sexta-feira, 30 de junho de 2017

Temer resiste?

Ary Filgueira - IstoE


Na última semana, o Brasil assistiu a mais um capítulo da guerra institucional estabelecida desde a divulgação de delação dos donos da JBS em maio. A instabilidade permanente e as doses homeopáticas – ao mesmo tempo dolorosas – da crise podem até se ajustar com perfeição às conveniências da oposição e do PT, interessados em ver o País sangrar até as eleições de 2018, mas são deletérias para um Brasil que anseia por virar a página – independentemente de qual seja o desenlace


Na segunda-feira 26, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, abriu seu arsenal de acusações contra o presidente da República, Michel Temer, com uma denúncia que até faz sentido enquanto narrativa, mas que ainda carece de provas materiais – essenciais para se condenar alguém. Diante do inegável peso político dos petardos e da perspectiva de que eles não cessarão tão cedo, a pergunta que se impõe é: Temer irá resistir? Há semelhanças e diferenças relevantes entre os processos de afastamento que depuseram os ex-presidentes Fernando Collor, em 1992, Dilma Rousseff, em 2016, e o de agora, em que se deseja apear do poder o presidente Michel Temer. O atual, mesmo com aparência de frágil, não inspira profecias de idêntico desfecho, por ser improvável que vá se render tão cedo ou em algum momento. Mesmo com 7% de aprovação popular, o presidente da República demonstra resiliência.
Na noite de segunda-feira 26, Temer já começava a preparar o contra-ataque à denúncia formulada por Janot. Na madrugada, pouco dormiu. Preferiu reunir-se com auxiliares para analisar o texto do procurador. Encontrou uma série de furos na acusação e decidiu que precisava falar à nação, atendendo ao clamor de sua tropa. Na sala de jantar, nutriu-se para os momentos de tensão que enfrentaria em rede nacional. Pediu aos cozinheiros que lhe preparassem uma reforçada dobradinha – à base de bucho de porco. Jantou e rumou para o Palácio do Planalto. Em seu pronunciamento, Temer indicou que está pintado para a guerra. O final pode ser outro, mas por ora o presidente vence o que se convencionou de chamar de “batalha da comunicação”. Em sua fala, ladeado por uma claque de deputados aliados e ministros, Temer partiu para o revide. Contrariando o ditado segundo o qual a vingança é um prato que se come frio, o presidente agiu rápido. Seus alvos foram Janot, o ex-funcionário do Ministério Público Marcelo Miller e o delator Joesley Batista. “Não fugirei das batalhas, nem da guerra que temos pela frente. A minha disposição não diminuirá com os ataques irresponsáveis à instituição Presidência da República, nem ao homem Michel Temer. Não me falta coragem para seguir na reconstrução do Brasil e na defesa de minha dignidade pessoal”, disse Temer no fim do discurso de cerca de 20 minutos.
O pulo do gato do pronunciamento foi a inclusão da expressão “denúncia por ilação”. “Nunca vi o dinheiro e não participei de acertos para cometer ilícitos. Reinventaram o código penal e incluíram uma nova categoria: a denúncia por ilação. Se alguém cometeu um crime e eu o conheço, logo sou também criminoso”, afirmou o presidente. Ao sublinhar o termo, Temer lançou luz sobre um dos calcanhares de Aquiles de Janot, com o qual o próprio ex-relator da Lava Jato Teori Zavascki concordava: no afã de denunciar no afogadilho, o procurador-geral produz peças jurídicas controversas, para não dizer frágeis.
Fios desencapados
Por exemplo, Rodrigo Janot afirmou logo no primeiro parágrafo da sua acusação que o presidente “recebeu para si, por intermédio de Rodrigo Santos da Rocha Loures, vantagem indevida de cerca R$ 500 mil”. Também fez menção ao “montante espúrio de R$ 500 mil, recebido por Rodrigo Loures para Michel Temer”. Ao limitar a denúncia de corrupção passiva contra o presidente ao suposto recebimento de R$ 500 mil pelo ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, o chefe do MP Federal correu um risco desnecessário que o presidente soube aproveitar em seu discurso: “Onde estão as provas concretas de recebimento desses valores? Inexistem”, afirmou Temer. A acusação esgrime a lógica tanto quanto seria leviano supor que “os milhões” pagos pela JBS poderiam ter parado nas contas do procurador.
As investigações provaram que Loures foi destinatário em abril de uma mala de R$ 500 mil entregue pela JBS. O fato foi atestado não apenas pelos registros das imagens feitas pela PF, mas pelo comportamento do próprio ex-assessor de Temer em devolver a dinheirama à Justiça. Também é inegável que Loures e Temer eram unha e carne, tanto que o presidente da República, na conversa com Joesley, o autoriza a permanecer em contato com o interlocutor. O problema foi associar Temer ao recebimento da mala com os R$ 500 mil, como fez apressadamente Janot. O dinheiro faria parte de uma mesada paga por Joesley Batista a Loures por 20 anos em troca de uma intervenção do presidente da República no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em favor da JBS. Ocorre que a própria denúncia reconhece não ter sido possível reunir elementos capazes de concluir “que o interesse manifestado por Rocha Loures no Cade tenha provocado no seio daquele órgão ações ou decisões precipitadas ou desviadas da boa técnica”.
Ao deixar fios desencapados, o procurador deu munição ao presidente da República. “O procurador-geral afirma que o presidente recebeu dinheiro, mas não se tem provas disso. A denúncia se baseia mesmo numa ilação. Não há um conjunto forte de provas”, constatou o ex-ministro do Supremo, Carlos Velloso, para quem a denúncia foi precipitada. “É inepta. Falta investigação nesse caso”, acrescentou. Professor de Direito Constitucional da PUC, Pedro Serrano fez coro: “Falta solidez à denúncia. Há suposições. Não se comprova nem que a mala entregue a Rocha Loures chegou a Temer nem que o dinheiro foi entregue a pedido do presidente. Falta materialidade e indícios de autoria”, avaliou Serrano. Ou seja, até agora, todos os pilares sobre os quais se sustenta a primeira denúncia de Rodrigo Janot não permitem nenhuma conclusão sólida o suficiente para justificar a deposição do presidente da República.
