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segunda-feira, 31 de julho de 2017
Lava Jato pede que Lula, o corrupto, devolva R$ 87 milhões à Petrobras

Ex-presidente Lula. FOTO: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
Luiz Vassallo e Julia Affonso - O Estado de São Paulo
Ao recorrer por uma pena mais pesada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex -, a força-tarefa da Operação Lava Jato pretende, ainda, que o petista seja obrigado a devolver R$ 87,6 milhões aos cofres públicos, e não R$ 16 milhões, como fixou o juiz Sérgio Moro, na sentença imposta ao petista.
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O valor estipulado por Moro levava em consideração o suposto caixa de propinas que a OAS teria mantido em benefício de Lula e o montante pleiteado pelos procuradores é correspondente ao prejuízo causado por desvios na Petrobrás em contratos com a empreiteira.
O Ministério Público Federal entrou com apelação ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região para aumentar a pena de Lula relativa à suposta aquisição do Triplex, junto a OAS, e as supostas reformas, que oneraram ao petista a condenação por um crime de lavagem de dinheiro e um crime de corrupção passiva. Os procuradores da República também querem que o Lula e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, sejam condenados pelo branqueamento de capitais no valor de R$ 1,3 milhão pelo armazenamento de bens do ex-presidente custeado pela OAS em contrato com a Granero.
O juiz federal Sérgio Moro já bloqueou R$ 660 mil em contas correntes de Lula e R$ 9 milhões de fundos em nome dele na BrasilPrev, do Banco do Brasil. O confisco de valores relacionados ao ex-presidente leva em consideração do valor de R$ 2,2 milhões referente ao triplex no Guarujá e as respectivas reformas bancadas pela empreiteira OAS. “Como já decretado o sequestro e o confisco do apartamento, o valor correspondente deve ser descontado dos dezesseis milhões, restando R$ 13.747.528,00. Cabe, portanto, a constrição de bens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o montante de R$ 13.747.528,00.”, afirmou Moro, em sentença.
O Ministério Público Federal sustenta, no entanto, que dos contratos da Petrobrás relacionados às obras das Refinaria Getúlio Vargas, no Paraná, e Abreu e Lima, em Pernambuco, com a empreiteira OAS, nos quais ‘se comprovou a prática de corrupção’ envolvendo os ex-executivos Renato Duque e Pedro Barusco, 3% foram destinados ao pagamento de propinas, com prejuízo de R$ 87,6 milhões.
“Observado que a propina foi paga com recursos oriundos dos contratos e aditivos obtidos de forma fraudulenta junto à Petrobrás, não há como fixar valor menor que o minimamente correspondente à peita para indenizá-la. Assim, imperiosa a condenação de Lula também no montante de R$ 87.624.971,26, a título de dano mínimo”, argumenta o MPF.
Os procuradores da República consideram que o petista tinha responsabilidade sobre as indicações e os ‘atos delituosos’ de Duque e Barusco enquanto estavam na estatal.
“Já no que respeita a Léo Pinheiro e Agenor Medeiros, deve o dano mínimo ser arbitrado em R$ 58.401,010,26 (vantagens pagas a agentes públicos e
políticos ligados à Diretoria de Serviços), tendo em vista que o pagamento das vantagens indevidas à Diretoria de Abastecimento da Petrobras em razão da contratação dos Consórcios CONPAR e RNEST-CONEST foi anteriormente julgado pelo Juízo da 13.ª Vara Federal de Curitiba em sede da ação penal nº 5083376-05.2014.4.04.7000, oportunidade em que condenados ao pagamento de indenização aos danos causados por referida conduta delituosa à Petrobrás, no valor de R$ 29.223.961,00”, pediu a força-tarefa.
políticos ligados à Diretoria de Serviços), tendo em vista que o pagamento das vantagens indevidas à Diretoria de Abastecimento da Petrobras em razão da contratação dos Consórcios CONPAR e RNEST-CONEST foi anteriormente julgado pelo Juízo da 13.ª Vara Federal de Curitiba em sede da ação penal nº 5083376-05.2014.4.04.7000, oportunidade em que condenados ao pagamento de indenização aos danos causados por referida conduta delituosa à Petrobrás, no valor de R$ 29.223.961,00”, pediu a força-tarefa.
