segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Na ONU, Brasil reforça pedido por acordo de cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia

 O embaixador Ronaldo Costa Filho advertiu para as consequências das sanções de EUA e UE na economia global

O embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho, em pronunciamento durante a 11° Reunião de Emergência da ONU - 28/02/2022 | Foto: Reprodução/ONU
O embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho, em pronunciamento durante a 11° Reunião de Emergência da ONU - 28/02/2022 | Foto: Reprodução/ONU

O embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Ronaldo Costa Filho, reiterou nesta segunda-feira, 28, o pedido para que a Rússia e a Ucrânia cheguem a um acordo de cessar-fogo. A crise entre os dois países chegou ao quinto dia. Na semana passada, os russos atacaram os ucranianos.

“Essa situação não justifica, de forma alguma, o uso de força contra a soberania e a integridade territorial de qualquer Estado-membro”, declarou Costa Filho, durante reunião de emergência da ONU. “Vai contra as normas e os princípios mais básicos e é uma violação clara da Carta da ONU”, observou o diplomata.

Costa Filho advertiu ainda para as consequências das sanções dos Estados Unidos e da União Europeia (UE). “De igual importância é o nosso pedido a todos os envolvidos que reavaliem as suas decisões sobre o fornecimento de armas, o recurso de ataques cibernéticos e a aplicação de sanções seletivas.”

Para o diplomata, as medidas podem afetar negativamente a economia global, incluindo a área crítica de segurança alimentar. Conforme noticiou Oeste, os EUA puniram o Banco Central da Rússia e a UE baniu bancos russos do sistema de pagamentos global Swift, além de ter fechado o espaço aéreo do bloco.

Costa Filho pediu “soluções construtivas”. O representante do Brasil na ONU criticou ações que podem prolongar a crise entre a Rússia e a Ucrânia e afetar a economia mundial. Também citou o ataque à infraestrutura e a serviços básicos em território ucraniano como causas de “grande preocupação” para o mundo.

Leia também: “A fraqueza ocidental”, artigo de Rodrigo Constantino publicado na Edição 101 da Revista Oeste

Cristyan Costa, Revista Oeste

EUA proíbem transações com o BC da Rússia: 'Ação sem precedentes'

 Medida visa a ampliar o cerco econômico contra Moscou depois da invasão ao território ucraniano

A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen | Foto: Reprodução/Casa Branca
A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen | Foto: Reprodução/Casa Branca

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos proibiu nesta segunda-feira, 28, que sejam realizadas transações com o Banco Central da Rússia, o fundo nacional de riqueza russo e o Ministério das Finanças da país. A medida visa a ampliar a pressão econômica contra Moscou.

O governo do presidente dos EUA, Joe Biden, também impôs sanções contra o Fundo de Investimento Direto da Rússia, assim como a seu diretor, Kirill Dmitriev, que foi citado pelo Tesouro norte-americano como um conhecido aliado do líder russo, Vladimir Putin.

“Essa ação imobiliza efetivamente quaisquer ativos do Banco Central russo detidos nos Estados Unidos ou por pessoas dos EUA, onde quer que estejam”, informou o departamento, em nota.

Segundo a gestão Biden, ao restringir ainda mais pessoas e entidades russas no sistema financeiro dos Estados Unidos, o país continua a demonstrar “seu compromisso inabalável de apoiar a Ucrânia, impor custos ao círculo íntimo de Putin ou àqueles ligados a Putin”.

A ideia é que as restrições também impeçam que o Kremlin consiga mais dinheiro para financiar a invasão da Ucrânia. Os norte-americanos não tomaram essa ação sozinhos. Na semana passada, outros países também comprometeram a impor medidas restritivas ao Banco Central russo.

As autoridades temiam que, se a medida não fosse tomada, Putin poderia usar reservas internacionais da Rússia para diminuir os efeitos das sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

“A ação sem precedentes que estamos tomando hoje limitará significativamente a capacidade da Rússia de usar ativos para financiar suas atividades desestabilizadoras”, disse a secretária do Tesouro, Janet Yellen.

“Hoje, em coordenação com parceiros e aliados, estamos cumprindo os principais compromissos para restringir o acesso da Rússia a esses valiosos recursos”, afirmou a secretária, Janet.

Leia também: “A fraqueza ocidental”, artigo de Rodrigo Constantino publicado na Edição 101 da Revista Oeste

Revista Oeste

A Guerra na Ucrânia é legítima? Putin X Ocidente – Boletim Coppolla

'Os Pingos Nos Is' - Augusto Nunes, Fiuza, Ana Paula, Trindade e Brown analisam desdobramentos da invasão da Ucrânia pela Rússia de Putin, a fraqueza de 'lideranças' ocidentais, tipo Macron, Biden, Trudeau...