Segundo especialistas, os argumentos levantados pelo governo poderão insuflar o debate a respeito do chamado fruto da árvore envenenada – teoria consagrada no Direito americano segundo a qual toda a peça jurídica pode ficar comprometida devido a premissas equivocadas. Para o cientista político Paulo Kramer, ao tropeçar nos próprios equívocos, “Janot pode conseguir o milagre de unir, contra si, o conjunto da classe política”. O acordo tão favorável a Joesley abençoado pelo procurador-geral “também trincou o que até pouco tempo atrás era um sólido consenso pró-Lava Jato”, acrescentou Kramer.  Em qualquer tribunal, essa falha na peça jurídica pode levá-la à nulidade por vício de origem. E, mesmo no Congresso, esse erro de acusação deve interromper o processo.
O calendário da crise
Na batalha contra Janot, o Palácio do Planalto trabalha para concentrar as forças de sua tropa até setembro. Como o procurador-geral deixa o cargo antes da primavera, os assessores do Planalto apostam que ele não deixará esqueletos no armário para serem usados por sua sucessora, a subprocuradora da República Raquel Dodge. Acreditam que tudo será descarregado nos próximos dois meses. Depois da troca de guarda na PGR, a situação não será de calmaria, pois o País ainda enfrenta instabilidades políticas e o imponderável da Lava Jato, mas os auxiliares de Temer crêem na diminuição da temperatura da crise.
Do lado oposto da trincheira, Janot quer fazer o diabo para prolongar o desgaste de seu opositor. Por isso, corre contra o tempo. Sua estratégia consiste em conseguir firmar um acordo de colaboração premiada com personagens com potencial para constranger o presidente, como por exemplo o doleiro e operador do PMDB Lucio Bolonha Funaro, preso desde julho do ano passado. É desta cartola que os investigadores acreditam que conseguirão sacar o tão aguardado “fato novo”, capaz de levar Temer a nocaute, ao promover o desembarque dos aliados ainda indecisos. Se as apostas sobre Funaro forem frustradas, ainda há esperanças de que o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha possa, também num acordo de delação, envolver Temer em algum caso escabroso, ainda desconhecido do público.
O HOMEM DA MALA Se Loures entregou os R$ 500 mil à PF, por que a PGR diz que Temer “recebeu o dinheiro para si”?
Como as acusações foram fatiadas, – numa clara estratégia política do procurador, que tenta fazer Temer sangrar por longo tempo – a próxima denúncia será encaminhada só em agosto e deve versar sobre o suposto crime de obstrução de Justiça. Conforme apurou ISTOÉ, uma terceira denúncia ainda está fase de maturação. É relacionada a um decreto presidencial que beneficiou a renovação de empresas concessionárias de portos. Se concluída, será apresentada até setembro. Mesmo assim, o caminho até a derradeira apreciação pelo Congresso das peças jurídicas contra Temer será longo. Bem longo (confira arte na página 32). Hoje, há apenas um ponto de convergência entre investigadores e investigados: todos concordam que se a Câmara dos Deputados rejeitar de uma só vez as denúncias, o presidente terá encontrado um terreno fértil para se fortalecer, aprovar as reformas e prosseguir no mandato até as eleições de 2018.
Quem é Marcelo Miller?
PGR/Divulgação
O ex-procurador Marcello Miller foi exaustivamente mencionado pelo presidente Temer no contra-ataque feito esta semana ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Mas quem é Marcelo Miller? Ele assessorou Janot desde o início de sua gestão, em 2013.  De fevereiro de 2015 a julho de 2016, atuou no grupo de trabalho para análise das investigações da Lava Jato contra políticos no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Miller era destacado por Janot para as missões importantes, dentro e fora do Brasil. Mas em março deste ano pediu demissão da procuradoria e foi contratado como advogado da JBS, a empresa de Joesley Batista, o homem que provocou séria crise política após gravar o presidente em conversas pouco republicanas . Miller não participou da delação premiada de Joesley, mas chegou a trabalhar no pacto de leniência da empresa. Depois, afastou-se da função. Na JBS, contudo, Miller passou a ganhar “milhões”, como disse Temer.
“SENHOR GRAMPEADOR” O presidente Temer chamou o empresário Joesley Batista de “bandido confesso” (Crédito:REUTERS/Adriano Machado)
Os caminhos da denúncia contra Temer
– O ministro Edson Fachin encaminhou a denúncia de Janot para a presidência da Câmara
– A Mesa da Câmara já repassou o documento para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
– Na CCJ, o presidente Temer tem até dez sessões para apresentar sua defesa
– Depois disso, a CCJ tem até cinco sessões para analisar a denúncia e dar seu parecer. A maioria tem que aprovar o texto
– Se o parecer for favorável à denúncia, ele será encaminhado ao Plenário. Para a Câmara autorizar a abertura de denúncia contra Temer, serão precisos 342 votos favoráveis (Temer necessitará, portanto, de 172 votos para se livrar do processo). O STF ainda terá que analisar a acusação para dar início ao processo
– Se o relatório da CCJ for contrário à denúncia, o Plenário terá que reunir 342 votos para derrubar essa decisão e encaminhar o processo para o STF
– Caso a Câmara aprove a abertura do processo, o Plenário do STF terá que dizer se acolhe ou não a denúncia.
– Se for aceita, Temer vira réu e é afastado do cargo por 180 dias para o julgamento no STF. O deputado Rodrigo Maia assume interinamente a Presidência. Se Temer não for julgado nesse prazo, ele volta para o cargo