Lava Jato recorre para aumentar pena de Lula, o maior corrupto do Brasil

Lula. Foto: Reprodução
Luiz Vassallo e Julia Affonso - O Estado de São Paulo
Em recurso de apelação, Ministério Público Federal pede
ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região condenação do
ex-presidente também por crime de lavagem de dinheiro
pelo armazenamento das 'tralhas' que ganhou enquanto
ocupou o Palácio do Planalto
A força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato recorreu ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região nesta segunda-feira, 31, por uma pena mais pesada ao ex-presidente Lula e também pela condenação do presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto, no caso triplex no Guarujá. O petista foi condenado a 9 anos e seis meses de prisão por suposta corrupção e lavagem de dinheiro de R$ 2,2 milhões que envolvem o valor empregado pela OAS no imóvel, no condomínio Solaris, no Guarujá, litoral paulista, e em suas respectivas reformas. Os procuradores querem revisão da pena aplicada a Lula por este suposto crime e ainda pedem a condenação do petista por lavagem de dinheiro de R$ 1,3 milhão pelo armazenamento de seus bens pela Granero custeados pela construtora.
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Os procuradores querem também que Lula seja condenado pelo armazenamento do bens que recebeu enquanto exerceu a Presidência da República pela empresa Granero – despesas também custeadas pela OAS. Lula chama esses bens de ‘tralhas’. Eles sustentam que ‘resta evidente que o conteúdo do contrato celebrado não consistiu em erro, mas se apresenta como clara fraude contratual, na tentativa pelos denunciados de ocultarem e dissimularem a real propriedade dos bens armazenados e o financiamento de despesas atinentes ao ex-Presidente Lula e ao Instituto Lula pelo Grupo OAS’.
A procuradoria quer que Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, absolvido por Moro, seja condenado por lavagem de dinheiro no valor de R$ 1,3 milhão por intermediar a negociação envolvendo as ‘tralhas’ do petista. A Lava Jato entende que Okamotto, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, e o ex-presidente Lula cometeram 61 crimes de lavagem de dinheiro somente pelo contrato entre a construtora e a Granero.
“Entretanto, inobstante tenha dado seu aceite à proposta da Granero, Paulo Okamotto, tutelando os interesses do ex-Presidente Lula e aproveitando o fato de que o Grupo OAS, consoante anteriormente descrito, possuía pendências de vantagens indevidas a serem transmitidas para representantes do Partido dos Trabalhadores – PT no âmbito do esquema criminoso que se erigiu no seio e em desfavor da Petrobras e que beneficiava, além de empreiteiras, agentes públicos e políticos, notadamente Lula , convocou uma reunião no Instituto Lula nos últimos meses de 2010 e solicitou a Léo Pinheiro, então Presidente da empresa, que assumisse os gastos com o armazenamento dos bens pertencentes ao ex-Presidente da República”, sustenta a força-tarefa.
Lula foi condenado por um ato de lavagem de dinheiro pelo suposto ocultamento de propinas de R$ 2,2 milhões da OAS. Segundo a força-tarefa, o petista deve ser condenado três vezes por este crime somente pelo suposto recebimento do triplex e suas reformas. O juiz federal Sérgio Moro entendeu, em sua sentença, que a aquisição, a reforma e a decoração do 164-A do Condomínio Solaris são atos complementares.
No entanto, a força-tarefa argumenta que os elementos constantes dos autos demonstram que, em verdade, os atos de (1) aquisição, (2) reforma e (3) decoração do triplex 164-A em favor do ex- Presidente Lula são autônomos’.
