foto é de 2022, quando o ministro não exercia função pública. Ele atendeu a um pedido de foto em um aeroporto, como acontece cotidianamente”, esclareceu a assessoria do Supremo.
Ministério da Saúde
No feed de Luchsinger é possível encontrar a lobista com a ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade (demitida em contexto de desgaste político) e seu então secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa, que é o atual chefe de gabinete adjunto de Lula.
Conhecido como Berger, ele é citado na investigação como alvo de uma suposta articulação conjunta da lobista com Lulinha, com objetivo de fechar contrato de R$ 626 milhões com uma empresa de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso pelo roubo bilionário a aposentador e pensionistas.
Nesta semana, o senador Carlos Viana, que presidiu a CPMI do INSS pediu que o Plenário do Senado convoque o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para explicar se o lobby de Luchsinger junto ao Ministério resultou em contratos.
O ministro aparece em fotos com a lobista. E sua pasta não respondeu ao Diário do Poder sobre eventuais reuniões, seus participantes, articuladores, além de empresas, projetos e possíveis processos e recursos envolvidos no lobby atribuído à lobista amiga de Lulinha. A reportagem também pediu posicionamento de Luchsinger. E está à disposição para manifestações de qualquer pessoa mostrada na matéria nas postagens da lobista.
Veja quais são as autoridades que Roberta Luchsinger ostenta em suas redes:
Geraldo Alckmin (Vice-presidente da República):
Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes (Ministros do STF):
Cristiano Zanin (Ministro do STF):
Flávio Dino (Ministro do STF e ex-ministro da Justiça):
Luís Roberto Barroso (Ministro aposentado do STF):
Ayres Britto (Ministro aposentado do STF) e sua filha Adriele:
Daniela Teixeira (Ministra do STJ):
Alexandre Padilha (Ministro da Saúde e ex-chefe das Relações Institucionais):
Gleisi Hoffmann (Ex-ministra de Relações Institucionais e ex-presidente nacional do PT):
Nísia Trindade (Ex-ministra da Saúde) e o chefe de gabinete adjunto de Lula, Berger Barbosa:
Márcio França (Ex-ministro do Empreendedorismo):
Wellington Dias (Ministro do Desenvolvimento Social):