O que diz Janot
“Temer recebeu para si, por intermédio de Loures, vantagem indevida de R$ 500 mil ofertada por Joesley” Rodrigo Janot, procurador-geral da República (Crédito:Divulgação)
“Na verdade, a conversa no Palácio do Jaburu foi a continuidade das tratativas para as solicitações, aceitações e recebimentos de vantagens indevidas habituais e que viriam em sequência”
“Michel Temer recebeu para si, em unidade de desígnios e por intermédio de Rodrigo da Rocha Loures, vantagem indevida de R$ 500 mil ofertada por Joesley Batista, presidente da J&F, cujo pagamento foi realizado pelo executivo da J&F Ricardo Saud”
“Na verdade, a conversa no Palácio do Jaburu foi a continuidade das tratativas para as solicitações, aceitações e recebimentos de vantagens indevidas habituais e que viriam em sequência”
“Michel Temer ludibriou os cidadãos brasileiros e, sobretudo, os eleitores, que escolheram a sua chapa para o cargo político mais importante do País, confiando mais de 54 milhões de votos nas últimas eleições”
“Rodrigo Loures violou a dignidade do cargo de deputado federal. A cena do parlamentar correndo pela rua, carregando uma mala cheia de recursos espúrios, é uma afronta ao cidadão e ao cargo público que ocupava”
“Não há dúvida de que o delito perpetrado por Michel Temer e Rodrigo Loures causou abalo moral à coletividade, interesse este que não pode ficar sem reparação”
O que diz Temer
“Onde estão as provas concretas de recebimento de valores? Inexistem. A denúncia é um ataque injurioso” Michel Temer, presidente da República (Crédito:Walterson Rosa/Framephoto)
“A denúncia é um ataque injurioso, indigno, infamante à minha dignidade. Ser acusado de corrupção passiva a essa altura da vida, sem jamais ter recebido valores, nunca vi o dinheiro e não participei de acertos para cometer ilícitos”
“Onde estão as provas concretas de recebimento de valores? Inexistem
“Examinando a denúncia, percebo que reinventaram o Código Penal e incluíram uma nova categoria, a denúncia por ilação. Se alguém cometeu um crime, e eu o conheço, logo a relação é que eu sou também criminoso”
“Abriu-se, portanto, um precedente perigosíssimo em nosso Direito, as ilações”
“A denúncia é uma ficção. Tentaram imputar a mim um ato criminoso, mas não conseguirão, porque não existe, jurídica e politicamente”
“Interessante, eu descobri o verdadeiro Joesley, o bandido confesso”
“O fruto dessa conversa é uma prova ilícita, inválida para a Justiça. A Polícia Federal, pelo seu Instituto de Criminalística, constatou que há 120 interrupções, não é? O que torna a prova inteiramente ilícita”
“Criaram uma trama de novela”
Uma mulher contra a corrupção
Confirmada pelo Senado, Raquel Dogde assumirá a PGR no lugar de Janot prometendo dar prosseguimento à Lava Jato
SOBRIEDADE Ao contrário de Janot, Raquel Dodge é avessa aos holofotes (Crédito:Divulgação)
A goiana Raquel Elias Ferreira Dodge será primeira mulher a comandar a Procuradoria-Geral da República (PGR), substituindo Rodrigo Janot, seu desafeto. Ela foi a escolhida pelo presidente Michel Temer na noite de quarta-feira 28, como a segunda mais votada numa lista tríplice votada por quase 2 mil procuradores. Ela só perdeu para o procurador Nicolau Dino, o candidato preferido por Janot, mas rejeitado por importantes líderes do PMDB. Desde o início, ela era a preferida de Temer, conforme já havia adiantado a ISTOÉ em sua edição de 21 de junho último.
Dona de uma invejável formação acadêmica, Raquel possui vasta experiência jurídica e uma carreira importante no combate à corrupção no Ministério Público. Mestre em Direito pela Universidade de Havard, ela integra o MPF desde 1987, atuando também no Superior Tribunal de Justiça em matéria criminal. Além disso, integra a 3ª Câmara de Coordenação e Revisão, que trata de assuntos relacionados ao Consumidor e à Ordem Econômica. É membro do Conselho Superior do Ministério Público pelo terceiro biênio e foi Coordenadora da Câmara Criminal do MPF. Sua participação foi crucial no desmantelamento do esquema conhecido como a Caixa de Pandora, que culminou na prisão do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Foi ativa também na condenação do ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, por homicídio.
A indicação de Temer terá ainda que ser confirmada pelo Senado Federal para que ela assuma a vaga de Janot, que deixa o cargo em 17 de setembro. Mas a aprovação de seu nome é dada como favas contadas. Ela já disse que é favorável à Operação Lava Jato e defende o sigilo das investigações, como forma de preservar os direitos individuais dos investigados. Ele deseja, também, o desvencilhamento de sua imagem com a política. Esta mácula surgiu a partir de reportagens na imprensa sobre sua eventual proximidade com os caciques peemedebistas como Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP). Ela nega peremptoriamente.
Colaboraram Débora Bergamasco e  Eduardo Militão