Percival Puggina, a pandemia e os políticos

 



O “fenômeno” Mandetta

Tudo começou com Luiz Henrique Mandetta. No início da pandemia, o então ministro da Saúde mudou-se do gabinete de trabalho para o auditório do ministério. Diante dos holofotes, das câmeras, dos flashes e dos microfones estava ele em seu melhor ambiente. Ali, diga-se de passagem, tinha um desempenho brilhante. A nação, temerosa, lhe rendia apreço e confiança. Sabe-se, hoje, que mais desorientou do que orientou, mas fez isso com maestria. Sua suposta ciência e muito jeito convenciam qualquer sujeito. Apesar de tão mal no que era importante, foi tão bem no supérfluo que saiu do ministério e entrou na lista dos presidenciáveis de 2022.

Os aprendizes
A dita classe política assistia cada apresentação de Mandetta com olhos e ouvidos de aprendiz. Rapidamente, a moda pegou. Por todos os rincões do país, onde houvesse imprensa, o modelo de aproveitamento político da pandemia se foi reproduzindo e, com igual velocidade, a autoridade se desdobrou em autoritarismo. Seu mais esforçado aluno foi João Dória.

Pandemia, vacina e “pau no Bolsonaro”: João Dória
O governador de São Paulo percebeu o lugar vago, tomou para seu Butantã a pauta da vacina e rompeu com Bolsonaro. As abelhas do jornalismo brasileiro voaram em enxame para a nova colmeia onde se concentrava o mel de seus noticiários: pandemia, vacina e “pau no Bolsonaro”. João Dória se vislumbrou como futuro presidente.

Bolsonaro e a animosidade coligada
“E o Bolsonaro?”, perguntará o leitor. Pois é, o presidente, sabe-se hoje, estava certo em quase tudo, mas a animosidade estudada e coligada contra ele concentrou-se em alguns erros menores para lhe causar todo dano político possível. O inteiro pacote de factoides da CPI da Covid, ao virar vento e ir para a camada de ozônio, faz prova disso. Se há algo de que acusá-lo é de não ter buscado tirar repugnante proveito eleitoral da crise sanitária. Manteve e mantém uma retórica teimosa que o prejudicou, mas fez o que tinha que ser feito, forneceu o que tinha que ser fornecido (o Brasil é o 4º país que mais vacinas aplicou) e socorreu as vítimas que os vírus paralelos do “fique em casa” e do “fecha tudo” geraram aos milhões pelo país.

Resumo e conclusão
Mandetta virou presidenciável em abril de 2020, caiu no esquecimento em 2021, tentou voltar ao palco, mas acabou sumindo da lista, por desinteresse dos eleitores.

O senador José Aníbal, tucano bom de bico, ex-presidente do PSDB, praticamente esfarelou ontem as pretensões eleitorais do saracoteante governador paulista. Numa sucessão de entrevistas, disse que se Dória tivesse um mínimo de bom senso retiraria sua candidatura porque o pré-candidato tucano só tem números grandes em listas que medem rejeição… Acrescentou que o eleitor percebeu o uso político do palco para atacar o presidente e tirar proveito eleitoral da pandemia e estava, por tudo isso. perdendo credibilidade. São palavras de um derrotado por Dória nas prévias tucanas, mas tudo que ele diz corresponde aos fatos.

Conclusão, também no âmbito da política, a pandemia só fez estragos. Até mesmo para quem, como Bolsonaro, defendeu a liberdade, o direito ao trabalho, ficou rouco e somou inimigos advertindo para a tempestade perfeita que adviria das medidas em execução por estados e municípios (hoje até a OMS admite o erro), já disponibilizou 350 milhões de vacinas e distribuiu centenas de bilhões de reais em auxílios às famílias necessitadas.

Percival Puggina, Diário do Poder

Sete reflexões, ou “tragos de vodca”, sobre a guerra na Ucrânia, por Caio Coppolla

 

Foto: Pixabay


Na semana passada, logo depois de iniciada a invasão da Ucrânia pela Rússia, comecei a anotar algumas reflexões sobre o conflito. Chamei a série de "Tragos de Vodca".

Os quatro primeiros "tragos" publiquei na Revista Oeste e estão na sequência dos outros três, que trago hoje para minha coluna da Gazeta do Povo. Espero que essas sete anotações ajudem o leitor a entender melhor o ataque à Ucrânia.


