terça-feira, 31 de dezembro de 2019
Delação de executivo de ônibus atinge todas as esferas de poder no Rio
A delação premiada de um ex-presidente da federação de empresas de ônibus do Rio de Janeiro atinge todos os Poderes estaduais e municipais.
Assinado em fevereiro, o acordo de Lélis Teixeira com o Ministério Público Federal cita Executivos, Legislativos e Tribunais de Contas estaduais e municipais, além do Judiciário e do Ministério Público fluminenses.
Teixeira detalhou as informações que recebeu sobre o pagamento de propinas para autoridades estaduais ao longo de anos, descrevendo os beneficiários da “caixinha da Fetranspor”, como ficou conhecido o caixa dois das empresas de ônibus para pagar propina ou verba eleitoral ilegal a agentes públicos.

A dimensão da "caixinha" já havia sido dada pelo antigo operador financeiro da Fetranspor, Álvaro Novis. Ele fechou delação premiada em 2017 e seus depoimentos deram origem à Operação Ponto Final, que teve como alvos os maiores empresários do setor no Rio de Janeiro.
Novis era o responsável por receber o dinheiro vivo que vinha das roletas de ônibus de todo o estado e distribuí-lo sob ordens dos empresários. Estima-se em R$ 500 milhões o total repassado de 2010 a 2016.
Os agentes corruptos eram identificados por apelidos e endereços em suas planilhas. Em alguns casos, o operador nem sequer sabia quem era o destinatário dos valores.
Aí entra o valor, segundo o investigadores, da delação de Teixeira. Ele aponta os agentes públicos de seu conhecimento que receberam propina, ainda que diga não ter atuado diretamente na maioria dos pagamentos.
Com a colaboração, o estado que já teve três ex-governadores, dez deputados estaduais e seis conselheiros do Tribunal de Contas presos, pode ver a Lava Jato chegar a instituições ainda não atingidas.
A principal delas é o Tribunal de Justiça. Uma operação já mirou um perito suspeito de fraudar laudos em favor das empresas de ônibus. Ele é casado com uma juíza, não suspeita no caso. Teixeira também menciona um desembargador.
A Câmara Municipal, até agora praticamente imune aos escândalos da Lava Jato (apenas um vereador foi preso na operação por atos anteriores ao início do mandato), também pode ser jogada no centro da atuação da "caixinha da Fetranspor".
O ex-executivo afirma ter sido informado de que 13 vereadores e ex-vereadores recebiam uma mesada da federação dos ônibus. Parte do grupo recebeu ainda um extra após a instalação de uma CPI sobre o sistema de transportes em 2013, quando manifestações críticas ao preço das tarifas eclodiram no país.
O TCM-RJ também foi mencionado pelo ex-executivo. Segundo ele, três conselheiros receberam propina em ocasiões específicas, quando relatavam processos de interesse do setor.
O promotor Flávio Bonazza também teve o pedido de prisão pedido pelo próprio Ministério Público a partir do depoimento do delator. Teixeira afirma que ele recebeu uma mesada de R$ 60 mil para evitar o andamento de investigações cíveis contra empresa do setor.
Há ainda menção a propina e caixa dois a três ex-governadores (Anthony Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão), deputados estaduais e conselheiros afastados do TCE-RJ.
O prefeito Marcelo Crivella e o ex-prefeito Eduardo Paes também aparecem como beneficiários de caixa dois em diferentes eleições.
A dimensão da delação de Lélis ainda não dá conta de toda a propina distribuída. Enquanto ele descreve cerca de R$ 120 milhões de 2007 a 2017, Novis tem em suas planilhas gastos com cerca de R$ 500 milhões de 2010 a 2016.
O volume se deve ao longo período em que um mesmo grupo de empresários dominou o setor de transportes do Rio de Janeiro de maneira pouco transparente.
Os principais empresários alvos das operações ou atuam desde a década de 1980 no setor ou são herdeiros destes. O mais famoso, Jacob Barata Filho, é comumente confundido com o pai, Jacob Barata, o "rei do ônibus" original.
Lélis não era dono de empresas, mas um executivo da categoria responsável pela interação com políticos. Após atuar por 34 anos no setor, o delator incluiu num anexo de sua colaboração formas de evitar a corrupção do setor.