“Há muitas diferenças, que incluem distintos períodos em que os crimes ocorreram, a existência de propósitos diferentes nas condutas, o
envolvimento de pessoas e empresas diferentes e até mesmo a realização de planos ou projetos diferentes em cada lavagem”, afirma o MPF.
envolvimento de pessoas e empresas diferentes e até mesmo a realização de planos ou projetos diferentes em cada lavagem”, afirma o MPF.
Em sentença de primeira instância, Lula foi condenado também por um ato de corrupção. Os procuradores recorreram para que o petista seja sentenciado por ter cometido o crime três vezes. Duas por supostamente ter aceitado propinas de dois contratos da Petrobrás celebrados com o Consórcio RNEST-CONEST.
A respeito do petista e aos executivos da OAS alvo da ação penal, os procuradores da República também discordaram de Moro na ‘dozimetria das penas fixadas’ por Moro.
O Ministério Público Federal ainda quer a condenação dos executivos da OAS Paulo Gordilho, Fábio Yonamine e Roberto Moreira, absolvidos pela acusação de Lavagem de dinheiro.
Nos EUA, a PGR e a mídia não têm bandido de estimação
Carl Bernstein e Bob Woodward
No escândalo Watergate, que levou o republicano Richard Nixon à renúncia, a seriedade e a insistência dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, foram fundamentais para o sucesso das investigações pelos repórteres e pela Justiça dos Estados Unidos.
As pressões da Casa Branca sobre o jornal chegaram ao auge quando o presidente Nixon ameaçou pendurar pelo 'bico dos peitos' a senhora Katharine Graham, dona do jornal, se ela continuasse a publicar 'mentiras' sobre ele.
Graham percebeu que havia algo muito podre, comprou a briga, e mandou o editor Ben Bradlee ir fundo no caso.
Woodward e Bernstein receberam os 'vazamentos' do 'Deep throat'. O 'New York Times' entrou na parada... A queda de Nixon foi uma questão de tempo.
Os escândalos que se seguiram nos Estados Unidos desde então jamais alcançaram a projeção de Watergate.
De resto, as crises foram muito mais na iniciativa privada, como na 'quebra de Wall Street'.
Os culpados pagaram caro. Muita gente presa.
No Brasil, de tantos escândalos, sobretudo a partir do 'mar de lama de Vargas' a mídia teve um papel importante na 'limpeza', pelo menos parcial, do ambiente político.
A corrupção cresceu no governo Fernando Collor e chegou ao auge nos 13,5 anos da dupla Lula-Dilma, quando todas as estatais foram corrompidas pela máquina petista.
A promiscuidade entre o Estado e a iniciativa privada sob o luloptismo não tem paralelo no planeta.
O impeachment de Dilma barrou a continuação do assalto às estatais, mas a posse do investigado Michel Temer manteve no governo muitos dos coadjuvantes que serviram à organização criminosa do Lula.
Moreira Franco, Eliseu Padilha, Romero Jucá, Geddel Vieira Lima... na máquina pública sugere que o terreno continua 'tóxico'.
A Procuradoria-Geral da República sinaliza claramente que tem 'bandidos de estimação'. Basta olhar a rapidez dada aos processos envolvendo Michel Temer e Eduardo Cunha, comparados aos de Lula e Dilma...
E parte da grande imprensa repete a parcialidade da PGR. A TV Globo e a Folha de São Paulo atacam Temer, como se ele fosse o chefe da organização criminosa.
Quando se olha os números da corrupção do PT e do PMDB, estes mais parecem ações de trombadinhas.
É gritante a diferença de postura da mídia americana em relação à brasileira.
Lá, bandido é bandido.
Se a Folha de São Paulo e a TV Globo têm bandidos de estimação, como ensina a PGR, nos Estados Unidos, Washington Post e The New York Times tratam bandido como bandido.
Simples assim.
