quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Agronegócio se consolida, mas ainda há entraves

Camila Turtelli, Leticia Pakulski e Nayara Figueiredo, O Estado de S.Paulo

Summit Agronegócio Brasil 2017
Summit Agronegócio Brasil 2017, realizado em São Paulo, discutiu gargalos e conquistas do campo  Foto: Rafael Arbex/Estadão
O maior consenso no agronegócio brasileiro é de que o País é vocacionado a alimentar boa parte da população mundial nos próximos anos e, ao mesmo tempo, o seu amplo mercado interno. Atualmente, já figura como um dos principais exportadores de commodities agrícolas, e a demanda firme da China, o principal comprador, não deve arrefecer no curto prazo. Para o Brasil aumentar sua participação de maneira competitiva, é preciso superar inúmeros obstáculos, como a falta de uma política adequada de seguro rural, alto custo de produção, e pouca vocação para a comunicação do setor. As soluções para vários desses problemas surgem a todo instante – como o avanço da pesquisa e de tecnologias voltadas ao campo, desburocratização de processos e maior conscientização ambiental.
Esses grandes temas centralizaram os debates do Summit Agronegócio Brasil 2017, realizado na segunda-feira pelo Estado, com patrocínio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e do Banco do Brasil. Um dos palestrantes, o vice-presidente global de Assuntos Corporativos da Bunge, Stewart Lindsay, confirmou que o futuro da empresa – uma das maiores tradings exportadoras de grãos do mundo – está relacionado ao sucesso da agricultura brasileira. “O País é uma região-chave”, garantiu. Lindsay citou, ainda, o Código Florestal como um padrão importante, que distingue os agricultores brasileiros.
Inteligência global. A presidente da Gro Intelligence, Sara Menker, observou que para o Brasil se manter em destaque num cenário altamente competitivo precisa lançar mão de inteligência global de mercado, para identificar as melhores oportunidades e também reduzir a extrema dependência da China.
Um dos fatores essenciais que reforçarão e ampliarão a competitividade brasileira daqui para a frente – após o salto de produtividade nos últimos 20 anos – é o uso intensivo de tecnologias, principalmente as relacionadas à conectividade, como internet das coisas e armazenamento de dados.
Entre os debatedores do painel “Agrotech: tecnologia e resultados”, a principal questão levantada foi que há um “dilúvio” de informações, que agora precisam ser filtradas para uso prático do produtor rural. “O grande problema é captar dados importantes e produzir tecnologia com resultado”, observou o chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo Eduardo de Miranda.
No campo da política agrícola, o desafio é garantir renda e crédito suficiente para o produtor rural, além de governo e setor privado trabalharem juntos para ampliar mercados. Nesse quesito, o ministro interino da Agricultura, Eumar Novacki, garantiu que o governo federal “tem dado todo o respaldo para as ações do setor”. Ele citou, em sua exposição, o programa Agro+, que tem como objetivo melhorar a competitividade agropecuária, por meio, por exemplo, da desburocratização.
A garantia de renda, tema caro à Faesp, também foi citada pelo presidente da entidade, Fábio Meirelles. No âmbito do que seria um plano plurianual para a agricultura, Meirelles alertou sobre a necessidade de instrumentos de mitigação de risco, como o seguro rural, “essencial para o fortalecimento de todo o agronegócio”, disse. “Deve haver maior ênfase a este assunto na política agrícola.”
Summit Agronegócio Brasil 2017
Tecnologia ajuda o produtor a interpretar os dados colhidos instantaneamente nas lavouras Foto: Getty Images
Faturamento. Sob esse aspecto, o Banco do Brasil divulgou que a instituição lançará um programa pioneiro entre os bancos brasileiros: a oferta de seguro sobre o faturamento, que garante proteção à renda estimada pelo produtor durante a safra. O vice-presidente de Agronegócios do BB, Tarcísio Hübner, mencionou que o banco desenhou o seguro sobre renda “justamente para preencher uma lacuna, que dificultava a continuidade dos investimentos do produtor na atividade”, disse. “Agora, independentemente da produção e da situação de preço, ele garante uma renda pactuada com o produtor, ou seja, é um seguro que gera um prêmio sobre a rentabilidade estimada para a safra”, explicou.
'Produtor é guardião do meio ambiente', acredita Faesp
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Fábio Meirelles, chamou a atenção, no evento, sobre a importância do combate à corrupção e de uma agenda de reformas. “O agro brasileiro é competitivo, mas não pode avançar sem planejamento”, disse. O dirigente ressaltou que a garantia de renda, via seguro rural, é essencial para o fortalecimento do produtor. Ele também destacou o esforço do setor em adotar práticas sustentáveis. “O agricultor é o verdadeiro guardião do ambiente.” Nesse contexto, lembrou da importância do RenovaBio – uma política de estímulo aos biocombustíveis e redução das emissões de gases-estufa.
Já o diretor-presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto, ressaltou a importância do agronegócio na retomada da economia. “Responsável por um quarto do PIB, o agronegócio tem minimizado a crise.” E destacou a necessidade de se discutirem práticas que garantam a qualidade e competitividade e estímulos à inovação