Entre as nove propostas, uma é a vedação de uso de dinheiro para pagamento da tarifa diretamente nos ônibus. Essa é justamente a origem do “caixa dois” da empresa usado para distribuir a agentes públicos.
CITADOS NEGAM TER RECEBIDO PROPINA
Crivella negou, em nota, ter recebido caixa dois dos empresários de ônibus. “Desde o início de sua gestão à frente da Prefeitura do Rio, ele enfrentou o poderoso lobby das empresas de ônibus e proibiu o aumento das tarifas, tradicional benesse de que vinham desfrutando confortavelmente nas gestões anteriores”, disse a prefeitura, em nota.
O advogado de Pezão, Flávio Mirza, disse que “o ex-governador nega o recebimento de qualquer valor a título de propina”.
O advogado Márcio Delambert, que representa Cabral, disse que seu cliente “está à disposição para prestar esclarecimento à Justiça sobre o assunto”.
Garotinho disse que sempre contrariou os interesses dos empresários em sua gestão, motivo pelo qual, para ele, o relato “não faz sentido”. “Era o que mais batia nos empresários de ônibus. Minha bandeira em 2014 era reduzir o preço das passagens de ônibus”, disse ele.
Já o advogado Paulo Klein, que defende o promotor Bonazza, disse que “lamenta que as acusações vazias e criminosas de um delator sem escrúpulos e já condenado venham sendo vazadas de forma a criar uma narrativa absolutamente falsa”.
Paes não comentou a delação.
Italo Nogueira, Folha de São Paulo
Bolsa bate ouro e lidera entre melhores investimentos do ano
Ano em que o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, bateu recordes, 2019 termina com o mercado de ações liderando, ainda que tenha ficado perto do ouro, entre os rendimentos que tiveram maior retorno real, acima da inflação. Os dados foram compilados pela empresa de informações financeiras Economática.
Entre o último dia do ano passado e 30 de dezembro de 2019, o Ibovespa deu retorno real (descontada a inflação) de 27,60%, ficando em vantagem em relação ao ouro, que teve retornos de 24,22%.
De acordo com o gerente de relacionamento institucional da Economática, Einar Rivero, o ouro teve uma volatilidade bastante acentuada, mas muitos investidores acabam vendo o metal como alternativa, quando os mercados internacionais oscilam muito – como ocorreu ao longo de 2019.
Logo em seguida, aparecem a poupança, que teve retorno real de 2,96%, o CDI, com 2,72%, e o dólar (0,88%). Nesse mesmo período, o euro foi o único entre os principais investimentos que servem de referência para comparação com a Bolsa que teve queda real, de 1,35%.
Historicamente, o investidor brasileiro costuma dar preferência para a renda fixa. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que levam em conta os fundos de investimento no mercado de varejo, apontam que mais de 75% do volume financeiro está alocado em renda fixa, somando um montante de R$ 468 bilhões.
Em contrapartida, nos fundos de ações, a alocação fica em 5% do total, ou R$ 32,7 bilhões.
No entanto, com as quedas consecutivas da taxa básica de juros, a Selic, que atingiu o piso histórico de 4,5% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os investimentos em renda fixa acabaram perdendo rentabilidade.
Aplicações tradicionais, como caderneta de poupança, fundos atrelados à taxa DI, que acompanha de perto a taxa Selic, e os títulos do Tesouro Direto indexados pela Selic não devem conseguir proteger o investimento do brasileiro de perdas inflacionárias projetadas para o IPCA no ano que vem.
Década
Nos últimos dez anos, a Bolsa viveu períodos marcantes, acompanhando as reviravoltas do cenário político nacional, que acabaram afetando o seu desempenho. Ao longo da década, o ano de 2015 marcou um momento significativo, lembra Rivero, da Economática.
Se, entre 2009 e 2015, o Ibovespa teve uma queda real de retorno de 57,55%, do fim de 2015 até agora, o ganho real de retorno supera os 129%.
“O que definiu um momento de forte queda e de forte alta foi o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a posterior mudança de governo. Pela crise que se estendia, tudo o que se perdeu em seis anos está sendo recuperado agora”, diz Rivero.
Se considerados os resultados de toda a década, o Ibovespa acaba perdendo para a inflação, tendo queda real de retorno de 3,27%.