Jogo de palavras

O Ministério da Defesa – do Ataque? – russo teceu duras críticas à Ucrânia pela iniciativa de armar sua população civil. O major-general, porta-voz da pasta, afirmou que “o regime nacionalista de Kiev distribui massiva e incontrolavelmente armas leves automáticas, lançadores de granadas e munição para moradores de assentamentos ucranianos”, acrescentando que “o envolvimento da população civil da Ucrânia pelos nacionalistas nas hostilidades levará inevitavelmente a acidentes e baixas” – talvez como aquela ogiva russa armada e parcialmente enterrada num parque infantil...

A escolha de palavras do Kremlin requer tradução: “regime nacionalista de Kiev” é putinês para o governo democraticamente eleito da Ucrânia, capitaneado por um Presidente, Volodymyr Zelensky, que obteve mais de 70% dos votos em 2019. Já as hostilidades supostamente incentivadas pelos nacionalistas nada mais são do que a resistência heroica e patriota de cidadãos livres, de um país independente, lutando por sua autonomia – não se trata de moradores de assentamentos, mas de residentes nacionais de um povo em pleno gozo da sua autodeterminação.

O porta-voz russo insiste: “Pedimos ao povo da Ucrânia que seja consciente, não sucumba a essas provocações do regime de Kiev e não se exponha e seus entes queridos a sofrimento desnecessário”. Pegar em armas contra uma força estrangeira invasora não requer muita provocação, nemparece sintoma de ausência de consciência; mas será que o sofrimento de civis e militares da resistência é fútil ou desnecessário?

“Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança” disse Benjamin Franklin, na época em que os EUA eram o farol da humanidade, onde abundavam lideranças de verdadeira envergadura moral – como são os anônimos da resistência ucraniana.


País desarmado, povo refém

O pronunciamento oficial da Rússia sobre a distribuição de armas em Kiev veio um dia após o Ministério da Defesa e do Interior da Ucrânia solicitar a colaboração dos moradores da capital: “nos informem sobre movimentos de tropas, façam coquetéis molotov e neutralizem o inimigo”. Nas redes sociais, o governo publicou um passo-a-passo para a fabricação caseira de bombas de gasolina e, segundo fontes oficiais, 18mil armas foram distribuídas.

O descontentamento da força invasora com o armamento voluntário da população violada sinaliza a potencial efetividade da estratégia de formação de milícias civis e do combate de guerrilha. Muitas batalhas já foram vencidas dessa maneira, inclusive durante a sanguinária incursão nazista na Rússia. Obrigar o inimigo a lutar por cada esquina, rua e prédio – apreensivo a cada palmo que avança em território hostil – abala a moral do exército intruso; além disso, nada como o combate homem a homem para materializar a violência (e a estupidez) do conflito, tanto para quem participa, quanto para quem assiste.

Daí a insatisfação do porta-voz e major-general russo, cujas palavras desbordam para o campo da ameaça ao citar uma inevitável escalada de baixas e de sofrimento entre os civis ucranianos. Por outro lado, o exército russo pareceu não se incomodar com a (nobre) tentativa de civis desarmados de barrar o avanço de tanques blindados na cidade ucraniana de Chernigov – o metal prevaleceu sobre a carne-e-osso, assim como a força prepondera sobre a razão em situações de guerra.

O episódio do armamento civil em Kiev nos chama atenção para a verdadeira natureza das armas de fogo: são instrumentos de defesa que previnem, ou ao menos dificultam, que a população seja refém de uma tirania, refém de uma força invasora ou refém do crime organizado – como é o caso do povo trabalhador do Brasil, absolutamente vulnerável diante do assédio de assaltantes, latrocidas, sequestradores, estupradores e homicidas. Num país que contabiliza mais de meio milhão de mortes violentas só na última década, surpreende que a opinião pública ainda não tenha despertado em sua totalidade para a falácia desarmamentista daqueles que responsabilizam objetos inanimados pela conduta de seus proprietários. Seja no Brasil ou na Ucrânia, o direito à legítima defesa é um imperativo moral e não surpreende que tanto os russos em Kiev quanto as facções nos morros abominem o armamento da população que eles pretendem subjugar.


A guerra, a fome e o sofrimento desnecessário

No terceiro dia de guerra, o número de fatalidades permanece desconhecido e sigiloso. Um relatório das Nações Unidas dá conta de, ao menos, 64 mortes entre os civis ucranianos – suspeita-se que o número de baixas entre os militares já esteja na casa de centenas, em ambos os lados. Esses óbitos vão pra conta de um governo russo de pretensões imperialistas, que violou tratados internacionais e tem pouca tolerância a regimes democráticos, exceto quando alinhados ao Kremlin. Putin já declarou que “o colapso da União Soviética foi a maior catástrofe geopolítica do século [XX]” – sim, por incrível que pareça, ele se referia ao mesmo centenário que assistiu a duas guerras mundiais e aprisionou centenas de milhões de pessoas na escuridão da cortina de ferro socialista.