Governo diz que a privatização da Eletrobrás vai gerar empregos

Luciana Collet, Broadcast

privatização da Eletrobrás vai gerar empregos, liberar recursos da União para serviços prioritários e até aumentar a arrecadação, além de permitir a redução do déficit previdenciário no longo prazo e a redução do déficit primário de 2018, defendeu o Ministério de Minas e Energia em ofício encaminhado ao presidente da estatal, Wilson Ferreira Junior, e que foi divulgado pela empresa ao mercado nesta quinta-feira. Já dentre os benefícios ao setor elétrico, o ministério destacou a maior segurança energética e o fortalecimento da expansão.
Embora antes mesmo da privatização a Eletrobrás esteja em processo de forte redução do número de empregados, com meta de cortar à metade o seu quadro de funcionários, para cerca de 12 mil pessoas, como parte de seu plano de busca de maior eficiência operacional, o Ministério de Minas e Energia defende que a atuação privada da empresa deve elevar o nível de empregos no País, especialmente tendo em vista a esperada retomada de investimentos da companhia. E diz que esse o aumento do nível de emprego permitido pela retomada de investimentos da Eletrobrás deve reduzir o déficit previdenciário.

Eletrobrás, a estatal que abriu a atual rodada de privatizações
A privatização da empresa permitirá aumentar a arrecadação do governo e melhorar a segurança energética no País, diz o MME Foto: Wilton Junior|Estadão
Para justificar o argumento, o MME diz que o aumento de empregos já foi observado em diversos processos de privatização já realizados no Brasil e citou o exemplo da Vale, que hoje emprega nove vezes mais do que o registrado quando a empresa era estatal.
Além disso, o ministério também destaca que a privatização vai liberar recursos públicos, uma vez que hoje a Eletrobrás tem recebido recursos públicos para fazer frente a parte de seus compromissos, uma vez que sua geração de caixa não tem sido suficiente. Conforme o MME, somente entre 2016 e 2017, o valor de aporte da União é calculado em R$ 5,5 bilhões. "Com uma gestão privada eficiente, a empresa deixará de demandar o disputado orçamento da União e o País poderá investir mais em serviços públicos para o atendimento das demandas da sociedade, como saúde, educação e segurança", diz o ministério, que também destaca a previsão de aumento da arrecadação, com o pagamento de dividendos da futura corporação, e também com tributos e encargos.
O MME também lembra que a operação deve permitir a redução do déficit primário de 2018, uma vez que com a privatização, a Eletrobrás assinará novos contratos de concessão para diversas de suas usinas hidrelétricas hoje operadas pelo regime de cotas, o que exigirá o pagamento de outorgas à União. E salienta que o processo também acarretará "redução do custo da dívida pública, em decorrência da melhora da percepção de risco de investidores nacionais e internacionais".
Energia. Para o MME, a gestão privada da Eletrobrás também permitirá maior eficiência operacional dos ativos da companhia, o que "aumentará a segurança energética em todo o sistema elétrico nacional e reduzirá o risco de cortes de carga por falhas técnicas ou humanas". Além disso, diz que a expansão da oferta de energia para o atendimento adequado da demanda será fortalecida pela atuação da nova Eletrobrás , "com capacidade financeira e boa governança, capaz de promover novos investimentos nos segmentos de geração e de transmissão de energia".
Por outro lado, o ministério minimizou o esperado aumento tarifário que a privatização provocará, pela "descotização" das usinas mais antigas, tendo em vista que sua energia deixará de ser comercializada ao preço de custo e passará a ser negociada a preço de mercado. O MME destaca que a mudança de regra será gradual, que haverá a transferência do risco hidrológico, hoje assumido de consumidor, para a companhia, e que parte da renda da descotização irá para a CDE, reduzindo a tarifa. Lembra, ainda, outros esperados movimentos previstos dentro da reforma da regulação setorial.