No período, o ouro ganhou com folga entre os principais investimentos, com retorno de 87,52%, seguido por CDI (45,90%) e dólar (32,81%).
Douglas Gavras e Felipe Siqueira, O Estado de S.Paulo
"Sobre cigarras e formigas", por Ana Carla Abrão
Foi só em meados da década de 2010, no início de 2015, que nos demos conta do tamanho do problema fiscal dos entes subnacionais brasileiros. Até ali, tudo parecia correr às mil maravilhas. Empurrados pelo aumento da arrecadação de um Brasil que crescia, Estados e municípios gastavam como se não houvesse amanhã, comprometendo parcelas cada vez maiores das suas receitas com despesas obrigatórias, particularmente salários e benefícios de servidores públicos. Os investimentos também cresciam, mas graças à generosidade do Tesouro Nacional, que começou os anos de 2010 concedendo garantias para que esses entes se endividassem, também como se não houvesse amanhã. O ano de 2012 representou um recorde. Foram mais de R$ 60 bilhões de ampliação de limites. Esse volume se refletiu em novas operações de crédito, com desembolsos expressivos até 2014. Boa parte desses empréstimos foi concedido a entes sem a necessária classificação mínima de risco. Era a versão subnacional do famoso “gasto é vida” e que muito contribuiu para o desequilíbrio estrutural que caracteriza nossos Estados e municípios no final desta década.
O amanhã bateu à porta ainda em 2014, mas foi em 1º de janeiro de 2015, exatos 5 anos atrás, que a realidade se impôs. O tom dos discursos dos 27 novos governadores foi um só: a necessidade de um ajuste fiscal para fazer frente ao descasamento entre receitas e despesas correntes, que foi crescendo ao longo dos anos anteriores. Os Tribunais de Contas dos Estados validaram essa dinâmica que não mais podia ser ignorada. A situação se agravou com a recessão que já dava seus sinais e evidenciava o preço a ser pago. O Rio de Janeiro foi o caso mais emblemático, contrastando a imagem de cidade maravilhosa da Olimpíada meses antes, com os hospitais fechados, as aposentadorias dos servidores não pagas e o colapso da segurança pública.
Mas o Rio foi só o prenúncio do que viria a seguir e que foi reflexo de uma década de irresponsabilidade fiscal. Números do Banco Mundial e do Tesouro Nacional mostram a dimensão do estrago fiscal que se produziu nos Estados brasileiros. Receitas primárias praticamente estagnadas em relação ao PIB tiveram que dar conta de despesas primárias crescentes, evidenciando um desequilíbrio estrutural que se reflete hoje numa queda substancial dos investimentos públicos. As despesas de pessoal nos 26 Estados e no Distrito Federal cresceram em média, em termos reais, em torno de 40% entre 2011 e 2018. Em 2019 viu-se algum ajuste em função da pressão de caixa que a totalidade dos Estados sofre atualmente. Ainda assim, persiste o descasamento entre as trajetórias de receitas recorrentes e despesas de pessoal em função do crescimento vegetativo que caracteriza o atual modelo de remuneração e progressão salarial das carreiras no setor público.
A evolução das despesas com inativos é outra fonte de desequilíbrio relevante e crescente nos Estados. Entre 2017 e 2018 o volume de aportes para cobrir o déficit dos regimes próprios se elevou em 15%, superando 100 bilhões de reais. Os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul respondem por mais da metade desse montante. Os demais estão no mesmo caminho. Perdemos a chance de estancar esse problema com a exclusão de Estados e municípios da reforma da Previdência aprovada este ano. Irresponsabilidade de uma agenda política que se sobrepôs à agenda nacional.
Mas naquele 2015 em que os problemas se desnudaram, houve ações importantes de ajuste. Espírito Santo, Alagoas, Mato Grosso e Goiás entraram em um ciclo de ajuste relevante. Após dois anos de ações de reequilíbrio, apenas os dois primeiros deram continuidade na agenda fiscal e hoje colhem, nos indicadores sociais positivos, os frutos do ajuste das suas contas. Ceará e São Paulo, que desde há muito optam pela trajetória da austeridade, intensificaram a atenção no equilíbrio fiscal e ultrapassaram o inverno. Esses foram formigas trabalhando. Os demais, hoje pagam o preço de terem sido cigarras no verão.
