Enquanto Flávio Bolsonaro avança, a imagem do petista e a insatisfação com a economia ajudam a explicar a derrota iminente
No ersforço para tentatr iludir o cidadão decente, ex-presidiário vai à Missa e até segura a Bandeira do Brasil - Foto: Ricardo Stucker
Mesmo com a Presidência nas mãos, Luiz Inácio Lula da Silva chega à reta final da campanha sem se firmar acima dos 40% das intenções de voto. Já o senador e principal adversário do petista, Flávio Bolsonaro, avançou em setembro e reduziu a distância. A dez dias da eleição, marcada para 4 de outubro, a vantagem do presidente quase não existe mais.
De acordo com o agregador de pesquisas PollingData para o primeiro
turno, o ex-presidiário Lula aparece com 40,3% em 25 de setembro, praticamente o
mesmo patamar de 1º de junho, quando tinha 40,7%. Flávio, porém,
passou de 32,9% para 37,8% no período. A distância entre os dois caiu
de 7,8 para 2,5 pontos porcentuais.
O presidente tentou reagir à queda registrada no fim de agosto, mas o adversário cresceu mais. Em 1º de setembro, o PollingData estimava 38,4% para Lula e 31,8% para Flávio. Desde então, o petista ganhou 1,9 e o senador, 6 pontos porcentuais. Lula recuperou terreno sem ampliar o patamar que já ocupava meses antes.
Agregador de pesquisas do PollingData mostra oscilação dos candidatos nos últimos 3 meses | Imagem: Reprodução/ https://flex.pollingdata.com.br/
O agregador reúne resultados de 149 pesquisas, de 22 institutos, para produzir as estimativas. No total, avalia 235 cenários diferentes que comprovam que Lula tem oscilado para cima e para baixo, sem sair da casa dos 40%, enquanto Flávio cresce.
A aproximação nas pesquisas Dois levantamentos da Futura/100% Cidades mostram movimento semelhante. No início de setembro, Lula tinha 39,2%, contra 33,6% de Flávio. Na pesquisa divulgada na quinta-feira 24, porém, o presidente marcou 38,4%, e o senador chegou a 40,4%.
Flávio ganhou 6,8 pontos porcentuais; e Lula oscilou 0,8 ponto para baixo. Com margem de erro de 2,2 pontos porcentuais, os dois estão tecnicamente empatados no levantamento mais recente.
Em uma simulação de segundo turno do PoderData/Aya, Flávio registra 46%, e Lula, 45%. A diferença também está dentro da margem de erro, de 1,8 ponto porcentual. As pesquisas usam métodos distintos e não podem ser tratadas como uma única série. Em conjunto, porém, expõem a dificuldade do presidente para abrir vantagem enquanto o principal adversário se aproxima.
O peso de estar no poder
Para João Medeiros Neto, advogado e pós-graduado em análise política, a visibilidade do cargo já não basta para ampliar o apoio a Lula. Na avaliação dele, os muitos anos do presidente no centro da política reforçaram sua associação ao chamado “sistema” e dificultam a conquista de novos eleitores.
Medeiros Neto também aponta o desgaste provocado por escândalos que atingem pessoas próximas ao presidente, como os desvios do INSS e o caso do Banco Master. Além disso, as críticas aos gastos excessivos com viagens não passam batido ao eleitor, sobretudo ao que usa as redes sociais para se informar.
Promessas vazias de resultados
As promessas não cumpridas também têm peso na rejeição a Lula. “A ‘picanha’ se tornou um símbolo dessa cobrança”, resume o analista. Ele também menciona a deterioração da economia brasileira, com o aumento das famílias endividadas e a dificuldade de fechar as contas no fim do mês.
53% dos eleitores classificavam a situação econômica como ruim ou péssima na pesquisa BTG/Nexus de 31 de agosto. “O brasileiro médio não entende os números de aumento de PIB ou as taxas de juros, mas ele percebe quando o salário não dá mais para comprar tudo o que precisa no mercado”, diz ainda Medeiros Neto.
O governo federal ainda tenta converter anúncios em entregas antes da votação. O fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública seguem sem definição no Congresso. O reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado em setembro, só começará a valer em 19 de outubro, depois do primeiro turno.
Com informações de Letícia Alves, Revista Oeste