Eles não se emendam

Eduardo Militão - IstoE


Até a Lava Jato, montanhas de dinheiro sujo das empreiteiras jorravam para financiar campanhas eleitorais. A fonte secou. Agora, os políticos querem criar um fundo de até R$ 3,5 bilhões em recursos públicos para bancá-los. Uma excrescência



A três meses do fim do prazo para se fazer mudanças na legislação eleitoral que vai reger as eleições do ano que vem, a Câmara e o Senado ainda divergem sobre a reforma política que vai estabelecer as novas regras. Mas numa coisa já há consenso: deputados e senadores querem aprovar a criação de um caixa eleitoral com recursos públicos, oriundos do chamado Fundo Partidário. Sem corar a face, os parlamentares trabalham por uma verba de R$ 3,5 bilhões. O montante representa cinco vezes mais do que o governo irá gastar com o Fundo Partidário neste ano (R$ 665 milhões). O absurdo é maior quando se constata que o dinheiro que será rateado entre os partidos para ser gasto em 2018, certamente faltará para a manutenção dos serviços básicos para a população. A perspectiva é que o fundo seja aprovado. A lógica de parlamentares à direita e à esquerda do espectro político é meramente casuística. Primeiro, dinheiro na mão. Depois é que serão discutidos os pontos de uma reforma política mais ampla.

Mais dinheiro

Até a deflagração da Operação Lava Jato no início de 2014, os políticos eram financiados basicamente com R$ 300 milhões por ano do Fundo Partidário e com doações de empresas. Parte desse montante por meio do famigerado caixa dois, com uso de notas frias, dinheiro em espécie ou repasses no exterior. Só duas empresas que confessaram pagar propinas a políticos sistematicamente, a JBS e a Odebrecht, doaram R$ 366,8 milhões e R$ 111 milhões em 2014, respectivamente. A farra acabou – ou pelo menos a intenção é fechar as torneiras. A Justiça Eleitoral determinou que as empresas não podem mais doar dinheiro para os partidos e que só serão permitidas doações de pessoas físicas. Mesmo assim com restrições. A campanha municipal de 2016 foi apenas um aperitivo. A maioria dos candidatos reclamou da falta de recursos. Muitos deles, tiveram de mexer nos próprios bolsos para colocar a campanha de pé. A saída foi recorrer ao dinheiro público – para variar.
CONSENSO DO MAL O senador Jucá e o deputado Cândido (abaixo) querem pressa para o caixa eleitoral (Crédito:Lula Marques /AGPT)
Não é de hoje que os dirigentes partidários começaram a sugar os recursos do Fundo Partidário. Em 2014, os partidos se valeram de um total de R$ 372 milhões, pouco mais do que em 2013 (R$ 362 milhões). A proibição de doação pelas empresas fez com que o valor do fundo mais do que dobrasse. Em 2015, ele atingiu o montante de R$ 867,5 milhões, um aumento de 118%. Em 2016, os valores permaneceram nos mesmo patamares (R$ 820 milhões). Em seis anos, já foram gastos nada menos do que R$ 3,4 bilhões, rateado entre os 34 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Um dos entusiastas do fundo eleitoral de R$ 3,5 bilhões para 2018 é o deputado Vicente Cândido (PT-SP), relator da reforma política na Câmara. A proposta faz previsões de gastos até 2020, quando o fundo disponibilizará R$ 2,2 bilhões só para as eleições municipais. O aporte de recursos para o caixa eleitoral também é defendido pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, que apresentou Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Os políticos não se emendam. Como é de interesse de todos os partidos, o montante tem tudo para ser aprovado.
Para o cientista político David Fleisher, da Universidade de Brasília (UnB), o correto seria que os parlamentares buscassem fazer campanhas mais baratas, sem usar o subterfúgio do dinheiro público para substituir os recursos privados com os quais eram agraciados até então, muitas vezes sob o manto da chamada “propinocracia”. “Estamos em regime de austeridade, então pode ser que o presidente vete”, contou à ISTOÉ. “Mas Temer está precisando de apoio do Congresso. Pode ser que aproveitem essa fraqueza do presidente para aprovar esse tipo de coisa.”
Aílton de Freitas/Agência O Globo
Em seminário sobre reforma política em Brasília na semana passada, Vicente Cândido disse que a articulação é “promissora”. Resta saber para quem. “Estamos muito convencidos de que nesta semana conseguiremos construir acordos nos pontos importantes para começar a votar na semana que vem”, afirmou o deputado petista. O deputado não está sozinho. O presidente do TSE, Gilmar Mendes, apóia a tentativa de mudar o sistema de financiamento e de escolha dos candidatos. Para ele, existe a “imprescindibilidade” da reforma política. Mesmo que um terço do Congresso seja investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como consequência da Lava Jato. “Os parlamentos no mundo todo enfrentam esse tipo de crise e não há alternativa. Vamos buscar onde (os recursos)?”