A notícia boa, ao final desta década, é que temos mais clareza do problema fiscal dos Estados e municípios e maior número de gestores dispostos a enfrenta-lo. A notícia ruim é que o problema é estrutural e clareza em relação ao diagnóstico é só metade do caminho. Consertar o estrago exigirá trabalho, no verão e no inverno. É trabalho de formiguinha, que depende de ações individuais de cada governador – e não de Brasília.
Um Feliz 2020 a todos! Que o novo ano chegue trazendo mais paz, muita saúde e alegria.
*ECONOMISTA E SÓCIA DA CONSULTORIA OLIVER WYMAN
O Estado de S.Paulo
"Metas de desempenho", editorial do Estadão
A Lei 13.934/19 é um passo importante
para a modernização de estruturas
organizadas com base nos modelos
burocráticos de administração do
século passado
Entre as leis aprovadas pelo Congresso no final de outubro e no começo de novembro e sancionadas pelo presidente Jair Bolsonaro, uma das mais importantes é a de n.º 13.934/19, que cria o contrato de metas de desempenho para órgãos da administração pública direta e indireta federal. Se atingirem os objetivos estabelecidos, eles receberão benefícios, como maior flexibilidade para gerir seus respectivos orçamentos, receber receitas de fontes não orçamentárias, criar banco de horas para os servidores e desburocratização para pagamento de despesas de pouco vulto.
Apesar de sua importância, a ideia – que foi convertida em projeto de lei apresentado pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) em 2016 – não é nova. Ela permite que órgãos públicos tenham uma gestão semelhante à da iniciativa privada e é prevista pela Emenda Constitucional n.º 19, aprovada em 1998. A iniciativa tem por objetivo propiciar autonomia gerencial, orçamentária e financeira a órgãos dos Três Poderes da União e estabelecer parâmetros de análise de desempenho.
Ela foi posta em prática uma década e meia depois em Minas Gerais, quando Anastasia estava à frente do governo estadual. Chamada de “acordo de resultados”, ela previa até gratificações para servidores públicos, em caso de cumprimento de metas. “A nova lei traz ganhos em todos os sentidos, com os recursos alocados de acordo com objetivos determinados, metas para serem alcançadas e controles bem mais efetivos de produtividade. Ninguém se atenta ao quanto o Estado costuma perder quando a gestão é ineficiente. Bilhões de reais vão para o ralo todos os anos por falta de planejamento, porque não foram mensurados resultados e também porque não se avaliou se esses resultados fizeram jus aos investimentos despendidos”, afirma o senador.
Com base na experiência que realizou em Minas Gerais, Anastasia apresentou o projeto para implantá-lo no plano federal. Aprovada pelo Senado e pela Câmara, a lei é uma versão reduzida de um texto legal mais amplo, que chegou a ser discutido pelo Executivo com um grupo de juristas e de parlamentares há quase dez anos. Os benefícios que os órgãos supervisores poderão negociar com os órgãos supervisionados terão de levar em conta indicadores de resultados que ainda dependem de regulamentação por parte do Executivo. “Vamos regulamentar a lei no primeiro trimestre de 2020. A ideia é dar mais autonomia para as áreas da administração pública e focar mais em resultados. Atualmente, a administração pública tem o hábito de focar em processos”, afirma Paulo Uebel, secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital.
A principal diferença entre a experiência mineira e a lei federal, que entrará em vigor em junho do próximo ano, está no fato de que, no âmbito da União, não haverá gratificações para servidores. O motivo não foi econômico, mas jurídico. Segundo a Constituição, mudanças legais relacionadas a Orçamento não podem ser de autoria do Legislativo, mas do Executivo. Segundo a nova lei, o prazo de vigência dos contratos não poderá ser inferior a um ano nem superior a cinco anos. Ela também prevê a responsabilização de dirigentes públicos no caso de apresentarem maus resultados.
A Lei n.º 13.934/19 está longe de ser uma revolução na máquina governamental da União. Mas, ao implantar modelos de gestão flexíveis, criar condições para que órgãos de diferentes níveis hierárquicos passem a trabalhar com objetivos comuns, propiciar uma cultura de avaliação do desempenho do funcionalismo e impor novas regras para acompanhamento e controle de resultados da gestão pública, ela é um passo importante para a modernização de estruturas arcaicas, organizadas com base nos modelos burocráticos de administração do século passado. A nova lei é condição necessária, ainda que não suficiente, para que o País implante um modelo gerencial à altura de suas necessidades no século 21.
