domingo, 28 de janeiro de 2024

Bolsonaro atribui às mentiras de Lula o fracasso e cancelamento das ‘lives’ do... ex-presidiário

Ex-presidiente atraía público de mais de 500 mil pessoas;  petista registrou o máximo de 5 mil


Bolsonaro durante live neste domingo: ele sempre atraiu mais de 500 mil pessoas, contra 3 a 5 mil de Lula.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou neste domingo (28) que “mentir não leva a nada”, referindo-se de maneira irônica à notícia de que o presidente Lula (PT) decidiu cancelar suas lives semanais, em razão da baixa audiência.

Durante uma “superlive” ao lado dos filhos, neste domingo (28), Bolsonaro criticou o fato de Lula usar essas lives semanais para dirigir insultos a ele. “Até parece que quando Lula vai dormir, em vez de dizer ‘eu te amo, meu bem’, ele diz ‘Bolsonaro!'”, disse, sarcástico.

O atual presidente  iniciou suas lives semanais em junho do ano passado, escolhendo como seu “entrevistador particular” Marcos Uchoa, ex-repórter da TV Globo filiado ao PCdoB, mas as emissões, sempre nas manhas de terça-feira, têm sido um enorme fracasso de público.

Enquanto um público de 3 a 5 mil pessoas acompanhavam as lives de Lula, na maioria ativistas do PT e jornalistas simpáticos a ele, o ex-presidente Jair Bolsonaro registrava em suas lives, em algumas ocasiões, mais 500 mil espectadores ao vivo, número que se ampliava depois. Em 2021, por exemplo, no dia 28 de janeiro, YouTube registrou 578.595 mil espectadores da live de Bolsonaro.

O ministro-chefe da Secom, Paulo. Pimenta, confirmou o cancelamento das lives justificando-o como “mudança de estratégia”.

Diário do Poder

450 mil pessoas ao vivo em live de Bolsonaro em pleno domingo

Live do Bolsonaro superou MEIO MILHÃO AO VIVO

Super Live com Bolsonaro - 1.326.658 visualizações nas primeiras 4 horas do início da Live

Super Live com Bolsonaro: formação de candidatos e lideranças

O Estado de Direito maculado

 

Congresso Nacional, em Brasília| Foto: Pillar Pedreira / Agência Senado


O Estado de Direito significa o funcionamento da vida social sob o império da lei, não baseado na vontade discricionária dos homens e dos agentes públicos, e é o melhor sistema encontrado pela humanidade para estabelecer as regras de convivência social e as punições pelas violações devidamente provadas, sob o império de leis votadas por representantes do povo, legitimamente eleitos, e que tenham como princípios fundamentais o devido processo legal, o direito à ampla defesa, a presunção de inocência, o ônus da prova incumbido a quem acusa e o direito de recurso a grau superior, entre outros.

De início, cabe ressalvar que a lei não é qualquer norma emanada de autoridades públicas, como portarias e decretos executivos, pois não é o fato de uma norma simplesmente emanar de algum poder público que a torna legitimamente uma lei. A lei somente será autêntica se representar uma norma universal de conduta justa aplicável a um número desconhecido de casos futuros. O Estado de Direito significou expressivo progresso da civilização ao substituir o regime anterior, baseado na submissão do indivíduo à vontade de um único homem, o rei, o soberano.


O Brasil, infelizmente, é pródigo em situações que acabam atuando como tentativa de restabelecer o império de um homem só.


Nos regimes absolutistas, submetidos à vontade de reis ou imperadores, estes comumente exerciam a tirania pela qual as condenações e punições sem julgamento e sem direito de defesa eram atos rotineiros de governo. O Estado de Direito implica necessariamente que ninguém pode ser punido fora do processo legal, no qual seja garantido ao acusado o direito ao contraditório e à ampla defesa, e implica também que o agente da lei é obrigado e responsável pela obediência às etapas do processo legal. Nesse regime, a punição somente pode se dar caso a acusação seja provada por circunstâncias e meios previstos em lei, vedado o arbítrio pessoal da autoridade ou do juiz, porquanto eventual punição fora da lei e por mera vontade pessoal do juiz é similar à justiça feita com as próprias mãos.

Assim, o Estado de Direito em sociedade democrática requer a aprovação, pelos representantes do povo, de um código de leis que estipule os crimes e as punições e, também, de códigos processuais com as regras de acusação, defesa, provas, apresentação de atenuantes, agravantes e tudo o mais requerido para que as conclusões sobre materialidade, autoria, motivações, circunstâncias, agravantes e atenuantes sejam expressão da verdade, de forma a não restar dúvida sobre o delito, a autoria e todos os aspectos do fato.


Aceitar que um presidente, um ministro do STF ou um agente público isoladamente estabeleça normas necessárias à existência de um mínimo de civilização é ferir de morte a democracia.


Pela importância da vida, da liberdade e da propriedade, e para possibilitar a paz e o progresso, uma nação civilizada jamais pode admitir a aprovação de norma relacionada ao Estado de Direito e seus códigos fora do Poder Legislativo, no qual a população é representada por legisladores eleitos pelo voto livre, secreto e direto dos indivíduos. Nesse sentido, é casuística, condenável, inaceitável e contrária ao Estado de Direito qualquer imposição ou alteração, explícita ou implícita, da Constituição, do Código Penal, do Código de Processo Penal e demais cláusulas típicas do Estado de Direito por medida unilateral de qualquer autoridade pública.

Nessa mesma linha, muito menos podem quaisquer membros do Poder Judiciário, individual ou coletivamente, legislar ou alterar as bases e as normas do Estado de Direito, pois o juiz a quem fosse permitido criar regras perderia toda a isenção para seguir na função de julgador, pela óbvia razão de que é inválido o julgamento proferido pelo próprio feitor da norma que sustenta a sentença.