Tiroteio em hospital de Nova York fere médicos e deixa dois mortos

Agentes de segurança se reúnem no entorno de hospital no Bronx
Agentes de segurança se reúnem no entorno de hospital no Bronx Foto: Reprodução
O Globo

NOVA YORK - Um tiroteio num hospital no bairro do Bronx, em Nova York, deixou ao menos cinco pessoas baleadas e uma morta. Com base em fontes dos bombeiros, o "New York Times" disse que ao menos três das vítimas seriam médicos. A polícia anunciou que o autor dos disparos, que estaria vestindo um jaleco de médico no qual carregava um rifle, também morreu.
O incidente aconteceu por volta das 15h, hora local, no hospital libanês do Bronx, segundo agentes.
Imagens nas redes sociais mostram várias ambulâncias e viaturas policiais no local, enquanto o hospital era isolado pelas autoridades.
Não há mais informações oficiais sobre o estado dos atingidos nem sobre responsáveis pelos disparos, apesar de alguns veículos da imprensa local afirmarem que o suspeito seria um ex-funcionário.
Um relato inicial da divisão de operações especiais da polícia dá conta de que o homem vestido de jaleco teria entrado atirando com um rifle e depois se barricado no 16º andar, onde testemunhas relataram ter visto fumaça.

"A guerra dos trolls: Trump contra 'Mika maluca' e todo o resto", por Vilma Gryzinski

Quebra-barraco: Mika, Joe e Trump, que se conhecem e se frequentam, discutem a relação (Reprodução / MSNBC/VEJA)
Veja

Presidente toca fogo no Twitter e dá um duplo mortal carpado no bate-boca verbalmente cada vez mais violento com a imensa maioria da imprensa americana