Parte de servidores públicos trabalha 20% a menos do que a iniciativa privada
Estudo feito pelo Novo na Câmara mostra discrepância entre a jornada de trabalho por funcionários do Tribunal de Contas da União, do Judiciário e do Ministério Público da União em relação a trabalhadores da iniciativa privada. O levantamento levou em conta o número de horas trabalhadas durante a semana, a quantidade de dias de serviço e feriados durante o ano. A maior variação se dá no TCU: o equivalente a 49 dias a menos no período. No geral, os servidores desses órgãos trabalham 20% a menos em relação aos empregados com carteira assinada.
Condão. A assimetria em relação ao Judiciário e ao MPU acontece porque a jornada de trabalho é de 35 horas semanais nesses órgãos e há o recesso forense de 20 de dezembro a 6 de janeiro, além de cinco feriados exclusivos da Justiça.
Oásis. Embora o TCU tenha menos feriados que a Justiça e também jornada diária menor, o órgão concede um mês de recesso por ano aos seus servidores.
Cara de um… As carreiras do Executivo são as que mais se aproximam do setor privado: trabalham só 1,5% a menos, chegando a 98,5% do volume de horas dos celetistas. A diferença é marcada apenas pelo dia do servidor público, 28 de outubro, e pelas folgas na segunda de Carnaval e na manhã da quarta-feira de cinzas.
…focinho de outro. No Legislativo, a diferença é intermediária, 16,5%. Os servidores deste Poder trabalham 83,5% da carga dos empregados de carteira assinada. Isso porque a jornada de trabalho semanal também é de 35 horas, e eles têm direito a 10 dias de recesso por ano.
O que acham. O Novo defende uma reforma administrativa para reduzir “privilégios” como o do estudo. Para eles, o sistema atual leva a um aumento do custo e a uma queda da qualidade do serviço público.
O Estado de São Paulo
Bolsonaro deu 65 entrevistas exclusivas a jornalistas em 2019
O presidente Jair Bolsonaro concedeu 65 entrevistas exclusivas para jornalistas em 2019. Também recebeu 114 profissionais de comunicação no Palácio do Planalto em 7 cafés e reuniu-se com 22 representantes ou donos de veículos da mídia.
Chamado de “inimigo” no episódio que culminou na 1ª demissão de 1 ministro do governo (Gustavo Bebianno), o grupo Globo foi o que mais teve acesso ao presidente. Foram 3 entrevistas exclusivas, 20 jornalistas em cafés, 4 reuniões de seus representantes institucionais e de veículos do grupo com Bolsonaro, além de 5 jornalistas presentes em entrevista no Palácio da Alvorada e em almoço no Quartel General do Exército, em Brasília.
Em seguida, está a Record, com 14 entrevistas exclusivas, presença de 6 profissionais em cafés, 11 reuniões de seus representantes, 2 presentes em entrevista no Alvorada.
O Poder360 preparou 1 infográfico que mostra as organizações que mais estiveram com o presidente:

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS
A 1ª entrevista exclusiva de Bolsonaro após a posse foi para os jornalistas Carlos Nascimento, Débora Bergamasco e Thiago Nolasco, do jornal SBT Brasil, em 3 de janeiro. A última do ano foi ao jornalista José Luiz Datena, do programa Brasil Urgente da TV Band, em 24 de dezembro, por telefone.
As organizações mais prestigiadas foram: Record (14); SBT (11); Band (10); O Estado de S. Paulo (4); Globo (3); Jovem Pan (2); e O Antagonista (2).
Das 65 entrevistas, 41 foram para programas de TV e telejornais, 5 para rádio, 5 para canais do YouTube e outras 14 para sites de notícias.
O Poder360 preparou 1 infográfico com os principais dados sobre as entrevistas exclusivas:

Ao todo, o presidente esteve com 57 jornalistas para falar com exclusividade.
O jornalista Thiago Nolasco (que foi do SBT e hoje está na Record) foi o que mais entrevistou Bolsonaro: 7 vezes. Em seguida, está José Luiz Datena (Band), em 5 ocasiões.