Cita, também, cálculos realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de simulação de impactos tarifários que indicaram que no pior cenário de recontratação da energia elétrica "descotizada" o impacto tarifário seria de 2,42% a 3,34% percebidos ao longo do período de descotização, enquanto em um cenário de preço mais favorável (R$ 150,00/MWh), o impacto seria de 0,56% a 1,48%, níveis inferiores à inflação prevista no período.
"É importante destacar que as simulações realizadas pela Aneel consideram o risco hidrológico médio de 2013 a 2017. Os impactos seriam ainda menores se fosse utilizado o risco hidrológico atual. Também não foram considerados o fato de que a transferência desse risco ao gerador reduzirá as despesas do consumidor de energia elétrica com bandeiras tarifárias, o que também tem o efeito de reduzir o impacto tarifário", disse, salientando que o cálculo foi conservador e não incluiu o impacto de fatores que também podem ser positivos.
Nordeste. Tendo no comando da pasta o ministro Fernando Coelho Filho, que já manifestou publicamente a intenção de disputar o governo de seu estado, Pernambuco, o MME também destacou os benefícios da privatização da Eletrobrás para a região, também na tentativa de apaziguar os ânimos da bancada nordestina na Câmara, que tem se mostrado contrária à ideia.
O MME destacou que a região deve ser beneficiada pela retomada dos investimentos da companhia, particularmente sua subsidiária regional Chesf, tendo em vista o potencial energético a partir de fontes limpas e renováveis local. "Também em benefício da população nordestina, a revitalização do Rio São Francisco garantirá o fornecimento de água para usos múltiplos, não apenas para os habitantes das cidades nas margens do Rio, mas para os alcançados pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco", acrescentou.
O ministério também salientou o impacto para região dentro de outros fatores gerais considerados benéficos, caso do impacto energético com a recuperação da Chesf, "fundamental para desenvolver o potencial energético da Região Nordeste, em especial em projetos de energia limpa e renovável a partir de fontes solar e eólica" e o aumento da Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH), "pela maior geração de energia hidrelétrica decorrente da recuperação do Rio São Francisco.

Trabalho informal puxa queda da taxa de desemprego para 12,2%, diz IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

mercado de trabalho brasileiro manteve a tendência de geração de vagas no trimestre encerrado em outubro, mas os postos de trabalho ainda são informais, de baixa qualidade, afirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
taxa de desocupação no Brasil ficou em 12,2% no trimestre encerrado em outubro, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa um recuo de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre de maio a julho de 2017, quando a taxa de desemprego atingiu 12,8%. 
Vendedor ambulante foi uma das
Não há sinal de recuperação de empregos com carteira assinada no País, aponta o IBGE Foto: Pixabay
"São postos de trabalho sobre uma plataforma informal. Isso é conhecido de crises passadas, é um primeiro momento da retomada. Então é aguardar para ver até quando essa expansão da informalidade vai se dar. Até o momento, não temos um sinal de recuperação da carteira assinada no País", disse Azeredo.
Segundo o coordenador, a geração de vagas formais no setor privado depende ainda de uma recuperação maior da construção e da indústria, que absorvem grande contingente de trabalhadores com carteira assinada.
"A ideia é que dentro do setor privado, 100% dos trabalhadores tenham carteira", ressaltou Azeredo.
Em três anos, o País perdeu 3,5 milhões de empregos com carteira assinada no setor privado, lembrou o pesquisador.