Para reduzir endividamento, Petrobras pretende se desfazer de campos históricos

Ramona Ordoñez - O Globo
No caminho para equilibrar as finanças, a Petrobras está se desapegando até mesmo de parte de sua história. Com foco na redução da dívida — de R$ 364,8 bilhões no primeiro trimestre — e em projetos que oferecem retorno mais rápido, a estatal incluiu na sua lista de ativos à venda campos de petróleo que marcaram a trajetória da companhia.
A estatal pretende se desfazer de sete conjuntos de campos de petróleo em águas rasas, num total de 30 concessões. Entre eles, está o de Guaricema, no litoral de Sergipe, a primeira descoberta de petróleo no mar no Brasil, em 1968, onde foram testadas as primeiras tecnologias voltadas para campos marítimos.
META DE LEVANTAR US$ 21 BI
Como a própria Petrobras destaca na exposição que marcou os 60 anos da companhia, investir na exploração do campo foi, na época, uma decisão estratégica, pois o país importava petróleo a baixo custo (US$ 3 por barril). No mesmo ano, porém, foi criada a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), e o cenário para o produto começou a mudar, com alta de preços.
Na lista, consta ainda o Campo de Enchova, o primeiro a iniciar a produção de petróleo na Bacia de Campos, com exploração comercial a partir de 1977, com uma produção de dez mil barris por dia numa plataforma flutuante. A exploração de petróleo na região completa 40 anos em 2017.
A exploração de petróleo no Campo de Enchova também é marcada por um dos maiores acidentes numa plataforma da Petrobras. Em agosto de 1984, um incêndio destruiu a plataforma e uma das embarcações de emergência despencou ao ter o cabo rompido. O acidente, que matou 37 pessoas, foi causado por um vazamento de gás num poço que estava sendo perfurado.
Em comunicado ao mercado na noite de sexta-feira, a Petrobras explicou que enviou informações (teasers) a potenciais interessados nos sete conjuntos de campos de águas rasas, que envolvem um total de 30 concessões para cessão de exploração e desenvolvimento da produção. O objetivo é contribuir para que a companhia atinja a meta de levantar US$ 21 bilhões com a venda de ativos no biênio 2017-2018.
‘BOM PARA PETROBRAS E MACAÉ’
Na avaliação de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a estratégia da Petrobras é correta pois os campos estão em declínio natural. De acordo com o especialista, para recuperar sua produção é necessário o uso de tecnologia específica e de custo elevado, o que não compensaria para uma petroleira de grande porte. O especialista cita empresas como Schlumberger e Halliburton como potenciais interessadas nesse tipo de ativo.
— Faz muito sentido vender esses campos que estão produzindo mais água do que petróleo e estão com a curva de produção em declínio. Eles precisam de uma operadora que entenda desse negócio e coloque dinheiro lá porque para uma companhia de grande porte, como a Petrobras, é desperdício. Ela tem de focar no desenvolvimento de campos grandes no pré-sal. Será bom para a Petrobras vender esses campos e para Macaé, que terá novos investimentos de outras empresas — disse Pires.
Em outro sinal de mudança no setor de petróleo, segundo o colunista do GLOBO Lauro Jardim, em junho, a produção de petróleo do pré-sal chegou a 1,352 milhão de barris, superando a do pós-sal, de 1,321 milhão.
A parcela da Petrobras na produção média de petróleo e gás natural dos campos à venda no primeiro semestre foi de 73 mil barris de óleo equivalente por dia. No comunicado ao mercado a Petrobras informou que é operadora de todas as 30 concessões, com 100% de participação, exceto nas dos campos de Pescada e Arabaiana, onde é operadora com fatia de 65%, em parceria com a Ouro Preto Óleo e Gás. Nestes casos, o parceiro pode optar por exercer o direito de preferência na aquisição.