Há menos de 100 anos, no alvorecer da URSS, outro governo russo impôs aos ucranianos sua visão de mundo enviesada e ideológica. Entre 1932 e 1934, a Ucrânia foi devastado pela Grande Fome, ou Fome Terror, ou ainda Holodomor (“matar pela fome”) que massacrou 3.9 milhões de ucranianos étnicos por inanição – para muitos, um genocídio levado a cabo pelo governo soviético, que impôs políticas isolacionistas, coletivistas e de confisco agrícola aos camponeses, muitos dos quais recorreram até ao canibalismo na tentativa desesperada de sobrevivência.

Os horrores do Holodomor levaram décadas para chegar ao conhecimento do Ocidente. Só após a queda da União Soviética – a tal catástrofe geopolítica – o mundo livre conheceu a verdade sobre a fome, a miséria e a violência do comunismo e suas doutrinas derivadas. Putin até que se esforça para imitar seus antecessores, dificultando a livre circulação da informação e restringindo o acesso às redes sociais; mas o mundo de hoje é muito mais conectado e talvez mais sensível ao “sofrimento desnecessário”, como diria o major-general russo. Bastam as mortes – e não milhões de mortes – para alertar e mover a opinião pública. Na zdoróvie.


Velhos hábitos

Vladimir Putin tem um andar característico, flagrado em múltiplas filmagens, que já foi até objeto de artigos científicos. Ao invés de movimentar os braços livremente, utilizando-os como contrapeso aos seus passos, o presidente da Rússia caminha de forma assimétrica, com a movimentação reduzida em seu lado direito, dos ombros à mão.

Essa forma peculiar de marcha – apelidada (e glamourizada) pela imprensa internacional como “gunslinger’s gait”, o passo do pistoleiro em tradução livre – é atribuída ao treinamento de agentes da KGB, o serviço secreto soviético, onde Vladimir Putin chegou à patente de tenente-coronel.

Segundo os pesquisadores, a proximidade do braço ao corpo favoreceria o acesso mais rápido ao coldre e a agilidade no saque da arma numa eventual situação de emergência. Assim caminham o líder russo e seus velhos hábitos.


Tempos difíceis e seus homens

O avô paterno do Presidente da Rússia, Spiridon Putin, era cozinheiro pessoal de Lenin e outros líderes da Revolução Russa – uma informação que, por algum motivo, foi mantida em sigilo até 2018. Quando Stálin tomou o poder e perpetrou a carnificina dos expurgos, chef Putin e sua esposa foram poupados: “Eles eram, provavelmente, valorizados por serem pessoas de confiança”, comentou Putin, o neto, nascido em 1952 em Leningrado, onde viveu com a família em um apartamento comunitário.

Putin, o pai, nasceu em 1911, com o país sob domínio czarista. Ainda na infância, testemunhou uma revolução, uma guerra mundial e a fome russa, que matou cerca de 5 milhões dos seus conterrâneos. Lutou na 2ª grande guerra e foi gravemente ferido por um tiro de metralhadora; sobreviveu, assim como sua esposa, que resistiu ao cerco a Leningrado, um morticínio que vitimou ao menos 2 milhões de russos, entre militares e civis. Vladimir Putin, presidente russo, é o filho mais velho desse casal – mas só porque seus irmãos, nascidos antes, faleceram na infância.

Reza o provérbio oriental: “Homens fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram homens fracos, mas homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes”... onde estaremos?


Tempos fáceis e seus homens

Emanuel Macron nasceu em 1977, formou-se em filosofia e graduou-se administração com mestrado em políticas públicas. Tornou-se sócio do Rothschild & Cie Banque, que o fez milionário antes dos 35 anos. Já como presidente da França, lançou mão de uma estratégia velada e intelectualmente desonesta de protecionismo agropecuário contra o Brasil, amealhando quase 150mil coraçõezinhos em sua postagem lacradora sobre a Amazônia em 2019, ilustrada pela foto de um incêndio de décadas atrás: “Nossa casa está queimando. Literalmente. A floresta amazônica – os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta – está pegando fogo. É uma crise internacional”. Claro que pulmões não produzem oxigênio, absorvem – exatamente o que faz a floresta, que consome a maior parte do gás liberado pela fotossíntese, embora contribua de outras formas para a ecologia e o clima do mundo. Mas o que salta aos olhos é a definição do presidente francês de crise internacional.