Quem está certo, o presidente que esculhamba jornalistas ou os jornalistas que o esculhambam sem parar?
Dois erros fazem ambos ficar maiores ainda. Nesse caso, porém, a imprensa anti-trumpista está claramente na posição de maior culpada.
Para os que ainda acreditam que o último ex-presidente do Brasil foi tratado de forma injusta pela imprensa, um rápido estágio na frente de uma televisão americana mostraria que ele recebeu tratamento praticamente real.
Trump é incessantemente chamado de bruto, autocrata (a maluquice da moda), desequilibrado, louco,  racista, desrespeitador de todos os direitos fundamentais  (com todos os prefixos que precedem as incontáveis fobias do mundo atual). E, principalmente, de traidor a serviço da Rússia.
Logo, logo será não só afastado por impeachment como levado a ferros para as masmorras mais profundas – metafóricas, evidentemente. Quando isso não acontece, a frustração fica maior ainda e a esgrima verbal fica mais agressiva.
Muitas vezes, a imprensa anti-trumpista, em especial a da televisão, um meio naturalmente mais quente, parece ter sido tomada por uma espécie de delírio. Todas, absolutamente todas as notícias sobre Trump são dadas de maneira negativa. Há casos em que chegaram a falar palavrões ao vivo.
Nos canais de notícias a cabo a situação chega a ser constrangedora. Tornaram-se veículos de propaganda, na pior tradição das televisões de países autoritários. Em vez de só falar bem, como estas, só falam mal, furiosamente.
A CNN, que era uma espécie de meio de referência, aqueles que outros jornalistas usam como fonte de informações confiáveis, virou praticamente um pastiche. Está atualmente enrolada com a demissão de três jornalistas por terem divulgado uma notícia falsa em relação às conexões russas da turma de Trump, cada vez mais difíceis de provar, embora ainda haja um grande caminho pela frente.
Se fosse demitir todo mundo que falseia notícias sobre Trump, a CNN praticaria fratricídio jornalístico em massa. O melhor meio de ficar mal informado ou desinformado sobre a situação política nos Estados Unidos vem justamente de um canal pioneiro, com uma enorme folha de serviços prestados ao jornalismo.
PESO DO SOBRENOME
Em resposta, Trump transformou o Twitter numa arma de destruição em massa. O mais recente deles atingiu Joe Scarborough e Mika Brzezinski, apresentadores de um programa na MSNBC que se apaixonaram no trabalho e viraram um casal, depois de separados dos respectivos cônjuges.
A história de ambos é fascinante. Ele foi deputado pelo Partido Republicano de 1995 a 2001, participando de um grupo chamado Federalistas, inspirados nos artigos de mesmo nome de James Madison e outros gênios criadores do sistema democrático americano.
Renunciou no quarto mandato para ficar mais perto dos filhos, começou uma carreira como comentarista político e acabou ganhando o programa Morning Joe, um matutino, evidentemente.
Mika Brzezinski  só usa  profissionalmente o primeiro nome, por motivos óbvios, mas tem um sobrenome de peso – e também o peso do sobrenome. É filha do mais impronunciável ainda Zbigniew Brzezinski, recentemente falecido.
O cientista social criado no Canadá e nos Estados Unidos, ele próprio filho de um diplomata polonês que serviu na Alemanha nazista e na União Soviética stalinista, foi assessor de Segurança Nacional durante o governo de Jimmy Carter.
Estava no governo no momentoso anos de 1979, marcado, entre outras guinadas dramáticas, pela revolução dos aiatolás no Irã e a invasão soviética do Afeganistão. Ambos episódios foram muito negativos para os Estados Unidos.
Toda a família Brzezinski foi se aproximando da ala mais à esquerda do Partido Democrata. Scarborough também foi ficando menos republicano. O encontro profissional e sentimental de Joe e Mika selou esse caminho, turbinado pela campanha de Donald Trump, conhecido tão próximo de ambos que chegou a sugerir que se casassem em seu castelo-hotel de Mar-a-Lago.