‘Há competidor se utilizando de escândalos de corrupção’, afirma Paulo Cesar de Souza e Silva, presidente da Embraer
Luciana Dyniewicz - O Estado de S.Paulo

Setor sofre menos com instabilidade, diz Silva Foto: Amanda Perobelli
A colocação do cargueiro KC-390 no mercado fará com que o braço de defesa da Embraer seja o que menos sofra com as instabilidades políticas e econômicas atuais, de acordo com o presidente da empresa, Paulo Cesar de Souza e Silva. Enquanto isso, a área de aviação comercial da companhia ainda enfrentará desafios com o desaquecimento de grandes economias, como a chinesa e a russa, e a de jatos executivos não se recuperará tão cedo da retração pela qual passa o segmento passa globalmente desde que atingiu seu auge, em 2008.
Ao Estado, Silva destacou que a empresa, cujo lucro líquido caiu 65% no primeiro trimestre, também é prejudicada pelos escândalos de corrupção no Brasil. “A gente vê algumas empresas competidoras se utilizando disso para ganhar espaço em cima da Embraer no mercado internacional”, afirmou, sem dar detalhes sobre o assunto. A seguir, os principais trechos da entrevista.
O sr. está prestes a completar um ano à frente da empresa. Quais foram os principais desafios nesse período?
O cenário é um pouco desafiador nos três negócios (aviação comercial, executiva e defesa), apesar de estarmos muito bem, com produtos atualizados. Nos últimos anos, na aviação comercial, as empresas compraram muito. Agora o mercado está dando um intervalo. Há também conflitos no mundo que atrapalham, como o Brexit e os atentados na França no ano passado. Isso coloca uma cautela maior em relação aos próximos anos na aviação comercial. Na executiva, o mercado ainda não se recuperou. Em 2008, os fabricantes entregaram 1.350 aviões. No ano passado, 650. A defesa é talvez onde tenhamos menos incertezas. O KC é um produto que vai entrar num segmento em que hoje só há aviões antigos.
Nesse período, a empresa também fechou um acordo com autoridades nos EUA e no Brasil para encerrar acusações de pagamento de propina para fechamento de contratos. Como esse caso e os escândalos de corrupção no Brasil prejudicam a imagem da Embraer no exterior?
O caso da Embraer não (prejudica), já viramos a página. Emitimos um bônus em janeiro para captar captação de US$ 500 milhões e tivemos demanda para US$ 5,5 bilhões. Isso mostra que a empresa não tem nenhum problema. Em relação ao que acontece no Brasil, essa questão ética afeta. Eu lamento quando a gente vê algumas empresas competidoras se utilizando disso para ganhar espaço em cima da Embraer.
Há exemplos de casos em que isso ocorreu?
Não acho bom citar exemplos, mas tem acontecido.
O lucro da empresa caiu 65% no começo do ano, mas vocês mantiveram a previsão de fechar o ano com lucro de pelo menos US$ 5,7 bilhões. Como farão para atingir essa meta?
Na nossa indústria, é muito difícil avaliar só por um semestre. A gente prefere olhar o ano. As entregas não são distribuídas iguais por trimestre. A gente também vai tomar medidas de eficiência operacional, fazer uma nova redução de custos (além do corte de US$ 200 milhões anunciados em 2016).
‘A Odebrecht não vai acabar’, diz novo presidente do Grupo Odebrecht
Renée Pereira e David Friedlander - O Estado de S. Paulo

De acordo com Guidolin, objetivo é preparar governança para garantir que empresas estejam aptas a abrir capital Foto: Wherther Santana/Estadão
O novo presidente do grupo Odebrecht, Luciano Guidolin, afirma que a companhia se afastou do vício da corrupção, paga caro por seus erros e, por isso, merece continuar operando. Ele reconhece as dúvidas no mercado sobre a capacidades de reação da companhia, mas afirma que “a Odebrecht não vai acabar”. O engenheiro de 44 anos, funcionário de carreira do grupo, assumiu em maio o lugar do patrão Marcelo Odebrecht, preso há dois anos por corromper meio mundo para conseguir contratos de obras no Brasil e no exterior.