Outro que já usou a Amazônia para bravatear e capitalizar politicamente foi o commander-in-chief, Joe Biden, que, num debate eleitoral, sugeriu o pagamento – estamos aguardando! – de algo como 20 bilhões de dólares para que o Brasil parasse de destruir a Amazônia. O então candidato até ameaçou: “se não parar, vai enfrentar consequências econômicas significativas”.

Parece que os líderes do mundo-livre finalmente se depararam com uma crise internacional de verdade, que requer medidas concretas contra agentes políticos realmente antagônicos aos valores do Ocidente. E agora?


O mundo dá voltas

Há dez anos, Mitt Romney, candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, foi entrevistado pela CNN e afirmou: “A Rússia é, sem dúvida, nosso maior inimigo geopolítico”. Romney acrescentou: “Quem sempre se alinha aos piores atores globais? A Rússia, geralmente com a China ao seu lado”.

Ato contínuo, em sua campanha pela reeleição, o presidente Barack Obama fez questão de zombar seu adversário por essa resposta:

“Quando você foi perguntado qual era a maior ameaça geopolítica contra a América, você respondeu Rússia, não Al-Qaeda [grupo terrorista de extremistas islâmicos responsável pelos ataques de 11 de Setembro]. E os anos 80 estão na linha solicitando sua política externa de volta, porque a Guerra Fria acabou há 20 anos”.

Barack Obama, o sarrista, foi o único presidente americano na história a completar 8 anos de gestão com as tropas do seu país em combate ativo no exterior – uma contradição flagrante à sua plataforma eleitoral, que contemplava o encerramento de conflitos e o retorno das forças armadas ao lar. Durante seu governo, em 2014, os russos invadiram e anexaram o estratégico território da Crimeia, antes pertencente à Ucrânia. Embora a anexação não seja reconhecida pela ONU, a unificação ao território russo é dada como fato consumado. Especialistas avaliam que a incursão pela Crimeia foi o balão de ensaio para um movimento mais ousado de Putin na Ucrânia que ocorreu tão logo um democrata voltou a ocupar o Salão Oval. São as coincidências de um mundo que dá voltas...


Gazeta do Povo

Trump critica líderes mundiais por atuação na guerra

 O ex-presidente dos EUA reafirmou que a crise no leste europeu não teria acontecido se ele estivesse na Presidência

Trump afirmou que Putin decidiu agir depois de assistir a retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, no ano passado
Trump afirmou que Putin decidiu agir depois de assistir a retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, no ano passado | Foto: Reprodução/Flickr

O ex-presidente Donald Trump subiu o tom contra líderes mundiais em virtude da invasão da Ucrânia pela Rússia. “O ataque é terrível”, disse o republicano, durante o Congresso dos Conservadores Americanos, realizado ontem. “É um ultraje e uma atrocidade que nunca deveria ter ocorrido.”

Segundo Trump, Putin decidiu agir depois de assistir à retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, no ano passado. “O problema não é que Putin seja inteligente, o que, claro, ele é inteligente”, observou Trump. “O problema é que nossos líderes são burros. Até agora, permitiram que ele escapasse dessa farsa e ataque à humanidade.”

Trump também criticou o presidente Joe Biden, a quem chamou de “fraco” e “incompetente”, reafirmando que a crise no leste europeu não teria acontecido se ele estivesse na Presidência.

“Se você juntar os cinco piores presidentes da história dos Estados Unidos, eles não teriam causado o dano que Joe Biden e seu governo estão causando a este país”, declarou Trump, em seu discurso de quase uma hora e meia.

Os inimigos da liberdade ficam mais ousados

Segundo o artigo de Rodrigo Constantino “A fraqueza ocidental”, publicado na edição 100 da Revista Oeste, o que estamos vendo tem relação com as mudanças na geopolítica. Entretanto, isso não se refere a um fortalecimento da Rússia, por exemplo, e sim pelo enfraquecimento ocidental.

Leia um trecho:

“Existem várias causas para essa guerra, mas não podemos descartar como um dos fatores que desencadearam esses eventos a fragilidade cada vez maior do Ocidente. Quando o xerife do mundo livre se mostra pusilânime, os inimigos da liberdade ficam mais ousados. O Ocidente precisa urgentemente de um novo Churchill, que conhecia a natureza humana e estava disposto ao sacrifício para defender a civilização ocidental.”

Revista Oeste