TUÍTE ASSASSINO
E também cada vez mais execrado, em especial por Mika, conhecida pela metralhadora verbal e o cabelo curto muito loiro. Sara Sanders, filha do pastor televisão Mike Huckabee e porta-voz número dois de Trump, enumerou algumas coisas que ela já disse sobre o presidente: “Profundamente burro,  distúrbio de personalidade, doente mental”.
No dia do tuíte assassino, Mika estava ridicularizando Trump por ter emoldurada uma foto em que aparece na capa da revista Time – uma montagem frequente e, em si, inocente. Trump respondeu chamando Joe de psicopata, ou “psycho”. E a co-apresentadora de “Mika maluca de QI baixo”.
Disse que no Ano Novo os dois tentaram três vezes seguidas falar com ele em Mar-a-Lago. Mas não os recebeu porque Mika “estava sangrando muito de uma plástica no rosto”.
Claro que, se estivesse nesse estado, teria sofrido ruptura de pontos, que nessas cirurgias ficam escondidos atrás da orelha. Deveria receber atendimento médico, não tentar uma conversa ou entrevista de improviso. Se houvesse alguma operação plástica e algum sinal dela, provavelmente seriam hematomas.
E claro que a palavra “sangrando” evocou outro episódio: quando Trump falou que Megan Kelly, então apresentadora da Fox News, tinha “sangue nos olhos e sei lá mais aonde” quando fez uma pergunta cortante a ele num dos primeiros debates da campanha presidencial.
A referência lembrou claramente menstruação como sinônimo de desequilíbrio emocional feminino, com as previsíveis reações, agora redobradas no caso de Mika.
SEM FILTRO
Para observadores com distanciamento crítico, os tuítes de Trump são uma preciosidade, uma ligação sem precedentes com o pensamento bruto – no sentido de sem filtro – de um presidente americano no calor dos acontecimentos.
Também causam desconforto pela crueza da linguagem e por aumentar o clima de violência verbal – este, levado a níveis também sem precedentes pela cobertura de uma imprensa cujo tom “realmente demonstra o viés anti-Trump”, nas palavras do anti-trumpista educado Bob Woodward.
Educação, ou falta dela, é um fator também mencionado por conservadores que se arrepiam com a trolagem profissional de Trump.
Os trumpistas têm sempre duas respostas praticamente unânimes: 1) o presidente faz muito bem em responder aos ataques à altura; 2) John McCain e Mitt Romney agiram como cavalheiros bem educados e tanta fineza resultou em duas vitórias consecutivas de Barack Obama.
É para essa turma que Trump tuíta, seguindo uma estratégia reforçar os convertidos. Em quatro eleições complementares isoladas desde que assumiu, os republicanos ganharam. No prazo médio, pelo menos, Trump precisa mostrar resultados na economia, com prognósticos atualmente positivos. O maior pântano, no plano interno, é a re-reforma do sistema de saúde, com obstáculos criados pelos próprios republicanos.
Na política externa, que nos Estados Unidos tem efeitos imediatos sobre a interna, resultados são a mais longo prazo. Por enquanto, o governo Trump pode dizer que o regime de Bashar Assad não voltou a usar armas químicas na Síria depois da saraivada de Tomahawks e do aviso que haveria mais a caminho.
As advertências da Rússia sobre potenciais conflitos  com os americanos na Síria até agora ficaram no campo da parolagem obrigatória. Vai ser muito interessante ver o primeiro encontro de Trump com Vladimir Putin, na semana que vem, durante o encontro do G20.
O Estado Islâmico praticamente já perdeu em Mosul. O último reduto será Raqqa, com o previsível “vazamento” de mais atentados em países europeus.
Kim Jong-Un continua a ser um menino muito, muito mau na Coreia do Norte. Para lidar com seus brinquedinhos nucleares, não há  palavrório que dê conta. Nem do Trump trolador nem da “Mika maluca”. De todos, porém, é possível esperar novas  e imperdíveis maluquices.