A Odebrecht já vem se desfazendo de patrimônio para pagar dívidas e arcar com multas pesadas para acertar as contas com a Justiça. Para virar definitivamente a página da Lava Jato, porém, a holding precisa que os negócios voltem a crescer e gerem dinheiro novo.
Para continuar no jogo, o grupo definiu que o próximo passo será tentar atrair um sócio e, ao mesmo tempo, tentar abrir o capital de sua construtora – que, apesar de todos os percalços, ainda é a maior do País. A ida à Bolsa, aliás, é uma alternativa estudada também para outros braços da Odebrecht.
Antes de iniciar esse processo, no entanto, vai precisar sanar suas dívidas, melhorar sistemas de controles internos e convencer o País de que a mudança na governança não é “cosmética”. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Estado, a primeira desde que assumiu a presidência da holding:
Estado: Há dúvidas no mercado sobre a capacidade de reação da Odebrecht. Há quem diga que a empresa vai acabar...
Luciano Guidolin: A Odebrecht não vai acabar. A empresa viveu dois anos de grandes desafios, mas estamos comprometidos a encontrar soluções. A resposta está sendo dada em cada projeto, em cada negócio reestruturado, estamos fazendo o que a gente falou que ia fazer.
Em que ponto vocês estão?
Uma das principais transformações é o fortalecimento da governança de cada uma das companhias. Cada negócio passou a ter um conselho de administração e conselheiros independentes. Temos 14 conselheiros técnicos e chegaremos a 23. Com isso, vamos aprimorar decisões, tornando-as mais transparentes. No nosso planejamento, as empresas do grupo vão ter sócios e ações em Bolsa, se o mercado permitir. E o papel da holding vai ser prover estratégia, aconselhamento e alocar capital.
Qual empresa abrirá o capital?
Os investimentos mais significativos, se o mercado permitir. A construtora buscará um sócio e fará a abertura de capital nos próximos anos. A construtora tem carteira de projetos superior a US$ 16 bilhões, obras em andamento, já equacionou suas questões no Brasil e fará o mesmo nos demais países.
Há negociações em curso?
Esse plano está sendo feito agora. Não estamos nesse momento com negociações de abertura de capital porque é um processo que toma tempo. Posso dizer também que a Odebrecht Agroindustrial, que fez reestruturação financeira em 2016 e apresenta importante evolução dos indicadores, seguirá o mesmo caminho. Podemos fazer esses processos numa fase única ou em múltiplas fases. Ou seja, trazer sócio e abrir o capital de uma única vez ou trazer um sócio primeiro e depois abrir o capital. O importante é estruturar as empresas e alcançar padrões para ter capital aberto no futuro.
E vocês vão mudar o nome da empresa?
Não estamos discutindo mudança de nome da Odebrecht S.A. A simples troca de nome poderia ser entendida como uma tentativa de não haver mudança de processo, de ser uma mudança apenas cosmética. Não faremos mudanças cosméticas. Cada negócio vai construir sua vida própria, alguns deles já tiveram outros nomes no passado. No processo de compartilhamento com sócios ou no processo de evolução, as empresas podem e devem trabalhar sua identidade de forma independente, se fizer sentido para o negócio.
Essa possibilidade de mudança de marca inclui a construtora?
Sim. Cada negócio vai desenvolver seu planejamento de estratégia de mercado, de posicionamento de marca, de forma independente.
O envolvimento na Lava Jato não atrapalha a atração de um novo sócio?
Acredito que, com a mudança de postura, as virtudes da Odebrecht ficarão mais visíveis. É uma empresa que ganha prêmios na área de engenharia. São esses atributos da Odebrecht que vão atrair sócios. E nós vamos ter a capacidade de demonstrar que as questões do passado ficaram no passado.