O Brasil, infelizmente, é pródigo em situações que acabam atuando como tentativa de restabelecer o império de um homem só. O Executivo tem as medidas provisórias, que, criadas para socorrer fatos determinados ocorridos em situação de emergência que requer solução pronta e rápida, acabaram se tornando norma legislativa baixada pelo presidente da República para qualquer assunto cotidiano sob mera vontade do governante. Já o Poder Judiciário vive uma epidemia de decisões monocráticas nas quais, por exemplo, a vontade de um único membro do Supremo Tribunal Federal triunfa sobre todo o resto, inclusive as deliberações de quase 600 representantes eleitos pelo povo no Congresso Nacional.

O Legislativo, aliás, analisa PEC que regula tais decisões monocráticas, despertando reação bastante extremada da parte de alguns ministros. Aceitar que um presidente da República, um ministro do STF ou qualquer agente público isoladamente estabeleça normas necessárias à existência de um mínimo de civilização é ferir de morte a democracia, o Estado de Direito e a possibilidade de vida social pacífica, em que as soluções dos conflitos se façam sob regras que respeitem a vida, a propriedade, a liberdade e a segurança dos cidadãos, além de prejudicar os esforços sociais na promoção do crescimento econômico e do desenvolvimento social.


Gazeta do Povo

J.R. Guzzo - Para Lula e Pimenta não há meio termo: imprensa deve elogiar governo dia e noite

 

Dupla medonha!!! Foto: Joedson Alves/Agência Brasil


Salvo durante os primeiros tempos do regime militar de 1964, poucos partidos ou chefes políticos tiveram um tratamento tão amigo por parte da maior parte da imprensa brasileira como Lula e o PT têm tido nos últimos cinco ou seis anos. Desde que o nome de Jair Bolsonaro apareceu como uma nova realidade da política nacional, proprietários puseram seus veículos e jornalistas puseram sua profissão a serviço do atual presidente – dentro da justificativa geral de que só ele e o seu sistema poderiam “salvar a democracia” no Brasil.

No seu momento mais extremado, esse esforço cívico levou a principal emissora de TV do Brasil a emitir uma sentença que nenhum tribunal deu até hoje para os problemas penais de Lula: “O senhor”, anunciaram no ar, “não deve nada à Justiça”. Depois que o TSE contou os votos da eleição do ano passado e declarou que Lula tinha ganhado, a democracia estava “salva”. Não era mais necessária, portanto, a aliança com o novo regime. Mas o fato é que, por essas coisas da vida, o apoio ficou ainda mais apaixonado.


Após anos seguidos de boa paz, o presidente e o PT começam a denunciar a imprensa como “inimiga” e retomar sua posição-raiz: os meios de comunicação são “monopólios” indesejáveis a soldo da burguesia.


Montou-se nas mesmas regiões da mídia, desde então, uma frente unida de resistência em favor dos novos administradores do Tesouro Nacional – e a coisa até que ia indo bem quando começaram a surgir diferenças de entendimento sobre a natureza da parceria. O governo entende que tem direito a 100% de apoio em 100% das questões e em 100% do tempo. Alguns veículos entendem que não é assim; consideram-se autorizados a discordar em determinadas coisas, e até mesmo a falar mal de Lula, das centenas de ministros, para-ministros e subs dos subs que vêm embaixo quando acham que isso ou aquilo está errado.

Houve, no começo, um pouco de surpresa por parte do governo, logo transformada em impaciência e, agora, em franca indignação. Após anos seguidos de boa paz, o presidente e o PT começam a denunciar a imprensa como “inimiga” e retomar sua posição-raiz em relação à ela: os meios de comunicação, mais uma vez, são “monopólios” privados indesejáveis a soldo da burguesia, do “grande capital” e de tudo aquilo que fingem ser contra. Não admitem meio termo. Ou puxa o saco, dia e noite, ou é inimigo.

Essa neurastenia agressiva veio à luz do sol, com todas suas reservas de rancor, com as críticas de alguns veículos a decisões da Petrobras em geral e, em especial, à sua política de investimentos. A irritação oficial se deve, no caso, às observações que a imprensa fez a respeito do reinício das obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – que deveria custar 2 bilhões de dólares, já engoliu mais de 20 bi, levou a Petrobras a tomar um calote master do companheiro Hugo Chávez e até hoje, após quase dez anos de obra, não está pronta.

Essa refinaria é um dos mais escandalosos fracassos dos governos anteriores de Lula e o pior de toda a história da estatal. Vão enfiar ali, agora, mais 6 ou 8 bilhões de reais tirados do bolso do pagador de impostos. O erro fundamental está na insistência da Petrobras em enterrar dinheiro no refino, onde quer manter um monopólio industrial obsoleto que não consegue atender nem às necessidades internas de produção de combustível. Em vez de se concentrar na área em que é mais bem sucedida, a da produção de óleo, e vender as refinarias para empresas privadas com capacidade e interesse em investir nisso, o sistema Lula decidiu apostar no que não dá certo.

O ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta, que distribui os bilhões de reais em verbas de propaganda oficial do governo, é um dos mais revoltados. Lula também teve o seu acesso de nervos. Diz que toda a corrupção na Petrobras, um marco na história universal da roubalheira, e a sua própria condenação na Operação Lava Jato, foram uma manobra “dos Estados Unidos” para impedir o Brasil de ter uma indústria petroleira. Vem, agora, com a história de que a mídia faz parte dessa conspiração.



J.R. Guzzo, Gazeta do Povo