Os jornalistas Augusto Nunes (Jovem Pan), Patrícia Vasconcellos (SBT) e Claudio Dantas (O Antagonista) tiveram duas entrevistas com o presidente.
Em 16 de dezembro, o jornalista Fernando Rodrigues, diretor de Redação do Poder360, entrevistou Bolsonaro para o programa Poder em Foco. A atração é uma parceria editorial entre o jornal digital Poder360 e o SBT. Na ocasião, o presidente declarou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “já é carta fora do baralho” para as eleições de 2022. Segundo o militar, o petista “não é cabo eleitoral para mais ninguém”.
Também em destaque entre os que conseguiram entrevistar o presidente estão duas jovens: a estudante Beatriz Castro, que entrevistou o presidente em 6 de maio após cerimônia em comemoração aos 130 anos do Colégio Militar do Rio de Janeiro; e a “repórter mirim” Esther, de 8 anos, que publicou a entrevista em 29 de abril em seu canal do YouTube “Programa da Esther”.
REUNIÕES COM JORNALISTAS E DONOS DE MÍDIA
Além das entrevistas, o presidente Jair Bolsonaro recebeu jornalistas em 12 reuniões, cafés e almoços no Planalto.
Dos encontros, 5 foram com o ex-Globo Alexandre Garcia; 2 com o apresentador Ratinho (SBT); 2 com Heraldo Pereira (GloboNews); e 1 com Augusto Nunes (Veja) e Roberto D’ávila (GloboNews) cada.
Além disso, o presidente também recebeu, em 36 reuniões, 22 representantes de 14 empresas e associações de comunicação.
Os dados revelam ainda que Bolsonaro esteve com 11 representantes da Record; 5 da RedeTV e do SBT, cada; e 2 da CNN e da Band, cada.

Quem teve mais que 1 encontro com Bolsonaro:
- José Roberto Maciel. presidente do SBT: 3
- Luiz Cláudio Costa, presidente da Rede Record: 3 vezes.
- Marcelo de Carvalho, vice-presidente da RedeTV: 3 vezes;
- Marcos Vinícius, CEO da Rede Record: 3 vezes;
- Silvio Santos, dono do SBT: 2;
- Allan dos Santos, dono do Terça Livre: 22;
- Amilcare Dallevo Jr., presidente da RedeTV: 2;
- Douglas Tavolaro, CEO da CNN Brasil: 2;
- Edir Macedo, dono da Record: 2;
- Marcio Novaes, presidente da Associação Brasileira de Rádio e Televisão: 2.
Eis os outros nomes dos representantes que reuniram-se com o presidente 1 vez cada:
- Antônio Augusto Amaral, presidente do grupo Jovem Pan;
- Antonio Guerreiro, vice-presidente de jornalismo da Record;
- Ernani Paciornik, presidente da Revista Náutica;
- Fabiano Freitas, presidente da Record TV/Rio;
- Gláucio Binder, presidente da Confederação Nacional da Comunicação Social;
- Johnny Saad, presidente do grupo Bandeirantes;
- Marcelo Rech, presidente do SBT Nacional;
- Orli Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Mídias Evangélicas;
- Paulo Saad Jafet, vice-presidente do grupo Band;
- Paulo Tonet, vice-presidente institucional do grupo Globo;
- Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha de S.Paulo;
- Vicente Jorge, da Associação Brasileira de Emissores de Rádio e Televisão.
CAFÉS DA MANHÃ
Jair Bolsonaro ofereceu 7 cafés da manhã para integrantes da mídia em 2019 no Palácio do Planalto. Recebeu 114 repórteres, colunistas, editores e apresentadores. É 1 recorde em relação a todos os presidentes da República anteriores.
O 1º encontro com profissionais da mídia foi em 28 de fevereiro de 2019. Ao grupo, o presidente admitiu que estava disposto a negociar alguns pontos da reforma da Previdência.
O último encontro foi em 19 de julho, somente com veículos internacionais. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que, diante da riqueza da agricultura no país, “falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira”.
No total, 58 veículos de comunicação foram representados, além do ex-Globo Alexandre Garcia. Os que mais receberam convites para os cafés foram a GloboNews e a RedeTV, com 7 profissionais de cada. Em seguida, foi a Record, com a participação de 6 profissionais. A Band, o Correio Braziliense, O Estado de S. Paulo e o Valor Econômico receberam 4 convites cada.