"Tchau, queridos!", por Rogério Chequer

Folha de São Paulo


"Accountability" é um termo de difícil tradução para o português, e a questão não é apenas linguística. Há artigos de quase trinta anos questionando se a dificuldade de tradução viria das características comportamentais e culturais brasileiras.

O termo é amplo e inclui conceitos de prestação de contas. Tendo trabalhado no exterior por 15 anos, percebi que, na prática, a palavra carrega o sentido de você ser responsável pelo resultado do que faz, seja ele negativo ou positivo. Se tiver sucesso, o mérito é seu. Se fracassar, não existe a alternativa de culpar outrem. 

Sem ser especialista no assunto, acredito que a melhor tradução para a palavra seja responsabilização. E é aqui que existe uma forte conexão com a política brasileira.

Políticos eleitos pelo povo não se veem na obrigação moral de ouvi-lo e representá-lo, criando um enorme abismo de representatividade. Isso se passa, principalmente, porque no Brasil políticos conseguem se reeleger mesmo sem ter um histórico de eficiência, bastando para isso que tenham dinheiro. Conluios com prefeitos geram propaganda em massa, suficiente para convencer eleitores que não conhecem os candidatos como deveriam. A desinformação alia-se à síndrome da "memória curta" que acomete a população em época de eleições. Os dois fatores levam eleitores a votar em representantes que não os representarão.

Seria possível mudar essa indesejável dinâmica? Tenho certeza que sim.

Com a tecnologia, é possível coletar e entregar a eleitores informações acerca do passado, da atividade legislativa e da coerência de parlamentares. Para isso, movimentos sociais se uniram em torno de uma iniciativa, lançada na quarta (29) no próprio Congresso Nacional, que visa conscientizar a sociedade sobre a conduta e atividade dos parlamentares. O objetivo do projeto é manter a população informada sobre aqueles que são seus representantes, oferecendo mais transparência e ampliando o acesso a informações públicas, mas ainda não necessariamente organizadas.

Dados sobre os parlamentares —tais como presença nas sessões do parlamento, gastos de gabinete, participação nas mais relevantes decisões parlamentares, envolvimento em processos judiciais e atividade partidária— serão oferecidos de forma geolocalizada, isto é, cada região receberá informações específicas dos políticos que lá costumam buscar votos. Com essa transparência, eleitores poderão tomar decisões melhor informados, diminuindo o efeito das massivas campanhas eleitorais promovidas por prefeitos mancomunados com candidatos.

Essa nova dinâmica, um remédio natural contra memória curta, vai obrigar parlamentares a medir melhor seus votos e posicionamentos, consultar mais suas bases eleitorais e atender aos seus anseios. Caso contrário... Não mais conseguirão se reeleger. Em uma única palavra, "accountability".

A iniciativa, apelidada de "Tchau Queridos", pretende promover uma sadia e necessária renovação no Congresso Nacional, trazendo responsabilização aos representantes do povo, e consequentemente maior representatividade para o nosso falido sistema político e eleitoral.

Há tempos nossa democracia é ilusória. Temos agora a chance de reverter esse quadro e tomar controle do nosso próprio destino. Tchau, queridos! 

"Tchau, queridos!", por Rogério Chequer

Folha de São Paulo



"Accountability" é um termo de difícil tradução para o português, e a questão não é apenas linguística. Há artigos de quase trinta anos questionando se a dificuldade de tradução viria das características comportamentais e culturais brasileiras.