A empresa tem sido hostilizada em vários países em que atua. Equador e Peru, por exemplo, ameaçaram expulsá-la. Como o grupo lida com isso?
Esse é um dos desafios que a Odebrecht tem enfrentado. As reações iniciais foram mais intensas, mas estamos colaborando e eles entendem que a empresa merece continuar operando, até para pagar as multas acordadas. Já fechamos acordo com República Dominicana e Equador. Estamos em tratativas com outros países.
Quanto a Lava Jato já custou à empresa?
Os erros cometidos pela empresa tiveram impactos muito significativos. E isso assegura que a empresa aprendeu e que os erros não serão repetidos. Ao mesmo tempo que a empresa enfrentou a Lava Jato nos últimos dois anos, ela viveu a retração das economias de outros países em que atua. Isso impactou o desempenho e atividade da empresa. Tudo isso nos demandou uma clareza de propósito e um planejamento bastante objetivo de como trabalhar do ponto de vista da conduta, da estruturação dos negócios e da preparação do futuro.
Como garantir que, quando a economia voltar a crescer e as obras públicas reaparecerem, a empresa não vá praticar novos atos ilícitos?
Posso garantir que a Odebrecht mudou. Temos hoje um sistema que transmite a decisão da mudança e os valores que têm de ser praticados. Acreditamos que é possível atuar numa conduta ética e transparente em todos os mercados e vamos zelar para que esses processos sejam conduzidos da melhor forma. Nossa conduta já mudou e é inegociável.
Como acreditar que a Odebrecht agora diz a verdade?
Porque sofremos duras penas e aprendemos com os nossos erros. E também porque sabemos que só reconquistaremos a confiança da sociedade se continuarmos a falar a verdade e fizermos o que é certo. É a nossa convicção nosso jogo já mudou. Enfrentamos os dois anos mais difíceis da história da companhia. Tivemos prejuízos muito grandes. Temos compromisso de reparação com a sociedade de valores expressivos. O processo foi de uma (grande) dimensão e abrimos nossa porta para monitores externos que vão nos ajudar a colocar os controles nos padrões internacionais e assegurar e apontar os avanços nessas áreas. Se eventualmente ocorrer um desvio, vai ser identificado e será levado ao conhecimento das autoridades e interrompido.
Quais os segmentos que a empresa vai continuar e em quais ela vai sair?
Nesses dois anos, a empresa fez um processo de focar seus esforços num número menor de negócios. Tínhamos nos preparado para um crescimento do Brasil e focado em 15 negócios. Hoje, estamos em nove negócios. Deixamos de focar na área de energia e fizemos a desmobilização de saneamento no Brasil. Hoje temos como foco a área de engenharia e construção, petroquímica, açúcar, etanol e bioenergia, serviços de óleo e gás, imobiliária, infraestrutura e concessões e saneamento fora do Brasil. Além de adaptar o planejamento do grupo com a realidade da economia dos países onde estamos, esse processo também visou reduzir o endividamento do grupo.
E a Braskem? Vocês pensam em vender a fatia da Odebrecht junto com a Petrobrás?
Não. A Braskem continua como pilar importante dentro da estratégia do grupo. Acreditamos na capacidade de valorização e no futuro dos negócios petroquímicos. Recentemente, anunciamos conversas com a Petrobrás para, em conjunto, buscarmos a criação de valor da Braskem para todos os acionistas. Nossa intenção é manter a Braskem como parte dos investimentos do grupo.
Até aqui vocês estão encolhendo. Quando vocês vão voltar a crescer?
A partir da base sólida que estamos criando desde 2016, a gente acredita que possa seguir para um novo ciclo de crescimento a partir de 2019. Você tem um grupo que continua diversificado e internacionalizado, mais focado, menos alavancado. Nosso objetivo é estabelecer uma base sólida e com qualidade para crescer no futuro. Nosso tamanho vai depender das oportunidades e da nossa competência para executar essas oportunidades.
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