Em todos os encontros com a mídia brasileira estiveram profissionais da Record e da Rede TV. Os jornalistas Paulo Eneas, da Crítica Nacional, e Simone Iglesias, agência norte-americana Bloomberg foram os únicos que participaram duas vezes.
O Poder360 preparou 1 infográfico sobre jornalistas convidados para uma entrevista em grupo:

O número de convites a representantes dos veículos de comunicação cresceu ao longo dos encontros, mas reduziu no último. No 1º, foram convidados apenas 11 profissionais; no penúltimo, destinado aos profissionais que acompanham o dia a dia do presidente, o total de participantes chegou a 29. O número caiu para 14 no encontro destinado a veículos internacionais.
- 28.fev: 11 jornalistas;
- 13.mar: 12 jornalistas;
- 5.abr: 15 jornalistas;
- 25.abr: 16 jornalistas;
- 23.mai: 17 jornalistas;
- 14.jun: 29 jornalistas.
- 19.jul: 14 jornalistas
Nos encontros, os jornalistas não puderam gravar o áudio nem fazer imagens, mas foram liberados a fazer anotações sobre o que é dito. O Planalto grava tudo, em áudio e vídeo. As imagens são divulgadas depois.
Além do café da manhã com jornalistas, em 22 de agosto, o presidente reuniu-se com 50 pessoas ligadas a associações e a veículos de mídia da região Sul no Palácio do Planalto. O encontro foi organizado pela Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão).
O presidente Jair Bolsonaro em café da manhã com 50 pessoas ligadas a associações e a veículos de mídia da região SulMarcos Corrêa/Planalto – 22.ago.2019
ENCONTROS COM JORNALISTAS
Em 31 de agosto, o chefe do Executivo surpreendeu 6 jornalistas que o esperavam na entrada no Quartel General do Exército, em Brasília, quando os convidou para almoçar. Bolsonaro falou com o grupo por cerca de 1h30 durante 1 churrasco com membros do gabinete e familiares. A conversa não pôde ser gravada.
Na ocasião, o presidente falou sobre a indicação de seu filho 03, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), à embaixada do Brasil nos Estados Unidos, fez duras críticas ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), rejeitou compromisso com indicação de Sergio Moro ao STF (Supremo Tribunal Federal), entre outros assuntos.
Contou ainda que se sente em 1 “cemitério” no Palácio da Alvorada e que prefere “fazer qualquer coisa do que ficar lá”. “Até conversar com vocês, jornalistas”, brincou.
Outro momento de entrevistas a 1 grupo de jornalistas foi em 21 de dezembro. O militar convidou 15 jornalistas para conversa no jardim do Alvorada.
Estiveram presentes 5 profissionais do grupo Globo e 2 da Record. Os outros 8 veículos convidados tiveram 1 representante cada.
Eis os detalhes dos encontros de Bolsonaro com grupo de jornalistas abaixo:

ENCONTROS INFORMAIS COM A MÍDIA
Bolsonaro também teve encontros informais com representantes de mídia. O Poder360 preparou 1 infográfico sobre os encontros:

Em 4 de julho, o presidente recebeu 12 integrantes do grupo “YouTubers de Direita” –assim também foram chamados em agenda oficial– no Palácio do Planalto. O encontro foi realizado por intermédio da senadora Soraya Thronicke (PSL-MS).
Em setembro, o chefe do Executivo convidou Edir Macedo, bispo e dono da Record, e Silvio Santos, empresário e fundador do SBT, para estarem ao seu lado em palanque na Esplanada dos Ministérios durante o desfile de 7 de setembro.
Apesar disso, nenhuma emissora de TV aberta transmitiu o desfile –o que foi realizado apenas pela emissora oficial do governo. A TV Brasil mostrou de maneira constante a presença dos 2 empresários na solenidade. A impressão geral era de que os empresários tiveram mais exposição até do que ministros e do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão.
Já em 10 de outubro, Bolsonaro visitou a sede do jornal O Estado de S. Paulo, na capital paulista. No encontro, Bolsonaro falou em “casamento com o jornal” e recebeu de presente, encadernadas, as palavras cruzadas feitas por ele e publicadas no jornal de 1971 a 1976.
Sabrina Freire, Poder360
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