O termo é amplo e inclui conceitos de prestação de contas. Tendo trabalhado no exterior por 15 anos, percebi que, na prática, a palavra carrega o sentido de você ser responsável pelo resultado do que faz, seja ele negativo ou positivo. Se tiver sucesso, o mérito é seu. Se fracassar, não existe a alternativa de culpar outrem. Sem ser especialista no assunto, acredito que a melhor tradução para a palavra seja responsabilização. E é aqui que existe uma forte conexão com a política brasileira.

Políticos eleitos pelo povo não se veem na obrigação moral de ouvi-lo e representá-lo, criando um enorme abismo de representatividade. Isso se passa, principalmente, porque no Brasil políticos conseguem se reeleger mesmo sem ter um histórico de eficiência, bastando para isso que tenham dinheiro. Conluios com prefeitos geram propaganda em massa, suficiente para convencer eleitores que não conhecem os candidatos como deveriam. A desinformação alia-se à síndrome da "memória curta" que acomete a população em época de eleições. Os dois fatores levam eleitores a votar em representantes que não os representarão.

Seria possível mudar essa indesejável dinâmica? Tenho certeza que sim.

Com a tecnologia, é possível coletar e entregar a eleitores informações acerca do passado, da atividade legislativa e da coerência de parlamentares. Para isso, movimentos sociais se uniram em torno de uma iniciativa, lançada na quarta (29) no próprio Congresso Nacional, que visa conscientizar a sociedade sobre a conduta e atividade dos parlamentares. O objetivo do projeto é manter a população informada sobre aqueles que são seus representantes, oferecendo mais transparência e ampliando o acesso a informações públicas, mas ainda não necessariamente organizadas.

Dados sobre os parlamentares —tais como presença nas sessões do parlamento, gastos de gabinete, participação nas mais relevantes decisões parlamentares, envolvimento em processos judiciais e atividade partidária— serão oferecidos de forma geolocalizada, isto é, cada região receberá informações específicas dos políticos que lá costumam buscar votos. Com essa transparência, eleitores poderão tomar decisões melhor informados, diminuindo o efeito das massivas campanhas eleitorais promovidas por prefeitos mancomunados com candidatos.

Essa nova dinâmica, um remédio natural contra memória curta, vai obrigar parlamentares a medir melhor seus votos e posicionamentos, consultar mais suas bases eleitorais e atender aos seus anseios. Caso contrário... Não mais conseguirão se reeleger. Em uma única palavra, "accountability".

A iniciativa, apelidada de "Tchau Queridos", pretende promover uma sadia e necessária renovação no Congresso Nacional, trazendo responsabilização aos representantes do povo, e consequentemente maior representatividade para o nosso falido sistema político e eleitoral.

Há tempos nossa democracia é ilusória. Temos agora a chance de reverter esse quadro e tomar controle do nosso próprio destino. Tchau, queridos!

"Um Plano Real de combate à corrupção", por Modesto Carvalhosa

Giovanni Bello/Folhapress
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17-07-2017: Modesto Carvalhosa, advogado, em entrevista na Folha. Ele quer se candidatar em eleição indireta para presidente. (Foto: Giovanni Bello/Folhapress, PODER) ***EXCLUSIVO FOLHA**** ORG XMIT: 30894
Modesto Carvalhosa, advogado, em entrevista à Folha, em julho

Folha de São Paulo

O juiz Sergio Moro propõe que se formule contra a corrupção um Plano Real, nos moldes daquele implantado em 1994 pelo governo Itamar Franco para quebrar aquela monstruosa inflação inercial, de mais de 1.000% ao ano.

O dramático pedido origina-se da constatação de que, apesar da reconhecida e aclamada eficiência da Lava Jato, a corrupção, aparelhada como política de governo a partir de 2003, só aumenta no país, de todas as maneiras possíveis. Completam-se, portanto, 14 anos de existência da nossa repugnante cleptocracia.

Antes tínhamos uma inflação inercial, estrutural. Hoje temos uma corrupção sistêmica, e, por isso, igualmente estrutural.