Novo recurso do Facebook mostra onde encontrar wi-fi gratuito

Wifi Face
Para localizar pontos de Wi-Fi, clique na aba “Mais” no aplicativo do Facebook e depois em “Encontrar Redes Wi-Fi” (Reprodução/Facebook)
Veja

Apenas usuários dos sistemas iOS e Android vão receber a atualização


Facebook começa a disponibilizar a partir de hoje uma nova ferramenta para os usuários. O find wi-fi ajuda a localizar redes de internet disponíveis mais próximas do usuário, mas somente aquelas compartilhadas por estabelecimentos.
“Assim, onde quer que estejam, os usuários podem facilmente encontrar as conexões mais próximas quando a rede de dados estiver fraca”, disse a empresa em comunicado.

Para localizar conexões disponíveis, clique na aba “mais” no aplicativo do Facebook e depois em “encontrar redes wi-fi” para ativar a ferramenta. Você poderá então navegar por um mapa com os pontos mais próximos de Wi-Fi disponíveis, além de saber mais sobre os estabelecimentos com eles.
Para ter o recurso é necessário instalar a versão mais recente do aplicativo – a atualização só está disponível para aparelhos com sistemas operacionais iOS e Android.
Apesar de ter sido lançada oficialmente no ano passado, só agora os usuários de todo o mundo passam a ter acesso à ferramenta. Empresa não informou quando o find wi-fi começa a funcionar no Brasil.
Confira o passo-a-passo para utilizar a ferramenta também em vídeo:



Fachin manda soltar Rocha Loures, ‘homem da mala’ da JBS. Faz sentido. Se Lula e Dilma, maiores corrupto do Brasil, estão soltos...

Rodrigo Rocha Loures após delações da JBS
Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial do presidente Michel Temer (PMDB) (Bruno Santos/Folhapress)


Veja


Ex-deputado federal e ex-assessor especial do presidente Michel Temer (PMDB), ele foi flagrado recebendo R$ 500 mil em dinheiro de executivo da companhia


O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, mandou soltar nesta sexta-feira o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que estava preso desde 3 de junho, na esteira das revelações feitas pelo empresário Joesley Batista e outros executivos da JBS.
Ex-deputado federal e ex-assessor especial do presidente Michel Temer (PMDB), ele foi flagrado pela Polícia Federal saindo de um restaurante em São Paulo com uma mala contendo R$ 500 mil em propina entregue pelo executivo da JBS Ricardo Saud  – ao ser preso, ele devolveu o dinheiro.
Na conversa gravada entre Temer e Joesley, durante reunião no Palácio do Jaburu, o presidente da República diz ao dono da JBS que Rocha Loures seria o seu interlocutor para tratar de qualquer assunto envolvendo questões do governo.