A corrupção neste país não é episódica. É sistêmica porque se retro-alimenta face às estruturas formais e mesmo aparentemente "legais" do relacionamento do setor público com o privado.

O Estado brasileiro é, sem dúvida, o mais corrupto de todo o planeta. Só profundas mudanças estruturais irão quebrar o caráter endêmico, ou seja, a pandemia da apropriação privada dos recursos públicos em todos os planos e setores da administração federal, estadual e municipal.

A primeira coisa de que devemos ter consciência é que tal plano demanda da sociedade um profundo e militante engajamento nas eleições de 2018. Não podemos eleger e muito menos reeleger os sinistros membros dessas organizações criminosas —que também atendem pela alcunha de partidos políticos.

Isso posto, três são os fundamentos para a implantação do Plano Real contra a Corrupção: eliminação da impunidade, transparência e quebra da interlocução direta entre agentes públicos e empreiteiras.

A eliminação da impunidade se dá, obviamente, pela eliminação do odioso foro privilegiado, que se tornou o valhacouto, o esconderijo, a caverna de todos os marginais da política que comandam este país.

Cabe restabelecer, pura e simplesmente, o princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei. Impunidade zero.

O segundo pilar é o da transparência de todos os dados –todos os dados, insista-se– produzidos pela administração pública, em tempo real. Deve-se promover, para tanto, a implantação de softwares capazes de coletar todas as informações relacionadas com a atividade política e administrativa do Estado e, ao mesmo tempo, ler e interpretar esses mesmos dados.

Essa tecnologia de inteligência cognitiva, como o sistema Watson, proporciona acesso instantâneo, fácil e sistemático de informação e diagnóstico quanto a todos os temas de interesse da cidadania.

Assim, serão dadas respostas consistentes às indagações permanentes da sociedade, em tempo real. Essa tecnologia avançada e disponível permitirá um efetivo controle da atividade estatal e, nele, o combate à corrupção.

O terceiro pilar é o "performance bond", ou seja, o seguro de obra, implantado nos Estados Unidos há 123 anos (1894), e que entre nós vem sendo barrado sempre pelas empreiteiras, como no veto à sua inclusão na Lei das Licitações, em 1993.

Trata-se de remédio fundamental para o combate à corrupção. Através dele, rompe-se, no setor de obras públicas, o capitalismo de laços. As relações diretas e promíscuas das empreiteiras com os agentes públicos são quebradas.

No contrato de obras, participa uma seguradora, que garante para o Estado a consistência do projeto básico e o cumprimento do prazo, do preço e da qualidade dos materiais especificados.

No Senado tramita, desde maio de 2016, o projeto de lei 274, que institui o "performance bond". É de iniciativa do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que me solicitou o texto. Seu relator é o senador Wilder Morais (PP-GO).

A sua aprovação permitirá que o Plano Real de combate à corrupção se efetive.

Há 35 anos, Michael Jackson lançou ‘Thriller’ e revolucionou os videoclipes e a indústria da música

Jair dos Santos Cortecertur - Folha de São Paulo


No dia 30 de novembro de 1982, Michael Jackson lançou “Thriller”, sexto trabalho do artista que entrou para a história como o disco mais vendido de todos os tempos.
Lançado nos EUA na esteira do sucesso do disco “Off the Wall” (1979), “Thriller”, que além da faixa título tem hits como “Beat It”, “Billie Jean” e “Human Nature”, alcançou em fevereiro de 2017 um novo recorde ao atingir a marca de 33 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos e mais de 105 milhões em todo o mundo desde seu lançamento. Ao Brasil “Thriller” chegou no início de dezembro de 1982.
Trazendo parcerias com Paul McCartney (“The Girl Is Mine”) e  Eddie Van Halen (“Beat It”), produção do lendário Quincy Jones e três videoclipes bem produzidos, “Thriller” revolucionou a indústria do entretenimento, influenciou a moda e rompeu barreiras raciais nos EUA.
Graças ao produtor Quincy Jones, a combinação entre o mundo eletrônico dos sintetizadores e as gravações analógicas garantiu a mistura de gêneros como soul, R&B, funk e rock que marcaram a música pop da época, mesmo com a desconfiança inicial da crítica.
“Quando Michael Jackson lançou ‘Thriller’, a expectativa nos meios musicais era enorme. Uns achavam que seria mais uma sucessão de insípidas pop songs desfiladas com vocais esganiçados e irritantes –embora os arranjos fossem competentes. Outros acreditavam em uma nova alquimia sonora capaz de revolucionar os caminhos da música negra nos anos 80. Prevaleceu o segundo ponto de vista”, afirma o jornalista Pepe Escobar em reportagem da Folha que registra a venda de mais de 5 milhões de discos de Michael Jackson em 1983, nos EUA.
Sete das nove faixas de “Thriller” –álbum que conquistou oito Grammys– fizeram parte do top 10 americano.
A REVOLUÇÃO DO VIDEOCLIPE
Fundado em 1981, o canal MTV exibia videoclipes de rock com artistas brancos na maior parte de sua programação. A emissora chegou a ser acusada de racismo pelo cantor Rick James, que teve seu vídeo, “Super Freak”, rejeitado. Quando a gravadora CBS apresentou o clipe da música “Billie Jean” –que mostra Jackson dançando de paletó e fazendo movimentos que ficaram para história–, recebeu a notícia de que o trabalho não seria exibido por não representar a audiência do canal.  Em resposta, a gravadora ameaçou retirar todos os clipes de seus artistas da emissora. 

Em 1983,  os videoclipes “Billie Jean” e “Beat It” foram executados pela emissora, tornando Michael  Jackson um dos artistas mais populares do canal, fato que aumentou a audiência da MTV.
No final do mesmo ano, Jackson, inspirado pelo filme “Um lobisomem americano em Londres”, convocou o diretor John Landis para fazer o clipe da música “Thriller”, no estilo curta-metragem de horror, com muita dança, zumbis e ao custo de meio milhão de dólares.
O sucesso de “Thriller” transformou a MTV numa potência entre os jovens de diferentes classes e forçou a emissora a abrir espaço para artistas negros em sua programação. “Absolutamente, Michael Jackson é o homem que salvou a MTV”, afirmou o jornalista Rob Tannenbaum, um dos autores do livro “I Want My MTV: The Uncensored Story of the Music Video Revolution”, em entrevista ao “USA TODAY”.
Com grande produção e elenco, o clipe –que também ganhou um documentário chamado “Making Michael Jackson’s – Thriller”– quebrou barreiras e movimentou a economia do entretenimento.
“Um mês após o lançamento desse videoclipe no canal musical, muitas reportagens começaram a reforçar o papel que o videotape de ‘Thriller’ estava começando a representar para todo o mercado do vídeo doméstico. Em 1984, a revista “Variety” afirmou que o videoteipe de “Thriller” foi a causa do aumento de 20% dos revendedores que disponibilizaram videocassetes para venda”, afirma Ariane Diniz Holzbach, autora do livro “A Invenção do Videoclipe – A História Por Trás da Consolidação de Um Gênero Audiovisual”.
Os trabalhos e as histórias ao redor do álbum marcaram uma enorme mudança na música pop e na carreira de Michael Jackson.
O artista, que morreu em 2009, tentou repetir o sucesso de seu sexto álbum durante toda sua trajetória musical. “Thriller” continua sendo referência no cenário musical, seja em samples, homenagens, covers e coreografias que são imitadas por diferentes artistas.
Em 2008, foi lançada a edição do 25° aniversário do disco “Thiller”, com mais sete faixas, entre elas, seis remixes assinados por Kanye West, Akon, Fergie e Will.i.am e uma faixa inédita.
Recentemente, a canção de Michael Jackson- composta pelo britânico Rod Temperton– embalou o trailer da segunda temporada da popular série da Netflix, “Strange Things”, que se passa em 1984.